2. Habi, la extranjera 3 Sola contigo
3.5 Protocolos de Coprodução Cinematográfica e Editais de coprodução
3.5.2 Resultados do Protocolo de Coprodução entre a Ancine e o INCAA
Quadro 9 - Projetos contemplados com o Edital de Coprodução Brasil-Argentina (2011–2015)
Situação
Patrimonial Minoritário Brasileiro Minoritário Argentino
Ano Título Diretor Título Diretor
2011
La suerte en tus manos
Daniel Burman
Al oeste del fin del mundo
Paulo Nascimento Habi la Extranjera Maria F.
Alvarez Hermanos
132 Dados não
disponíveis133
2012
El Ardor Pablo Fendrik Happy Hour Eduardo Albergaria Coração de Leão Marcos
Carnevale Pela Janela
Caroline Leone
2013
Vergel Kris Niklison Mata-me por Favor
Anita Rocha da Silveira Sueño Florianopolis Ana Katz Divã 2 Cininha de
Paula
2014
La Patota (Paulina) Santiago Mitre Jango – Como Matar Un Presidente Roberto Farias Zama Lucrécia Martel O Fantasista Roberto Studart 2015 Uma espécie de
família Diego Lerman A voz do silêncio
André Ristum Esteros 1998 Papu Curotto O livro dos
prazeres
Marcela Lordy
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da Ancine
No quadro anterior, dispomos os resultados dessa política específica de fomento a obras de longa-metragem brasileiro-argentinas ou argentina-brasileiras, no período de 2011 a
132 O filme não consta como realizado até o dia 01/06/2016, de acordo com dados do Observatório do Cinema e
do Audiovisual (OCA/Ancine). Fonte: Listagem das Coproduções Internacionais Realizadas por Ano com Renda e Público em Salas de Cinema - 2005 e 2015. (ANCINE, 2016). Disponível em: <http://oca.ancine.gov.br/media/SAM/DadosMercado/2412-04042016.pdf>
133 A ata com o resultado final deste edital não estava disponível no site da Ancine até 01/06/2016. Foi publicada
uma matéria no site da Ancine sobre o resultado final, mas não informava o nome dos respectivos diretores dos filmes. Foi divulgado apenas o nome do projeto e das respectivas empresas contempladas. No caso de Hermanos, as produtoras responsáveis são: Carrousel Films (Argentina) e Cinematográfica Pampeana LTDA (Brasil). Fonte: Ancine (2011). Disponível em: <http://ancine.gov.br/?q=sala-imprensa/noticias/fundo-de- coopera-o-entre-ancine-e-o-incaa-anuncia-os-quatro-projetos>
2015, ou seja, do ano do primeiro ao último edital lançados até a data da conclusão desta pesquisa. Entre os diretores, observam-se debutantes no formato de longa-metragem como Anita Rocha da Silveira, até diretores experientes com um conceituado currículo internacional e de grande referência na Latinoamérica, a exemplo de Lucrécia Martel e Daniel Burman.
O apoio a esses projetos de coprodução representa a concretização do Acordo de Coprodução Cinematográfica celebrado entre os dois países, em 1988, e ainda do Acordo de Cooperação entre a ANCINE e o INCAA, assinado em dezembro de 2010.
No meio de uma intensificação de laços intergovernamentais, vale sublinhar que, anteriormente, outra medida ocorreu em 2003, quando a ANCINE e o INCAA assinaram um Protocolo para Fomento à Distribuição de Filmes de Longa-Metragem. De acordo com o documento (ARGENTINA; BRASIL, 2003), oito filmes de cada país deveriam ser selecionados anualmente para receber apoio à distribuição, concedido, no que diz respeito à ANCINE, a título de subsídio a fundo perdido, e, no que se refere ao INCAA, como aporte de fomento cinematográfico não reembolsável. O acordo tinha a função de estimular e facilitar o intercâmbio de filmes entre os dois países. Esse protocolo foi extinto três anos depois.
