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Maria Antonieta Andrade de Souza

No documento São Paulo Ethanol Summit 2007 - UNICA (páginas 166-169)

Gostaria de falar sobre as atividades da ANP e como es- tabelecemos as especifi cações de qualidade, no caso par- ticular do álcool etílico anidro hidratado combustível e o álcool etílico anidro combustível.

A base legal para a ANP especifi car os produtos está no artigo 8º da Lei 9.478 de 1997, alterada pela lei 11.096 de 2005, que introduziu a questão dos biocombustíveis dentre as atribuições da ANP, assim como mudou o nome da ANP, hoje Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. No inciso I, diz que à ANP cabe implementar a política nacional de petróleo e gás natural com ênfase em garantir o suprimento de deriva- dos e de biocombustíveis e, sobretudo, proteger o inte- resse dos consumidores quanto a preço, à qualidade e à oferta de produtos.

Temos uma sucinta cronologia do uso do etanol no Brasil:

Remonta a 1931, quando era feita a adição à gaso- lina importada;

Em 1975, com o advento do Proálcool, o maior programa de substituição de combustível fóssil no mercado automotivo;

Em 1989, o Brasil é o primeiro país a utilizar o eta- nol como um buster de octanagem, substituição ao álcool-chumbo na gasolina;

Em 1993, adição do etanol anidro à gasolina na fai- xa compreendida entre 20 e 25%;

Em 2003, a gasolina, com percentual fi xo de 25%

de etanol, foi introduzida em carros Flex Fuel pelas montadoras de veículos no Brasil;

Em 2006, a adição de marcador ao etanol anidro para evitar a mistura de água e etanol anidro e sua comercialização como etanol hidratado;

Em 1º de março de 2006, o percentual do etanol na gasolina passou a ser de 20%;

Em novembro de 2006, o percentual foi fixado em 23%;

Em junho de 2007, o Ministro da Agricultura anunciou o encaminhando de uma medida para aumentar esse percentual para 25%, atendendo a reivindicação do grupo sucroalcooleiro.

Os excedentes exportáveis seguem em crescimento para buscar mercados demandantes. Fomos os maiores produtores de etanol no mundo, hoje são os Estados Unidos. Precisamos conviver com a idéia de que os nor- te-americanos, até o próximo ano, serão auto-sufi cientes em etanol.

A qualidade é um conjunto de características que defi - nem um produto. Temos a especifi cação, constituída por um conjunto mínimo de características físico-químicas e seus limites necessários, para o desempenho adequado do produto. Trabalhamos com premissas, relacionadas com as questões econômicas, a disponibilidade de pro- duto, a adequação ao uso, a tecnologia e, evidentemente, o meio ambiente.

Maria Antonieta Andrade de Souza

I would like to speak about the activities of the ANP and how we establish quality specifi cations, in the specifi c case of anhydrous and hydrous fuel ethanol.

The legal basis for the ANP to specify products is in Ar- ticle 8 of Federal Law 9,478 dated 1997, altered by Federal Law 11,096 dated 2005, which made biofuels one of the ar- eas of competence of ANP, as well as changing the agency’s name to the National Petroleum, Natural Gas and Biofuels Agency. At the start of Subsection 1, it says that the ANP is responsible for implementing national petroleum and natural gas policy with an emphasis on guaranteeing the supply of derivates and biofuels and, above all, protecting the interests of the consumers with respect to price, quality and the availability of products.

We have a succinct chronology of the use of ethanol in Brazil:

In 1931, the fi rst ethanol additions were made to im- ported gasoline;

In 1975 Proálcool was created, the largest program for replacement of fossil fuel in the automobile market;

In 1989, Brazil became the fi rst country to use ethanol as an octane booster, replacing lead in gasoline;

In 1993, the addition of anhydrous ethanol to gasoline was in range from 20 to 25%;

In 2003, gasoline, with a fi xed percentage of 25% etha- nol, was introduced for Flex Fuel cars by Brazilian ve- hicle assemblers;

In 2006, anhydrous ethanol received an added marker to avoid people mixing water and anhydrous ethanol and selling it as hydrous ethanol;

On 1st March 2006, the ethanol blend in gasoline was established at 20%;

In November 2006, the blend was fi xed at 23%;

In June 2007, the Ministry of Agriculture announced a measure to increase this to 25%, following demands by the sugar-ethanol sector.

