I NFLUÊNCI A DA VENTI LAÇÃO NÃO I NVASI VA POR MEI O DO BI PAP
®SOBRE
A TOLERÂNCI A AO EXERCÍ CI O FÍ SI CO E FORÇA MUSCULAR RESPI RATÓRI A
EM PACI ENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTI VA CRÔNI CA ( DPOC)
Dir ceu Cost a1 An dr eza Toledo2 Audr ey Bor ghi e Silv a3 Luciana Mar ia Malosá Sam paio4
O obj et iv o dest e est u do foi av aliar o efeit o do BiPAP®, at r av és de m áscar a n asal, n a t oler ân cia ao ex er cício físico e no desem penho m uscular r espir at ór io em pacient es com diagnóst ico clínico e espir om ét r ico de DPOC, m oder ado/ gr av e ( VEF1 < 6 0 % do pr ev ist o) . Com VEF1/ CVF < 7 0 % do pr ev ist o e idade m édia de 59,4± 8,9 anos, dez pacient es com doença pulm onar obst rut iva crônica ( DPOC) foram t rat ados com 30 m inut os de BiPAP® ( I PAP= 10- 15 e EPAP= 4 cm H2O) , em t r ês sessões sem anais, dur ant e dois m eses. Ant es e após o t rat am ent o m ediu- se a espirom et ria, a força m uscular inspirat ória ( PI m ax) e expirat ória ( PEm ax) e a dist ância percorrida em seis m inut os ( TC6) . Foram const at ados aum ent os significat ivos ( Wilcoxon, p< 0,05) na m édia da PI m ax ( de - 55± 17 para - 77± 19 cm H2O) , da PEm ax ( de 75± 20 para 109± 36 cm H2O) e da dist ância percorrida ( de 349± 67 para 448± 75 m et ros) . Com base nesses result ados conclui- se que o BiPAP® m elhorou o desem penho m uscular r espir at ór io e a t oler ância ao ex er cício físico nesses pacient es com DPOC.
DESCRI TORES: doença pulm onar obst r ut iv a cr ônica; v ent ilação pulm onar ; t oler ância ao ex er cício
I NFLUENCE OF NONI NVASI VE VENTI LATI ON BY BI PAP
®ON EXERCI SE
TOLERANCE AND RESPI RATORY MUSCLE STRENGTH I N CHRONI C
OBSTRUCTI VE PULMONARY DI SEASE PATI ENTS ( COPD)
This st udy aim ed t o assess t he effect of BiPAP®, by nasal m ask, on exercise t olerance and respirat ory m uscle st rengt h in pat ient s wit h a clinical and spirom et ric diagnosis of m oderat e/ severe COPD ( FEV1 < 60% of pr edict ed) . Ten pat ient s of 59.4± 8.9 y ear s old, w it h FEV1/ FVC < 70% of pr edict ed lev el, w er e t r eat ed w it h 30 m inut es of BiPAP® ( I PAP: 10 and 15 cm H2O; EPAP: 4 cm H2O) , t hree days per w eek, during t w o m ont hs. Before and aft er t he t r eat m ent , spir om et r y , inspir at or y ( MI P) and ex pir at or y ( MEP) m uscle st r engt h and t he dist ance w alk ed in six m inut es ( 6MWT) w er e m easur ed. We obser v ed a significant incr ease ( Wilcox on, p< 0.05) in t he m ean v alues of MI P ( fr om - 55± 17 t o - 77± 19, r espect iv ely ) , MEP ( fr om 75± 20 t o 109± 36, r espect iv ely ) and w alk in g d ist an ce ( f r om 3 4 9 ± 6 7 t o 4 4 8 ± 7 5 ) . Based on t h ese r esu lt s, w e con clu d ed t h at BiPAP® im p r ov es r espir at or y m uscle st r engt h and ex er cise t oler ance in t hese COPD pat ient s.
