Patrícia Yoshimi Hayashida Ferreira7 Luis Carlos Gonçalves8 RESUMO
O desenvolvimento com os alunos em convívio social na escola exige partilhar os espaços desses alunos. A afetividade possibilita vários caminhos que as levam para o progresso, tanto na escola como fora dela. É importante para que eles se desenvolvam, mas, em alguns, a agressividade não permite que sejam inclusos em suas atividades, precisando investigar como esse processo está sendo refletido, desde suas causas. Na ausência da autoestima e afeto, o desenvolvimento e aprendizagem delas é impossibilitada de conhecimentos desde a infância.
Por presenciar alunos com autoestima baixa, carentes e muitas vezes agressivos em sala de aula, podemos analisar que a ausência do afeto dessas crianças pode resultar em conflito.
Trabalhando a autoestima dentro do espaço que temos para que não haja oportunidades para a agressão na forma de mordida. Através desta pesquisa, procurou-se saber como se pode ajudar e de que forma interferir para obter resultados positivos para o aprendizado em face dessas dificuldades. O estudo para a realização deste artigo foi de tipo bibliográfico, documental e de campo, com observação numa creche particular e aplicação de questionários a professoras e diretora da instituição.
Palavras-chave: Educação Infantil; Diálogo; Carinho.
ABSTRACT
The development with students in social life in school requires sharing spaces of these students. Affection enables multiple paths that lead to progress, both in and outside school. It is important for them to develop, but some, aggression not allow them to be included in their activities, need to investigate how this process is reflected from its causes. In the absence of self-esteem and affect the development and learning of them is unable to know from childhood. By witness students with low self-esteem, poor and often aggressive in the classroom, we can analyze that the absence of affection of these children may result in conflict. Working self-esteem within the space we have so there is no opportunity for aggression in the form of bite. Through this research, we tried to find out how you can help and how to intervene to achieve positive results for learning in the face of these difficulties.
The study for the realization of this article was bibliographic, document type and field observation with a private nursery and questionnaires to teachers and director of the institution.
Keywords: Child education; Dialogue; Endearment.
7 Graduanda em Pedagogia das Faculdades Network – Av. Ampélio Gazzetta, 2445, 13460-000, Nova Odessa,
SP, Brasil. (e-mail: [email protected]).
8 Professor Orientador do Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia das Faculdades Network – Av.
Ampélio Gazzetta, 2445, 13460-000, Nova Odessa, SP, Brasil. (e-mail: [email protected]).
1 Introdução
Nesses anos trabalhando com crianças de 0 a 2 anos pude vivenciar as dificuldades que enfrentam nessa faixa etária em conviver com outras crianças desafiando seus medos, adaptações com pessoas desconhecidas até então, precisando passar a maior parte de seu dia dividindo espaço e a atenção de todos, onde levam muitas vezes enfrentarem suas dificuldades com agressão seja no choro como usando a mordida para chamar atenção ou ate mesmo por conta das modificações em deixar sua família para estar com outras pessoas com hábitos diferentes. Analisando, então, mais a fundo esta questão que gera pontos de interrogação, as causas e soluções para lidar e resolver a mordida e agressão em sala de aula.
2 Revisão Bibliográfica
Segundo Tiba (2006), as crianças já começam a ir para a escola mesmo antes de estarem preparadas para a convivência escolar. Por conta disso, muitas reações podem surgir.
Sendo assim, elas não devem ser entendidas como crianças más, porém como crianças que estão reagindo a certas modificações que lhes são impostas decorrentes da mudança do contexto familiar para o escolar.
Nessas condições, as crianças usam o que conhecem, seja porque já usaram em casa, seja porque viram alguém usando. Não usariam caso não conseguissem os resultados esperados. Se com uma mordida, a criança afasta-se de quem ela não gosta, chama a atenção de outras pessoas ou mostra que não quer ser contrariada nem rejeitada, toma de volta um lugar ou um brinquedo. Sendo assim, por que não o fazê-lo.
