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3. Enquadramento Institucional

3.4 Professor Cooperante e Professor Orientador

No processo de condução e orientação do EE no EP, existem dois elementos que assumem um maior protagonismo. Sendo eles o PC e o PO. Relativamente ao PC, este assume uma maior preponderância no acompanhamento diário do EE no contexto escolar. Considerando-se assim como um elemento nuclear a nível da orientação e do apoio do EE (Alarcão & Tavares, 2003). Os mesmos autores afirmam que o processo de supervisão pedagógica é aquele em que um professor mais experiente conduz um professor inexperiente, no seu desenvolvimento integral e profissional. Uma descrição que representa perfeitamente a função que o PC desempenha no contexto do EP. Pois este interliga o meio profissional com o futuro profissional (Batista, Silveira & Pereira, 2014), mas também o conhecimento teórico com o contexto real de escola, onde este conhecimento necessita de adaptação às necessidades dos alunos (Gomes et al., 2014). O papel que o PC exerce deverá reger-se assim no sentido de, orientar a participação dos EE nos processos escolares de uma forma progressiva, passando de uma atuação mais periférica para uma mais interna, ativa e autónoma (Batista, Pereira & Graça, 2012).

Desta forma, após conhecer o PC e conviver com o mesmo durante a fase inicial do ano letivo, pude identificar que se tratava de um profissional bastante competente, que tinha uma paixão intrínseca pelo ensino e pela formação de EE. O que foi bastante motivador para iniciar o EP com ânimo e vontade de aprender. Como expressa o regulamento do EP (ver nota de rodapé nº/2), o PC deve “apoiar e orientar os estagiários nas atividades do projeto de formação desenvolvidas na Escola/Agrupamento de Escolas, promovendo a sua integração na comunidade escolar” (p.4). Algo que ocorreu, através da nossa indução gradual a nível dos processos e atividades escolares, funcionando sempre como um elo de ligação entre nós EE e as diferentes entidades, e elementos. Ainda de acordo com Ingersoll e Smith (2004), este processo de orientação têm maiores probabilidades de sucesso se o PC e o EE estiverem em sintonia. O que foi sempre uma preocupação do PC. Onde através das reuniões semanais, procurava focar a nossa atenção em temas

comuns e relevantes, consoante cada momento e etapa do EP. Para além de, ser um momento de reflexão e discussão sobre as atividades desenvolvidas, e de planeamento das vindouras. No entanto, este espaço semanal também foi por vezes, um palco de debates acerca dos mais diversos conteúdos, nem sempre relacionados com o ensino. O que vem realçar a dimensão da nossa formação holística enquanto EE e futuros professores, assim como a preocupação do PC com esta vertente.

“A reunião iniciou com um diálogo acerca da importância e da abrangência da função de Professor. Pois para além de lecionar as aulas, existem outros domínios onde um professor deve intervir. Em primeiro lugar, um professor é um educador, de seguida um professor e tendo em conta a nossa área de estudo, um professor de educação física. Não de forma tão linear. Mas esta foi uma forma que o P.C. encontrou, para nos fazer entender que as nossas ações não são limitadas a apenas planear e lecionar as aulas. Esta conversa surgiu no seguimento de um caso particular da minha turma. No qual é costume a aluna não ingerir qualquer alimento antes das aulas. Onde após algumas conversas mais informais e através dos colegas, fiquei a saber que a mesma também tem hábitos alimentares bastantes irregulares. “Saltando” várias refeições e não ingerindo os melhores nutrientes, quando resolve realizar as mesmas.

Apesar de já a ter avisado sobre a importância de uma alimentação regular e equilibrada bastantes vezes, os hábitos da aluna mantêm-se iguais. No seguimento deste tema, o P.C. referiu que é importante sermos ativos em relação aos problemas, não ignorando os mesmos. Onde entra aqui a função de educador. Pois este caso deverá ser referenciado à diretora de turma, para a mesma comunicar aos encarregados de educação a situação. Visto que a aluna continua a ter estes comportamentos prejudiciais à sua saúde. Este foi um exemplo prático de como ser professor é muito mais do que lecionar as aulas. Onde a nossa intervenção na comunidade escolar é deveras importante e significativa. Sempre com vista ao bem-estar dos alunos.