DESCRI PTORS: pulm onar y disease, chr onic obst r uct iv e; pulm onar y v ent ilat ion; ex er cise t oler ance
I NFLUENCI A DE LA VENTI LACI ÓN NO EVASI VA POR MEDI O DEL BI PAP
®SOB
LA TOLERANCI A A EL EJERCI CI O FÍ SI CO Y FUERZA MUSCULAR RESPI RATORI A
EN PACI ENTES CON ENFERMEDAD PULMONAR OBSTRUTI VA CRÓNI CA
El obj et ivo de est o est udio fue evaluar el efect o del BiPAP®, por m edio de la m áscar a nasal, sobr e la t o l er an ci a al ej er ci ci o f ísi co y el d esem p eñ o m u scu l ar r esp i r at o r i o en p aci en t es co n d i ag n o si s cl ín i co y espir om ét r ico de EPOC m oder ada/ gr av e ( VEF1 < 6 0 % del pr ev isible) . Con VEF1 / CVF < 7 0 % del pr ev isible y edad pr om edia de 59, 4± 8, 9 años, diez pacient es fuer on t r at ados con 30 m inut os de BiPAP® ( I PAP= 10- 15 e EPAP= 4 cm H2O) , en t res sesiones sem anales, durant e dos m eses. Ant es y después del t rat am ient o, fue m edida la espir om et r ía, la fuer za m uscular inspir at or ia ( PI m ax ) y ex pir at or ia ( PEm ax ) y la dist ancia cubier t a en seis m inut os ( TC6) . Fuer on ev idenciados aum ent os significat iv os ( Wilcox on, p< 0, 05) en el pr om edio de la PI m ax ( de - 55± 17 a - 77± 19 cm H2O) , de la PEm ax ( de 75± 20 a 109± 36 cm H2O) y de la dist ancia cubiert a ( de 349± 67 a 447± 75 m et r os) . Con base en est os r esult ados, se concluy e que el BiPAP® m ej or ó el desem peño m uscular r espir at or io y la t oler ancia al ej er cicio físico en est os pacient es con EPOC.
DESCRI PTORES: enfer m edad pulm onar obst r uct iv a cr ónica; v ent ilación pulm onar ; t oler ancia al ej er cicio
1
Professor da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade Met odist a de Piracicaba e da Universidade Federal de São Carlos, em ail: [email protected];
2
I NTRODUÇÃO
A
v en t ilação n ão in v asiv a ( VNI ) t em sid ou t i l i za d a co m su ce sso n o t r a t a m e n t o d a f a l ê n ci a
r espir at ór ia de v ár ias et iologias, in clu in do a apn éia
do sono, doença pulm onar obst r ut iva cr ônica ( DPOC)
e edem a pu lm on ar( 1 ). A aplicação da pr essão aér ea
p o si t i v a p o r d o i s n ív e i s ( Bi PAP
) , q u e a sso ci a a
pressão de suport e vent ilat ório com a pressão posit iva
f in al, t em com o ob j et iv o au m en t ar o r ecr u t am en t o
alv eolar d u r an t e a in sp ir ação e p r ev en ir o colap so
alv eolar dur ant e a ex pir ação( 2 ).
Alguns est udos( 3) t êm sido r ealizados com a
finalidade de analisar a influência do BiPAP
sobr e a
m u scu lat u r a r espir at ór ia e a t oler ân cia ao ex er cício
f ísico em p acien t es com DPOC, m ost r an d o q u e os
pacien t es t r at ados com BiPAP
du as h or as por dia,
dur ant e cinco dias consecut iv os, apr esent ar am m aior
descanso m uscular respirat ório, m elhora da t olerância
e redução da dispnéia. Result ados sem elhant es foram
encont rados em out ros est udos( 4), os quais at ribuíram
o aum ent o da força m uscular respirat ória ao descanso
m uscular prom ovido pela VNI . Ent ret ant o, há t am bém
e s t u d o s( 5 ) q u e n ã o d e m o n s t r a m a u m e n t o s
significat iv os da for ça m uscular r espir at ór ia.
Con sid er an d o q u e os p acien t es com DPOC
a p r e se n t a m l i m i t a çã o v e n t i l a t ó r i a q u e o s l e v a à
i n t o l er â n ci a p r o g r essi v a a o s esf o r ço s( 6 ), d ev i d o à
d i s p n é i a , f r a q u e z a e d e s c o n d i c i o n a m e n t o d o s
m ú scu los r esp ir at ór ios e p er if ér icos( 7 ), t or n an d o- os
v ulner áv eis à int er nação hospit alar, est e est udo t eve
com o obj et ivo avaliar os efeit os da VNI por dois níveis
d e p r e s s ã o , e m p a c i e n t e s c o m D POC, s o b r e a
t o l e r â n c i a a o e x e r c íc i o f ís i c o e f o r ç a m u s c u l a r
r esp ir at ór ia.