A criança na idade entre 0 a 2 anos já possui suas maneiras diárias de convivência. Ao chegar à escola depara com pessoas e hábitos diferentes do que é acostumada a viver durante esse período, sem contar que a maturidade da criança nem sempre acompanha sua idade cronológica a diferenças entre elas.
Segundo Costa (2015), as salas devem ser agradáveis, seguras, limpas, arejadas, com janelas que fiquem abertas para que haja a troca de ar (protegida com rede ou grade). Portanto onde essa criança irá ficar precisa ser bem aconchegante, bem chamativo, espaçoso e iluminado, para também não ser um motivo de cansaço e choro durante o período.
Camões citada por Pais & Filhos (2009) chama a atenção que as crianças devem ser educadas e ensinadas desde os primeiros anos a reprimir e controlar os impulsos agressivos. A agressividade vai diminuindo de intensidade à medida que a criança vai amadurecendo, levando esta a conseguir controlar os impulsos agressivos e a lidar com a frustação.
Moreira (2013) diz que, com o processo de industrialização, na segunda metade do século XIX, com a inserção da mulher no mercado de trabalho e com o processo de urbanização, o atendimento em creche foi ampliado, não só, para atender aos filhos das mães trabalhadoras, que não tinham com quem deixá-los enquanto trabalhavam, mas também para garantir a qualidade da mão de obra, especialmente porque as creches passaram a ser algo vantajoso para os empresários, pois, mais satisfeitas, as mães operárias produziam melhor.
Assim, a creche é justificada não por objetivos relacionados ao desenvolvimento da criança, mas aos relacionados às necessidades das famílias, especialmente às das mães de contarem com apoio no cuidado e na educação dos filhos pequenos.
Podemos entender que a maioria das vezes as crianças vão prematuramente para a escola, pois seus familiares se propõem a trabalhar para manutençao da casa. Enfim, podemos perceber também que muitas vezes não teria a necessidade de estar todos empenhados em trabalhar tantas horas por dia deixando a criança muitas vezes de 8 a 10 horas diarias na creche.
Por mais que haja mudanças para as crianças e famílias que já frequentam o ambiente escolar, a grande transformação ocorre quando a criança vai pela primeira vez para a escola. Pais e filhos saem do conhecido meio familiar para um ambiente com caras e coisas às vezes bastante desconhecidas. De um lado, ganham novas possibilidades de relacionamento e aprendizagem; de outro, se deparam com certa dose de ansiedade, insegurança, incertezas e medos decorrentes da situação inédita (GRIENFIELD, 2016).
Nota se que nesse processo da separação de familiares e criança, no ato de deixar seu filho numa creche sempre, há uma certa insegurança principalmente da familia. Percebendo essa dificuldade, a criança logo sente também. Isso poderá ocasionar um resultado de agressividade. Para Agmont (201?) é preciso fazer essa referência ao final do seu trabalho, na prática, é preciso estar convicto de que se está fazendo o melhor pela criança. Caso contrário, o risco de seu filho chorar, espernear, chutar, cuspir, arremessar brinquedos é grande, o que o levará a repudiar a escola.
Essa agressividade se manifesta através de choros, birras, pontapés e mordeduras em crianças de 0 a 2 anos, podendo assim intervir, dizendo não a esses comportamentos, e não deixando de falar nas recompensas (carinhos, beijinhos) quando tem suas atitudes corretas. Na opinião de Santos citado por Pais & Filhos (2009) é preciso fazer essa referência ao final do seu trabalho, as crianças têm manifestações de agressividade desde muito cedo. Os bebês pequenos não são capazes de comportamentos agressivos, como bater ou dar um soco, mas têm recursos ao choro e gritos, por vezes, com grande persistência, e expressão facial para exprimir o seu descontentamento ou frustação. Podemos considerar as manifestações vocais e faciais de zanga como os primeiros sinais de agressividade nos bebês. Antes do primeiro ano são capazes de morder, beliscar, dar pontapés ou bater, tendo coordenação motora suficiente pra isso.
