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RESULTADOS ENCONTRADOS

No documento VOLUME 3 COMPETÊNCIAS E REGRAS (páginas 195-200)

FUNDANTE À EDIFICAÇÃO DA CONSCIÊNCIA SANITÁRIA

7. RESULTADOS ENCONTRADOS

Entendendo as dimensões analisadas, alguns tópicos são relevantes e foram re- fletidos, sem exceção, em todas as UF, no tocante à transparência dos dados. Vamos aqui explorar esses tópicos.

É importante lembrar que, como se costuma dizer, o Brasil é formado de vários “Brasis”, ou seja, não temos somente diferenças regionais importantes, mas também dife- renças em outras esferas, destacando aqui as diferenças geográficas, sociais e econômicas.

Nesse contexto, esse conjunto de fatores que influenciam no comportamento de uma determinada população é conhecido como determinantes de saúde ou, de acordo com a Lei Orgânica da Saúde (11), fatores determinantes e condicionantes de saúde. Conforme art. 3º.:

Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde, como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais (11).

No entanto, essas variáveis não foram aqui tratadas.

Sob essa perspectiva, iniciamos a análise dos avanços em gestão. A COVID-19 mos- trou o quanto, sob total pressão, todos, sem exceção, tiveram que rapidamente se adaptar. Isso se refletiu em todos os contextos; e, para efeito desta análise, a transformação digital na transparência dos dados. Sem exceção, todas as Secretarias Estaduais de Saúde adotaram ferramentas que permitiram ao público externo acesso a esses dados. Além do boletim epi- demiológico, ferramental já anteriormente utilizada, muitos deles disponibilizaram painéis ou sites específicos para consolidar todas as informações relativas à pandemia e, por conse- quência, maior transparência e acesso ao cenário do seu estado.

É fundamental entender que a transparência para acesso ao cenário de cada território pode-se traduzir em um canal de comunicação entre o Estado e o público externo. Para tal, en- tender o perfil desse público é pilar de sucesso para melhor informar. Podemos dividir naqueles relacionados com o setor de saúde (profissionais de saúde, epidemiologistas, pesquisadores, entre outros), interessados em estudar comportamento, progressão, embasamento para pesquisas, pro- posição de protocolos, entre outros fatores, e aqueles externos ao setor, tendo aqui como principal exemplo a Imprensa. Esse ponto é de relevância tal, que a OMS aponta, em publicação (12) sobre

recomendações sobre intervenções digitais para o fortalecimento do sistema de saúde, a tratativa da esfera de comunicação de acordo com o público-alvo.

Garantir uniformidade na interpretação é parte integrante e base para comunicação eficaz. Um dos pontos relevantes, entre as diversas fontes pesquisadas, foi a não padronização do

dado exposto no sentido de ter um guia conceitual ou notas técnicas da metodologia adotada. Deixar claros os critérios adotados é ponto crucial, em especial, nos estudos comparativos feitos durante a pandemia. Só se pode comparar eventos com regras e métodos de cálculos similares, ou em que foram adotados os devidos ajustes para compatibilizar critérios.

Outro tópico analisado durante o processo de maturação na transparência dos dados foi a facilidade de acesso aos dados apresentados. A grande maioria das secretarias consolidaram os dados apresentados em um acesso único, como colocado anteriormente. Obviamente, esse ponto foi um facilitador.

Em contrapartida, organizar informação coerentemente é parte integrante da facilidade de acesso. Entender as diferenças entre as diferentes UF, buscar uma normatização ou padroni- zação dos dados disponibilizados é um desafio que precisa ser direcionado, e que deve contar com a participação das próprias secretarias de saúde. Não estamos falando aqui de uniformidade de conteúdo, pois o retrato de cada região precisa ser respeitado, considerando o ponto ante- riormente mencionado dos diferentes “Brasis”. O que está aqui sendo discutido é estruturação de apresentação do conteúdo em seções padronizadas que permita ao interlocutor externo ter conhecimento do que se deseja consultar ou pesquisar. Exemplo de uma proposição de seções é ilustrado nos tópicos abaixo:

1ª seção: resumo da situação epidemiológica da UF, apresentando, minimamente: grá- fico dos casos diários e acumulados, com escala logarítmica e média móvel para os casos diários confirmados; gráfico dos óbitos diários e acumulados; variação semanal ou bissemanal tanto para casos como óbitos; perfil por faixa etária, sexo e comorbidades nas duas visões (casos e óbitos); perfil de severidade dos casos;

2ª seção: dados de internação, informando casos suspeitos e confirmados; distribuição dos casos nas redes pública e privada; entendimento da abrangência de acordo com o nível de gestão; entendimento do perfil de atendimento, considerando os números por leitos de acordo com a complexidade: enfermaria e UTI (adulto e pediátrico); utilização dos recursos essenciais, em especial, ventiladores;

3ª seção: visão de disponibilidade de EPIs e ventiladores disponíveis.

4ª seção: capacidade de testagem: quantidade disponível, capacidade diária de realização, quantos realizados por dia e método utilizado.

