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3 PROCESSO ELETRÔNICO COMO FORMA DE EFETIVAÇÃO DO ACESSO À

3.2 Experiência prática do Tribunal Regional Federal da 4ª Região

3.2.2 Vantagens do e-proc e requisitos para implantação

Com a utilização do processo eletrônico é possível verificar diversos benefícios, tanto de ordem processual, quanto de ordem econômica e ambiental. Nesse sentido, como principais vantagens trazidas pelo sistema é possível mencionar inicialmente a celeridade processual, com a redução do tempo gasto na realização de atividades burocráticas e concentração de atos processuais, propiciando uma prestação jurisdicional mais rápida e eficiente. Em relação a tal questão, vale mencionar que pesquisa realizada pelo CNJ identificou que 70% do

tempo de tramitação do processo é gasto com atividades burocráticas, em cartório judicial. Com a utilização do processo eletrônico, tal tempo praticamente desaparece.

Também são vantagens: a otimização do uso dos recursos materiais e humanos, com diminuição dos gastos com materiais de expediente e possibilidade de alocação de pessoal em outras funções que não burocráticas, eliminando-se a necessidade do trabalho manual para autuação, recebimento e juntada de petições, bem como para localização e movimentação física dos processos; ampliação e facilitação do acesso à informação (com maior publicidade e rapidez), assim como a possibilidade de acesso instantâneo aos dados do processo, que pode ocorrer de qualquer lugar do mundo, via Web, estando disponível durante as 24 horas do dia, ou seja, um acesso sem barreiras/fronteiras. Certamente, esta é uma grande conquista de acesso à justiça, pois os advogados não precisam mais retirar os autos em carga para estudá-lo melhor e elaborar teses defensivas, bastando acessá-lo virtualmente, inclusive eliminando-se o risco do processo se perder. Ademais, proporciona uma maior transparência e publicidade dos atos jurisdicionais.

Quanto às vantagens, segundo Emmerson Gazda:

[...] vão desde o acesso e remessa de peças para o processo de forma instantânea, pela rede mundial de computadores, até a possibilidade de automatização de várias fases do processo, diminuindo a burocracia e permitindo a concentração dos recursos humanos do Judiciário na atividade fim de análise dos pedidos (GAZDA, 2011, p. 179).

Observa-se, ainda, uma maior interação do Poder Judiciário com a sociedade, possibilitando que a Justiça vá ao encontro do cidadão (Ex.: quiosques de atendimento em praças, prefeituras, repartições públicas, universidades, etc.); melhor aproveitamento dos espaços físicos, em virtude da alta capacidade de armazenamento de dados do meio eletrônico, gerando uma economia também com aluguéis de estruturas físicas para armazenamento de processos em arquivos judiciais, assim como maior resistência dos arquivos em meio digital à deteriorização; economia, segurança e comodidade para a realização dos atos processuais, visto que não há necessidade da presença física no foro para a participação das partes e/ou procuradores na movimentação processual, economizando em gastos com locomoção, bem como tempo de espera para realização de um protoloco, pois os advogados podem acessar os processos do seu

escritório ou mesmo em viagem, praticando os atos processuais com redução de custos.

Em relação aos advogados, João Batista Lazzari menciona que são inúmeras as vantagens, diretas e indiretas. Nesse sentido:

As vantagens diretas decorrem da diminuição de custos com papel, impressão, fotocópias, deslocamentos até a Justiça, comodidade do acesso imediato aos autos no momento em que desejar, intimações pessoais e possibilidade de gerenciamento dos processos integrada ao próprio sistema. As vantagens indiretas, por sua vez, são tanto de ordem jurisdicional (redução de custos do Judiciário e de tempo perdido em atividades de mero expediente = maior agilidade na prestação jurisdicional), quanto de ordem profissional, já que permitirá inclusive ajuizar a ação quando do atendimento ao cliente, o qual já sairá do escritório com o número do processo e o nome do Juiz que apreciará o pedido (LAZZARI, 2007).

Ainda em relação às vantagens, os juízes têm facilidade de acesso, podendo resolver questões urgentes mesmo sem comparecer à sede da Justiça. Também há diminuição do uso de documentos no meio físico, como folhas, com a consequente redução do desmatamento florestal para obtenção de materiais de expediente (compra de papéis, impressão, etiquetas e capas de processos), assim como redução de gastos com água para a produção desses materiais. Nesse sentido, o meio ambiente também agradece, pois árvores são poupadas e há menor poluição ambiental, com a desnecessidade de produção de papéis para o processo.

Na opinião de Lazzari (2006), a utilização do processo virtual traz vantagens incomparáveis em relação ao acesso à justiça, permitindo maior interação do Poder Judiciário com a sociedade, visto que:

A experiência do sistema de justiça virtual (sem papel) utilizado nos Juizados Especiais Federais do TRF da 4ª Região comprova que os avanços tecnológicos proporcionam maior agilidade, segurança, economia ao Judiciário e ao cidadão que espera ansiosamente a solução para a sua demanda. A utilização da tecnologia da informação no processo judicial é uma verdadeira revolução no mundo jurídico e quiçá o remédio para combater o principal problema do Judiciário, que é a morosidade (LAZZARI, 2006, p. 174).

