Kaio de Melo11 Maria A. Belintane Fermiano12
RESUMO
O presente estudo tem como finalidade abordar como a tecnologia da informação e comunicação (TIC’s), característica de uma sociedade de informação, se configura no universo escolar a partir de sua utilização pelos professores. A fundamentação teórica apresenta um breve contexto histórico de como se desenvolveu a tecnologia ao longo dos tempos e sua importância para a economia e educação. Também considera as dificuldades que a escola enfrenta para alcançar qualidade e a contribuição que as TIC’s podem proporcionar, destaca a importância e o preparo da qualificação dos docentes mediante a variedade destas ferramentas, visando a melhoria na qualidade de ensino. Os dados levantados por meio de questionário com questões de múltipla escolha e dissertativas foram respondidas por professores de duas escolas da rede municipal de ensino de Sumaré/SP. Ficou evidente a vivência dos docentes com a tecnologia digital, tanto os profissionais com mais experiência de carreira quanto os mais novos concordaram que a tecnologia pode melhorar o ensino, além de possuírem equipamentos eletrônicos, têm acesso à Internet e fazem uso para o planejamento de suas aulas.
Palavras chaves: Sociedade do Conhecimento; Tecnologia da Informação e Comunicação;
Qualidade de ensino; Professor e tecnologia.
ABSTRACT
The present study aims to address how information and communication technology (ICT), characteristic of an information society, is in school universe from their use by teachers. The theoretical Foundation presents a brief historical background of how developed the technology over time and their importance to the economy and education. Also consider the difficulties the school faces to achieve quality and the contribution that ICT can provide, stresses the importance of preparation and qualification of teachers through the variety of these tools, to improve the quality of education. The data collected through a questionnaire with multiple choice questions and dissertativas were answered by teachers of two municipal schools of teaching of Sumaré/SP. It became apparent the experience of teachers with digital technology, both professionals with more career experience as the youngest agreed that technology can improve education, in addition to having electronic equipment, have Internet access and make use for planning your lessons.
11 Aluno do 4º Ano de Pedagogia- Faculdades Network- Av. Ampélio Gazeta, 2445, CEP 13460-000, Nova Odessa, SP, Brasil. (e-mail: [email protected] )
12 Profª Drª Maria A. Belintane Fermiano das Faculdades NetWork. ([email protected])
Keyword: The knowledge society; Information and communication technology; Quality of education; Teacher and technology.
Introdução
A terminologia “Sociedade da informação” surgiu no final do século XX pós era industrial. A partir daí obteve avanços tecnológicos advindos da comunicação de informações por intermédio de eletrônicos. Com isto a informação ganha papel principal sob o comportamento do homem na sociedade tanto no aspecto individual quanto coletivo.
(WERTHEIN, 2000).
Werthein (2000) explica que com o avanço no desenvolvimento tecnológico do século XXI e o fácil acesso da população aos meios de telecomunicação espera-se dessa “era da informação” uma ampliação de aprendizagens e transformações constantes do indivíduo e que, ao mesmo tempo, estimule o progresso econômico e o respeito ao meio ambiente por meio do conhecimento.
Por isso, surge essa pesquisa, descobrir se está ocorrendo a utilização das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) no âmbito escolar e se os professores estão utilizando as ferramentas tecnológicas no cotidiano de sua profissão. Assim, foi elaborado um questionário com doze questões de múltipla escolha e dissertativa respondidas por professores de duas escolas municipais da cidade de Sumaré que possuem laboratório de informática.
Dezessete professores participaram espontaneamente.
O desenvolvimento tecnológico traz benefícios ao homem, mas, faz-se necessário observar também as perdas ou insuficiências decorrentes. Como por exemplo, perda de privacidade em ambientes virtuais. (WERTHEIN, 2000).
