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FUNDEB

No documento Contabilizando saberes (páginas 51-55)

2.4.1 Histórico do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e dos Profissionais da Educação – FUNDEB

O FUNDEB surgiu da necessidade de um fundo de manutenção que contemplasse não só o ensino infantil, como o FUNDEF, que o antecedeu, mas que fosse destinado também a educação básica e aos profissionais do magistério, contemplando todos os níveis e etapas do ensino da educação básica. Atende desde a educação básica e creche até o ensino médio.

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, é um fundo de natureza contábil, instituído pela lei 11.494, de 20 de junho de 2007, tendo entrado em vigor a partir da data da sua publicação e vigência até 31 de dezembro de 2020. É um programa que além de financiar todo a educação básica e o ensino médio ele ainda reserva uma parcela dos recursos para os programas de educação dos jovens e adultos.

2.4.2 Formação dos Recursos do FUNDEB

2.4.2.1 Receita Pública

Para que o Estado possa cumprir com suas necessidades é preciso que ele possua os recursos que são necessários para a realização de suas responsabilidades perante a sociedade, assim ele consegue sua renda através da contribuição coletiva. Conforme o que diz Silva (2011, p. 227) “O conjunto desses recursos constitui a denominada receita pública e com ela o Estado vai enfrentar todos os encargos com a manutenção de sua organização[...]”.

Há recursos que ingressam nos cofres públicos e se incorporam ao patrimônio, mas há aqueles que ingressam aos cofres públicos e não se incorporam ao patrimônio, pois no futuro serão restituídos. Nesse sentido, Slomski (2013, p. 22) afirma que:

Receita efetiva é a que ingressa aos cofres públicos durante o exercício financeiro e que contribui para o aumento efetivo do patrimônio da entidade. Ela é formada pelo recolhimento de impostos, taxas e contribuições.

Assim a receita efetiva é aquela que contribui para a manutenção das atividades dos programas das diversas secretarias existentes nos órgãos públicos. Slomski (2013, p.22) ainda diz que: “Receita não efetiva [...] é a que ingressa aos cofres públicos durante o exercício financeiro e que não contribui para o aumento efetivo da entidade.” Ou seja, é aquela receita que apenas passa pelos cofres públicos mas que terá de ser devolvido em um determinado momento a quem fez o depósito.

Sendo assim os Municípios, Estados e União devem seguir o mesmo padrão de apresentação das demonstrações nas prestações de contas. A padronização das contas públicas é essencial para a obtenção das informações concernentes ao negócio público e também para que possam ser comparadas com as informações de outros entes públicos.

Nesse sentido é preciso que haja uma forma de manter as atividades da educação básica e para que isso seja possível tem de haver receitas que financiem as atividades do Fundo de Manutenção e desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação.

2.4.2.2 Recursos do FUNDEB

A receita do FUNDEB é formada pelos recursos dos Estados, Distrito Federal e Municípios, sendo composta pelos seguintes impostos: Fundo de Participação dos Estados – FPE; Fundo de Participação dos Municípios – FPM; Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS; Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional as exportações – IPI –Exportação; Desoneração das importações (Lei complementar nº 87/1996);

Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação – ITCMD; Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – IPVA; Quota parte de 50% do Imposto Territorial Rural devida aos Municípios – ITR; e Receitas da dívida ativa e de juros e multas, incidentes sobre as fontes acima relacionadas.

O FUNDEB ainda conta com uma parcela de recursos federais, isso quando o valor por aluno no âmbito estadual não alcança o mínimo definido nacionalmente. A União define o mínimo do complemento em 10% do valor total do fundo a partir de 2010. (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público-MCASP, 6ª Ed.)

O valor da arrecadação do FUNDEB depende do total do número de alunos matriculados na rede de ensino da educação básica pública, que é determinado através da realização do censo escolar realizado no ano anterior. O total de alunos é então multiplicado por um fator de ponderação (quanto vale cada matrícula) onde o resultado é exatamente o

valor que deve ser enviado a cada Estado e Município. Se o valor da arrecadação não for suficiente para manter as atividades o Governo Federal faz uma complementação do recurso para que possa atingir o valor mínimo Nacional.

