Nasceu em Gorakhpur, Índia, em 1893, e ainda muito jovem se interessou pela vida espiritual. Formado pela Universidade de Calcutá, tornou-se discípulo de Sri Yukteswar, um importante yogue que o iniciou no Kriya-yoga.6 Seu mestre
teria solicitado que ele divulgasse seus ensinamentos no mundo ocidental e, com esta finalidade, ele viajou para os Estados Unidos. Após sua participação no Congresso Internacional de Religiões Liberais, em Boston, Yogananda dirigiu-se para Los Angeles e lá fundou, em 1920, a famosa Sede Internacional da
Self-Realization Fellowship, que conta hoje com mais de 350
centros em 43 países. Ele fundou esta organização com a finalidade de poder concretizar a sua missão espiritual e humanitária, e seus ensinamentos estão registrados em inúmeros livros, filmes, gravações em audio e folhetins. No Brasil, existem centros de meditação da Self-Realization Fellowship em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, além de grupos menores em cidades do interior. Existem ainda os grupos de Kriya Yoga que foram formados por discípulos de Yogananda.
Yogananda deixou várias obras mas, sem dúvida a mais famosa é Autobiografia de
um Iogue, um best-seller que conquistou leitores em todo o mundo. Um livro fascinante,
que foi publicado em 1946 e ampliado em 1951, sendo considerado um clássico espiritual moderno e traduzido para 26 idiomas. É onde ele relata sua vida, a procura dos homens santos do seu país e a busca pelo verdadeiro mestre, até finalmente encontra-lo na pessoa de Sri Yukteswar. Descreve ainda sua experiência com a ciência milenar do Yoga e a prática da meditação yogue, demonstrando sua dedicação e seriedade na senda espiritual. Em suas viagens, aborda vários temas e, ao falar sobre as limitações da ciência moderna, ele relata:
6- O Kriya Yoga é uma forma de Raja Yoga (Yoga Real) e, entre outras técnicas, usa principalmente da meditação yogue com o objetivo de levar o adepto a ter uma experiência pessoal de Deus. Este tipo de Yoga é exaltado por Krishna no Bhagavad Gita, antiga escritura, e por Patanjali, no seu Yoga Sutras, onde ele ensina os oito passos que indicam ao Raja Yogue o caminho da união com Deus. O Kriya Yoga foi resgatado por Mahavatar Babaji, Mestre de Lahiri Mahasaya, sendo este guru de Sri Yukteswar, que foi guru de Yogananda.
A ciência de hoje é conhecimento insignificante ... As verdades assombrosas que serão descobertas por nossos descendentes encontram-se agora mesmo ao nosso redor, de olhos arregalados postos em nós, digamos assim; e apesar disso nós não as vemos. Mas não basta dizer que não as vemos; nós não as queremos ver – pois logo que se apresenta um fato imprevisto, com o qual não estamos familiarizados, tratamos de situa-los no esquema de lugares comuns do conhecimento adquirido, e nos indignamos se alguém ousa proceder a experimentos mais avançados. (YOGANANDA, 1981: 154).
Yogananda dizia que somos escravos dos nossos hábitos mentais e costumava ensinar “afirmações” para a cura de distúrbios crônicos, físicos e mentais ou ainda para o auto-desenvolvimento e aprofundamento da percepção de Deus. Dizia que elas devem ser repetidas com freqüência ignorando as condições contrárias. Esta técnica continua sendo usada por muitas seitas ou como terapia. Mestre Bohdan costumava dizer que “pensar positivo” traz um alívio passageiro, mas não resolve, pois a pessoa, usando de afirmações positivas, continua no mundo mental e a solução está além da mente pragmática ... no silêncio.
Yogananda demonstra, nos seus ensinamentos, que dá grande valor à questão da fé e acredita que a mesma deve ser descoberta dentro de si mesmo e exteriorizada através do esforço e da experiência pessoal. Criticava o uso das preces, principalmente aquelas feitas mecanicamente. Dizia ele que “preces frequentemente implicam uma consciência de mendicância.” Nesse sentido, ensinava que:
Repetições cegas de pedidos ou de afirmações, sem, ao mesmo tempo, devoção ou o amor espontâneo, tornam a pessoa uma simples “vitrola rezadora”, ignorante do significado de suas preces. Vocalizar preces mecanicamente, enquanto, interiormente, se pensa em outra coisa não provoca qualquer resposta de Deus. Uma repetição cega, tomando o nome de Deus em vão, é inútil. (YOGANANDA, 2001:34).