Países subdesenvolvidos precisam investir nestas tecnologias de informação a fim de promover acesso a informação e baratear a aquisição de aparelhos para tal. O fornecimento de serviços digitais que acompanha a tecnologia requer suprir carências fundamentais de conhecimento intelectual e humano. (WERTHEIN, 2000).
Tornasse imprescindível verificar o papel da informática e telemática no âmbito educacional e apontar seus riscos. Identificar também novas tecnologias como ferramenta para o processo de aprendizagem. E adaptar a melhor tecnologia educacional como apoio ao cumprimento de metas visando o desenvolvimento. (WERTHEIN, 2000).
Fundamentação Teórica
A revolução tecnológica expande seu processo em meio à sociedade e traz em pauta discussões sobre ensino escolar, formação dos docentes, e reflexos na sala de aula. Nas escolas muitos profissionais da educação reconhecem essas tecnologias como novas
ferramentas para o processo de ensino aprendizagem capazes de criar conexões das práticas dos docentes e discentes de dentro e fora da sala de aula. (MOREIRA e KRAMER, 2007).
Hargreaves (2004), quando analisa a atual sociedade do conhecimento e o impacto que gera na educação e efetivamente na vida do docente, enfatiza a importância de políticas estratégicas para articular melhor a qualidade do ensino por meio da prática docente.
Os autores Moreira e Kramer (2007), indagam sob a eficácia desses recursos técnicos, visando uma educação de qualidade. E submetem esta qualidade a uma reflexão sobre as práticas pedagógicas e este novo meio de ensino, questionando também as ideais interferências pedagógicas. Os autores ressaltam a importância da visão do processo escolar e o uso apropriado das tecnologias.
Hargreaves (2004) entende que na sociedade do conhecimento a economia é obtida através do conhecimento advindo da inventividade e criatividade gerados pela escola que precisa estar atenta para trabalhar estes aspectos incentivando a economia pois se não está sociedade é deixada para atrás. (HARGREAVES, 2004).
Na atualidade o mundo poderia ser moldurado pelas escolas, que precisam trabalhar duro para levar aos cidadãos flexibilidade, estabilidade financeira, promover habilidades, indo de encontro com um trabalho de criatividade e cooperativismo. Infelizmente as escolas trabalham de modo contrário, estagnando-se em um sistema padrão de ensino rotineiro e uniforme, a qual não é estimulado nem a criatividade muito menos a inventividade que poderiam ajudar no crescimento econômico. (HARGREAVES, 2004).
Por isso, é importante conhecer alguns aspectos de como o processo de globalização causa efeitos na educação.
A globalização impactou de fato os processos e políticas educacionais, bem como a escola e os educadores. Vale examinar quais consequências tal processo provoca na educação.
Em primeiro lugar, as modificações na esfera do trabalho, em nível global, se refletem no redimensionamento do trabalho pedagógico. Ao mesmo tempo, atacam-se a rigidez da burocracia e os prejuízos de uma rotina cristalizada. Incitam-se os trabalhadores a serem ágeis, a abrirem-se a mudanças “a curto prazo”, a assumirem frequentes riscos, bem como a dependerem menos de leis e de procedimentos formais. Como consequência da ausência de perspectivas “a longo prazo”, afrouxam-se os elos de confiança e de compromisso, alienando- se a vontade do comportamento. (SENETT, 1999 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p.
1040).
Os docentes trabalham nos estudantes comportamentos flexíveis para que possam adquirir habilidades e adaptar-se a diversas situações, pois, futuramente ingressarão ao mercado de trabalho. Espera-se dos professores que sejam atualizados em sua formação e também preparados para enfrentar quaisquer problemas. Além de todos estes conceitos
definidos globalmente, em vista de uma nova escola, existe a preocupação quanto à qualidade desta educação. (Moreira e Kramer, 2007).
Em segundo lugar, quanto a ideologia neoliberal da globalização, Moreira e Kramer (2007) explicam que o pensamento empresarial parece contaminar os movimentos de reforma, objetivando estruturar as escolas conforme o modelo das corporações contemporâneas.