Outra iniciativa recente foi a criação de dois fundos de investimento para a coprodução com o Chile. Tanto a ANCINE quanto o Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA) da Argentina firmaram protocolo de cooperação com o Conselho Nacional da Cultura e das Artes (CNCA) do Chile, em 2015 e em 2016, respectivamente. O Edital de Coprodução entre ANCINE e CNCA visa, em cada um dos países, a seleção de um projeto de produção de longa-metragem em coprodução minoritária. No caso, dois projetos brasileiro-chilenos, por ano, receberão o financiamento. No Brasil, o coprodutor minoritário selecionado receberá o equivalente a US$ 100.000,00 (cem mil dólares estadunidenses). O projeto do coprodutor minoritário chileno contemplado também receberá o mesmo valor. O protocolo entre Argentina e Chile se dá nos mesmos moldes, com igual valor investido, para dois filmes argentino-chilenos por ano. Cinquenta anos antes, em 1966, o Brasil já havia assinado o Acordo de Coprodução Cinematográfica com o Chile, que foi renovado em 1996. Já a Argentina firmou Acordo de Coprodução Cinematográfica com o Chile em 1994.
No Brasil, uma das iniciativas mais recentes na área é o Edital de Coprodução com países da Latinoamérica, dentro do Programa “Brasil de Todas as Telas”. A novidade foi publicada no ano de 2015. Através desse concurso público, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), através do Fundo Setorial Audiovisual (FSA), possibilita a produtores audiovisuais brasileiros independentes um investimento em projetos de obras
cinematográficas de longa-metragem, nos gêneros ficção, documentário e animação. A seleção funciona em regime de fluxo contínuo, com edital aberto enquanto houver disponibilidade do recurso total previsto: no valor de R$ 5 milhões (cinco milhões de reais). No caso, estava previsto apoio de até R$ 250 mil para projetos de filmes de ficção e animação. Enquanto isso, para documentários o apoio seria de até R$ 175 mil reais. O mecanismo beneficia projetos cinematográficos em parceria com 19 países da Latinoamérica: Argentina, Bolívia, Costa Rica, Colômbia, Chile, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Com base nesse conjunto de incentivos, pode-se compreender que, no período analisado, há um cenário viável para a realização de filmes longas-metragens em coprodução entre Brasil e Argentina. Mesmo quando os projetos participantes da seleção não são selecionados pelos editais de fomento direto, o mecanismo acaba sendo uma fonte de incentivo para a construção de novas relações cinematográficas. Se há uma garantia anual de recursos, isso propicia aos produtores e diretores se organizarem também para projetos futuros a fim de se candidatar aos concursos de anos posteriores. Durante a nossa análise, observamos que alguns projetos não escolhidos em um determinado ano acabaram selecionados em editais de anos posteriores. Nesse sentido, esses editais também têm o potencial de contribuir com uma maior profissionalização na área dedesenvolvimento de projetos e captação de financiamentos, o que é crucial para a sobrevida dos cinemas em desenvolvimento.
Nos dois quadros a seguir, expomos o resultado de uma análise quantitativa sobre o número de acordos bilaterais e multilaterais firmados, primeiramente, no ambiente da política cinematográfica do Brasil; e, logo depois, outro quadro trata de resumir o conjunto de tratados assinados na Argentina com diversos países da Latinoamérica e da Ibero-América.
Como podemos observar, o Brasil mantém acordos bilaterais com seis países da Ibero-América, sendo quatro países da Latinoamérica, de modo que não há nenhum acordo em comum envolvendo o Brasil e países iberoamericanos como El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras e Paraguai. Já a Argentina, tem acordos assinados com sete países da Ibero- América, sendo seis países da Latinoamérica; também ficando de fora países como El Salvador, Guatemala, Haiti e Honduras, com os quais não há nenhum acordo bilateral ou multilateral firmado até a data da finalização desta tese.