Trata-se de expressão de emoções não organizada, não acolhidas e que de algum modo, encontram com o veículo uma atitude mais impulsiva, um comportamento menos correto. Manifestações que frequentemente por não terem quem possa ver ou acolher no sentido de compreender se repetem até que alguém perceba que aquela criança está a solicitar que olhem para ela, que a ajudem a crescer bem (PAIS &
FILHOS, 2009).
Podendo assim familiares e escola, principalmente o professor dessa criança, estarem mais próximos para poderem entrar numa suposta concordância em como trabalhar essa energia excessiva. No caso do professor, passeios fora da sala, ou seja, a mudança de ambiente, para ter uma aproximaçãao maior com a criança podendo trazer calma nesse momento de agitação.
Segundo Rocha (201?), a disputa por um brinquedo, disputa pela atenção de alguém que gosta, birras e gritarias quando contrariada, estes são comportamentos muito comuns nesta fase, porém, é fundamental a imposição de limites, interferindo quando necessário e explicando que a atitude não é correta, já que as crianças desta idade não têm a noção de que estão machucando o “outro”. A agressividade pode ter o objetivo de machucar ou não, muitas
vezes surge apenas pelo desejo de conquistar algo. Não devemos achar que tudo é normal para uma crianca pequena, morder chutar, bater muitas vezes pode parecer “bonitinho” mas se não tratado, conversado, acompanhado, pode vir a se tornar um problema quando esta criança estiver maior e ter que enfrentar problemas maiores.
Em Babycenter (201?), é possível encontrar exemplos de como se pode abordar uma criança nessa faixa etária quando dá demonstração de agressividade, evitando "raciocinar", usando perguntas como: "Como você se sentiria se outra criança jogasse uma bola em você?".
Crianças pequenas de até 2 anos não conseguem se imaginar no lugar de outra ou mudar de comportamento baseado nesse tipo de conversa. Mas elas entendem quando uma atitude gera consequências negativas.
Sendo assim, podemos entender que uma das formas para começarmos a desenvolver o agir trabalhando com a agressividade da criança seria o diálogo e, em seguida, uma atitude, sempre respeitando o limite e espaço dessa criança, mas não deixando de fazê-lo para seu bom desenvolvimento, sempre centrada no objetivo, falando com firmeza e não gritando, nem xingando a criança, tanto para os familiares como para professores e cuidadores, pois a criança em tudo ela tira um exemplo e nesse caso o exemplo será de quem esta intervindo.
Em Morais (2009), outra atitude importante para lidar com estas crianças é a capacidade para manter a calma. Trata-se de uma tarefa difícil, às vezes estafante, mas frutífera. Mas é importante reconhecermos que estamos perante uma criança que não é capaz de controlar as suas próprias emoções, pelo que, se o adulto “perder as estribeiras”, acabará por reforçar positivamente a agressividade da criança. Às vezes, o melhor é “sair de cena” e tentar se acalmar antes de reagir, mesmo que se tenha que dizer à criança: “O teu comportamento está a enervar-me tanto que eu preciso de me acalmar primeiro”.
Mas depois é preciso voltar e atuar com a firmeza que a situação exige. Isto mostrará à criança que os adultos, tal como ela, também sentem raiva e ficam chateados. Sendo a raiva a emoção mais fácil de sentir, muitas crianças acabam por usar o comportamento agressivo ou desafiador para mascarar outros sentimentos, como a profunda tristeza. É importante ajudá- las a usar as palavras para expressar a sua dor e/ou para falar sobre as situações adversas.
Entende-se que a criança, desde muito pequena, pode e deve disciplinar suas emoções a base de uma boa conversa nas situações que a afligem, poderá ter sua professora como uma pessoa de confiança.
