In terms of the opportunities, the price of petroleum, global warming and the fl ex motor have created a boom in the ac- tivities of the sector. The expansion of cane in Brazil shows an accentuated growth in recent times, concentrated mainly in the Center-South region. But this success raises questions: Will there be land for this projected expansion?
What will be the impact on the price of food?
The area of cane went from around 4 million hectares at the beginning of the 1990s to 6 million hectares today.
The tendency is to occupy greater areas, with the prospect of more investment and plants.
As for the expansion of the area planted by various cul- tures – in total, in 1990, Brazil used 53 million hectares and, today, it uses 64 million. An expansion in the order of 20%.
The larger part of the increase is in temporary crops, basi- cally soy, with 11.84 million hectares, much more than cane.
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Do lado das oportunidades temos:
A melhoria da qualifi cação do trabalhador pela própria mecanização;
O agribusiness na forma de cadeia de negócio, para a inclusão social;
A área de grãos, como o milho usado pelos Estados Unidos para fazer para etanol;
A liquidez internacional, na busca de negócios prósperos, sustentáveis no tempo e com retornos seguros, e esse capital avança no Brasil com muita rapidez;
O bagaço da cana pode melhorar a produtividade da pecuária de corte e leite.
O número de empregos no setor cresce. Soluções de sustentabilidade poderiam ser pensadas. Os postos de trabalho da agroindústria poderiam ser ocupados pelos trabalhadores expulsos pela mecanização tradicional, como, por exemplo, a substituição das máquinas enfar- dadoras por trabalhadores.
A cultura da cana, mais amigável, com impacto me- nor sobre o solo, representa uma oportunidade de re- generação de solos desgastados. Uma empresa nos EUA desenvolveu uma bactéria para otimizar a produção de combustíveis diretamente através do açúcar, igualando o potencial do açúcar ao da gasolina.
Ao mesmo tempo em que a produção de etanol re- presenta uma oportunidade de redução de gases de efeito estufa, a tecnologia atual é muito adequada à utilização da água. Praticamente todos os resíduos sólidos podem ser reutilizados, por exemplo, na alimentação de gado e na produção de energia termoelétrica, para não dizer da quebra das moléculas de celulose que pode representar uma nova alternativa para produção de energia.
Como uma liderança na área de energia renovável, dentro de um padrão de sustentabilidade numa relação amigável com o meio ambiente e a inclusão social, o se- tor precisa ser pensado de forma diferente.
A vantagem comparativa é relativa, e surgirão barrei- ras não tarifárias para a indústria do etanol, sem con- formidade com os padrões de boa governança, de ética e transparência. Enquanto os capitais internacionais prospectam o setor, sobe a exigência de profi ssionalizar a gestão dos negócios, no sentido de solucionar desafi os integrados à sustentabilidade no médio prazo.
Na área de empregados permanentes urbanos re- gistrados em carteira, o setor de cana-de-açúcar lidera, bastante acima da média do Brasil, com 51%. Em rela- ção ao número de empregados permanentes registrados em carteira, a cana-de-açúcar perde para a soja, mas está muito acima da média brasileira. Quanto ao número de empregados temporários registrados em carteira, a cana- de-açúcar lidera esse indicador. Esses números colocam a
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cana-de-açúcar como bom exemplo para ser benchmark para outros setores do agribusiness.
Na área de trabalhadores permanentes urbanos com mais de oito anos de escolaridade, surpreendentemente, lidera a mandioca, talvez por ser um dos insumos agrí- colas com maior utilização industrial. A média brasileira, como um todo, é muito baixa. Também a média de es- colarização da mão-de-obra agrícola é baixa. Isso precisa ser enfrentado.
O Instituto Ethos é uma organização empresarial, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Públi- co (Oscip), com mais de 1.200 empresas. Seu objetivo é trabalhar com as organizações para desenvolver com- petências na área de responsabilidade social. Os nossos associados são distribuídos de uma forma bastante ho- mogênea entre pequenas, grandes e médias empresas.
Na área de agronegócios, temos parceria com a Unica, com discussão dos princípios da responsabili- dade social na gestão das usinas. Iniciamos uma ex- periência com o Banco Interamericano, a respeito da responsabilidade social na cadeia do açúcar e do ál- cool. Com papel e celulose, trabalhamos na questão do combate ao aquecimento global e na neutralização das emissões de carbono. Na mesa da soja responsável, analisamos os desdobramentos dessa indústria em re- lação ao desenvolvimento sustentável. Estamos no Vale do Paraíba, uma das bacias mais sobrecarregadas do mundo, com foco na recomposição de matas ciliares e de agricultura sustentável. Enfi m, essas são algumas das iniciativas do Ethos.
Obrigado.
Rudnei Toneto Júnior
Em relação às oportunidades, o preço do petróleo, o aquecimento global e o motor Flex colocam um boom na atividade do setor sucroalcooleiro. A expansão da cana no Brasil mostra um crescimento acentuado em período recente, concentrado principalmente na região Centro- Sul. Mas esse sucesso traz questionamentos: Haverá terra para essa expansão projetada? Qual será o impacto sobre o preço de alimentos?
