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Devis Echandia, Carnelutti, Bentham, Bonier, Leite, Garcia e Malatesta, entre outros doutrina- dores, dissertaram e constituíram conceitos classificando a prova, mas dentre todos esses foi o de Malatesta que se firmou, segundo ele a prova se classifica em três parâmetros: o objeto, o sujeito e a forma. Sendo assim para a classificação propriamente dita segundo Daniel Assumpção:

Quanto ao objeto (fatos), a prova pode se subdividir em direta e indireta. A prova direta é aquela destinada justamente a alegação de fato que se procura demonstrar como verdadeira. Já a indireta é aquela destinada a demonstrar as alegações de fatos secundários ou circunstanciais, das quais o juiz por um raciocínio dedutivo, presume como verdadeiro o fato principal. As provas indi- retas são conhecidas como indícios.

Quanto ao sujeito, podem ser pessoal ou real, sendo pessoal quando decorre de uma consciente declaração feita por uma pessoa, enquanto a prova real é aquela constituída por objetos e coisas, que representam fatos sem na ver- dade declararem conscientemente sua veracidade.

Quanto à forma elas podem ser testemunhal, documental, ou material. Será testemunhal quando for produzida sob a forma oral, devendo ser entendida de fato sensu, ou seja, além da prova testemunhal propriamente dita, também incluem nesse critério o depoimento pessoal, o interrogatório e o depoimento do perito em audiência de instrução. Prova documental é toda afirmação de um fato escrita ou gravada, como um contrato ou fotografia. Prova material é qualquer forma material, que, não sendo testemunhal nem documental, com- prove um fato, como perícia e inspeção judicial (NEVES, 2014, p. 469).

7 "Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas." (BRASIL, 1943).

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Essa classificação existe para auxiliar a organização no momento que o magistrado apura as provas para o convencimento do fato para seu convencimento e fundamentação na sentença.

4.1 OBJETO DA PROVA

Ao se tratar de Direito Processual, em regra, as provas recaem diretamente aos fatos ale- gados pelas partes, tanto na causa de pedir quanto na defesa, isso é, se trata das alegações ou a versão dos fatos que necessitam de comprovação ou de impugnação.

Nas situações onde a causa de pedir ou a contestação envolvem questões de fato, que constituem um direito, há necessidade da produção da prova para que o pedido seja julgado de acordo com o convencimento do magistrado.

O fato é em sua constância indiscutível. Quando falta com a verdade pode se dizer que não corresponde a um fato, ou que o mesmo não existe. Sendo assim trata-se de uma hipótese falsa de um fato. Ou seja, a narrativa de um fato pode ser falsa, pois o mesmo não ocorreu conforme narrado. O que não se admite é um fato falso, pois o fato é sempre verídico (CAIRO JR., 2015).

Os fatos que dependem de provas são entre eles os: Pertinentes, relevantes, controverti- dos, não notórios ou não presumidos de forma absoluta. Os pertinentes são aqueles que pos- suem correlação direta com a causa; relevantes são aqueles que possuem importância para a decisão do feito; os notórios são os de conhecimento comum, de uma determinada sociedade;

o incontroverso é aquele que não é impugnado pela outra parte, como se confesso fosse; irrele- vantes são aqueles que não influenciam, ou acrescentam para a resolução da questão. Teixeira Filho se posiciona quanto aos fatos dependentes de prova ao dizer:

Relevantes são os fatos relacionados diretamente com a ação, os que se reves- tem de eficácia para influenciar na decisão da causa. Vai daí o serem igual- mente designados de influentes, pela doutrina. Em raciocínio oposto, pode-se dizer que ficam excluídos da prova os fatos despiciendos, inúteis, isto é, os que não exercerão qualquer influência no julgamento de causa pois, “frusta proba- tur quod probatur non relevant”, conforme ensina o anexim latino [...]. Determi- nados são os fatos individualizados, especificados, os que com eles possam se assemelhar. Cumpre às partes, desse modo, precisar os fatos que constituem o supedâneo da inicial e da contestação (ou da resposta latu sensu), conforme seja a hipótese. (TEIXEIRA FILHO, 2014, p. 38).

Diante todo o exposto, compreende-se que, em regra, o objeto da prova é o de autentificar as alegações dos sujeitos do processo através dos fatos cerceados nos autos, para com isso convencer o juiz. Vale ainda observar que neste itinerário de confirmar a verdade das alega- ções há fatos que independem de provas, devendo o juiz julgar a lide apenas pelas pretensões expostas na petição inicial ou em defesa.

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4.2 PROVA EMPRESTADA

Essa modalidade se trata de uma prova que já foi constituída em um outro processo, e então como no sentido literal da palavra, emprestada a um outro processo. Oliveira conceitua sendo aquela que poderá ser transladada de um processo a outro pela parte a quem aproveita da constituição da mesma (OLIVEIRA, 2014, p. 44).