Quando existe uma agressão por parte da criança, importante perguntar o motivo de tal gesto. Posteriormente, fazê-la pedir desculpas à agredida, incentivando o diálogo e ser paciente. Muitas vezes o tom de voz é determinante e diz mais do que as palavras. (GOMES, 2008).
Assim podemos notar, mais uma vez, a importância de cautela ao disciplinar as emoções que podem se manifestar com atitudes agressivas por parte da criança. Compreende- se a necessidade de centrar o trabalho com base no diálogo e muita paciência diante dos problemas, caminhando juntamente com os familiares para que tudo que for trabalhado em questão de comportamento com essa criança seja trabalhado em casa.
Assim, para Monteiro (201?) diz que entramos no século XXI com muitas mudanças na educação. A facilidade de acesso de nossos educadores às ideias e teorias desenvolvidas por pesquisadores e escritores muito tem contribuído para o desenvolvimento da qualidade da educação no Brasil. Mas, ao mesmo tempo em que a escola se desenvolve, juntamente com a família parece perder o poder e o espaço que outrora tiveram na formação do indivíduo, pois as crianças começaram a entrar mais cedo na escola, fato que pode favorecê-las (quando a criança é bem acompanhada pelos pais) ou prejudicá-las (quando os pais por deixá-la durante
muito tempo na escola gerando, na mesma, um sentimento de descaso em relação ao seu desenvolvimento).
Faz-se necessário buscar novos caminhos que levem a família, a escola e a comunidade a assumirem o seu verdadeiro papel neste processo. Neste sentido, Santos (2002) citado por Monteiro (201?) afirma que a ausência de limites, instituídas na educação familiar por pais demasiadamente tolerantes, fecunda consequências desastrosas, produzindo crianças indisciplinadas, agressivas, insolentes e que vivem conflitos internos demonstrando insegurança em tudo o que realizam.
A indisciplina e a agressividade constituem um desafio para os docentes, representam um dos principais obstáculos ao trabalho pedagógico demonstrando a ausência de regras e limites por parte da criança.
Sendo necessário, com isso, o participar desses familiares junto à escola e professora da criança, onde se trabalhará a indisciplina e a agressão presente, pois se pode ver a necessidade da extensão de trabalho realizado o dia todo em uma escola pelos profissionais, para a obtenção de resultados favoráveis muito mais rápidos.
O professor, com sua visão em fazer melhor para aqueles alunos, busca se aprofundar no assunto para poder ajudar no desenvolvimento deles e também sabendo trabalhar com liberdade sem ser autoritário nas diversas ocasiões em sala de aula.
Paulo Freire defende que para ser democrático o professor deve assumir seu papel independente de dar aulas em uma escola pública de periferia ou na melhor escola particular da cidade. É propiciar as condições necessárias para a prática docente e dar o seu melhor onde quer que esteja. Para se ter liberdade e se proporcionar liberdade em sala de aula é uma questão de amadurecimento físico-social de cada um. O ser humano não nasce “pronto” com suas relações e formações psíquicas formadas em relação a um ser humano adulto. Cabe a nós professores, pais, cidadãos a dar condições para uma boa formação de caráter. O caráter vem de nossas escolhas tomadas no decorrer da vida e a consciência de que para cada escolha temos uma consequência que só ele será capaz de lidar com ela.
Tudo isso envolve no aluno ter a autonomia de fazer suas escolhas, mas nosso papel é de alertá-los sobre as consequências, mas não de influenciá-los em suas escolhas.
(PEDAGOGIA 1B, 2011).
