Adiante falaremos sobre as principais demonstrações contábeis, as quais são obrigatórias às sociedades anônimas, de acordo com a lei nº 6.404/76 e suas alterações.
Falaremos também sobre Análises das Demonstrações Financeiras, para entendermos como funciona e como se faz uma análise da saúde financeira de uma empresa em um determinado período.
O artigo 176 da lei n° 6.404/76 diz:
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III - demonstração do resultado do exercício; e
IV - demonstração das origens e aplicações de recursos.
Com a lei n° 11.638, que altera o artigo 176 da lei nº 6.404/76, elimina-se a obrigatoriedade da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) e inclui-se a obrigatoriedade da apresentação da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e sendo sociedade anônima de capital aberto, fica obrigatório também a Demonstração do Valor Adicionado.
No parágrafo 4º do art. 176 da lei 6.404/76, fica determinado que as demonstrações contábeis deverão ser complementadas por notas explicativas, quadros analíticos ou outras demonstrações contábeis que são necessárias ao melhor entendimento da situação econômico- financeira da empresa.
3.1.1 Balanço Patrimonial (BP)
O Balanço Patrimonial é uma importante demonstração contábil, onde temos uma posição financeira da empresa em um determinado momento, porém é uma posição estática, como se tirássemos uma foto da empresa. “O balanço tem por finalidade apresentar a posição
financeira e patrimonial da empresa em determinada data, representando, por tanto, uma posição estática.” (Martins, 2007).
De acordo com a lei nº 6.404/76 art. 178, o balanço patrimonial está dividido, basicamente, em três itens: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Ativo: Corresponde aos bens e direitos.
Passivo: Corresponde às obrigações e exigências.
Patrimônio Líquido: Seria a diferença entre o Ativo e Passivo e pode ser lucro ou prejuízo.
Já com as alterações trazidas pela lei nº 11.941 de 2009, o Balança Patrimonial fica disposto conforme tabela abaixo:
BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO CIRCULANTE
ATIVO NÃO CIRCULANTE
PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Ø Capital Social Ø Reserva de Capital
Ø Ajustes de avaliação patrimonial Ø Reserva de lucros
Ø Ações em tesouraria Ø Prejuízos acumulados.
O Ativo Circulante é composto por ativos de maior liquidez, ou seja, que podem ser convertidos mais rapidamente em moeda corrente, exemplo: caixa, clientes e estoque.
O Ativo Não Circulante tem menor liquidez e esses ativos tem o seu prazo de realização superior a um ano ou ao ciclo operacional. Compreende o Ativo Não Circulante os bens físicos destinados à manutenção da atividade da empresa, como as instalações da empresa, veículos, máquinas entre outros. O Ativo Não Circulante é composto por: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
O Passivo apresenta as dívidas e obrigações da empresa, está dividido em Passivo Circulante e Passivo Não Circulante. O Passivo Circulante corresponde às dívidas e obrigações de curto prazo (menos de um ano) e o Passivo Não Circulante compreende as dívidas de e obrigações vencíveis após um ano.
Ainda do lado direito do Balanço Patrimonial temos o Patrimônio Líquido, composto do capital social da empresa mais lucros ou prejuízos e ainda recursos de acionistas injetados na empresa. O PL representa a diferença entre Ativo e Passivo.
3.1.2 Demonstrações Do Resultado Do Exercício (DRE)
Essa demonstração contábil, como o próprio nome já sugere, evidencia o resultado da empresa no período de um ano. Nessa demonstração verifica-se se a empresa obteve lucro ou prejuízo naquele exercício. Lista todas as receitas, despesas e custos que a empresa teve, inclusive a subtração dos impostos devidos, observando assim o lucro líquido ao final. Assim como no balanço patrimonial e de acordo a lei das sociedades anônimas, utiliza-se nesta demonstração o regime da competência. “O resultado é subdividido em alguns tópicos como:
lucro bruto, lucro operacional, resultados não operacionais, impostos e participações sobre o lucro e resultado líquido”. (MARTINS, 2007)
3.1.3 Demonstrações Das Mutações Do Patrimômio Líquido (DMLP) E De Lucros Ou Prejuízos Acumulados
São demonstrações que relatam a destinação do lucro acumulado ou sua compensação com reservas, caso haja prejuízo. Compreendem ajustes que tenham sido necessários de exercícios anteriores, transferência do lucro para reservas ou pagamento a acionistas, por exemplo.
Tanto as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido (DMLP), quanto a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos (DLPA) são aceitos pela lei das sociedades anônimas, embora a Lei nº 6.404/76 não cite obrigatoriedade da DMLP, as companhias abertas são obrigadas a publicá-la, por força da Instrução CVM nº 59/1986.
A DMLP é mais abrangente que a DLPA, mas não a substitui; ela a absorve. Ou seja, a DLPA, obrigatoriamente deve ser apresentada, seja de forma ostensiva, ou como parte integrante da DMPL.
3.1.4 Demonstração Do Fluxo De Caixa (DFC) E Demonstração Do Valor Adicionado São demonstrações que tornaram-se obrigatórias após a lei nº 11.638/2007 que alterou a lei n° 6.404/76. A DVA é obrigatória apenas para as sociedades anônimas de capital aberto.
A Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) deve contemplar a movimentação de dinheiro ocorrida na empresa durante o exercício, e deve ser dividido em 3 segregações:
operacionais, financiamentos e investimentos. As atividades operacionais referem-se a movimentações do caixa advindos de processos de comercialização, prestação de serviços ou industrialização da empresa. As atividades de investimentos, referem-se a movimentações ocorridas da venda de imobilizados por exemplo. E atividades de financiamentos, contempla- se os recursos obtidos do exigível a longo prazo e do patrimônio líquido, além de qualquer investimento e financiamento de curto prazo.
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) deve informar o valor da riqueza adquirida pela empresa no exercício e como ocorre a sua distribuição. Representa o montante de recursos que a empresa está somando à economia em decorrência de sua atividade, recurso este proveniente mediante a obtenção da totalidade das receitas acumuladas com a subtração de todas as compras de bens e serviços utilizados. Da diferença surge o valor que a empresa utilizará para arcar com os pagamentos de salários, juros e impostos e também para reinvestir na empresa.
Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caputdo art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo:
I – demonstração dos fluxos de caixa – as alterações ocorridas, durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)
a) das operações;
b) dos financiamentos; e c) dos investimentos;
II – demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída.” (Lei n°6.404/76)
3.1.5 Notas Explicativas
Obrigatórias e necessárias ao melhor entendimento da situação patrimonial da empresa, as Notas Explicativas são estipuladas no parágrafo 4º do art. 176 da lei 6.404/76 e através do parágrafo 5º fica descrito como a nota explicativa deve se apresentar.
I – apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
II – divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
III – fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
IV – indicar: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, parágrafo único); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações (art. 182, § 3o ); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
f) o número, espécies e classes das ações do capital social; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1o); e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)