The exportable excess has continued growing and seeks markets where there is demand. Brazil was the larg- est producers of ethanol in the world, today it is the United States. We must come to terms with the idea that the North Americans will be self-suffi cient in ethanol by next year.

A base legal da qualidade do etanol no Brasil está es- tabelecida na resolução ANP nº 36 de 2005. Há dois tipos de etanol:

O anidro, utilizado em misturas com gasolina;

O hidratado, utilizado em veículos a álcool e em veículos Flex Fuel, que podem ser abastecidos com misturas de gasolina C e A.

O comparativo da especifi cação brasileira com as in- ternacionais está perfeitamente alinhado, apesar de algu- mas divergências, por exemplo, em relação aos Estados Unidos, onde é utilizado álcool desnaturado. No Brasil, o álcool é puro com água. O álcool anidro tem no máximo 0,7% de água, e o álcool hidratado tem 7% de água.

Nos Estados Unidos, etanol é adicionado à gasolina desde 1970. A mistura é feita freqüentemente com 10%, com vantagens tributárias. Originado do milho, os fabri- cantes dão garantia total para os veículos projetados para utilizar somente gasolina, sem modifi cação no projeto.

O governo federal não defi ne uma especifi cação para o restante do país.

A Associação de Combustíveis Renováveis, entidade na- cional de comercialização do etanol combustível, recomen-

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da as normas ASTM e a D4806. Para o etanol combustível em misturas de 75 e 85%, é recomendada a ASTM D5798.

O Estado da Califórnia, com regulação própria para a qualidade do etanol, adota limites para o enxofre (10 miligramas por quilo) e algumas especifi cações adicio- nais à ASTM.

Na União Européia, o etanol é obtido a partir de ce- reais, açúcar de beterraba, batata, e de subprodutos da agroindústria. Há duas aplicações para o etanol:

Adição até 5% à gasolina, feita pela Suécia, Polô- nia e Espanha, em pequenas quantidades;

Conversão do etanol a ETBE para mistura com gasolina, na França, Polônia, Espanha e Itália.

A expectativa de utilização de biocombustíveis na União Européia em sistemas de transporte é de 6% em 2010 e de 7% em 2015, com as percentagens baseadas em conteúdo energético e não em volume líquido. Não há especifi cação normatizada para etanol. A Suécia faz tes- tes para E85, em um número restrito de carros Flex Fuel, enquanto a Espanha, Alemanha e Inglaterra estudam a adoção da mistura E85. A Finlândia estabelece a adição etanol (vinho), de 5% à gasolina.

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Quality is a set of characteristics that defi ne a product.

We have the specifi cation, comprising a minimum set of physical-chemical characteristics and their necessary lim- its, for the suitable performance of the product. We work with premises related to economic questions, the availabil- ity of the product, adaptation of its use, technology and, obviously, the environment.

The legal basis of ethanol quality in Brazil is established in ANP Resolution No. 36 of 2005. There are two kinds of ethanol:

Anhydrous, blended in gasoline;

Hydrous, used in ethanol-only vehicles and Flex Fuel vehicles, which may be supplied with mix- tures of types C and A gasoline.

The comparison of Brazilian and international specifi- cations shows they are perfectly aligned, in spite of some differences, for example, in relation to the United States, where pure ethanol is not used. In Brazil, the ethanol is pure, with water added. The anhydrous ethanol contains a maximum of 0.7% water, while hydrated ethanol had 7% water.

