1.3 FONTES E PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
1.3.1 Fontes do direito do trabalho
1.3.1.2 Fontes heterônomas
1.3.1.2.1 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Ao tratar de fontes, Sérgio Pinto Martins recorda que a primeira constituição brasileira que tratou, especificamente, de normas referentes ao Direito do Trabalho foi a de 1934, de modo que as demais constituições permaneceram trazendo normas sobre tal matéria.88
Nesta linha registra Renato Saraiva:
A constituição de 1934 passou a dispor especificamente sobre normas atinentes ao Direito do Trabalho, como a garantia à liberdade sindical, salário mínimo, isonomia salarial, jornada de 8 horas de trabalho, proteção aos menores e as mulheres, férias e repouso semanal. 89
Após algumas constituições, Gláucia Barreto ensina que a CRFB de 198890, atualmente, é a fonte de direito de maior hierarquia no Brasil, pois tem prevalência sobre as demais normas jurídicas, de modo que é ela que confere o fundamento e a eficácia a todas as demais regras existentes no país.91
87 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 37.
88 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 38.
89 SARAIVA, Renato. Direito do trabalho. p.36.
90 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Doravante denominada CRFB de 1988.
91 BARRETO, Gláucia. Curso de Direito do Trabalho. p. 16
Importante mencionar que a CRFB de 1988 mais precisamente no seu artigo 7 e seus incisos, determinou os direitos sociais dos empregados urbanos e rurais, além de outros que visem a melhoria de sua condição social.92
No mais, com a previsão constitucional dos direitos mínimos trabalhistas e de princípios, como da dignidade do trabalhador, possibilitou-se que fosse estabelecido limites na liberdade contratual, ou seja, ao determinar as cláusulas do contrato, assim como também, limitaram-se os poderes do empregador na relação de emprego. 93
1.3.1.2.2 Leis
Considera-se lei uma regra escrita, abstrata, geral, permanente e com força coercitiva, estabelecida para todos, que deverão cumpri-la e respeitá-la. A lei, portanto, surge por meio de um projeto de lei que é aprovada pelo Poder Legislativo sendo sancionada e promulgada pelo Presidente da República.94
Nas palavras de Eduardo Gabriel Saad a CLT é a principal lei trabalhista, que surgiu da sistematização de várias normas sobre os mais diversos assuntos trabalhistas, sendo editada e promulgada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e denominada Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, contendo, atualmente, o maior número de disposições que regulam a relação de emprego.95
Ressalta-se ainda, que no Direito do Trabalho não é apenas a CLT que prevê regras trabalhistas. Há também a legislação não consolidada, que trata de outros direitos aos trabalhadores, tais como, a Lei nº 605 de 194996, sobre o repouso semanal remunerado, a Lei nº 5.859 de 197297, sobre empregado doméstico, a Lei
92 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Doravante denominada CRFB de 1988.
93 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. p. 222.
94 SUSSEKIND, Arnaldo et al.Instituição de direito do trabalho. p. 154
95 SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada. p. 37.
96 BRASIL. Lei n° 605 de 05 de janeiro de 1949. Repouso semanal remunerado e o pagamento de
salário nos dias feriados civis e religiosos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br.> Acesso em 10 de julho de 2010.
97 BRASIL. Lei n°5.859 de 11 de dezembro de 1972. Dispõe sobre a profissão de empregado
doméstico e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br.> Acesso em 10 de julho de 2010.
nº 5.889, de 197398, sobre o trabalhador rural, entre outras.99
1.3.1.2.3 Decretos
Os decretos também são considerados fonte do direito, sendo estes atos administrativos de competência exclusiva do Poder Executivo, que se destinam à regulamentar situação geral ou individual. 100
Através dos decretos, o Poder Executivo regulamenta a execução de leis ou promove ainda situações não disciplinadas em lei, para tanto, os decretos podem ser regulamentadores, sendo aqueles que têm por finalidade explicar a lei, ou ainda os autônomos, que se equiparam a lei, ou seja, quando são expedidos tratam sobre matéria ainda não disciplinada na legislação. 101
Assim, Sérgio Pinto Martins cita alguns exemplos de decretos, sendo eles: o Decreto nº 27.048 de 1949102, que regulamenta o repouso semanal remunerado; e o Decreto nº 57.155 de 1965103, que regulamenta o 13º salário, entre outros.104
1.3.1.2.4 Sentença normativa
A sentença normativa é fonte própria do Direito do Trabalho, pois trata-se de decisão proferida pelo TRT ou pelo TST em um processo de dissídio coletivo
98 BRASIL. Lei n°5.889 de 1973. Institui normas reguladoras do trabalho rural. Dispõe sobre a
profissão de empregado doméstico e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br.> Acesso em 10 de julho de 2010.
99 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 107.
100 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho. p. 318.
101 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. p. 69.
102 BRASIL. Decreto-lei nº 27.048 de 12 de agosto de 1949. Aprova o regulamento da Lei nº 605, de
5 de janeiro de 1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br.> Acesso em 10 de julho de 2010.
103 BRASIL. Decreto-lei nº 57.155 de 03 de novembro de 1965. Expede nova regulamentação da Lei
nº 4.090, de 13 de julho de 1962, que institui a gratificação de Natal para os trabalhadores, com as alterações introduzidas pela Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br.> Acesso em 10 de julho de 2010.
104 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 39.
destinado a solucionar os conflitos de interesses coletivos de trabalho.105
Segundo Amauri Mascaro Nascimento, o conflito coletivo surge quando a negociação direta entre sindicatos, de um lado trabalhadores e do outro empregadores da categoria não é possível de ser resolvida em harmonia, transformando-se em um dissídio coletivo.106
Os conflitos são coletivos quando em razão dos seus sujeitos, que serão os grupos de trabalhadores abstratamente considerados, de um lado, e o grupo de empregadores, de outro lado, defendem os interesses que pertencem a toda categoria. 107
Ou seja, existindo o conflito, este poderá ser levado ao TRT ou ao TST por meio de ação coletiva de trabalho, para que a questão conflituosa seja resolvida através de decisão judicial, porém, nem sempre, é essencialmente aquela esperada pelas partes, portanto a decisão é chamada de sentença normativa. 108
Sendo assim, por meio da sentença normativa é que serão criadas, modificadas ou ainda extintas as normas e condições de trabalho aplicáveis as categorias em conflito. Do mesmo modo, a decisão em relação a matéria conflituosa, terá seus efeitos aplicados somente aqueles que integram a categoria econômica (empregador) ou profissional (empregado) envolvida no tal conflito coletivo.109
Diante disto, esclarece Maurício Godinho Delgado que as novas regras decorrentes da sentença normativa, de acordo com a lei, devem permanecer em vigor no período máximo de 4 anos, porém tal prazo normalmente é estabelecido na decisão.110