aprendizagem informal e formal. Conforme o indivíduo é exposto a determinadas contingências ambientais são selecionados comportamentos que colaboram para o desenvolvimento um repertório social efetivo ou limitado (Del Prette & Del Prette, 2010).
Portanto, programas focados em desenvolver classes de habilidades sociais, principalmente, utilizando vivências e role-playing permitem que os participantes treinem as habilidades comuns dos seus contextos sociais, de modo a favorecer o aprendizado e aumentar a variedade do repertório das habilidades sociais, extinguindo ou reduzindo comportamentos concorrentes (Del Prette e Del Prette, 2017). Além disso, os programas não possuem foco apenas no treinamento de habilidades sociais, mas também no desenvolvimento de competência social por meio da promoção da perspectiva dos valores de convivência e direitos humanos nas interações (Del Prette & Del Prette, 2017a).
pertence a uma rede social de obrigações mútuas. Estar inserido em uma rede de interações de apoio encorajaria o indivíduo a lidar com crises por facilitar o surgimento de estratégias de enfrentamento e adaptação (Cobb, 1976). Pesquisas na área psicológica têm associado o apoio social à prevenção da violência (Juliano & Yunes, 2014), à saúde e ao bem-estar dos indivíduos (Alves & Dell’Aglio, 2015; Costa, Zeitoune, Queiroz, García, & García, 2015;
Moreira et al., 2018; Uchino, Bowen, Carlisle, & Birminghan, 2012).
Vaux e Harrinson (1985) afirmam que, devido ao seu caráter complexo e multidimensional, o apoio social é melhor representado como um metaconstruto que compreende três componentes: os recursos da rede; os comportamentos de apoio; a percepção de apoio (Vaux & Harrison, 1985). Os recursos da rede referem-se aos relacionamentos que o indivíduo recorreria em momentos de necessidade ou para obter conforto (Vaux & Harrison, 1985). Já comportamentos de apoio seriam as interações que ocorrem dentro dos relacionamentos e que podem variar a natureza, a qualidade, o tempo e o grau (Vaux &
Harrison, 1985). Por fim, a percepção de apoio social estaria relacionada à percepção do indivíduo do suporte disponível (Cramer, Henderson, & Scott, 1997).
A fim de definir as dimensões e os níveis de análise do apoio social, Lin (1986) desmembra o conceito em dois componentes: o de suporte, que corresponde às atividades instrumentais e expressivas que promovem assistência, ajuda e/ou sustentação para o indivíduo; e o social, que representa a ligação do indivíduo com o ambiente social. Portanto, o componente do suporte envolve duas dimensões: a instrumental e a expressiva. A primeira refere-se à dimensão em que as relações sociais são um meio para conseguir objetivos ou metas, enquanto que a expressiva indica as relações sociais tanto como um fim em si mesmas, quanto como um meio pelo qual o indivíduo satisfaz suas necessidades emocionais e de vinculação (Gracia, 1997).
Já o aspecto social do conceito pode ser fornecido e analisado através de três níveis: o comunitário, o das redes sociais e das relações de confiança (Lin, 1986). O primeiro refere-se as relações que são estabelecidas com a comunidade e refletem o sentimento de pertencimento e a participação do indivíduo no meio social (Lin, 1986). Já o segundo nível corresponde aos contatos sociais diretos que são estabelecidos e mantidos pelos indivíduos e, por sua vez, proporcionariam um sentimento de vinculação e união (Lin, 1986). O terceiro e mais interno estaria relacionado às relações de parceiros mais íntimos, que proporcionam reciprocidade, apoio mútuo e confiança, sendo o bem-estar entendido como responsabilidade mútua e compartilhada pelos parceiros (Lin, 1986).