A área de cana saiu, do começo dos anos 90, da faixa de 4 milhões de hectares para 6 milhões de hectares, nos dias atuais A tendência é ocupar uma área maior, com a perspectiva de mais investimentos e usinas.
Quanto à evolução da área plantada pelas diversas
culturas, no total, em 1990, o Brasil utilizava 53 milhões
de hectares e, hoje, utiliza 64 milhões. Uma expansão da
ordem de 20%. O grande incremento se deu nas lavouras
temporárias, basicamente na soja, com 11,840 milhões
de hectares, bem acima da cana.
Na década de noventa, no Brasil, todas as culturas ti- veram expansão signifi cativa de produção. Então, apa- rentemente, não se coloca o impacto negativo da produ- ção pelas outras culturas. Quanto à utilização da terra, o Brasil dispõe de 851 milhões de hectares. Segundo a Embrapa, há 106 milhões de hectares disponíveis para serem utilizados para a agricultura.
A área de cana caminha para o Cerrado dos Estados de Minas Gerais, Goiás, do Mato Grosso, com concen- tração em torno do Estado de São Paulo. Da área total do Cerrado, de 207 milhões de hectares, 139 milhões de hectares são de terras aráveis. Restam para serem ocupa- dos 68 milhões de hectares, a mesma área hoje destinada a pastagens cultivadas.
Embora exista o risco de a expansão da cana pres- sionar o preço dos alimentos, a evolução do índice de preços de alimentos e de bebidas no Brasil, nos últimos anos, funcionou como âncora verde no país, pois fi cou muito abaixo dos demais produtos.
As características da economia brasileira e do mundo mostram uma deterioração dos termos de troca contra a agricultura. Vários estudos demonstram essa tendência.
Grande parte da pobreza mundial se concentra nas áre- as rurais. Uma elevação de preço nos alimentos, para o meio rural, corresponderia ao aumento da renda agríco- la. Do ponto de vista do Brasil, a competição entre ener- gia e alimento parece ser uma falsa questão. Nos Estados Unidos, com a retirada do milho para outra fi nalidade, a situação pode ser outra.
Aliás, no caso brasileiro, um choque no preço do ali-
rural e facilitaria o acesso à alimentação, que é um dos principais problemas para combater a fome no mundo.
No passado, o choque do petróleo era estudado pelo seu efeito negativo na economia brasileira. Agora, a análise é pelo lado positivo.
Na parte do mercado de trabalho, temos duas fontes básicas de informações:
O Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho. A sua limitação é só tratar do emprego formal, e não do conjunto das ocupações no país.
A Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad), com dados colhidos no domicílio, mas prestadas pelo indivíduo.
De 1989 a 2005, o emprego formal no Brasil cresceu na ordem de 40%. Em milhões de empregados formais, passamos 24 para 33. Apesar da sua estagnação no perí- odo, a indústria manteve o nível de emprego estável: com 6,6 milhões empregados. Os setores mais afetados foram o mecânico, metalúrgico, de material elétrico e de comu- nicação. Já os demais tiveram expansão signifi cativa: cons- trução civil, comércio, serviços, agropecuária. Em termos percentuais, a maior expansão foi na agropecuária, com crescimento da ocupação e maior formalização.
O fato de a expansão do agro afetar a expansão da indústria se deu no começo dos anos 90, com a abertura comercial. Risco de doença importada não serve como argumento. O crescimento do emprego industrial será acompanhado pelo agrícola, energético etc.
Enquanto a participação da indústria no emprego 1.
2.
In the nineties, all Brazil crops experienced signifi cant ex- pansion in production. So it seems that the negative impact of production by other cultures is not discussed. As to land use, Brazil has 851 million hectares. According to Embrapa, there are 106 million hectares available to be used for agriculture.
The area of cane is expanding into the states of Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, with a concentration around the state of São Paulo. Of the 207 million hectares total area of the Cerrado (savannah), 139 million hectares are arable land.
Of this 68 million hectares remain to be occupied, roughly equal to the total area today used for cultivated pastures.
Although there is a risk of sugarcane expansion putting pressure on the price of food, in fact food and drinks in Bra- zil in recent years has functioned as a “green anchor” for the country, because its price has increase much more slowly than other products.
The characteristics of the Brazilian and the world econ- omies have shown deterioration in the terms of trade, un- favorable for agriculture. Several studies have shown this
tendency. A large part of world poverty is concentrated in rural areas. An elevation in food prices, for rural com- munities, would correspond to an increase in agricultural income. From the point of view of Brazil, the question of competition between energy and food appears to be a false one. In the United States, with the use of corn for oth- er purposes, the situation may be diff erent.
In fact, in the Brazilian case, a shock in the price of food would increase agricultural income, relieve rural poverty and facilitate access to food, which is one of the main prob- lems to fi ghting hunger in the world. In the past, the petro- leum shock was studied for its negative eff ect on the Brazil- ian economy. Now, the analysis is on the positive side.
In terms of the labor market, we have two basic sources of information:
The Annual Social Information Report (Rais), from the Labor Ministry. Its limitation is that it deals only with formal employment, and not the whole set of occupations in the country.
1.
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