Em relação ao combate da morosidade, cabe destacar o comparativo entre os tempos médios de tramitação processual do processo eletrônico em relação ao processo físico, no âmbito do TRF4, realizado por Fabrício Bittencourt da Cruz e Thais Sampaio da Silva (2012), através de dados obtidos junto à Diretoria de Tecnologia da Informação do TRF4, relativos aos anos de 2010 e 2011, tendo em vista a co-existência dos dois sistemas (físico e digital). Nesse sentido, observando- se o tempo médio entre a distribuição da petição inicial e a publicação da decisão judicial, em 1ª instância, verificou-se que em 2010, o tempo médio dos processos

físicos, no Rito Ordinário, correspondeu a 1.306 dias, enquanto que o tempo médio dos processos eletrônicos, no mesmo rito e período, correspondeu a 99 dias. Ainda no ano de 2010, mas no procedimento dos Juizados Especiais Federais, o tempo médio dos processos físicos foi de 726 dias, sendo que do processo eletrônico foi de 207 dias (sic). Já no ano de 2011, o tempo médio dos processos físicos no Rito Ordinário foi de 1.709 dias, enquanto que o tempo médio dos processos eletrônicos correspondeu a 216 dias. Em relação ao procedimento dos Juizados, o tempo médio dos processos físicos, no mesmo ano, foi de 627 dias, enquanto que do processo eletrônico foi de 204 dias. Dessa forma, segundo os autores, no contexto da Justiça Federal da 4ª Região, em média, “o tempo de tramitação de processos entre a data de protocolo da petição inicial e a data em que publicada sentença de primeira instância, no período compreendido entre 2010 e 2011, reduziu 83,38%” (CRUZ; SILVA, 2012, pp. 1354-1355).

Ainda quanto a esse comparativo, salienta-se que a presente autora buscou junto ao TRF4 os dados que embasaram as informações acima, sendo fornecidos pela Assessoria de Planejamento e Gestão do TRF4 os dados atualizados obtidos junto à intranet do Tribunal relativos aos relatórios de tempos médios até agosto de 201334. Analisando as informações repassadas, percebe-se que o tempo médio

entre a distribuição/redistribuição da petição inicial e a sentença proferida em 1ª instância continuou sendo consideravelmente menor nos processos eletrônicos em comparação aos processos físicos de mesmos períodos. Nesse sentido, verifica-se que em 2012, o tempo médio dos processos físicos no rito dos Juizados foi de 907 dias, enquanto que no processo eletrônico foi de 207 dias. No mesmo ano, mas no rito das demais competências, o processo físico deve uma duração média de 2.254 dias, enquanto o processo eletrônico de 278 dias. Já no ano de 2013, até o mês de agosto, observa-se que o tempo médio dos juizados, no processo físico foi de 1.141 dias, enquanto que no processo eletrônico de apenas 185 dias. Em relação às demais competências, no mesmo período o processo físico teve uma duração de 2.678 dias, enquanto o processo eletrônico de somente 317 dias.

Ademais, a redução do tempo de tramitação do processo eletrônico, em comparação com o processo físico, foi confirmada também no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, através de estudo realizado nas Seções Judiciárias do Rio de

34 Os dados fornecidos pela Assessoria de Planejamento e Gestão (APLANG) encontram-se anexo

Janeiro e do Espírito Santo, por Rosângela do Carmo Olivieri. Nesse sentido, calculando o tempo médio de duração dos processos físicos e eletrônicos em diferentes fases do processo judicial, foi possível observar que na fase da distribuição à publicação da sentença, com o uso do processo eletrônico houve uma redução do tempo médio de tramitação do processo de 68,34% na Seção Judiciária do Rio de Janeiro e de 69% na Seção Judiciária do Espírito Santo (OLIVIERI, 2010).

Todavia, para que o processo eletrônico funcione bem, é fundamental que alguns requisitos sejam cumpridos, tais como: a criação de equipes multidisciplinares que trabalham no desenvolvimento e aplicação do processo eletrônico; o envolvimento integral de magistrados e demais servidores; a capacitação da mão-de-obra com realização de cursos de atualização e aperfeiçoamento; a informação institucional ampla e de qualidade sobre o projeto. Em relação a qualificação da mão de obra, treinamentos dos servidores públicos devem ser realizados continuamente, a fim de que possam operar adequadamente os meios informáticos e auxiliar os operadores do direitos, bem como cidadãos que procurarem o Judiciário para utilização do sistema. Além disso, é necessário investimentos em melhoria das plataformas eletrônicas, para garantir maior segurança do processo eletrônico. Assim, verifica-se que embora haja muitas vantagens com a utilização do processo eletrônico, vários desafios ainda precisam ser enfrentados para uma constante melhoria do sistema.