Dessa forma, é aceita e mencionada pelas doutrinas, nas jurisprudências e, apesar de não estar inserida no CPC como um meio legal de prova, pode ser considerado um meio moral- mente legítimo conforme, art. 3698 CPC. Admitir a utilização da prova emprestada é prestigiar a efetividade dos princípios constitucionais do devido processo legal, acesso à justiça e efetivi- dade processual (SCHIAVI, 2015).

Contudo existe uma doutrina que não aceita essa aplicação subsidiária de uma prova pro- duzida em outro processo para o uso no processo em curso nas ações trabalhistas, assim o fazem embasando que tal aplicação corromperia o princípio da identidade física do juiz, da imediatidade na assunção da prova, da oralidade e da concentração probatória em audiência.

Porém, se analisar os argumentos postos contra essa prática, é visto que não fundamen- tam a não utilização da mesma, haja vista que o Tribunal, quando em segunda instância vai apreciar a prova produzida em primeiro grau não a colhe diretamente, ou seja, nada mais faz que também usar emprestada a prova que já foi produzida em primeira instância, e dessa forma não fere o princípio da imediatidade e identidade física do juiz. Acrescente-se que a prova documental também é produzida antecipadamente, inexistindo o contraditório na sua origem, e sim após acostado nos autos (SCHIAVI, 2015).

4.3 PRODUZIDA ENTRE AS MESMAS PARTES

Neste princípio, em que as partes se controvertem são as mesmas do processo de onde demanda a prova emprestada, uma vez que uma parte vai produzir e as duas irão usar em prin- cípio. São unânimes as doutrinas e jurisprudência de que a eficácia deverá ser para os dois pro- cessos, condicionados aos seguintes requisitos: 1- que a prova emprestada tenho sido colhida em processo entre as mesmas partes; 2- que na formação da prova tenham sido seguidas as formalidades legais previstas; 3- que haja assim como a igualdade entre as partes, a identidade dos fatos que ora se quer provar. (OLIVEIRA, 2014).

Dessa mesma forma acompanha Teixeira Filho e ainda traz um exemplo palpável a esse princípio:

Suponha uma demanda em que o empregado tenha pleiteado horas extras em decorrência da jornada de trabalho compreendida entre às 8h e 23h e que a ré tenha sido condenada ao correlato. Afirma, sob este aspecto, que a prova produzida quanto ao labor extraordinário na primeira ação poderia ser utili- zada em demanda que objetivasse o pagamento de adicional noturno, a fim de garantir-se a inexistência de “sentenças eventualmente conflitantes”. (TEI- XEIRA FILHO, 2014, p. 79).

8 Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especi- ficados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz; (BRASIL, 1995).

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Observa-se no trecho acima que os quesitos de igualdade de partes, respeito às formali- dades legais na formação da prova e ainda, igualdade entre os fatos foram seguidas e por esse motivo a prova aceita, e além de tudo assegura uma eventual sentença conflitante, presando sempre a segurança jurídica.

4.4 PRODUZIDA ENTRE TERCEIROS

Quando a prova emprestada tiver sido produzida por terceiros, a eficácia comprobatória fica prejudicada, isso porque não passou pelo crivo do contraditório de ambas as partes litigantes.

Segundo Oliveira terá um caráter informativo apenas, na maioria das situações (OLIVEIRA, 2014).

De forma a preservar o direito ao contraditório em 2014 o, STJ modificou seu entendimento em partes, admitindo a prova emprestada do qual as partes não participam do processo, nesse caso a prova será transladada bastando que seja assegurado o contraditório:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PROVA EMPRESTADA ENTRE PROCESSOS COM PARTES DIFERENTES. É admissível, assegurado o contraditório, prova emprestada de processo do qual não participaram as partes do processo para o qual a prova será trasladada. A grande valia da prova emprestada reside na economia processual que proporciona, tendo em vista que se evita a repeti- ção desnecessária da produção de prova de idêntico conteúdo. Igualmente, a economia processual decorrente da utilização da prova emprestada importa em incremento de eficiência, na medida em que garante a obtenção do mesmo resultado útil, em menor período de tempo, em consonância com a garan- tia constitucional da duração razoável do processo, inserida na CF pela EC 45/2004. Assim, é recomendável que a prova emprestada seja utilizada sem- pre que possível, desde que se mantenha hígida a garantia do contraditório.

Porém, a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la adequada- mente, o empréstimo será válido. (BRASIL, 2014).

Sendo assim, uma vez respeitado o direito das partes de impugnar as provas apresentadas nos autos, as provas empestadas podem ser usadas e devem, pois segundo o STJ isso gera não só uma economia processual como também uma celeridade ao processo.