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ADMINISTRAÇÃO INDIRETA

No documento Contabilizando saberes (páginas 83-87)

Administração indireta é composta por pessoas jurídicas com poder público ou privado, que foram criadas ou fundadas através de leis especifica. Na Administração indireta, o Estado

transfere a sua representação ou execução das atividades à pessoas jurídicas. É formada pela a união de autarquias, fundações sociedades de economia mista, entre outras. Essas entidades são de personalidade jurídica própria.

Nas distribuições da Administração pública, tem a descentralização e desconcentração.

Nessas pertencem à Administração indireta. A desconcentração é quando Administração realiza suas tarefas centralizadas, porem fazendo distribuições de competências internas, como fundações públicas, empresas públicas e autarquias. Desta forma, desconcentração é competência entre os órgãos da mesma pessoa jurídica.

No entendimento de Fernando e Rosa (2010, p. 32) descentralização e desconcentração são conceituadas das seguintes formas:

(...) desconcentrada, sempre que a competência para o exercício da atividade é repartida, dividida ou espalhada por diversos órgãos (ministérios, secretarias e outros órgãos despersonalizados) que integram a mesma pessoa jurídica; e descentralizada, quando a atividade administrativa é deferida a outras entidades dotadas de personalidade jurídica, seja por outorga (lei), seja por delegação (contrato ou ato).

Já a descentralização é a distribuição de tarefas de uma pessoa para outra; isso quer dizer que o Estado responsabiliza outras entidades. Ela usa o mecanismo de repartirem as competências entre duas pessoas pelo menos.

3 LICITAÇÃO

Pelas afirmações históricas, a Licitação surgiu na Europa Medieval, por haver necessidade de execuções de obra ou serviço, nos casos que a Administração Pública não tenha condições para sua consecução. Eram realizadas através de regras pré-estabelecidas pelo o pelo sistema “Vela e Pregão”.

Existiam convocações para que os particulares comparecessem no local, data e hora que foi estabelecido, para que as necessidades levantadas fossem cumpridas. Nessa época, o procedimento licitatório acontecia nos seguintes passos: no dia que tinha sido a convocação reuniam-se um representante do Estado e demais interessados, se acendia uma vela para dar início ao processo, os particulares (licitantes) demonstravam suas propostas e o tempo limite para que todos apresentassem era até que a vela tivesse queimando até o final. A proposta escolhida seria aquela que ofertasse o último lance com menor preço. Lopes Meirelles (2007, p. 273) explica que:

Nos Estados medievais da Europa usou-se o sistema denominado “vela e pregão”, que consistia em apregoar-se a obra desejada e, enquanto ardia uma vela, os

construtores interessados faziam suas ofertas. Quando se extinguia a chama, adjudicava-se a obra a quem houvesse oferecido o melhor preço.

No Brasil, o processo licitatório teve inicio através do decreto nº 2.926/1862, que regulamentava as compras e que foi sofrendo alterações no decorrer do tempo com outras leis, tais como o decreto nº 4.536/1922, decreto-lei nº 200/1962. A licitação teve sua formalização como princípio constitucional, que torna obrigatório a todos os entes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) a realizarem o processo de licitação, tanto a Administração direta e indireta de todos os entes. O art. 37 da Constituição Federal de 1988, inciso XXI se contra da seguinte forma:

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

A mesma Carta Magna, no art. 22, inciso XXVII, relata a importância da licitação, mostrando que há normas a serem cumpridas nos processos licitatórios, da seguinte forma:

XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III.

Através desses preceitos, houve a concepção da Lei de Licitações e Contratos Administrativos, de número 8.666 de 21 de julho de 1993, que tem normas gerais para a Administração Pública seguir em seus âmbitos (União, Estados e Municípios). A Lei foi um marco na aplicação do processo licitatório no país.

A Lei 8.666/93 demonstra que quando houver a necessidade de contratação de terceiros é fundamental a implantação do processo licitatório para diferentes serviços que vão ser prestados à entidade pública. A mesma transcreve todas as peculiaridades do procedimento licitatório e da contratação através dos contratos administrativos. Existem regras a serem cumpridas, encontradas nas mesmas para a contratação. Licitação é uma união de procedimentos administrativos que juntos possibilitam ao Poder Executivo realizar obras, compras e serviços.

De acordo com a lei, a licitação é designada para garantir a execução de prestação de serviço à população de forma correta, com ganhos para todos; para isso, a Administração

Pública deve fazer a seleção de propostas vantajosas para si, buscando cumprir o principio da legalidade.

Este princípio relata a total submissão que o Poder Público tem como obrigação, obedecer às regras do regime jurídico administrativo, ou seja, Administração Pública só pode proceder aquilo que está previsto em lei.

Lopes Meirelles (2007, p. 272) conceitua licitação da seguinte maneira: “Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse”.

É preciso a existência de um projeto básico aprovado pela a Administração para que haja o processo licitatório. O pode jurídico administrativo tem como obrigação cumprir.

Projeto esse obrigatoriamente que deve ser detalhado por planilhas contendo todos os valores e custos de forma unitários. Todas as informações serão fornecidas pelo o órgão licitante, com os objetivos do ajuste. Para o processo licitatório possam ser realizados, tem que haver previsão orçamentária no exercício presente. A lei orçamentária anual tem que conter dotação para cumprir todos os prazos financeiros.

Para a Lei de Licitação de Contratos Administrativos ( Lei de n° 8.666/93), no art.6°, inc. IX, consta da seguinte forma:

IX - Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os seguintes elementos:

a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão global da obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com clareza;

b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem;

c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar à obra, bem como suas especificações que assegurem os melhores resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;

d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e condições organizacionais para a obra, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;

e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso;

f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados;

A Administração Pública não pode empenhar os valores dos contratos firmados se não tiver a existência de recursos orçamentários. È vedado qualquer projeto que suas despesas não estejam previstas no orçamento anual. As dotações orçamentárias têm que ser direcionada de forma direta nos planos plurianuais para que se possa por em prática os objetivos da licitação.

O procedimento licitatório é elaborado e executado de acordo com o previsto na Lei, e a Administração Pública deve seguir os passos, de acordo com as modalidades, esses que devem assegurar a igualdade das exigências postas no edital do processo de licitação pública, com todas as cláusulas exigidas em lei, formas de pagamentos e a segurança da execução das obrigações posta.

No documento Contabilizando saberes (páginas 83-87)