Primeiro contacto aos participantes:
Ciclos 1. Textual 2 Concetual.
1. Primeiro ciclo com 24 possibilidades de codificação.
2. Ciclo de transição.
3. Segundo ciclo com 6 possibilidades de codificação.
Amado (2014, p.300) apresenta-nos a técnica de Análise de Conteúdo, “por ser uma técnica flexível e adaptável às estratégias e técnicas de recolha de dados (…) e por ser uma técnica que aposta claramente na possibilidade de fazer inferências interpretativas a partir dos conteúdos expressos (…) uma técnica central, básica mas metódica e exigente, ao dispor das mais diversas orientações analíticas e interpretativas (…), cuja diferenciação depende sobretudo daquilo que se procura em especial, ou, ainda, dos conteúdos que são privilegiados na análise entre muitos outros disponíveis no acervo dos dados”.
À semelhança das propostas de Bardin e Saldaña, a técnica de análise de conteúdo apresentada por Amado sustenta-se na categorização e codificação dos dados recolhidos, através da seguinte sequência de passos:
1. Definição do problema e dos objetivos do trabalho; 2. Explicitação de um quadro de referência teórico; 3. Construção de um corpus documental;
4. Leitura atenta e ativa; 5. Formulação de hipóteses; 6. Categorização.
A categorização dos dados é uma etapa da análise que se divide em duas fases preliminares:
a) Escolha do tipo de procedimento – fechado (o sistema de categorias é definido à priori, com base no enquadramento teórico resultante da revisão de literatura), aberto (o sistema de categorias é induzido a partir da análise, ainda que subordinado ao enquadramento teórico) ou misto (resultante da mistura dos dois métodos anterior, quando o investigador combina sistemas de categoria prévias com categorias que ele próprio cria indutivamente a partir dos dados);
b) Determinação das unidades de contexto, registo e contagem prende-se com a tomada de decisões relativas àquilo que se considera a unidade de contexto (extensão dos documentos dentro da qual se vai apreender o significado exato da unidade de registo, sem que se deixem revelar as opiniões, atitudes e preocupações dos atores), a unidade de registo ou significação (segmento de conteúdo mínimo que é tomado em atenção na análise, como
uma palavra, uma proposição, um tema ou um acontecimento) e a unidade de contagem ou enumeração (o que contar e como contar).
Tomadas as decisões mencionadas, iniciam-se os procedimentos de recorte e de codificação dos dados através da leitura vertical dos mesmos, que são posteriormente agrupados em categorias. Num segundo momento, dá-se a codificação dos dados através de uma leitura horizontal e comparação das unidades de registo, para um reagrupamento.
Segundo Amado (2014, pp.335-336), formulação de categorias é um processo que deve obedecer a seis regras fundamentais, de modo a garantir a validade interna do sistema formalizado e da própria análise:
1. Exaustividade: o sistema de categorias deve abranger todos os itens relevantes para o estudo presentes no corpus;
2. Exclusividade: uma unidade de registo não deve pertencer a mais que uma categoria;
3. Homogeneidade: um sistema de categorias deve referir-se a um único tipo de análise, não se devendo misturar diversos critérios de classificação;
4. Pertinência: um sistema de categorias deve ser adaptado ao corpus em análise, ao problema e aos objetivos da investigação;
5. Objetividade: a formulação do sistema de categorias deve evitar a subjetividade e ambiguidade, de modo que seja entendível e utilizável por diferentes investigadores. Para isso, a sua definição deve ser precisa e operatória;
6. Produtividade: deve oferecer a possibilidade de análises férteis em novas hipóteses e permitir avançar para um nível de teorização que vá além da descrição e interpretação imediata dos dados.
Depois de analisados os dados devem ser interpretados e apresentados. A apresentação não segue nenhum modelo ou regra específicos, e a fase interpretativa deve apoiar-se em todo o trabalho precedente (Amado, 2014).
A análise de conteúdo é uma técnica que exige ao investigador disciplina, tempo, paciência e dedicação. Atualmente existem softwares que auxiliam o processo de organização e codificação dos dados, pedindo ao investigador que faça uso da sua imaginação, criatividade e intuição na definição do sistema de categorias e na interpretação dos dados.
Os dados não numerados e não estruturados recolhidos ao longo do plano de investigação que apresentamos foram analisados tendo por base a técnica de análise de conteúdo proposta por Amado (2014). Esta escolha, em detrimento das outras duas propostas
de análise apresentadas, deve-se ao facto de a proposta de Amado, ainda que com muitos pontos em comum com a proposta de Bardin, admitir flexibilidade na sequência de tarefas para a análise dos dados, contrariamente à de Bardin. Também, a sequência apresentada por Amado coaduna-se mais com o procedimento levado a cabo na análise que realizámos, uma vez que a formulação do sistema de categorias se sustentou num quadro referencial já elaborado como base para o trabalho de investigação, tendo objetivos definidos à priori.
Dos dados recolhidos durante a investigação, foram alvo de análise de conteúdo os dados resultantes quer das entrevistas quer da recolha documental e da observação participante.
Entrevistas
De acordo com Cohen, Manion e Morrison (2007), a análise de entrevistas é um processo composto por várias fases:
1. Gerar unidades naturais de significado;
2. Classificar, categorizar e ordenar essas unidades de significado; 3. Estruturar narrativas para descrever o conteúdo da entrevista; 4. Interpretar os dados da entrevista.
Os dados de comunicação oral, provenientes das entrevistas realizadas aos docentes, foram analisados através da Técnica de Análise de Conteúdo proposta por Amado (2014), optando-se por um procedimento aberto para a definição do sistema de categorias. Os resultados desta análise encontram-se disponíveis nos anexos B, C, D, F, I, J, M e N.