Afirma Pinair 2003:
A escola é concebida como um negócio, a inteligência é reduzida a instrumento para o alcance de um dado fim e o currículo é restrito aos conhecimentos e às habilidades empregáveis no setor corporativo. Nesse enfoque, saberes e temas fundamentais da existência humana são negligenciados, em prol dos elementos que conformam a agenda educacional da sociedade de hoje, elaborada, ao menos em parte, sob a influência de organismos internacionais (PINAIR, 2003 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1041).
Em terceiro lugar, fala-se do conhecimento oficial que é desenvolvido em um conjunto de processos, por decisões políticas. E que estão em conformidades nas políticas curriculares de diferentes países. (Kramer e Moreira, 2007).
Em quarto lugar, ressalvam concepções de ensino das tecnologias da informação e da comunicação que tem surgido e destacando-se em diversos âmbitos, e discussões educacionais. Barreto ((2004, apud Moreira e Kramer, 2007) esperam que as tecnologias da informação e comunicação supram as necessidades de ensino, e os problemas enfrentados pelos docentes, vistas como transformadoras e suficientes que solidificariam a sociedade da informação e do conhecimento. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
É imprescindível compreender e explicitar o conceito de sociedade do conhecimento para que não haja a generalização, visto que há diversidade nas culturas e diferentes características dos indivíduos de todo planeta. Não se pode atribuir conceitos de forma homogênea, pois deste modo estaria negando a diversidade cultural existente e que somam parte para a democratização deste conhecimento. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
As novas tecnologias não podem substituir antigas diversidades culturais, os novos meios de informação e comunicação não extinguem as relações humanas, sociais dos indivíduos. Deste modo também não elimina as desigualdades sociais, econômicas e as dificuldades enfrentadas na sociedade e na educação como se é esperado. (Moreira e Kramer, 2007).
Em quinto lugar, a padronização dos processos educativos é seguida com dificuldade onde não há predomínio de valores, tal como, amparo a escola pública. São muitas as reivindicações contra os mecanismos de mercado e a proposição de políticas que visam
reduzir a participação e financiamento do Estado na realização de melhorias. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
A respeito do processo de globalização e seus feitos na educação as autoras Moreira e Kramer (2007) concluem:
Em síntese, as formas assumidas pela globalização mostram-se distintas, complexas e contraditórias. Assim, parece haver espaço para que, nas práticas pedagógicas, se escolham objetivos e procedimentos, oriundos “de baixo”, dos grupos subalternizados, excluídos e marginalizados, que desestabilizem os processos hegemônicos. Pode também haver espaço para que se desafiem os modos usuais de prescrição de políticas e de promoção de mudanças nos sistemas educacionais. Pode, ainda, mostrar-se factível o redimensionamento da concepção vigente de qualidade na educação (MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1043).
Por outro lado, determinadas concepções de educação de qualidade mostram-se limitadas. Algumas delas dão prioridades a elementos técnicos que podem gerar uma concepção crítica, porém, a qualidade não deve ser pensada apenas em técnicas, se distanciando de outros valores. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
Avalos (1992) citado por Moreira e Kramer (2007) acredita que uma educação de qualidade produz no indivíduo autonomia para transformar seu ambiente. E por tanto, é imprescindível conhecer a realidade em que se encontra. A mesma autora destaca que “o funcionamento no cotidiano demanda, inicialmente, saberes e habilidades que permitam lidar com o mundo dos instrumentos, costumes e linguagem (mundo concreto) ” (AVALOS, 1992 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1044).
Um bom conhecimento escolar é aquele que oferece aos alunos a percepção do mundo imediato e seu universo cultural, levando em consideração as experiências dos estudantes. Os mecanismos pedagógicos devem tornar os indivíduos aptos para definição de papeis que terão em fazer a mudança de seus ambientes e também no desenvolvimento da sociedade. Há que ter experiências e conteúdos no âmbito escolar que formem pessoas autônomas, criativas e críticas capazes de compreender como as coisas possam ser transformadas pelas ações humanas. (AVALOS, 1992 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 8).
