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no reforço progressivo da participação na associação na qual se iniciou a experiência ou na constituição de raiz de uma associação, na forma de associação juvenil ou de associação de imigrantes e descendentes.

Estes critérios refletem uma interligação dos aspetos aí considerados. Verificou- se que quando o envolvimento inicial se processa no quadro de uma estrutura que

já intervém no terreno, a trajetória associativa tende a alicerçar-se no progressivo empenhamento do/a jovem, que culmina na assunção de cargos de direção nessa estrutura. Em contrapartida, quando o ativismo nasce da realização de atividades por iniciativa do/a jovem, o resultado é a formalização desse trabalho em torno da constituição de uma associação, destinada a suprir as necessidades por eles identi- ficadas ou sentidas.

A análise de como as diferentes trajetórias foram evoluindo realça que à curiosidade inicial e ao prazer que emerge das experiências a que os jovens vão tendo acesso, se vão conjugando condições que tornam possível manter um ativismo de forma re- gular. Estas condições podem ser intrínsecas e pessoais, porque dizem respeito a necessidades particulares que procuram satisfazer, ou externas, designadamente a existência de um convite que permite transformar uma situação de voluntariado num contrato de emprego na associação onde se desenvolve uma colaboração regular, ou que leva à constituição de uma lista para a direção. É da interação entre fatores de natureza mais individual e mais estrutural que se vão desenhando as trajetórias as- sociativas ao longo da adolescência e até à idade adulta, resultando em experiências de significativa continuidade e permanência.

Os relatos dos/as jovens permitem identificar diferentes momentos temporais para o início das experiências de ativismo, consoante o ano de nascimento e as dinâmicas existentes no seu meio social. Para os que nascem na década de 1970 ou poucos anos antes, o contacto inicial é feito em meados dos anos 1980, quando eram crian- ças ou adolescentes e beneficiaram das atividades desenvolvidas por associações, se envolveram em dinâmicas em curso na escola ou se dedicaram à realização de iniciativas próprias. Para os que nasceram mais próximo de 1980, é em meados de 1990 que têm início as experiências de voluntariado ou de dinamização de atividades entre os jovens com quem se relacionam, marco temporal que coincide com a entra- da na adolescência.

De destacar que todos/todas assumem funções de direção em idade bastante jo- vem, na sua maioria quando têm entre 20 a 25 anos e em quatro casos entre os 17 e os 19 anos. É um aspeto que merece particular atenção pela responsabilidade e pelos conhecimentos que a gestão de uma organização implica e que os/as jovens tomaram em mãos sem formação prévia específica para essas funções. Será um tema analisado com mais detalhe quando nos debruçarmos sobre as aprendizagens significativas na experiência associativa, pois realça-se que a participação neste tipo de estrutura é uma aprendizagem que se faz fazendo, isto é, um trabalho em cons- trução (um “work in progress”, na terminologia artística).

Atualmente62, mantém-se, em todos os casos, o ativismo numa associação formal- mente constituída63, na qual articulam funções de organização e implementação de atividades com funções de gestão institucional, resultantes de cargos diretivos, de- signadamente da presidência.

1.3. Razões e motivações

A análise transversal das trajetórias associativas traçada no ponto anterior permi- tiu revelar uma pluralidade de motivos ou de interesses, subjacentes aos diferentes modos como os jovens aderiram a associações, bem como às suas escolhas face às oportunidades que foram surgindo e tendo em conta o rumo que pretendiam dar às experiências que foram sendo adquiridas.

Esta abordagem ao conjunto das histórias de vida leva-nos a constatar que o ativis- mo, que assume uma regularidade e uma durabilidade bastante significativas em todos os casos, não decorre de uma estratégia concebida a priori pelo/pela jovem. A iniciativa de se envolver numa determinada atividade tanto pode resultar de uma curiosidade em experimentar uma oportunidade que surge no seu quotidiano, de um desejo pessoal de satisfazer uma necessidade à primeira vista pontual, ou da proxi- midade com atividades em curso no bairro de residência.

O sentimento de gratificação pessoal de tomar parte em algo de motivante e o gosto pela experiência vivida, que se manifestam após os primeiros contactos com ativida- des em curso, podem ser fatores que se associam à curiosidade inicial de realizar uma determinada ação ou participar num evento e que vão incentivar a continuidade da participação. Por outro lado, estes aspetos interligam-se com fatores não con- trolados pelos indivíduos, ou seja, que não decorrem de decisões estritamente indi- viduais. São disso exemplo o estímulo da mãe, que envolve os filhos nas atividades que organiza ou os apoia na concretização da ideia de fazer algo; ou ainda o facto de

62. Após a conclusão da pesquisa empírica e durante a fase de análise dos resultados e de escrita da tese, houve o cuidado de confirmar se essa situação se ia mantendo ou se sofreu alterações. De qualquer modo, esta afirmação corresponde à data de conclusão da redação do trabalho, i.e., setembro de 2007.

63. Conforme exposto no ponto 2.2.1. do Capítulo II, um dos jovens saiu da associação onde iniciou a sua colaboração como voluntário e onde assumiu dois mandatos da direção, prosseguindo o seu ativismo numa organização não-governamental nacional, e uma jovem desistiu da associação juvenil que ajudou a fundar, tendo aderido a uma organização não-governamental internacional.

existirem oportunidades para participar em atividades dirigidas à juventude, como resultado da dinâmica associativa que já se desenrola no local de residência.

No caminho que cada sujeito vai percorrendo combinam-se, portanto, fatores mais pessoais, porque percecionados ou sentidos individualmente, e fatores “objetiva- mente” externos aos jovens, que influenciam positivamente o seu envolvimento. As- sim, para compreender as condições que influenciaram as trajetórias de ativismo associativo, poderia traçar-se uma distinção, ainda que meramente analítica, entre as motivações, entendidas como a dimensão mais subjetiva do processo de decisão, e as razões, entendidas como elementos do contexto social onde o jovem está inserido e que interferem na sua decisão individual.

Relembre-se que a interligação entre aspetos mais pessoais e condições exteriores ao indivíduo está presente no modelo de participação cívica de Verba, Schlozman e Brady (1995), na medida em que se orienta em torno de duas ordens de fatores: a motivação e a capacidade. Se o primeiro aspeto essencial para um indivíduo se en- volver em algo é a sua vontade, torna-se necessário que a essa vontade se associem condições que possibilitem a respetiva concretização64.

Esta análise converge com várias das trajetórias apresentadas no ponto anterior, que permitiram observar uma influência recíproca entre:

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