Foi na década de 80 do século XX, que se formou como que um consenso geral sobre o significado da expressão promoção de saúde. O Gabinete Europeu da Organização Mundial da Saúde apresentou, para discussão, um documento onde expunha o conceito geral e os princípios da promoção de saúde que ajudariam a fomentar e incentivar o debate. Foi com a chamada Carta de Ottawa (1996) que a promoção de saúde ficou definida como o “processo que possibilita às pessoas aumentar o seu domínio sobre a saúde e melhorá-la”.
Como vimos, os estilos de vida tendem a resultar dos vários processos de socialização experimentados em diferentes etapas da vida e poucas são as pessoas que adoptam voluntariamente, um estilo de vida contrário à sua saúde. Os pais, aspiram a que os seus filhos sejam saudáveis e, implicitamente, sigam estilos de vida saudáveis, no entanto, todos temos consciência de como o próprio ambiente pode exercer uma influência marcadamente vincada nas atitudes e nos valores e ainda no comportamento dos jovens relativamente à saúde.
A promoção da saúde sexual deve reflectir e estimular o desenvolvimento de atitudes positivas face à sexualidade humana. Promover estilos de vida sexual saudáveis, durante a adolescência,
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implica valorizar as dimensões: ética, afectiva e relacional que potenciam uma personalidade harmoniosa. Isto não invalida, estigmatiza ou minimiza a expressão da sexualidade nos jovens adolescentes (Prazeres Vasco, 1998; Grande Nuno, 1999; Sampaio Daniel, 2006).
Motivar para a prevenção de comportamentos de risco não minimiza nem reprime a exteriorização dos afectos e do erotismo sexual dos adolescentes. É contudo, importante dar visibilidade à complexidade das inter-relações entre factos biológicos, psico-afectivos e sociais durante a adolescência. Nesta matéria cabe aos profissionais de saúde criar estratégias para que, nos distintos contextos sociais, os adolescentes alarguem as competências de decisão pessoal sobre comportamentos, apoiados em valores e atitudes individuais face à sexualidade. Este contributo profissional deve assentar, no caracter pessoal e único das experiências sexuais, que variam em função da cultura, da idade, da capacidade física e intelectual e ainda das preferências pessoais e assegurar o direito dos jovens a protegerem-se da exploração, do abuso e da violência sexual (Prazeres Vasco, 1998; Grande Nuno; Rodrigues Custódio, 1999; Marques António et al., 2000; Sampaio Daniel, 2006).
Há que estimular a abertura e o envolvimento social favorável à procura dos serviços de saúde por parte dos adolescentes. É fundamental afiançar a equidade e a acessibilidade dos adolescentes de ambos os sexos aos cuidados de saúde, por forma a garantir o acesso à informação e à educação sobre sexualidade e reprodução, bem como ao uso de meios contraceptivos de doenças de transmissão sexual, motivando para a precocidade e continuidade da vigilância de gravidezes se for caso disso. Sendo o profissional de enfermagem aquele que no seu dia-a-dia mais de perto contacta com o jovem adolescente, será oportuno transmitir-lhe a necessidade de adoptar comportamentos informados e responsáveis face às novas capacidades de reprodução de que este agora é capaz. Assim, é importante que ambos os sexos tenham conhecimentos sobre o ciclo ovário, a fecundação, a gravidez e o parto, entendendo que maternidade e paternidade devem resultar de uma opção de vida voluntária. Se bem que alguns dos jovens adolescentes possam já ter tido acesso a estas áreas temáticas, mas porque o conhecimento e a aprendizagem não se processam linearmente, é muito importante reforçar o seu tratamento (Macpherson Ann; Nodin Nuno, 2001; Sampaio Daniel, 2006).
Apesar de as relações sexuais coitais poderem ter ainda um caracter esporádico, é fundamental que os jovens saibam que estes ou outros contactos genitais podem originar uma gravidez. O medo de uma eventual gravidez não se traduz regra geral numa preocupação acrescida de comportamentos preventivos. Pelo que, um conhecimento da anatomia e da fisiologia dos
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órgãos sexuais pode funcionar como um meio efectivo de prevenir gravidezes não desejadas e as suas consequências, e ao mesmo tempo, ser uma forma importante e adequada de aprofundar o auto-conhecimento, valorizando o seu corpo e as suas capacidades (Andrade Isabel; Frade Alice et al., 1996; Nodin Nuno, 2001; Sampaio Daniel, 2006). Uma pessoa saudável é mais que o somatório das suas componentes fisiológicas o que significa que, no campo da promoção da saúde, os profissionais de enfermagem têm de utilizar uma estrutura que englobe tanto as dimensões biológicas, sociais, psicológicas e afectivas, como as físicas. Onde quer que se aplique esta estrutura holística, deve dar-se igual ênfase às questões afectivas e cognitivas, considerando tanto os sentimentos como os factos. Quando não são tomados em consideração os sentimentos pessoais, no que respeita à promoção e educação para a saúde, são escassas as possibilidades de êxito. Os conteúdos sob a forma de informação e conhecimentos são importantes, pois será impensável querer que alguém tome decisões bem estruturadas, racionais ou eficazes, no que diz respeito à saúde ou ao seu estilo de vida, se não tiver tido acesso a informação factual e credível.
Assim um resultado útil e duradoiro da educação para a saúde será o capital de estilo de vida que permaneça no indivíduo. Ajudar as crianças e os jovens adolescentes a cuidarem de si, adquirindo respeito por si próprios, é um dos objectivos básicos da educação e promoção da saúde. Este objectivo pode ser atingido incentivando os jovens a assumir as responsabilidades dos seus actos, onde e sempre que isso seja conveniente, adaptando os conhecimentos ao nível geral das suas capacidades, o que os ajudará na passagem da infância à idade adulta. Quanto maior for o grau de compreensão, de autenticidade e de respeito por parte dos profissionais de enfermagem no atendimento dos jovens que os procuram, mais facilmente eles assimilarão as noções e conceitos de uma vida saudável. Pois, “a capacidade de relacionamento é talvez a mais importante qualidade para proporcionar uma vida plena e digna de ser vivida” (Young Ian, 1995:111).
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