Complementando os argumentos de Avalos (1992) apud Moreira e Kramer (2007), assegurar uma educação de qualidade “requer diagnosticar o sistema, definir as mudanças prioritárias e viáveis, assim como oportunizar financiamentos” assim, acelerando as modificações.
Goulard (2006) citado por Moreira e Kramer (2007) discorre sobre a educação de qualidade, destacando causas denominadas de intra-escolares que se refere sobre o trabalho pedagógico, a formação docente, currículo e a gestão escolar. Também levando em conta as análises de sistema e as unidades escolares com base os resultados de avaliações externas.
Outro fator seria os extra-escolares que analisa meios de superação condições de vida para as pessoas desfavorecidas. É importante a discussão e compreensão de que a escola atue na desconstrução de paradigmas para que não exista a ideia de que certos grupos sociais são destinados ao fracasso na escola. Até mesmo o educador pode subestimar um aluno com nível baixo de cultura, e isto faz com que estes alunos não tenham as mesmas oportunidades que os demais. Alguns professores atribuem o fracasso dos alunos aos aspectos sociais, psicológicos e econômicos do mesmo, não levando em consideração aos fatores intra-escolares.
(MOREIRA E KRAMER, 2007).
A educação de qualidade depende de alguns elementos essenciais e que exigem transformações na escola, no sistema educacional e na sociedade. Os elementos da escola e do sistema educacional que exigem mudanças são: condições apropriadas ao trabalho pedagógico; habilidades e conhecimentos importantes; estratégias e tecnologias que sirvam de apoio no ensinar e no aprender; procedimentos de avaliação que auxiliem o planejamento e aprimoramento das atividades pedagógicas; modos democráticos de gestão da escola;
colaboração de diferentes grupos e indivíduos; o diálogo com experiências não-formais de educação; e docentes que tenham boa formação e reconheçam em cada aluno seu potencial, partindo os pressupostos de que a educação é um bem social e um direito de todos.
(MOREIRA E KRAMER, 2007).
Todavia os autores Moreira e Kramer fazem um alerta quanto às mudanças:
As tentativas de ordenar os sistemas educacionais e de promover qualidade na educação não devem ser orientadas por valores definidos “de cima”. Também não cabe celebrar a capacidade “mágica” de qualquer componente do processo pedagógico (como as novas tecnologias, por exemplo) e vê-lo, por si só, como catalisador de mudanças significativas. (MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1046).
Observa-se que a escola precisa de muito trabalho para que seja gratuita, de qualidade e para todos, a tecnologia nesse contexto também requer cuidados.
Levy (1993) apud Moreira e Kramer (2007) tem para ele que a informática é a tecnologia de modo intelectual, com um novo olhar para o mundo e suas relações, também com um novo olhar na maneira de compreensão da aprendizagem. Bauman (1999) apud Moreira e Kramer (2007) é um desconstruidor da modernidade, a qual faz uma análise crítica, e reflete sobre ela, ressaltando ser fundamental que os intelectuais defendam o espaço público.
(MOREIRA E KRAMER, 2007).
Ramal (2002) citado por Moreira e Kramer (2007) declara que é perigoso não reconhecer as mudanças e os novos dispositivos tecnológicos que, mais que informar, elos moldam uma geração. A exclusão educacional que se relaciona com a discriminação social, racial, sexual e regional, precisam ser discutidas sobre possíveis consequências advindas da
tecnologia. Cabe também pensar qual o modelo de sociedade que se pretende construir.
(MOREIRA E KRAMER, 2007).