(Relatório/Reflexão Reuniões 12ª Semana de EP – 28/11/2018)

O PC revelou-se assim como um auxiliar do nosso processo de EP e das funções inerentes ao mesmo, mas sobretudo um indivíduo fundamental, para o nosso DP e entendimento da profissão docente. Relativamente à sua metodologia de atuação, foi algo que combinou perfeitamente com a minha lógica de trabalho. Pois desde uma fase inicial que sempre foi honesto e direto connosco. Expressando que nos daria a liberdade para realizarmos a maioria

das tarefas de forma autónoma, desde que cumpríssemos com os requisitos e pressupostos das mesmas. Para além de também exprimir, que faria sempre tudo ao seu alcance, para aplicarmos e experienciarmos todos os procedimentos e estratégias de ensino que pretendêssemos. O grande objetivo do PC foi providenciar-nos todas as condições, para realizarmos um estágio de sucesso e rico em aprendizagens, que resultassem num grande DP. Onde fomos adquirindo uma autonomia decisional, de forma progressiva, responsabilizando-nos pelas nossas decisões e ações tomadas (Batista & Queirós, 2014). Sendo o PC uma figura que me marcou bastante no processo de EP, devido à sua proximidade e orientação. Mas sobretudo pelas aprendizagens transmitidas, pela influência marcante no meu processo de inserção no contexto escolar e no meu processo de formação humanística e profissional.

No que respeita ao PO, este é um elemento que funciona como apoio do PC e em estreita ligação com o mesmo, complementando a atuação do PC e contribuindo igualmente para o sucesso do EP (Graham, 2006). A manutenção de um relacionamento próximo entre o PC e o PO é salientada por Clarke, Triggs e Nielsen (2014), pela influência que o mesmo desempenha na aprendizagem e DP do EE (Graham, 2006). O PO foi uma figura que esteve presente desde o início do EP. Onde demonstrou desde cedo, uma postura pró-ativa e que visava, acima de tudo, o nosso sucesso e a nossa aprendizagem enquanto EE. Isto foi demonstrado através das reuniões que organizou com todos os EE nas diferentes fases do EP, mas também pela disponibilidade em assistir-nos nos projetos de investigação-ação e na elaboração do RE. No entanto, foi a nível das observações periódicas efetuadas pelo mesmo, que senti que influenciou mais o meu trajeto a nível do EP. Pois o PO efetuou três observações durante todo o ano letivo, em momentos distintos do mesmo. O que contrastava com o PC, que nos observava todos os dias. Constituindo-se como um fator que, permitiu formular um juízo de valor, mais distanciado no tempo. Obtendo assim uma perceção mais clara das nossas prestações e da nossa evolução, ao longo do EP. Algo que em conjunto com as reflexões promovidas, de seguida à observação,

foram momentos de grande aprendizagem e desenvolvimento pessoal, e profissional. O PO procurou sempre incentivar o nosso espírito crítico e promover o nosso pensamento acerca das temáticas abordadas. O que vai de encontro a um estilo de descoberta guiada, que segundo Mosston e Ashworth (2008) se carateriza por o professor procurar que o aluno corresponda com um conjunto de respostas corretas, às questões efetuadas pelo professor, com o objetivo de descobrir o conceito ou ideia subjacente. Sendo esta uma caraterística destas reflexões após as observação e da metodologia do PO para connosco. Sendo que, para Bruner (1961) a aquisição desta capacidade de descoberta do conhecimento, de forma autónoma é mais importante que apenas a aquisição do conhecimento. Uma atitude que fomentou a minha vontade de pesquisar conteúdos relativos a modelos de ensino, de desenvolver um sentido crítico e de querer melhorar constantemente as minhas práticas.

O PC e o PO foram assim dois pilares para o meu DP e para a ocorrência de aprendizagens significativas, ao longo do EP. Os quais complementaram as diversas áreas de aprendizagem, necessárias para o meu sucesso como EE. Este processo de orientação exige uma sintonia, proximidade, regularidade e complementaridade, de modo a que ambos sejam elementos, que providenciem um processo de desenvolvimento completo do EE (Silva, Batista & Graça, 2017).