In the United States, ethanol has been added to gas- oline since 1970. The blend is often 10%, and has tax ad- vantages. Produced from maize, the fuel manufacturers give a full guarantee for its use in vehicles designed to use only gasoline, without adaptation. The federal gov- ernment does not define a specification for the rest of the country.

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The Renewable Fuels Association, the national body that promotes the sale of fuel ethanol, recommends the ASTM and D4806 standards. For ethanol fuel in mixtures between 75% and 85%, the ASTM D5798 is recommended.

The State of California has its own regulations for the quality of ethanol, and adopted limits for sulfur (10 mil- ligram per kilo) and some additional specifications to ASTM.

In the European Union, ethanol is obtained from cere- als, sugar beet, potatoes and agribusiness sub products.

There are two applications for ethanol:

Addition of up to 5% to gasoline, done by Swe- den, Poland and Spain, in small quantities;

Conversion of ethanol to ETBE to mix with gaso- line, in France, Poland, Spain and Italy.

Expectations for the use of biofuels in the European Union in transport systems is 6% in 2010 and 7% in 2015, with the percentages based on energy content and not liq- uid volume. There is no standardized specifi cation for etha- nol. Sweden did tests with E85, in a restricted number of Flex Fuel cars, while Spain, Germany and England studied the adoption of the E85 mixture. Finland established the 5% addition of ethanol (wine) to gasoline.

In France, 70% of ethanol production comes from beet- root and 30% from cereals. It is the country which has most advanced in the production of ethanol in the EU. In 1987, a law allowed the addition of 3% pure anhydrous ethane or up to 15% of ethers like ETBE.

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SÃO PAULO ETHANOL SUMMIT 2007

Na França, da produção de etanol, 70% vêm da be- terraba e 30%, de cereais. É o país que mais avança na produção de etanol do bloco. Em 1987, uma lei possibi- litou a adição de 3% de etano anidro puro ou até 15% de éteres como ETBE.

Na Itália, o etanol a partir do vinho é largamente uti- lizado na produção de ETBE. A Espanha e a Suécia pro- duzem o etanol, respectivamente, a partir de trigo e de grãos e madeira.

A ANP estabeleceu uma resolução para marcar o eta- nol anidro no início de janeiro de 2006, por questões de evasão. As taxas tributárias não eram recolhidas. Detec- tamos uma redução substancial nas taxas de não-confor- midade do etanol hidratado vendido nos postos de com- bustíveis no Brasil. Com a adição de corantes, tivemos uma entrada fi rme do etanol legal no mercado.

Em Alagoas, o Estado brasileiro de menor consumo de combustíveis, de um modo geral, havia uma venda, mensal, de etanol hidratado da ordem de 800 mil a 1 mi- lhão de litros. Após a adoção do corante, o número cres- ceu 5 milhões de litros.

Na Europa Oriental e Central, embora a Rússia pre- domine na produção, o etanol é predominantemente

para produção de bebidas. Os países bálticos, como Po- lônia, Hungria, Estônia e Cazaquistão, demonstram in- teresse na produção do etanol combustível. Na Polônia, a especifi cação para o etanol anidro é baseada na ASTM, igual aos Estados Unidos, mas será substituída pela futu- ra especifi cação européia, em estudo e revisão.

Na China, o terceiro maior produtor de etanol do mundo, depois de Estados Unidos e Brasil, utilizam- se mandioca, batata-doce e cana-de-açúcar. A regu- lamentação através da norma GB18351-2001, imple- mentada em julho de 2003, define a adição de 10% de etanol à gasolina.

A Índia permite a mistura de, no máximo, 5% à ga- solina, de acordo com a norma indiana 15464-2004. Na Tailândia, o etanol é produzido a partir de cana-de-açú- car, melaço ou mandioca. O país usa as especifi cações de etanol industrial ou etanol absoluto, como é conhecido para certifi cação do produto. As especifi cações de etanol combustível são defi nidas entre as partes envolvidas nos contratos de compra.

