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Quadro 6 Perfil das Diretoras dos Sindicatos

Militância Sindical Função Filiada a Partido Político SSM Genilda 1995 Secretaria PT Sonia 1995 Presidente PT Matilde 1995 Secretaria geral PT SIEMACO

Regina 1995 Presidente Não M. Isabel 1995 Fiscal Não

SEEB

Zenaide 1989 Secretaria suporte

administrativo Não Roseli 1994 Secretaria suporte

administrativo Não APEOESP

Solange 1995 Conselheira Não R. Célia 1996 Secretária PT

Fonte: Pesquisa de Campo, 2001

conquistados e assumiu, mesmo com o novo sindicalismo, um caráter defensivo, como as questões de gênero que acabam sendo afastadas do plano de ação sindical. E ainda mais, pela inflexão ocorrida no final da década de 1980, em que se luta pela conquista de um conjunto de direitos sociais e trabalhistas sociais.

CARVALHAL (2000a) pondera que há uma consonância da conjuntura sindical nacional, com os sindicatos de Presidente Prudente, onde os sindicalistas ficam presos às ações de manutenção dos direitos já conquistados, com exceção do SSM que ainda, tem mostrado que luta por novas conquistas trabalhistas.

Outro elemento importante para o avanço de nossas discussões, diz respeito às relações entre a direção sindical e os trabalhadores da base, cujo primeiro aspecto podemos delinear a respeito da freqüência das assembléias podendo indicar o grau de interatividade da base com a direção sindical. Nesse sentido, os sindicatos estariam aquém disso ao não realizar assembléias freqüentemente? O SSM parece ser o único sindicato que realiza mini-assembléias setoriais nos locais de trabalho, além das assembléias ordinárias realizadas duas vezes por ano, o restante, convoca as assembléias de forma esparsa, quando ocorre alteração de salário, demissão, greve.

Observamos nos sindicatos pesquisados, que não existe um calendário de assembléias definido ao longo do ano, ao contrário do que ocorre com a diretoria sindical, que se reúne freqüentemente para definir e discutir questões de rotina do sindicato e que, não é repassado para os trabalhadores.

Do exposto até então, fica explícito uma falta de abertura e interação das diretorias com sua base trabalhadora, ao reforçarem a questão de gênero no interior dos sindicatos e à tomada de decisão da pauta do jornal do sindicato ser totalmente realizada pela direção42. Além de que, mesmo nas entidades dirigidas por mulheres, essas não têm tido a preocupação em marcar as reuniões em períodos adequados às mulheres-mães-trabalhadoras. Pois geralmente os encontros são realizados à noite depois do expediente ou nos finais de semana, fato que obriga parte delas a levarem os filhos para as reuniões, ou no limite, não comparecerem devido ao cumprimento da jornada de trabalho à frente das atividades do lar, ou ainda são impedidas pelos maridos.

No que corresponde a participação das mulheres em assembléias, as duas

diretoras entrevistadas do sindicato da limpeza e conservação (SIEMACO) afirmaram que a maior participação é das mulheres, mesmo sendo realizadas no domingo de manhã. Oque pode ser considerado natural, já que 70% dos trabalhadores da base são mulheres, fato que poderia explicar a maior participação de mulheres nas assembléias, “que trazem seus filhos, já que não atrapalha”, segundo a presidente.

Os diretores (inclusive as diretoras) do SEEB confirmaram a maior participação dos homens nas assembléias (realizadas à noite), o que acaba reafirmando a tradição do homem participar mais do sindicato, segundo o presidente. Esse fato também foi percebido nas falas dos presidentes do SEC e do SINTCON, sobre a baixa participação das mulheres nas assembléias.

Na situação do SINTCON, a baixa participação das mulheres, poderia ser explicada pela baixa taxa de mulheres na base, porém em números gerais este sindicato possui mais mulheres do que o STIAC. No entanto esse sindicato, além de afirmar que as mulheres são as que mais participam das assembléias, possui a representação de 2 mulheres na sua diretoria, mesmo sendo o sindicato com menor número de mulheres na base. (Quadro 3)

No caso do SEC, a baixa participação das mulheres nas assembléias não se deve ao pequeno número de mulheres na base, pois dos sindicatos pesquisados é o que tem mais mulheres na base territorial.

Sobre a participação das mulheres em assembléias, alguns sindicalistas colocaram durante as entrevistas que, de forma geral, há uma tendência à diminuição da participação dos trabalhadores nas assembléias, ocorrendo maior expressividade quando se tratam de campanha salarial, paredeiro e greves. Ou então, conforme nos relataram os presidentes do SINDIALCOOL, do SINTCON e da APEOESP que, quando as assembléias ocorrem no local de trabalho há uma boa participação, caso contrário, vive-se, via de regra, o esvaziamento.

Poderíamos pensar que, os sindicatos, de forma geral, não possuem muitos exemplos para avaliar a participação dos trabalhadores, já que, os encontros com a base acabam ocorrendo, em situações extremas, como a discussão que envolve a permanência de empregos e salários. Por outro lado, isso demonstra que o sindicato não tem procurado se aproximar dos trabalhadores, já que alguns deles, não dependem da contribuição voluntária dos trabalhadores para sobreviverem.

Por mais que alguns sindicalistas admitam que, há participação maior das mulheres ou dos homens nas reuniões e assembléias organizadas nos dias e horários em que, na

maioria das vezes a mulher tem de exercer sua jornada doméstica, podemos ver que, as mulheres assim como os homens trabalhadores, não participam de assembléias em que se discute questões políticas de âmbito geral. Até mesmo porque, além da questão dos horários, as pautas das assembléias assim como as do jornal do próprio sindicato são organizadas pela diretoria, sem a presença de trabalhadores.

Em contrapartida a isso, quando questionamos as trabalhadoras se sabiam qual o dia das assembléias realizadas pelo sindicato, cerca de 60% desconheciam, até porque, como vimos, os próprios sindicalistas apontaram a não-regularidade das assembléias realizadas com a base.

Da mesma forma, quando questionamos se as trabalhadoras participam das assembléias, cerca de 31%, das 135 trabalhadoras abordadas, disseram que participam, com destaque para as trabalhadoras do SIEMACO, onde dos 30 questionários aplicados, 20 mulheres (66,7%) responderam que participam das assembléias. No entanto, assim como a maioria das outras mulheres pesquisadas, essas também não sabiam o dia da semana em que as assembléias são realizadas.