Pode-se então entender que a criança desde muito pequena começa a ser ensinada a caminhar dentro de um amadurecimento contínuo em autonomia, assim, devendo os familiares e professores transmitir essas qualidades da melhor forma sem influenciá-la nas escolhas. Porém, sempre temos outro dever a pensar sobre a liberdade caminhando junto com a autoridade, sendo necessário trabalhar esse entendimento para que aconteça o respeito de familiares com o aluno, do aluno para com a escola, exemplificando que autoridade não se conquista a base de gritos e sim com liberdade colocando os limites sem que perca o respeito para cada qual.
Segundo Campos (2013), “ser educadora é ao mesmo tempo construir a liberdade com o aluno, porém demonstrando pelo exemplo que o professor é autoridade na sala de aula”.
Sung (2008) aponta a definição freireana de que a pretensão da liberdade sem limites ou acima de qualquer limite, que ele identifica como licenciosidade, é tão negadora da liberdade quanto o é a liberdade asfixiada ou castrada.
Vemos então que há muitos cuidados a serem estudados acerca da liberdade, como no ato de aplicar a liberdade para não se tornar algo sem controle, onde todos poderão sofrer o prejuízo causado.
O autoritarismo e a licenciosidade são rupturas do equilíbrio tenso entre autoridade e liberdade. O autoritarismo é a ruptura em favor da autoridade contra a liberdade; e a licenciosidade, a ruptura em favor da liberdade contra a autoridade. Autoritarismo e licenciosidade são formas indisciplinadas de comportamento que negam o que venham chamando a vocação ontológica do ser humano. Assim como inexiste disciplina no autoritarismo ou na licenciosidade, desaparece em ambos, a rigor, a autoridade ou a liberdade. Somente nas práticas em que autoridade e liberdade se afirmam e se preservam enquanto elas mesmas, portanto no respeito mútuo, é que se pode falar de práticas disciplinadas como também em práticas favoráveis à vocação para o ser mais (FREIRE, 1996, p. 99)
Cada vez que paramos para analisar esses comportamentos precisamos pensar no papel importante que temos dentro da educação e da sociedade, pensando assim com muito respeito e amor a essa profissão e colocando isto em prática para que haja essa liberdade proposta.
Ainda que ao longo do dia ocorram as dificuldades, precisa-se trabalhar com esperança e acreditando que todo esforço que se pratica hoje resultará em direitos e deveres com dignidade, na construção de uma sociedade que tenha como seu alicerce a luta pela paz. Uma cultura de paz é a própria paz em ação. Significa imbuir-se de uma consciência de valores da não violência social.
Educar para essa cultura é buscar construir a paz, que não é simplesmente a ausência de guerra e nem quer dizer resignação e passividade. Ela não elimina conflitos ou oposições, mas a resolução pacífica dos mesmos, trabalhando o dissenso, respeitando as diferenças, mudando radicalmente o paradigma que dá sustentação ao modelo civilizatório vigente. A cultura de paz não aceita a violência física, sexual, étnica, psicológica, de classe, das palavras e de ações.
Imbuindo-se destas premissas, a creche tem como papel fundamental o cuidado com o afeto e com o pedagógico, ambos para o desenvolvimento integral da criança.
No Brasil a creche surgiu nos anos 50 com a estruturação do capitalismo, sua função era assistencialista e por muito tempo seu objetivo era o combate à pobreza e mortalidade infantil. Ao longo desse tempo a sociedade passou por inúmeras mudanças e consequentemente vários conceitos e valores foram modificados. Com a creche não foi diferente, hoje além do cuidar afetivo existe o cuidar pedagógico e a preocupação com o desenvolvimento humano desde os primeiros meses de vida (SIMAS, 2010).
Oliveira e Miguel (2012) afirmam que as instituições de educação infantil passam a ter a responsabilidade de oferecer às crianças condições para aprendizagens que podem ser na forma de brincadeiras ou aquelas propiciadas por situações pedagógicas, sejam elas intencionais ou orientadas por adultos. Vale dizer que tais aprendizagens se integram ao processo de desenvolvimento infantil.