Entendendo todo o processo evolutivo de maturidade das respectivas secretarias na trans- parência para se ter um desenho do cenário COVID-19 no Brasil e, consequentemente, análises comparativas entre as UF, ou de progressão da doença, ou (guardando as devidas limitações) mesmo análises comparativas com outras regiões no Mundo, os pontos de maior dificuldade, e nos quais também a falta de uniformidade foi elemento de grande relevância, abrangeram as dimensões de capacidade de operação e previsão de demanda.

Segue detalhamento dos resultados encontrados, de acordo com cada dimensão anali- sada bem como resumo geral de todas as dimensões. A ideia aqui é identificar e instrumentalizar, fomentando os tomadores de decisão com direcionamento mínimo de dados relevantes. Vale ressaltar que esta análise levou em consideração a busca ativa nos sites das UF (13-90).

8. FACILIDADE DE ACESSO

Os principais resultados mapeados entre as diversas UF podem ser resumidos em: 1 - Organização na apresentação dos dados: a falta de uma estrutura sugerida para apresen- tação em seções, por temas de interesse, dificulta a busca mais rápida das informações necessárias. 2 - Atualização dos dados: minimamente apresentar a data e hora de atualização dos dados se faz necessário para entendimento de análises temporais, bem como critérios comparativos. Esse fator apresenta maior relevância naqueles que adotaram a opção de ferramental como painéis ou versões automatizadas para disponibilização dos dados, e não somente o boletim epidemiológico.

3 - Consulta dos dados por período: este talvez tenha sido o ponto de maior relevân- cia nesta dimensão. A consulta dos dados, seja em formato tabular, ou gráfico, apresentação em formato de documento, ou por meio da exportação de dados para planilhas eletrônicas, tinha maior divergência entre as diferentes fontes pesquisadas. Por vezes, quando possível o mapeamento, não tinha, em sua totalidade, a exposição desses dados para consulta.

4 - Outro ponto fundamental é a documentação da metodologia, em formato de nota técnica, adotada para os dados apresentados bem com as respectivas fontes de dados consideradas. Quaisquer problemas com relação à limitação de dados, método de cálculo, regras de negócio aplicadas permitem entendimento claro do dado exposto, com a adoção de notas técnicas.

9. COMPORTAMENTO E PROGRESSÃO DA DOENÇA

Os principais pontos mapeados entre as diversas UF podem ser resumidos em:

1 - Maior uniformidade nos dados apresentados: considerando que, quase em sua totalidade, as fontes para divulgação dos dados relevantes do cenário da COVID-19 em cada território levaram em consideração os instrumentos formais de notificação (e-SUS VE – registro de notificação dos casos suspeitos e confirmados, e SIVEP-Gripe – registro dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave hospitalizados), ou instrumentos próprios, integrando as bases locais com as bases nacionais, a quase totalidade das UF teve atendimento aos pontos mapeados como necessários e mínimos para conhecimento do comportamento e perfil epidemiológico da situação do vírus.

2 - Visão rápida e consolidada dos dados: a utilização de instrumentos e métodos como escalas logarítmicas e a média móvel foi se tornando progressiva em sua utilização pelas UF. Devido à natureza e o fluxo de notificação, lançar mão desses instrumentos permite interpretação mais rápida tanto do ponto de vista de crescimento dos casos e sua tendência ou não exponencial (uso da escala logarítmica), bem como comportamento diário dos casos, minimizando as flutuações nos curtos intervalos de tempo, e permite visualizar tendências na série temporal (aplicação da média móvel).

3 - Sinalização de marcos influenciadores: essa variável é, de fato, a que melhor necessita de aprimoramento no intuito de explicar variações importantes, seja nos comparativos semanais ou bissemanais, ou qualquer que seja o período definido para confrontar cenários. Exemplos de marcos podem aqui ser citados: inclusão de critério diagnóstico com bases em achados de imagem; análise retroativa de óbitos; marcos regulatórios como utilização obrigatória de máscaras; medidas restritivas para isolamento social, entre outros.

10. CAPACIDADE DE OPERAÇÃO

Esta dimensão foi, entre as quatro analisadas, aquela que mais apresentou diferença entre a apresentação e detalhamento dos dados apresentados.

Os principais pontos mapeados entre as diversas UF podem ser resumidos em:

1 - Capacidade instalada operacional dos leitos: essa variável foi se aprimorando e ga- nhando maturidade na sua apresentação ao longo do curso da pandemia. Além dos instrumentos disponibilizados pela esfera federal, as UF foram se organizando e ganhando amplitude na ex- posição da capacidade ofertada. O ponto de atenção para as dificuldades externadas por algumas das UFs na consolidação desse dado esbarra tanto na questão da governabilidade, do ponto de vista de gestão (gestão estadual e municipal e rede pública e privada), quanto da dependência do gestor local (no caso do estabelecimento provedor da informação).