Em se tratando de tecnologia Ramal (2002) sugere para a educação três cenários:
O primeiro é o da tecnocracia domesticadora: a multiplicidade de informações efêmeras e fragmentadas torna os indivíduos escravos ambulantes da tecnologia. A escola é substituída por outras modalidades de instrução. O segundo é o do pay-per-learn, que acentua a exclusão e prioriza professores com habilidade técnica mais do que a crítica da produção ou do uso de tecnologias da informação e da comunicação. Há educação para todos, pela rede, ainda que os alunos privilegiados freqüentem escolas melhor equipadas. No terceiro cenário – cibereducação integradora –, a escola se torna híbrida, integrando homem e tecnologia.
(RAMAL, 2002 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1048 - 1049).
Um fator importante a ser discutido sobre a escola e tecnologia é a relação de crianças e jovens com os recursos digitais. Chartier em seu livro A aventura do livro destaca novas tecnologias alterando espaços e ampliando o acesso a leitura, que modifica assim, as formas de escrita. As tecnologias democratizam e incluem não somente o contrario. Chartier (1999) como cita os autores Moreira e Kramer (2007) demonstra que escrevemos textos e não livros, ressaltando que editores podem intervir nos textos na confecção de livros e as possibilidades de produção de ideias se alteram a partir das novas tecnologias. Por outro lado, o aumento textual pode tornar-se inseguro a escrita ou mesmo um obstáculo para o conhecimento. Nota- se deste modo, mudanças progressivas da madeira de produção dos livros e nos hábitos de leitura. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
Por outro lado, as tecnologias podem trazer a degradação das relações, a alienação, a indiferença e também a falta de afinidade com o trabalho. Ocorre também um aumento na qualificação para o trabalho que é controlado pela tela, onde as pessoas não interagem mais e isto diminui gradativamente o conhecimento das pessoas com o resultado da produção. Tais inovações causam receio de riscos físicos, possíveis cortes, e com isto valorizasse empregados jovens e do meio tecnológico. (MOREIRA E KRAMER, 2007).
Coaduna-se com essas reflexões (Moreira e Kramer, 2007) quando ressalta que
Imaginar que estas mudanças no mundo do trabalho e na vida cotidiana podem não interferir na escola é desconsiderar que os alunos e os professores são crianças, jovens e adultos que pertencem à classes sociais desiguais, têm diferentes origens étnicas, marcas de gênero, religião, tipos de famílias, contextos históricos e geográficos (rurais ou urbanos) onde se inserem ou de onde foram excluídos, com
trajetórias feitas e desfeitas, rastros perdidos e nem sempre reencontrados.
(MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1052).
Bakhtin (1992) citado por Moreira e Kramer (2007) agrega a discussão, conceitos relacionados ao homem, ao conhecimento e a linguagem. O primeiro conceito consiste no acabamento dado pelo outro o que não se vê, de modo que o homem tenha a necessidade do outro, da visão e memória. Como resultado, surge uma exotopia, levando a compreensão do outro a partir do que se vê e escuta.
Como ressalta Bakhtin (1992) a respeito da exotopia:
A exotopia se baseia no excedente de visão humana, que se constitui no exercício da distância para ver de perto, para deduzir o mundo do outro. A distância para compreender inicia o processo dialógico. Conhecer é reconhecer a presença do outro: a compreensão sempre é, em certa medida, dialógica (BAKHTIN, 1992 apud MOREIRA e KRAMER, 2007, p. 1052).
A compreensão e o diálogo são desafios em diversos aspectos da vida. Quanto aos três elementos; o cognitivo, estético e o agir ético, no plano da atuação dos profissionais da educação, é preciso responsabilidade e que se posicione como intelectuais na compreensão de processos relacionados à educação e a escola, também os conjuntos sociais contemporâneos e suas complexibilidades. Posicionando-se diante de questões levantadas, com possíveis alternativas ou provisórias respostas em vista a uma educação de qualidade. Idealizar os profissionais de educação como seres intelectuais ajuda a refletir em aspectos importantes para que torne as histórias de vida o objetivo, possibilitando que novos conhecimentos adquiridos ou construídos sejam fixados em sua trajetória de vida. Dessa forma, faz-se com que o indivíduo perceba a vida de forma compreensível, conhecendo o sentimento de afeição, e reconhecendo o outro. (KRAMER E MOREIRA, 2007).