2.4.3 Aplicação dos Recursos do FUNDEB

Os recursos do FUNDEB são fiscalizados pelos Tribunais de Contas dos Estados e Municípios. Ainda é estabelecido por lei que a prestação de contas dos recursos do FUNDEB deve ser feita em três momentos: mensal, bimestral e anual.

A cartilha do FUNDEB emitida pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe no ano 2008 na parte referente a aplicação dos recursos do FUNDEB traz a relação das ações realizadas na manutenção da educação básica e fundamental que podem ser custeadas com os recursos do FUNDEB. A citar algumas, tem-se os gastos com: Auxiliar administrativo, auxiliar de serviços gerais, secretário da escola, capacitação dos profissionais da educação – programas de educação continuada, aquisição de imóveis, manutenção dos equipamentos existentes, reforma total ou parcial e instalações físicas, aluguel de imóveis e equipamentos, despesa com serviços de energia elétrica, levantamentos estatísticos, organização de banco de dados, aquisição de materiais didático-escolares diversos, aquisição de veículos escolares apropriados ao transporte de alunos da Educação Básica da zona rural, todas estas ações devem ser exclusivamente para a manutenção da educação.

Há, no entanto, ações que não são consideradas como sendo para a manutenção das atividades da educação, como exemplo obras de infraestrutura realizadas ainda que para beneficiar a área escolar, assistência odontológica. Da receita do FUNDEB deve ser aplicada no mínimo 60% para o pagamento do pessoal do magistério e os 40% para as demais atividades que são necessárias para a manutenção da educação básica e fundamental.

3 ESTUDO DE CASO

A partir dos dados extraídos do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO que é um demonstrativo de transparência da gestão fiscal em conformidade com Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000 – LRF, é que será realizado o estudo de caso no Município de João Pessoa/PB. Os dados analisados são referentes aos anos de 2011 à 2015.

De acordo com o Manual de Demonstrativos Fiscais 6ª edição o RREO deverá ser publicado até 30 (trinta) dias após o encerramento do bimestre a ser elaborado o

demonstrativo, o mesmo possui 10 anexos, sendo que no último bimestre ainda deve ser elaborado além dos já previstos mais 4 anexos, completando assim 14 num total.

ü Balanço Orçamentário;

ü Demonstrativo da Execução das Despesas por função/Subfunção;

ü Demonstrativo da Receita Corrente Líquida;

ü Demonstrativo das Receitas e Despesas previdenciárias;

ü Demonstrativo do Resultado Nominal;

ü Demonstrativo do Resultado Primário;

ü Demonstrativos dos Restos a Pagar por Poder e Órgão;

ü Demonstrativo das Receitas e Despesas com Manutenção e Desenvolvimento de Ensino;

ü Demonstrativos das Receitas e Despesas com Ações e serviços Públicos de Saúde;

ü Demonstrativo Simplificado do Relatório Resumido da Execução Orçamentária.

Demonstrativos elaborados após o encerramento do último bimestre:

ü Demonstrativo das Receitas de operações de Crédito e Despesas de Capital;

ü Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime de Previdência;

ü Demonstrativo da Receita de Alienação de ativos e Aplicação dos Recursos; e

ü Demonstrativo das Parcerias Público-Privadas.

O demonstrativo do RREO a ser analisado será o anexo 8 que é o Demonstrativo das Receitas e Despesas com Manutenção e Desenvolvimento do Ensino – MDE. Nele estão apresentados os recursos públicos que foram destinados para a Educação, conforme o Manual de Demonstrativos Fiscais (2015, p. 252):

[...] as despesas com a MDE por vinculação de receita, os acréscimos ou decréscimos nas transferências do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, o cumprimento dos limites constitucionais e outras informações para controle financeiro.

Logo, é neste demonstrativo que serão apresentados todos os recursos que ingressaram nos cofres públicos referentes as receitas do FUNDEB e consequentemente todas as despesas que foram custeadas com os recursos deste Fundo.

No documento Contabilizando saberes (páginas 51-55)