A forma em que deve se realizar o trabalho dentro da creche a partir do momento que a criança inicia sua vivência ali, sua expressão corporal, seu intelectual e sua coordenação motora fina e grossa se aperfeiçoará dentro de tudo que é proposto para essa criança, dentro de um planejamento bem desenvolvido de acordo com o plano pedagógico de ensino proposto pela instituição. Pode-se, para isso, trabalhar brincadeiras com bolas, jornais, cordas, balões, música e muitas outras coisas para a efetivação do brincar. Também outros materiais como o papel, revistas, giz, massa de modelar, sempre focando o seu desenvolvimento junto com o plano já mencionado acima.
Piaget denominou o estágio que vai desde o nascimento até 2 anos de vida da criança como período sensório-motor. Utilizou essa denominação, pois é durante os primeiros anos de vida que o bebê primeiramente percebe o mundo e atua nele, onde coordena as sensações vivenciadas junto com comportamentos motores simples, juntando o sensorial a uma coordenação motora primária. O bebê tem sensações e descobre o mundo através do deslocamento de seu corpo. Há uma interdependência em perceber o mundo e atuar nesse mundo. Nesse período, os bebês desenvolvem a capacidade de reconhecer a existência de um mundo externo a eles, tendo autonomia para explorá-lo e construir sua percepção de mundo. Passam a agir não mais apenas por reflexo, mas direcionam seus comportamentos tendo objetivos a alcançar (MENESES, 2012).
Menezes (2012), relata também que a capacidade de manipular símbolos proporciona à criança ampliar suas percepções e experiências, não estando mais limitadas a experiências imediatas, apenas ao seu alcance. Elas já são capazes de reproduzir uma ação mesmo quando não está mais à sua frente. Surge o “faz de conta”, pensa antes de agir, têm compreensão de causa e efeito, podendo então resolver problemas.
E essas conquistas para o desenvolvimento cognitivo da criança serão graças a um bom trabalho realizado dentro da creche, com seu papel bem definido e vivenciado por todos aqueles que estão envolvidos nessa visão de aprendizagem. Direção, coordenação, educadores e familiares, todos focados em um plano e objetivo proposto para que assim seja desenvolvido o afetivo, o cognitivo e o pedagógico, sem que haja prejuízos nem perda de tempo, mais muito que vivenciar junto a eles.
Assim, é possível afirmar que a creche é um espaço onde se é possível cuidar e ao mesmo tempo educar, num processo de elevação do desenvolvimento integral, e mais, especificamente, emocional das crianças para que elas possam apresentar maneiras de se comportar, de forma defensiva ou não, sem recorrer a atitudes violentas, numa perspectiva de uma cultura de paz, lembrando que, com referência à mordida: “Em geral, o agredido não entende o porquê daquilo. E o autor do gesto não o vê necessariamente como uma violência”
(MELLO, 2014).
3 Metodologia
O estudo para a realização deste artigo foi não-experimental, de tipo bibliográfico e documental com bases teóricas para alicerçar esse estudo no tema abordado, e de campo na Escola de Educação Happy Baby, situada na cidade de Sumaré-SP.
Os instrumentos para coleta de dados utilizados foram: a documentação como forma de registro e sistematização, a observação no próprio ambiente onde o objeto de estudo se encontra e a aplicação de um questionário constituído por questões abertas e fechadas, que foi respondido por três educadoras, sendo a coordenadora pedagógica da instituição e duas professoras de creche, uma que trabalha com alunos de 2 anos e outra com alunos de 4 meses a 1 ano 6 meses.
4 Resultados e Discussões
Como dito acima, foram utilizados questionários como instrumento para coleta de dados. Seguem abaixo os questionários com as respectivas respostas oferecidas pelas professoras Cleide Paula da Silva Luiz, denominada de Professora A, e Cássia Aparecida Lopes, denominada de Professora B. E pela diretora Gabriela Santa Chiara.