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Sustenta César Fiúza que, “juridicamente, o termo responsabilidade normalmente está ligado ao fato de respondermos pelos atos que praticamos. Revela, então, um dever, um com- promisso, uma sanção, uma imposição decorrente de algum ato ou fato”. (FIÚZA, 2019, p. 400).

É justamente este o cerne do presente tópico, considerando a responsabilidade no meio processual e seu respaldo no Código de Processo Civil.

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Embora a participação das partes e procuradores seja adstrita à sua relação mandatária, sendo o advogado uma extensão do seu cliente e suas vontades na esfera judicial e quem, de fato, dada sua capacidade postulatória, intervém no processo, há uma displicência do legisla- dor quanto à redação do Código de Processo Civil, que abrange os deveres das partes e procu- radores, sendo omisso quanto à responsabilização dos procuradores, sendo apenas as partes realmente alcançadas.

O artigo 77, do Código de Processo Civil, estabelece que:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procurados e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:

I. Expor os fatos em juízo conforme a verdade;

II. Não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento;

III. Não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à decla- ração ou à defesa do direito;

IV. Cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação;

V. Declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações, atualizando essa infor- mação sempre que ocorrer modificação temporária ou definitiva;

[...] (BRASIL, 2015).

E o artigo 79, do mesmo diploma legal, dispõe sobre a responsabilidade das partes por dano processual, in verbis: “Responde por perdas e danos aquele que litigar de má fé como autor, réu ou interveniente.” (BRASIL, 2015).

Diante do exposto, nota-se que o legislador elenca, de forma clara e explícita, os deveres concernentes às partes e seus procuradores, mas, no que concerne à responsabilização res- pectiva, isenta os advogados de uma responsabilização no processo.

Ora, se o autor está postulando com o amparo e representação de seu procurador, este deveria, de forma solidária, ser responsabilizado, tendo as mesmas consequências atribuídas às partes, respeitados o devido processo, contraditório e ampla defesa.

Embora haja previsão legal no EAOAB, no Código de Ética e no Código Civil, nenhum abarca a responsabilidade endoprocessual do procurador.

O EAOAB dispõe em seus artigos 25,32 e 34 sobre a responsabilização, merecendo men- ção o determinado no artigo 32:

Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou culpa.

Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação própria. (BRASIL, 1994).

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O Código de Ética traz em seu artigo 2°, parágrafo único, os deveres do advogado, con- forme exposto no item 2.1 do presente trabalho. Assim, o advogado, ao infringir tais deveres, sofrerá uma sanção, fomentando uma responsabilidade, mas ainda assim fora do processo.

Posto isso, será instaurado um procedimento disciplinar, o qual ocorrerá conforme artigo 51 e seguintes do mencionado dispositivo.

Art. 51. O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação dos interessados, que não pode ser anônima.

§1°. Recebida a representação, o Presidente do Conselho Seccional ou da Sub- seção, quando esta dispuser de Conselho, designa relator um de seus inte- grantes, para presidir a instrução processual.

§2°. O relator pode propor ao Presidente do Conselho Seccional ou da Sub- seção o arquivamento da representação, quando estiver desconstituída dos pressupostos de admissibilidade.

§3°. A representação contra membros do Conselho Federal e Presidentes dos Conselhos Seccionais é processada e julgada pelo Conselho Federal. (BRA- SIL, 2015).

Por fim, o Código Civil, em seu artigo 927, consagra a responsabilização civil do advogado:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (art. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direi- tos de outrem. (BRASIL, 2002).

Destarte, os primeiros preveem uma responsabilização mais voltada ao âmbito corpora- tivo, ao passo que o código civil dispõe sobre a responsabilidade civil entre o procurador e seu cliente. Contudo, nada se diz sobre uma responsabilização dentro do próprio processo.

Nesse sentido, se, conforme dispõe o art. 133 da Constituição da República, o advogado exerce tamanha relevância e prestígio em sua atuação jurisdicional, ao legislador, caberia maior cautela ao dispor sobre suas condutas e as consequências processuais, seja em prestígio ao exercício da própria advocacia, sem para maior segurança jurídica.

O legislador, ao deixar lacunas, possibilita ao advogado encontrar na lei espaços proces- suais para se afastar da atuação com boa-fé, sem risco de imediata responsabilização. Parece claro, mas cumpre destacar, que a grande maioria de advogados age conforme a legislação de regência e o código de ética respectivo. Contudo, a atuação de alguns poucos, dadas as conse- quências das condutas, acaba por repercutir em toda a classe, indesejavelmente.

Faz-se necessária, portanto, a colmatação desta lacuna existente no Código de Processo Civil, extirpando as omissões que causam ou mesmo estimulam a atuação profissional em desacordo com os preceitos legais e éticos, permitindo-se que haja responsabilização endo- processual do advogado.

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