INTRODUÇÃO
Percebe-se, assim, que a lógica legislativa do sistema penal25 provém do sujeito, seja ele o potencial destinatário26 da norma27 ou o seu criador. Portanto, em primeiro lugar, é necessário delinear historicamente o desenvolvimento do sistema penal para compreender sua base e mantê-la ao longo de sua trajetória28.
A LÓGICA A PARTIR DO SUJEITO
Esse período ainda marca o sistema penal brasileiro, respeitando apenas a estrutura do Código Penal Brasileiro e do Código de Processo Penal, no qual há resquícios do Estado Liberal, autorizando a afirmação de Lenio Luiz Streck de que "esta é a razão pela qual não podemos é surpreendente o facto de o Código Penal “proteger-punir” os crimes contra a propriedade de forma mais severa do que os crimes contra a vida”4445. O sistema penal, de forma mais lenta que outros ramos do direito, ainda se adapta às características do Estado de Direito Democrático.
A LÓGICA TEÓRICA
Dessa forma, o conceito de propriedade a ser utilizado deve ser formulado a partir de três aspectos (analítico, descritivo e sintético) acrescentados à trilogia (inserção social, limites e limitações). Assim, a análise efectuada neste ponto refere-se à possibilidade de exploração de bens (bens móveis ou imóveis), cuja posse foi obtida através de crime contra o património (bens materiais). Para isso, é necessário avaliar a possibilidade segundo duas versões: a posse do próprio autor e a posse de terceiro de boa-fé, mas sobre os bens obtidos através de ato criminoso.
E a presença de pelo menos o exercício de um dos poderes inerentes ao domínio ou propriedade é essencial para que se caracterize a existência da posse. Por sua vez, o segundo problema que tivemos foi se os bens obtidos através de conduta criminosa poderiam ser utilizados de boa fé por terceiros. Esta hipótese foi confirmada, dado que é permitida a usucapião, por terceiro de boa-fé, de bens obtidos ilegalmente.
O ACESSO À JUSTIÇA E O DIREITO PENAL
INTRODUÇÃO
O fenômeno também é muito significativo em relação aos pequenos direitos reais, que permanecem intactos, independentemente de qualquer disposição feita pelo titular de um direito real maior. Embora os direitos creditórios possam envolver coisas futuras, os direitos reais pressupõem a existência real do seu objeto120. O princípio da publicidade rege os direitos reais, enquanto nos direitos pessoais o conhecimento prevalece apenas entre as partes.
Na verdade, o tempo pode ter efeitos muito diferentes quando se trata de direitos reais e de direitos creditórios. É também importante distinguir os direitos reais dos direitos de obrigação, e para tal utilizamos a definição de direitos de obrigação apresentada por Carvalho de Mendonça123, que é resumida por As obrigações125 caracterizam-se pela transitoriedade, ao contrário dos direitos reais, que são plurianuais, criados por tempo indeterminado.
PRINCÍPIO DA PROPRIEDADE
- Trilogia Obrigacional da Propriedade
Os direitos reais são inesgotáveis126 enquanto os direitos obrigatórios são essencialmente transitórios e tendem a extinguir-se pelo uso127; os direitos reais consistem no gozo das coisas que os acompanham, que criam, em benefício dos seus possuidores, a consequência jurídica do sucessor ao qual está vinculado o direito de reclamação, enquanto o direito obrigatório consiste inteiramente em benefícios, atos positivos ou negativos , o que significa que focam apenas na ação ou fato a ser realizado128. 132 Luigi Ferrajoli não vê a propriedade como um direito fundamental e enumera quatro diferenças entre direitos de propriedade e direitos fundamentais: 1) os direitos fundamentais são universais, enquanto os direitos de propriedade são singulares; Barba também entende que a propriedade não é um direito fundamental, pois os direitos fundamentais devem ser gerais, aplicáveis a todos, e como a propriedade é escassa e não pode ser garantida a todos, não pode ser um direito fundamental (PECES-BARBA, Gregorio.