A especifi cação do etanol é adequada ao mercado na- cional. Têm sido apurados elevados índices de qualida- de nos postos revendedores, conforme ação da ANP, do

In Italy, ethanol from wine is largely used in the produc-

tion of ETBE. Spain and Sweden produce ethanol, respec- tively, from fl our, grains and timber.

ANP established a resolution to put a trace marker in anhydrous ethanol at the beginning of January 2006, to prevent tax avoidance. We detected a substantial reduc- tion in the rates of non compliance of hydrous ethanol sold in fuel stations in Brazil. With the addition of coloring, legal ethanol gained signifi cant ground in the market.

In Alagoas, the Brazilian state with the lowest appar- ent consumption of fuels, the monthly sale of hydrated ethanol was in the order of 800,000 to one million liters.

After the adoption of the coloring, this increased to fi ve million liters.

In Eastern and Central Europe, while Russia predomi- nates in production, ethanol is destined predominantly for the production of drinks. Baltic countries like Poland, Hun- gary, Estonia and Kazakhstan have shown interest in the production of fuel ethanol. In Poland, the specifi cation for anhydrous ethanol is based on the ASTM, the same as the United States, but will be replaced by a future European specifi cation, under study and revision.

In China, the third largest producer of ethanol in the world, after the United States and Brazil, the raw material used is manioc, sweet potatoes and sugarcane. Regulation is by the GB18351-2001 standard, implemented in July 2003, and defi nes the addition of 10% ethanol to gasoline.

India allows a maximum mixture of 5% to gasoline, in accordance with Indian Standard 15464-2004. In Thailand, ethanol is produced from sugarcane, sugar syrup or mani- oc. The country uses the specifi cations for industrial etha- nol or absolute ethanol, as it is known for certifi cation of the product. The specifi cations for fuel ethanol are defi ned between the parties involved in the purchase contracts.

Brazil’s ethanol specifi cation is appropriate for the national market. The ANP monitoring program both for hydrous and anhydrous ethanol has found high levels of quality in the gas stations. ANP has data coming from more than 300 producers.

To analyze problems of non compliance and guide our inspection activities, ANP contracts universities and re- search centers (45% in the Southwest region, 21% in the South, 6% in the North, 19% in the Northwest and 9% in the Center-West), to collect 150,000 fuel samples per year.

This program is based on Resolution No. 29, dated 2006, and provides integrated monitoring and inspection activ- ity. Samples are collected and analyzed in 24 hours, and the results sent on-line to ANP.

I would like to observe that the elimination of technical barriers is indispensable to make ethanol a credible inter- national commodity. It will make the quality of the product more transparent and facilitate the sale. We must harmo- nize specifi cations through international methods, with the defi nition of reference materials and standardization of

programa de monitoramento tanto de etanol hidratado como da mistura gasolina com etanol anidro. Temos da- dos oriundos de mais de 300 produtores.

Para mapear problemas de não-conformidade e dire- cionar ações de fi scalização, com base na resolução n° 29, de 2006, a ANP contrata universidades e centros de pes- quisa (45% na região Sudeste, 21% na Sul, 6% na Norte, 19% na Nordeste e 9% na Centro-Oeste), para coletar 150 mil amostras por ano de combustível. Esse programa é uma ação integrada do monitoramento e da fi scaliza- ção. As amostras são coletadas, analisadas em 24 horas, e os resultados remetidos on-line para a ANP.

Gostaria de registrar que a eliminação de barreiras técnicas é imprescindível para colocar e dar confi abi- lidade ao etanol como commodity internacional. Tor- na a qualidade do produto mais transparente e agiliza a comercialização. Harmoniza especifi cações através de métodos internacionais, com defi nição de materiais de referência e padronização de medidas, propriedade e li- mites. Respeita as especifi cidades dos mercados: frotas, matérias-primas e processos distintos. Buscar coopera- ção entre os órgãos reguladores e as entidades de norma- tização no âmbito nacional e internacional.

Obrigada

No documento São Paulo Ethanol Summit 2007 - UNICA (páginas 166-169)