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EMPREGADO EXTRANUMERÁRIO, DE SOBREAVISO E DE PRONTIDÃO

No documento Monografia - Direito - 2010 - Univali (páginas 88-91)

profissionais, pelo fato de que quando estão em casa, a qualquer momento podem ser chamados ao serviço, em virtude da necessidade do seu trabalho.376

Todavia, tendo em vista que o regime de sobreaviso foi previsto em lei para os ferroviários, entende-se que não caberia interpretação extensiva para outras profissões, contudo, este instituto pode ser previsto em acordos ou convenções coletivas, sendo que desta forma será reconhecido para a categoria profissional.377

Estabelecido em norma coletiva, meio pelo qual poderá ser previsto o regime de sobreaviso, deverá estar especificado de maneira clara os requisitos necessários para a sua configuração, assim como, o período de escala, e o valor da parcela da referente a hora de sobreaviso, do mesmo modo que a CLT estabelece para os ferroviários. 378

Como dito, de forma especial para as estradas de ferro, a CLT estabelece o regime de sobreaviso, no entanto, além deste instituto, no seu artigo 244 prevê outras duas espécies de empregados diferentes entre si, mas também para executarem tarefas imprevistas na ferrovia. Deste modo, os empregados ferroviários podem ser classificados como extranumerários, de sobreaviso e de prontidão, assim como será visto no item a seguir.379

serviços imprevistos ou para substituições de outros empregados que faltem à escala organizada.381

Tais empregados foram estabelecidos de forma especial para a estrada de ferro por tratar-se de transporte coletivo, uma vez que, na época a sociedade dependia deste meio de locomoção, portanto, era necessário ter empregados de plantão para solucionar qualquer imprevisto que viessem a surgir.382

De forma específica, enuncia o §1º do artigo 244 da CLT que o empregado extranumerário é aquele candidato a efetivação, pois comparece todos os dias na empresa colocando-se a disposição para o trabalho, embora só exerça alguma atividade quando for realmente necessário, e por isso receberá apenas pelos dias de trabalho efetivamente executados.383

Assim, esclarece Márcio José de Souza Aguiar:

Esses trabalhadores só recebem pelos dias de serviço efetivamente prestados. Se a empresa não necessitar de seus serviços, embora comparecendo e colocando-se a disposição do empregador, se não forem aproveitados, nada recebem por aquele dia.384

Já o regime de sobreaviso está previsto no § 2º do artigo 244 da CLT e se configura quando o empregado é obrigado a permanecer em seu próprio lar, ou seja, em sua casa após o término de seu horário diário de trabalho, na expectativa de que poderá ser chamado ao serviço.385

Nota-se que o instituto do sobreaviso pressupõe a limitação do empregado de livre dispor do seu tempo de descanso, no sentido de que deverá ficar em casa, tendo assim, por sua vez prejudicado suas atividades pessoais, assim como o seu tempo para o lazer com sua família.386

381 BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: <http://www.planalto.gov.

br >. Acesso em: 17 de setembro de 2009.

382 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 522.

383 BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: <http://www.planalto.

gov.br >. Acesso em: 17 de setembro de 2009.

384 AGUIAR, Márcio José de Souza. O regime de sobreaviso. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 63,

mar. 2003. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3800>. Acesso em: 05 de janeiro de 2010.

385 BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Art. 244 [...] § 2º Considera-se de

“sobreaviso” o empregado efetivo, que permanecer em sua própria casa, aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço. Cada escala de “sobreaviso” será no máximo, 24 (vinte e quatro) horas. As horas de “sobreaviso” para todos os efeitos, serão contadas à razão de 1/3 (um terço) do salário normal.385 Disponível em: <http://www.planalto. gov.br >. Acesso em: 17 de setembro de 2009.

386 ARAÚJO JÚNIOR, Francisco Milton. Análise da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho sobre a percepção de sobreaviso decorrente da utilização de celular/Bip a partir da teoria de Hans

No que concerne ao regime de prontidão, este é estabelecido no §3º do artigo 244 da CLT387 e trata-se do empregado ferroviário que deverá ficar de plantão após sua jornada normal de trabalho nas dependências da estrada de ferro ou da própria empresa para que possa receber eventualmente certas ordens de serviço e rapidamente cumprí-lás. 388

O doutrinador Maurício Godinho Delgado entende como regime de prontidão:

O período tido como integrante do contrato e do tempo de serviço do trabalhador, em que o ferroviário encontra-se nas dependências da empresa ou em via férrea respectiva, também chamada de dependências da estrada, aguardando ordens.389

Do mesmo modo que o sobreaviso, no período de prontidão o empregado não realiza atividades por todo o tempo em que se encontra de plantão, mas deverá permanecer à disposição do empregador durante todo o período de sua escala predeterminada.390

Acerca da escala de prontidão e de sobreaviso, Sérgio Pinto Martins complementa:

A escala do tempo de sobreaviso pode ter no máximo 24 horas, enquanto a de prontidão terá no máximo 12 horas. A remuneração do sobreaviso é de 1/3 do salário normal, enquanto a de prontidão é de 2/3 do salário-hora normal.391

Importa destacar ainda, que estas duas situações não são computadas na jornada normal de trabalho, visto que a remuneração de cada regime ocorre de forma específica.392

No mais, ressalta-se que o empregado em prontidão, não se desvincula do ambiente de trabalho enquanto o de sobreaviso, é favorecido, por ficar no ambiente Kelsen e Ronald Dworkin. Revista IOB: Trabalhista e Previdenciária, São Paulo, v. 21, n. 245, nov.

2009. p. 64-68.

387 BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Art. 244 [...] § 3º Considera-se de

"prontidão" o empregado que ficar nas dependências da estrada, aguardando ordens. A escala de prontidão será, no máximo, de doze horas. As horas de prontidão serão, para todos os efeitos, contadas à razão de 2/3 (dois terços) do salário-hora normal . (Restaurado pelo Decreto-lei n º 5, de 4.4.1966).” Disponível em: <http://www.planalto. gov.br >. Acesso em: 17 de setembro de 2009.

388 SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada. 42. ed. Atual., e ver. e amp. por José Eduardo Duarte Saad, Ana Maria Saad Castelo Branco. São Paulo: LTr, 2009. p. 405.

389 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 844.

390 CARVALHO, Augusto César Leite de. Direito individual do trabalho. p. 285.

391 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 523.

392 MAÑAS, Christian Marcello. Tempo e Trabalho: a tutela jurídica do tempo de trabalho e tempo livre. São Paulo: LTr, 2005. p. 85.

do seu lar, porém em ambas as situações o empregado tem sua liberdade de ir e vir restringida.393

Tal restrição da liberdade do empregado passou a ser exigida em virtude da época em que estes institutos foram previstos em lei e os meios de comunicação estavam em fase de desenvolvimento. No entanto, com o avanço tecnológico o homem passou a utilizar no seu dia-a-dia aparelho como o Bip, o telefone móvel, o laptop com internet, de modo que se tornou possível o contato direto e imediato entre as pessoas a onde quer que elas estejam, aliás, o que não difere entre o empregado e o empregador.

Diante disto, verifica-se que na doutrina e na jurisprudência, há divergentes entendimentos quanto à aplicação do regime de sobreaviso, tendo em vista a necessidade do empregado de permanecer ou não em local determinado aguardando o chamado ao trabalho, como será visto a seguir.

No documento Monografia - Direito - 2010 - Univali (páginas 88-91)