135 Ressalte-se que o próprio artigo 1.228 do Código Civil estabelece que o proprietário tem o direito de usar, gozar e dispor da coisa e não o direito: “Art. A não inclusão do imóvel gera sanção de reconhecimento público, que pode ser feita por meio de pessoa física. em caso de posse indevida) ou pelo Estado (arrecadação de bens deixados, conforme artigo 1.276 do Código Civil)145. 148 De acordo com o artigo 1.911 do Código Civil: “A cláusula de inalienabilidade imposta ao patrimônio por ato de liberalidade implica inutilidade e incomunicabilidade”.
POSSE
- Teorias Possessórias
- Natureza Jurídica da Posse
- Efeitos da Posse
Jhering alertava que, em geral, possuidor e possuidor tinham a mesma finalidade, e dizer que “seria possuidor porque não se podia possuir, era admitir que a recusa da posse não surgia da vontade, mas, antes, de uma norma jurídica que, em hipótese, o negava161. Da mesma forma que as teorias da posse, a natureza jurídica da posse tem sido uma questão altamente controversa desde o direito romano, onde ainda não há consenso sobre o assunto. Os efeitos da posse são as consequências jurídicas por ela produzidas, com base na lei ou norma jurídica e podem ser resumidos como proibições possessórias180, frutos, benfeitorias e usucapião.
A interdição possessória é uma forma indireta de defesa da posse pelo possuidor e é classificada como Ação de Manutenção de Posse; Ação de reintegração de posse e interdito proibitivo181. A interdição proibida é a proteção preventiva da posse contra a ameaça de perturbação ou peculato, e o possuidor que tenha medo razoável de ser molestado na posse pode requerer ao juiz que o proteja de ameaça de violência. Ressalte-se que os frutos devem permanecer com o possuidor de boa-fé183, mas o artigo 1.216 abre a exceção de que o possuidor de má-fé tem direito ao reembolso das despesas de produção e de financiamento, situação decorrente do princípio geral que proíbe a propriedade conjunta , ilegal e não um efeito específico de posse.
PRESCRIÇÃO
A usucapião comum210, por sua vez, exige a posse por dez anos, exercida na mente do proprietário, de forma contínua, branda e pacífica, além de título justo e boa-fé. A exigência extraordinária219 exige a posse contínua da coisa por cinco anos, independentemente do título e da boa-fé. Porém, a dúvida que surge é se ele pode adquirir por usufruto ordinário, uma vez que possui título justo (adquirido mediante contrato, com apresentação de certificados de propriedade [mesmo que falsos, mas sem o seu conhecimento] e boa-fé.
USUCAPION - VEÍCULO ROUBADO - AQUISICIONADOR DE BOA FÉ - OPÇÃO - PERSONAGEM VIOLENTO DE POSSE DEIXOU DE AQUISICIONÁRIO - ART. 618 do Código Civil em favor de terceiro de boa-fé, quando o possuidor desconhecia o erro que impediu a aquisição da coisa (Código Civil, art. 490). Nestes casos, o adquirente, terceiro de boa-fé e titular de direitos de propriedade, pode adquirir bens imóveis com posse extraordinária e também ordinária.
PRESCRIÇÃO AQUISITIVA
- Causas que Suspendem e Interrompem a Prescrição
É importante ressaltar também que os bens móveis oferecem determinadas formas de aquisição que diferem dos bens imóveis. Por outro lado, os bens móveis são adquiridos por usucapião, ocupação, descoberta de tesouro, tradição, especificação, confusão, comissão e adjuvamento196. Para este trabalho é importante destacar a forma como é obtida a usucapião, tanto para bens móveis como imóveis.
A interrupção199 volta a ocorrer por ordem do juiz que ordena a citação, por protesto judicial ou protesto cambial, por apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso entre credores, por qualquer ação judicial que constitua devedor inadimplente e por qualquer ação inequívoca, ainda que extrajudicial, implica que o devedor reconheça o direito.
ESPÉCIES DE USUCAPIÃO
A usucapião urbana especial214 exige a posse de uma área urbana até 250 m2 como sua durante 5 anos, sem interrupção e sem oposição, devendo a área ser utilizada para sua habitação, desde que não seja proprietário de outra área urbana ou rural. propriedade. 214 De que trata o artigo 183 da CRFB/88 “Aquele que possuir como área urbana até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem objeções, utilizando-a para habitação de sua família, adquirirá o domínio. desde que não possua outro imóvel urbano ou rural”. 9 - “Quem for proprietário de área ou prédio urbano até duzentos e cinquenta metros quadrados, durante cinco anos, sem interrupção e sem oposição, utilizando-o para habitação de sua família, adquirirá o domínio, desde que não seja proprietário. de outro imóvel urbano ou rural” (sem destaque no original).