Quadro 10 – Cruzamentos* de acordos entre o Brasil e outros países da Ibero-América País Bilateral Acordo latino- americano de coprodução Acordo ibero- americano de coprodução Total de coproduções com o Brasil (2009- 2015) Argentina X X X 16 Bolívia X 0 Brasil* 12 países: sendo 6 da Ibero- América e 4 da Latinoamérica) X X 81 experiências de coprodução com obras lançadas no
Brasil Chile X X 7 Colômbia X X X 2 Costa Rica X 0 Cuba X X 1 Equador X X 0 El Salvador 0 Guatemala 0 Haiti 0 Honduras 0 México X X 3 Nicarágua X 0 Panamá X X 0 Paraguai 0 Peru X X 0 Rep. Dom. X 0 Uruguai X 4 Venezuela X X X 1 Espanha X X 15 Portugal X X 25
Quadro 11 - Cruzamentos* de acordos da Argentina com outros países da Ibero-América País Bilateral Acordo latino- americano Acordo ibero- americano de coprodução Total de coproduções com a Argentina (2009- 2015) Argentina* 13 países: 7 países da Ibero-América e 6 da Latinoamérica X 241 coproduções com obras lançadas na
Argentina Bolívia X Brasil X X X Canadá X Chile X X Colômbia X X X Costa Rica X X Cuba X X Equador X X El Salvador Guatemala Haiti Honduras México X X X Nicarágua X Panamá X X Paraguai X Peru X X Rep. Dom. X Uruguai X X Venezuela X X X Espanha X X X Portugal X
Quadro 12 - Dados Gerais sobre Coprodução no Brasil e na Argentina (2009-2015) BRASIL ARGENTINA Quantidade de coproduções lançadas em salas comerciais 81 longas de coprodução do Brasil com variados países
241 longas de coprodução da Argentina com variados países
Apoio do Ibermedia (Linha
de coprodução)
24 projetos brasileiros
apoiados 42 projetos argentinos apoiados
Acordos bilaterais
de coprodução 12 acordos em vigência 13 acordos em vigência
Outros mecanismos de
apoio às coproduções cinematográficas
- Protocolo de Cooperação com o INCAA - Argentina
- Protocolo de Cooperação com o CNC – França;
- Protocolo de Cooperação com o ICAU – Uruguai;
- Protocolo de Cooperação com o ICA/I.P. – Portugal;
- Protocolo de Cooperação com o Conselho Nacional da
Cultura e das Artes – CNCA – Chile;
- Protocolo de Cooperação com o IMCINE - Instituto
Mexicano de Cinematografia – México;
- Protocolo de Cooperação com a Direção Geral do Cinema do MIBAC – Itália; e
- Protocolo de Cooperação com o KOFIC - Conselho de
Cinema da Coreia - República da Coreia.
- Acordo de Cooperação INCAA/ANCINE; - Concurso Fundo de
Desenvolvimento de Projetos Instituto LUCE - Cinecitta - Itália; e - Acordo de Cooperação INCAA/IMCINE –México. Países com os quais mais coproduziu134 Portugal (1º), Espanha (2º), Argentina (3º), França (4º), Alemanha (5ºa), Chile (5ºb), EUA (5ºc) e Grã-Bretanha (6º) Espanha (1º), França(2º), Chile(3º), Uruguai(4º) e Brasil(5º), Colômbia (6º), Itália(7º) e México(8º). Atrativos para coprodutores
- Editais de fomento direto; - Ampla gama de subsídios
- Baixo custo de produção; - Profissionais experientes;
134 Fonte: OCA/ANCINE. Disponível em: <http://oca.ancine.gov.br/sites/default/files/cinema/pdf/2410.pdf>.
internacionais para filmes nacionais;
- Público a ser explorado (alta população).
- Idioma espanhol;
- Tempo de produção menor (semelhança com a atividade cinematográfica europeia); - Legislação flexível.
CAPÍTULO 4 - AS COPRODUÇÕES BRASILEIRO-ARGENTINAS NO CONTEXTO