Ele ensinava o Yoga da meditação e aconselhava a prática diária, sendo que a mesma deveria ser também utilizada para os momentos críticos, ou seja, quando surgisse algum problema, pois, dizia ele, “melhor do que um milhão de raciocínios é sentar e meditar em Deus até sentir calma interior”. Ele criticava aqueles que buscavam a meditação yogue para obter poderes, e dizia: “o avanço espiritual não se mede pela exibição de poderes externos, mas apenas pela profundeza da beatitude alcançada em meditação”.(YOGANANDA,1981:148).
Yogananda veio a falecer em Los Angeles, Califórnia, em 07 de março de 1952, após o seu discurso em um banquete em homenagem ao embaixador da Índia, Binay R.
Sen. Durante toda sua vida, procurou mostrar o valor do Yoga, que ele considerava, assim como outros mestres, uma ciência. Era seu desejo que: “Objetivando a realização dos supremos ideais do mundo – paz por meio da fraternidade-, possa a ioga, a ciência da comunhão pessoal com o Divino, espalhar-se com o tempo entre os homens de todas as terras”. (YOGANANDA, 2001:45).
Seus anseios foram em parte atendidos, pois o Yoga passou a ser conhecido em quase todos os continentes, como ele desejava, mas não o Yoga ensinado por ele, o Yoga- Meditação, pois o mundo ocidental acabou se identificando mais com o Yoga do físico, embora o alerta tenha sido muito claro para o fato de que:
Patanjali ensina que qualquer posição em que a coluna se mantenha reta é boa para a meditação, concentração iogue em Deus. Não é preciso fazer contorções físicas ou praticar exercícios que exigem resistência física e flexibilidade extraordinárias, como advoga a Hatha-Yoga. Deus é o objetivo; devemos trabalhar para obter a consciência de Sua presença. Diz o Bhagavad Gita: 'Considero quem se absorve em Mim com devoção, com a alma imersa em Mim, o mais equilibrado entre todas as espécies de iogues' (YOGANANDA, 2008:19). (O grifo é meu)
Ele faz um alerta para o foco dos ensinamentos de Patanjali: não ficar preso aos asanas (posturas) pois o seu objetivo é apenas fortalecer o corpo para que ele se mantenha ereto durante a prática da meditação. Para Yogananda, o nosso corpo acaba funcionando como uma “limitação” e nós deveríamos, através da meditação, nos elevar acima dele. Deveríamos erigir uma barreira mental entre a mente e o corpo. Ele costumava ensinar: “cuide do corpo, mas eleve-se acima dele”. Ao sentir dor, recomendava: “a melhor anestesia contra a dor é o poder mental que você tem”. Ele ensinou ainda que:
A prática da Ioga conduz à liberdade. Alguns iogues levam a extremos a idéia de desapego. Ensinam que a pessoa deve ser capaz de deitar-se sem desconforto em uma cama de pregos e a submeter-se a outras formas de tapasya, disciplina física. É verdade que quem é capaz de sentar-se em cama de pregos e pensar em Deus demonstra grande força mental. Mas essas proezas não são necessárias. Pode-se perfeitamente se sentar em uma cadeira confortável e meditar em Deus. (YOGANANDA, 2008:19).
O grifo é meu, para mostrar ao leitor a visão aberta e despojada de Yogananda, que demonstra neste texto a sua crítica aos falsos yogues que usavam do seu poder mental e físico, para demonstrações em público, mas, não para alcançar a realização. Completando ainda: “Iogues hindus são famosos por demonstrarem insensibilidade aos extremos de calor e frio, a mosquitos e outros insetos irritantes. Essa demonstração não
constitui requisito para ser um iogue, mas, é uma conquista natural do adepto”. (YOGANANDA, 2008:19).
Yogananda sempre foi muito claro na sua visão quanto ao verdadeiro yogue pois ele dizia: “ser iogue é meditar”, ou ainda “a meditação faz o iogue”.
Sobre o Mestre de Yogananda, Sri Yukteswar, podemos encontrar algumas informações em sua Autobiografia. Assim como Ramakrishna, Yukteswar também nunca saiu da Índia mas seus ensinamentos ecoaram até o mundo ocidental através do seu discípulo.