2.1 O Eco Macaense
2.1.2 Principais temas e secções
Ao fazermos a análise dos temas publicados verifica-se que cobriam múltiplos aspectos da vida macaense (entre 1893-99), conforme é dado a perceber pelo gráfico.
Gráfico 1 – Temática abordada na 1ª página do Eco Macaense
Temas abordados na 1ª página
48 15 45 154 12 29 7 9 11 75
Comércio Sociedade Educação Politica/adm. Religião Economia Comunicação Cultura Probl.c/jornais Medicina
As notícias inclusas na primeira página de cada número do Eco Macaense revelavam as matérias que mais despertavam o interesse dos leitores deste jornal e que, ao mesmo tempo, serviam as conveniências dos seus redactores, no cumprimento do compromisso assumido, apesar dos condicionalismos que dificultaram a sua existência.
No âmbito da temática política avultavam questões de cariz local, tais como: mudanças de governador; notícias de Timor; delimitação territorial de Macau; a segurança pública e o corpo de polícia; trabalhos penais dos chineses e necessidade de um representante de Portugal em Pequim. Os artigos relacionados com o Extremo Oriente referiam a guerra sino-japonesa e suas consequências; as ocupações territoriais das potências estrangeiras na
China e a formação de uma associação para defesa dos interesses dos portugueses em Hong Kong. Em relação à política central, o enfoque era dado aos assuntos relacionados com as decisões afectas ao ultramar e respectivos ministros, questão da venda das colónias e outras relacionadas com matérias coloniais. A nível internacional tiveram destaque o assassinato do presidente da França, o desfecho da rebelião nas Filipinas e cedências territoriais às potências estrangeiras.
Os assuntos relacionados com a medicina abordavam as preocupações do aparecimento da peste bubónica e relatórios médicos sobre a epidemia; estado sanitário de Macau e melhorias higiénicas implementadas na cidade.
O espaço dedicado à sociedade resumia-se a convites para bailes e festas diversas e publicidade a determinadas personalidades do território.
As preocupações económicas estavam relacionadas com a situação do comércio de Macau com a China e o estrangeiro; os problemas de falta de condições do mercado municipal; as obras de melhoramento no porto de Macau; o aumento da carga fiscal e a instituição de monopólios, dominavam a 1ª página deste periódico.
Quanto à educação predominavam as informações relativas aos diversos estabelecimentos de ensino (programa e disciplinas, professores e horários); criação do Liceu de Macau e seus exames de admissão; atribuição de prémios aos melhores alunos das diversas instituições; educação feminina; reforma(s) da educação).
Ao nível da religião a 1ª página deste hebdomadário publicitava as acções dos bispos de Macau e das ordens religiosas; a importância do Seminário de S. José, ao nível da instrução da juventude macaense; e massacres de missionários no interior da China.
A cultura marcava presença aquando dos festejos comemorativos da descoberta da índia; os espectáculos no teatro e clubes recreativos e a organização da Biblioteca Nacional de Macau.
Os temas relacionados com a organização dos correios de Macau e o transporte de passageiros e mercadorias, entre Macau e os restantes portos do Extremo Oriente, assim como as ligações internacionais com o resto do mundo, figuravam, também, na 1ª página.
As polémicas jornalísticas fizeram manchete nas páginas do Eco Macaense e produziram debates acesos e continuados com os jornais, Oriente Portuguez, A Voz do Crente e O Independente.
Verifica-se o predomínio de notícias de âmbito político. O jornal assumia, pelo subtítulo, a sua vocação para as questões políticas, sendo as informações locais as que mais espaço ocupavam, sem deixar de noticiar o que se passava nas diversas regiões do Extremo Oriente. Seguiam-se as relacionadas com a medicina, comércio, educação, economia, religião, cultura, polémicas com outros jornais e comunicação.
Esporadicamente, figuravam na página de rosto, notícias dando conta das alterações internas efectuadas no periódico – separação entre este jornal e a parte chinesa que passou a ser publicado em suplemento; motivos do afastamento do editor Francisco H. Fernandes e o seu retorno, as datas comemorativas dos aniversários do jornal, entre outros.
Este periódico reserva um espaço (ao fundo da 1ª página) para a inclusão do “Folhetim”, que apresentava interesses históricos locais. A primeira obra divulgada foi Esboço histórico dos estabelecimentos portuguezes na China, de Sir Andrew Ljungstedt, sendo publicada até 13 de Dezembro de 1896. Depois de um ano de interrupção, o folhetim retorna a 19 de Dezembro de 1897 com a obra, Notas históricas sobre Macau, tradução do Historical Landmarks of Macao de J. C. Thomson.
De seguida, aborda-se as principais secções do Eco Macaense – identificação, constância e/ou alteração e principais conteúdos divulgados.
Na secção “Local” eram noticiadas informações diversas relacionadas com o espaço macaense: telegramas meteorológicos; calendário de matrículas das diversas escolas; partidas e chegadas de individualidades; novos cargos atribuídos; falecimentos, baptizados e mercês honoríficas.
A “Secção Chinesa” dedicava-se a resumos do artigo de fundo, do jornal chinês fundado por Sun Yat Sen.
Na secção “Ecos da Metrópole” / “Portugal e Colónias” (esta última veio substituir a primeira a partir de 23/02/1896) as notícias apresentadas estavam directamente ligadas com as colónias ultramarinas, em geral, e Macau, em particular: nomeação de novos governadores; discussões dos orçamentos na Câmara dos Deputados; conflitos entre Portugal e as diversas colónias, etc.
“Por Aí Além” / “Pelo Estrangeiro” (esta última substituiu a primeira a partir de 23/02/1896) informava o que de mais significativo acontecia em diversas partes do mundo. A China era parte integrante destas secções como nação estrangeira, o que reforçava a ideia de autonomia do território macaense em relação ao Império Chinês. Além deste país, outros territórios eram, frequentemente, referenciados, tais como: Hong Kong, Japão, Sião, Itália, França e Inglaterra, entre outros.
As cartas, críticas, agradecimentos, entre outros, eram publicados na secção “Comunicados”.
“Efemérides Religiosas” dava conta das festas religiosas semanais a ocorrer na cidade (calendário e respectivos programas).
Na “Secção Amena” e “Passatempos” eram publicitados poemas, anedotas, charadas, enigmas, etc. Estas secções demonstravam o aspecto lúdico-recreativo do Eco Macaense.
“Religião e Moral” era um espaço dedicado à publicação de textos que apelavam à moral e boa conduta dos indivíduos.
A secção “Anúncios”89 caracterizava-se pela publicidade a diversos eventos, produtos e serviços, tais como: convite para espectáculos diversos; produtos a adquirir em estabelecimentos e casas particulares; oferecimento de serviços (sapateiro, barbeiro, aulas de inglês e de piano, anúncio dos horários dos vapores que faziam a ligação entre Macau e Hong Kong etc.); divulgação de informações provenientes do Tribunal, escritas em língua portuguesa e chinesa, entre outros.
Ocasionalmente, surgiam espaços intitulados “Conhecimentos Úteis” e “Notícias Soltas” que davam conta de informações úteis e de carácter científico – novas descobertas, novos instrumentos ou apenas curiosidades do mundo das ciências.