Um pouco de história. A escola e seu papel numa sociedade globalizada
Compreender a influência tecnológica da sociedade do conhecimento na educação é refletir questões permeadas a situação educacional e social. Seus reflexos a médio e longo prazo, e sua consequência para uma nação.
A partir da época da educação escolar compulsória e sua expansão pelo mundo, é grande a expectativa na educação pública para que esta salve a sociedade. Após a segunda guerra mundial nos anos 30 visto pela economia a educação era um investimento de compromisso com o progresso visando no desenvolvimento tecnológico e científico. Porém, pouco foi oferecido para transformar a educação ou o modo como os docentes lecionavam. As
inovações não duravam muito tempo e as mudanças na sala de aula ultrapassavam a realidade.
A maioria dos professores lecionavam de modo feito há muito tempo, de geração para geração, por meio de perguntas e respostas, com alunos sentados, e avaliados com métodos padronizados de escrita. (HARGREAVES, 2004).
Em 1973 a crise do petróleo afetou a economia refletindo na educação através dos recursos de muitas economias que foram desenvolvidas no Ocidente. Ao contrário de solução a educação passou a ser o problema por causa desses recursos advindos da economia, então os professores perderam seu poder no mercado, e sua força de ensino começou a se desgastar.
(HARGREAVES, 2004).
Somente no fim da década de 80 que os governos iniciaram vínculos da educação ao trabalho, aos negócios, à tecnologia e à ciência. Novamente foram obtidos os recursos, reorganizadas as estruturas e as opções de mercado e competição entre as escolas começaram a expandir. (HARGREAVES, 2004).
Para recuperar o orgulho da nação, em alguns lugares, foi tirado a flexibilidade do controle curricular. Os governos e mídias passaram a responsabilizar os professores pelos problemas e fracassos dos alunos o que ocorria geralmente nas comunidades mais pobres.
Esta medida foi vista pelos críticos uma maneira de tornar as escolas públicas malvistas para estimular os pais a financiar a educação privada aos filhos e incentivar os professores mais caros e mais velhos a se aposentarem, pois, os mesmos impediam a nova reforma.
(HARGREAVES, 2004).
A comparação dos exames internacionais foi de fato o pretexto mais forte para a reforma escolar das nações ocidentes. Para que tivessem sucesso econômico os formuladores das políticas no Ocidente simplificaram as contribuições dessas sociedades no sistema educacional. Os governos ocidentais adotaram as medidas nos sistemas educacionais levando maior padronização e micro gestão no ensino e na aprendizagem com um sistema mais rígido de supervisão, onde pagava-se de acordo com o desempenho e reformas curriculares que tiravam e muito a autonomia dos professores em decisões pedagógicas. (HARGREAVES, 2004).
A sociedade do conhecimento e da informação
A sociedade do conhecimento é de constante mudanças e criações, seu conhecimento é fluido, flexível e vive em constante expansão. O conhecimento na economia não é apenas o conhecimento externo de universidades por exemplo, mas também o conhecimento, a inventividade e a criatividade estão ligados a tudo o que as pessoas fazem na economia do conhecimento já que este conhecimento faz parte da base para o trabalho e a produção, levando em consideração os profissionais que trabalham nas áreas de vendas, marketing, turismo, organização de eventos, dentre outros. Sendo assim, esta sociedade do conhecimento possui três dimensões. A primeira dimensão está relacionada a esfera cientifica, educacional e técnica. A segunda está relacionada em uma esfera complexa de processamento, circulação de conhecimento e informações na economia pautada nos serviços. A terceira refere a transformações básicas nas organizações empresariais para inovação de produtos e serviços