Por fim, a usucapião urbana coletiva desfavorável, prevista exclusivamente no Estatuto da Cidade216, tem amplo alcance social e atinge áreas superiores a 250 m2, ocupadas pela população de baixa renda para sua moradia durante 5 anos, de forma ininterrupta e sem oposição, desde que daquela vez. não é possível identificar individualmente os terrenos ocupados. Os requisitos são a posse, durante 5 anos, ininterrupta e sem objecção, de uma área até 250 m2 de imóvel público217 situado em zona urbana, utilizando-a para habitação própria ou de família, desde que não esteja o proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. 10 - “Áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas pela população de baixa renda para sua moradia, há cinco anos, de forma contínua e sem objeção, onde não seja possível identificar os terrenos ocupados por cada proprietário, provável. de uso coletivo, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”.
PRESCRIÇÃO AQUISITIVA DA PROPRIEDADE ILÍCITA
- Prescrição Aquisitiva em Favor do Autor do Delito
- Prescrição Aquisitiva em Favor do Terceiro de Boa-Fé
- Os Efeitos da Sentença Penal Condenatória e a Aquisição por Meios
- A Busca e Apreensão e a Aquisição por Meios Ilícitos
São requisitos para a aquisição por usucapião a coisa suscetível ou suscetível de usucapião, a posse221, a passagem do tempo, o título justo e a boa-fé. Os três primeiros são indispensáveis para todos os tipos de usucapião, enquanto o título justo e a boa-fé são requisitos para a usucapião ordinária. Portanto, é possível que um terceiro simplesmente tome posse de bens de boa-fé, desde que possua título justo e boa-fé, independentemente de o antecessor cumprir os mesmos requisitos. Porém, neste caso não poderão agregar as participações anteriores às suas.
O Tribunal Superior entendeu que a posse sem boa-fé e título de boa-fé é incerta e, portanto, não pode ser adicionada à posse do potencial adquirente, mesmo que este tenha título de boa-fé e boa-fé. Portanto, é possível e bastante comum que alguém adquira, de boa fé e justa propriedade, coisa estrangeira que foi vendida como sua (posição que corresponde ao vendedor no art. 171, caput e 2º, inciso I. estrangeiro). coisa como sua], ou ainda para obter do fraudador algo seu (do fraudador) que foi vendido fraudulentamente (artigo II) 248. Se o bem foi adquirido por meio de algum ato não autorizado, o autor do crime, como pode ser visto, pode extorquir bens imóveis, independentemente de título justo e boa-fé.
O NÃO EXERCÍCIO DO ACESSO À JUSTIÇA E A USUCAPIÃO
267 Do ponto de vista do direito civil, a nova posse permite a emissão de liminar em uma ação de posse, mas a antiga posse não. O objetivo desta dissertação foi o estudo da propriedade ilícita e a análise do jus puniendi e da prescrição aquisitiva, partindo da lógica de que a propriedade adquirida ilegalmente permite o exercício do direito de punir, mas também possibilita a aquisição de bens através de atos lesivos. . posse por um criminoso ou terceiro de boa fé. Para tanto, foi necessária a construção de três capítulos que, apesar de seus propósitos próprios, olhassem para as relações transdisciplinares entre os ramos do direito privado (propriedade, propriedade e posse) e a lógica do sistema repressivo do Estado.
O primeiro capítulo teve como campo de pesquisa a lógica do direito de punir, visto a partir do sujeito que determina a norma e do sujeito que recebe a norma. O campo de pesquisa do segundo capítulo foi o direito real e as características da posse, assunto de extrema importância, pois sem o conhecimento do direito real e da posse não seria alcançado o alvo, ou seja, faz parte do objeto deste trabalho, a usucapião. . Dentro do direito imobiliário, a propriedade é privilegiada, que analisa a função social, a inserção social, os limites e restrições que são preeminentemente impostos a esse direito real.