Apesar das diversas dimensões do apoio social, a percepção de apoio social tem sido evidenciada como melhor preditor do bem-estar do indivíduo do que as medidas objetivas da rede de suporte (Vaux, Burda, & Stewart, 1986). Afinal, estar inserido em uma rede social não significa que tal rede cumpre a função de apoio social, pois para isso é necessário que o indivíduo receba ou perceba a rede como fornecedora de suporte afetivo, instrumental e informacional. Assim, Gracia (1997) afirma que, enquanto a rede social se refere ao conjunto de relações sociais, o conceito de rede de apoio é mais restrito e faz referência ao subconjunto das relações que desempenham funções de apoio.
Considerando que as redes de apoio funcionam como fator protetor por estarem associadas a melhores níveis de saúde e ao bem-estar do indivíduo, Cohen e Wills (1985) definem dois modelos teóricos que buscam compreender como atuaria a percepção de apoio social enquanto fator de proteção: o modelo moderador e o modelo de efeito direto. O primeiro propõe que o apoio social funciona como moderador de eventos estressantes, ao proteger o indivíduo dessas situações. Já o segundo determina que o apoio social possui um efeito positivo, independente do indivíduo estar vivenciando uma situação de estresse. Nesse caso, o efeito direto entende que grandes redes sociais podem gerar um efeito benéfico generalizado por proporcionar bem-estar, estabilidade e autoestima, além de evitar experiências negativas (Cohen & Wills, 1985).
Estudos internacionais têm mostrado que o apoio social é um importante fator protetivo para os adolescentes. Uma pesquisa feita com estudantes, de idades entre 12 e 16 anos, estabeleceu relações positiva entre a percepção de apoio dos adolescentes em relação aos pais e professores com o engajamento escolar (Ramos-Díaz, Rodríguez-Fernández, Fernández-Zabala, Revuelta, & Zuazagoitia, 2016). Em um estudo com crianças e adolescentes chinesas ao investigar comportamentos agressivos, encontrou que essas tinham menor apoio parental quando comparadas as que eram vítimas de agressão (Shao, Liang, Yuan, & Bian, 2014).
O apoio social de pais e professores tem sido destacado como mecanismo de proteção da saúde mental e desajustamento, perante situações de discriminação e vitimização. Estudos têm avaliado o impacto protetivo do apoio social nos efeitos negativos provocados por esses tipos de violência (Averdijk, Eisner, & Ribeaud, 2014; DeGarmo & Martinez, 2006). Na Coréia do Sul, um estudo assinalou que a percepção positiva dos jovens sobre os professores estava associada a uma diminuição no risco de vitimização em estudantes de minorias étnicas (Bae, Choo, & Lim, 2018). Portanto, observa-se a família e a escola como contextos
fundamentais para o surgimento de mecanismos de proteção e enfrentamento dessas dificuldades.
Já em âmbito nacional, uma pesquisa realizada com adolescentes estudantes de escolas públicas no Rio de Janeiro, identificou uma correlação positiva entre o desempenho escolar e a percepção de apoio dos estudantes em relação aos professores (Fernandes, Leme, Elias, &
Soares, 2018). O menor envolvimento em comportamentos de risco também foi associado à maior percepção de apoio social dos adolescentes em relação à família e aos professores, no entanto, o apoio social dos amigos esteve associado ao engajamento em comportamentos de risco (Alves & Dell’Aglio, 2015).
Pesquisadores têm evidenciado que os vínculos afetivos são considerados a base para o apoio social, de modo que indivíduos com habilidades sociais são mais capazes de desenvolver ou ampliar suas redes de apoio social (Olsson, Hagekull, Giannotta, &
Ahalander, 2016; Fernandes & Leme, 2014; Carneiro, Falcone, Clark, Del Prette, & Del Prette, 2007; Costa & Assis, 2006). Desse modo, as habilidades sociais são capazes de transformar o ambiente social, permitindo a formação e a manutenção de vínculos nos microssistemas frequentados pelos adolescentes. De fato, promover habilidades sociais possibilita a ampliação das redes de apoio social e garantem sua eficácia através da solicitação de apoio em momentos de crise (Segrin, 2000).