5.5 Tábua V: as subclasses de TT (ter-ter)
5.5.2 Subclasse TT3
Um pequeno número de substantivos predicativos fazem parte da subclasse TT3. São nomes que admitem ambos os tipos de argumentos (não-humanos e humanos) como sujeito da construção conversa, como os Npred atenção, cautela, controle, visão, entre outros. Essa subclasse, apesar de não apresentar ampla extensão de entradas lexicais, é importante na descrição dos nomes da grande classe TT, pois complementa descrição realizada por Calcia (2016), a qual não abrangia casos dessa complexidade. Integram essa subclasse construções como estas:
(330) O ativista social tem atenção pelo (desmatamento + povo indígena).
[Conv] O (desmatamento + povo indígena) tem a atenção do ativista social.
(331) Helena tem dedicação pela (tese de doutorado + pela mãe).
[Conv] A (tese de doutorado + mãe) tem a dedicação da Helena.
Os verbos que são utilizados na substituição do verbo-suporte elementar standard são, basicamente, as variantes-suporte dar, fazer e conceder. Em relação à construção conversa, são utilizadas as extensões descritas pela subclasse TT2 e todas possuem grande produtividade com os nomes de TT3, como receber, contar com, obter, ganhar epossuir. Com isso, essa subclasse é uma das poucas que possuem um número maior de variantes conversas que variantes standard. O substantivo predicativo análise, ainda, pode aceitar a variante-suporte sofrer, apesar de não ser uma variante comum dessa subclasse (O crime/O acusado sofreu uma análise do detetive).
(332a) O aluno (tem + deu + concedeu) preferência pelo professor mais experiente.
[Conv] O professor experiente (tem + recebeu + contou com + possui) a preferência do aluno.
(332b) O aluno (tem + deu + concedeu) preferência pelo projeto de pesquisa.
[Conv] O projeto de pesquisa (tem + recebeu + contou com + possui) a preferência do aluno.
A divisão entre os exemplos acima tem o objetivo de separar as construções pelo tipo de argumento que o Npred preferênciaopera, para que a visualização distribucional das variantes-suporte seja realizada de forma mais limpa. Pelos exemplos, ainda, é possível perceber que a distribuição dos outros elementos lexicais ou gramaticais da construção não são alterados, sendo essa uma característica fundamental para a alternância de argumentos em frases em que o mesmo substantivo predicativo faz a seleção dos argumentos.
Os tópicos sobre os determinantes e preposições e sobre os papéis semânticos não serão replicados neste momento, em virtude de possuírem uma distribuição exatamente igual àquela apresentada anteriormente pela subclasse TT2. Em consequência disso, a descrição da grande classe TT, bem como a descrição geral de todas as classes e subclasses analisadas neste Capítulo, se encera na presente ocasião com o Quadro abaixo, que representa a estrutura sintática prototípica de cada uma delas. Essa representação tem o objetivo de resumir o padrão que estrutural que foi apresentado durante a exposição, sobretudo, dos critérios de classificação.
Em sequência, o Capítulo final desta tese (Capítulo 6) apresenta algumas informações descritivas complementares, como o reconhecimento dos desdobramentos lexicais que foram observados durante a análise dos dados, e um relatório sobre os resultados obtidos por meio de uma avaliação quantitativa das entradas lexicais obtidas pelo presente estudo. Outrossim, a
Seção que finaliza o relatório desta tese apresenta uma relação sobre o desenvolvimento da pesquisa no futuro, ou seja, sobre os trabalhos que podem ser elaborados com base nos resultados obtidos pela atual descrição e classificação da Conversão em PB.
Quadro 9: Estrutura sintática por subclasse Classes e
subclasses Estrutura sintática da construção conversa Grande
FR
FR1 N1 (N-nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
FR2 N1 (Nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
FR3 N1 (N-nhum/Nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
Grande FS
FS1 N1 (N-nhum) Vsup sofrer Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
FS2 N1 (Nhum) Vsup sofrer Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
FS3 N1 (N-nhum/Nhum) Vsup sofrer Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
Grande DR
DR1 N1 (N-nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
DR2 N1 (Nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
DR3 N1 (N-nhum/Nhum) Vsup receber Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
Grande DL
DL1 N1 (N-nhum) Vsup levar Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
DL2 N1 (Nhum) Vsup levar Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
DL31 N1 (Nhum) Vsup levar Det. Npred -ada Prep. N0 (Nhum) DL32 N1 (Nhum) Vsup levar Det. Npred -ada Prep. N0 (Nhum) DL33 N1 (Nhum) Vsup levar Det. Npred Prep. N0 (Nhum) Grande
TT
TT2 N1 (Nhum) Vsup ter Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
TT3 N1 (N-nhum/Nhum) Vsup ter Det. Npred Prep. N0 (Nhum).
Fonte: elaborado pela autora.
CAPÍTULO 6
OUTRAS OBSERVAÇÕES
Em geral, este Capítulo tem como principal objetivo apresentar as regularidades que foram observadas após a descrição das classes, dando início, portanto, ao conteúdo que indica as considerações finais do estudo da Conversão em português do Brasil. É um relatório que engloba três tipos de informações adicionais, a saber: uma delas sendo referente à complementação, de fato, da análise realizada anteriormente (durante todo o quinto Capítulo) e as duas restantes dizendo respeito aos resultados obtidos pelo estudo e aos próximos passos metodológicos e descritivos que a pesquisa pode levar em consideração, respectivamente.
Sobre a primeira Seção, que trata dos desdobramentos lexicais encontrados no decorrer da análise descritiva, Calcia (2016, p. 81) já havia previsto alguns casos de duplicação de nomes na Tábua confeccionada no estudo preliminar, porém em consequência da inserção de novas entradas lexicais nas matrizes atuais, a quantidade de desdobramentos também sofreu uma alteração. Foi possível observar, a partir da presente análise, algumas regularidades que não foram levadas em consideração no momento anterior, como o grande número de construções que são formadas por desdobramentos lexicais e se diferenciam pelo uso metafórico, ou figurado, de um nome predicativo em detrimento do outro, de significação literal.
Posteriormente, a Seção 6.2 discorre sobre os resultados gerais obtidos por esta tese, com certa predominância para os dados quantitativos da pesquisa. Seu propósito é o de destacar a produtividade das construções conversas na descrição da vertente brasileira da língua portuguesa, no que diz respeito à distribuição dos nomes predicativos em classes e subclasses indicativas. Neste momento, também são utilizados dados do estudo precedente (CALCIA, 2016) para efetuar uma comparação com os dados obtidos atualmente, com o objetivo de demonstrar o crescimento que a descrição deste fenômeno obteve com a realização do presente estudo.
E, finalmente, a última Seção deste Capítulo faz um breve direcionamento que indica os possíveis trabalhos que podem se desenvolver no futuro, a partir do parâmetro da Conversão elaborado pela presente tese. São colocadas em evidência as questões que não foram possíveis de se tratar no tempo vigente, mas que ainda podem enriquecer a descrição e análise das construções conversas do PB. Dentre tais questões, destacam-se a criação de possíveis outras classes e a implementação dos dados em sistemas de PLN.