2 - Disponibilidade de EPIs e recursos considerados como essenciais para utilização completa da capacidade instalada operacional: este talvez tenha sido o principal “Calcanhar de Aquiles” do ponto de vista de acesso à informação. As iniciativas de facilitar o acesso e conhecer a disponibilidade desses equipamentos foram tímidas por parte das UF. Os EPI foram ganhando força na sua importância à medida que a doença progredia e acometia aqueles que estavam na linha de frente. Entender a disponibilidade dos equipamentos como medida preventiva para evitar afastamento dos profissionais se tornou importante no enfrentamento da doença. Também entender que somente a disponibilidade do leito de alta complexidade, aqui entendido como o leito de terapia intensiva, não era por si só suficiente para prover capacidade de operação – ne- cessário conhecer a disponibilidade dos ventiladores pulmonares como aparelho fundamental na melhor assistência dos pacientes.

3 - Capacidade de testagem: somado ao item acima, esse foi outro elemento que se mostrou com dificuldade de entendimento do cenário de como cada UF estava preparada para atender a população. Vale lembrar que os dados referentes à capacidade de testagem poderiam melhor entender indicadores críticos de resultado relativos à pandemia como a taxa de letalidade e a taxa de positividade. Soma-se a questão um ponto em aberto de me- lhor entender a “imunidade de rebanho”, que não somente permite medir a taxa de pessoas infectadas, mas também um apoiar no desenho e plano para cobertura vacinal no intuito de impedir a transmissão da doença.

11. PREVISÃO DE DEMANDA

Esta dimensão, devido à sua natureza, está diretamente relacionada com a dimensão acima analisada. Assim, esta também persiste com as mesmas diferenças.

Os principais pontos mapeados entre as diversas UF podem ser resumidos em: 1 - Taxa de ocupação dos leitos: problemas anteriormente citados como gover- nabilidade sobre o dado publicado, dependência do gestor local para prover a informação afetaram a completude do dado.

2 - Granularidade do dado: para um melhor desenho da necessidade é importante entender o cenário nos diferentes níveis de granularidade do dado. Vencer as barreiras do desenho atual proposto, baseado nos níveis estadual e municipal, bem como do ponto de vista do modelo de financiamento, separando a rede pública da privada, foram dificultadores no olhar pelo aspecto da saúde populacional.

3 - Perfil do paciente: conhecer o perfil da ocupação dos pacientes compreendido no universo das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), seja ele suspeito ou con- firmado, sua faixa etária e sexo, são elementos que ajudam a traçar um melhor cenário tanto da demanda como correlacionar com a necessidade da oferta esperada para atendimento a essa demanda. Soma-se a este conjunto um elemento pouco explorado da severidade dos casos notificados, em especial, não somente com a sintomatologia esperada como das comor- bidades associadas para melhor entendimento da especificidade de cada território e, assim, melhor desenho dos recursos adicionais para incorporar aos planos de enfrentamento. O monitoramento ativo dos casos em isolamento domiciliar (leves ou assintomáticos) também se mostrou tímido nas ações tomadas.

A Figura 1 resume e ilustra uma proposição da importância da organização e fluxo do monitoramento como apoio à tomada de decisão:

FIguRa 1 – Proposição de níveis de organização no fluxo de monitoramento dos dados e indicadores.

12. CONCLUSÃO

Os desafios são inúmeros quando se trata de trabalhar com dados em Saúde. Porém, pode-se assumir, como consenso, que a gestão baseada em informação é condição primária e base para tomada de decisão.

Nesse ponto, o movimento, respeitando a capacidade e recursos que cada UF tinha como disponível no momento necessário, foi, inegavelmente, assombroso. Espelha-se nas diversas iniciativas disponibilizadas com acesso ao público externo.

Vencer as barreiras de governabilidade do dado é um ponto entendido como de fun- damental importância, no intuito de evitar fragmentação da informação. A pandemia reforçou o que já era conhecido. O paciente precisa ser visto de forma única no sistema; e, para tanto, a interoperabilidade tem que, antes, acontecer na esfera de gestão. A consequência para a visão

Foco na análise de adequação de recursos Presente Avaliar crescimento de demanda - consumo dos recursos Analisar Grau de adequação da capacidade atual e capacidade de expansão para comportar a demanda

Contextualizar Comparativo com série histórica de outras bases (ex. mortalidade e dados hospitalares), em especial

casos SRAG

Acompanhar Avaliar tendência de casos e óbitos - identificar

se as ações estão diminuindo o crescimento exponencial Alertar Dependência da alta complexidade em relação ao território - demanda dos não residentes

Identificar Avaliação de recursos do Sistema privado - contratualização Fluxo regulatório Monitorar Alimentar a pirâmide

com novas ações e melhoria contínua do

dado apresentado Mapear

Marcos definidos como importantes nas medidas preventivas Priorizar Avaliar tendência de crescimento dos casos/óbitos a curto prazo e herd immunity

Identificar os potenciais de risco

Definir priorização (impacto e esforço)

Desenvolver ações

Mapear dados de apoio para melhor contextualização do cenário

No documento VOLUME 3 COMPETÊNCIAS E REGRAS (páginas 195-200)