MATERI AI S E MÉTODOS
I ndivíduos: foram est udados dez indivíduos, sendo cinco hom ens e cinco m ulheres, com idade de
6 5 , 3 ± 9 , 6 a n o s, ex - t a b a g i st a s, en ca m i n h a d o s so b
p r e scr i çã o m é d i ca p a r a r e a b i l i t a çã o p u l m o n a r d a
Un id ad e Esp ecial d e Fisiot er ap ia Resp ir at ór ia, com
d i a g n ó s t i c o c l ín i c o e e s p i r o m é t r i c o d e D POC,
m oderado/ grave ( VEF1 < 60% do previst o) , com VEF1/
CVF < 70% do previst o e clinicam ent e est áveis. Esses
pacient es, que t inham prescrição de broncodilat adores
( berot ec e/ ou at rovent ) para caso de dispnéia int ensa,
f or am su bm et idos a av aliação ger al e específ ica do
s i s t e m a r e s p i r a t ó r i o e a s s i n a r a m t e r m o d e
consent im ent o para part icipar do program a propost o,
confor m e r ecom enda o Par ecer 196/ 96 do Conselho
Nacion al d e Saú d e. Est e est u d o f oi ap r ov ad o p elo
com it ê de ét ica em pesquisa com ser es hum anos da
in st it u ição.
Ut i l i z o u - s e c o m o c r i t é r i o s d e i n c l u s ã o a
au sên ci a d e d oen ças car d i ov ascu l ar es associ ad as,
doenças or t opédicas, hiper t ensão r eat iv a ao esfor ço
e desor dens neur om uscular es que pudessem im pedir
a r e a l i z a ç ã o d o s p r o c e d i m e n t o s e x p e r i m e n t a i s
pr opost os nest e est udo.
Pr ocedim ent o ex per im ent al: ant es e após o
t r a t a m e n t o , o s p a c i e n t e s f o r a m s u b m e t i d o s à
av aliação da:
- espirom et ria: realizada por m eio de um espirôm et ro
Vit alog r ap h , m od elo 2 0 2 1 , seg u n d o as n or m as d a
Am er i can Th or aci c Soci et y( 8 ), co m a f i n al i d ad e d e
car act er izar o gr au do dist úr bio pulm onar obst r ut ivo;
- f or ça m u scu lar r esp ir at ór ia: ob t id a, u t ilizan d o- se
m an ov acu ôm et r o escalon ad o em cm H2O, d a m ar ca
Ger - Ar. A pr essão in spirat ór ia m áx im a ( PI m ax ) e a
p r e s s ã o e x p i r a t ó r i a m á x i m a ( PEm a x ) f o r a m
m ensuradas de acordo com est udos ant eriores( 9), com
o in d iv íd u o n a p osição or t ost át ica e com u m clip e
n asal. A PI m ax f oi m en su r ad a p r óx im o ao v olu m e
r esidu al após u m a ex pir ação m áx im a. A PEm ax f oi
m en su r a d a p r ó x i m a à ca p a ci d a d e p u l m o n a r t o t a l
( CPT) , após u m a in spir ação m áx im a. Os in div ídu os
for am or ient ados a sust ent ar a pr essão por m ais de
um segundo e cada m anobra foi realizada no m ínim o
t rês vezes, sendo que, para a análise, foi considerada
a m aior m edida;
- t est e d e cam in h ad a d e seis m in u t os ( TC6 ) : p ar a
av aliar a t oler ância ao ex er cício físico, os pacient es
for am subm et idos ao TC6 em um cor r edor plano de
30 m et r os de com pr im ent o e 1,5 m et r os de lar gur a,
dem ar cados a cada 2 m et r os.
Os pacien t es for am or ien t ados a fazer u m a
r ef eição lev e cer ca de du as h or as an t es do t est e e
abst er- se de exercício físico vigoroso e m edicam ent os
n as ú lt im as 2 4 h or as pr eceden t es ao ex am e, além
de realizar o t est e com roupas e sapat os confort áveis.
Ant es de iniciar o t est e e ao seu t érm ino foram
m ensur ados os sinais v it ais:
- pr essão ar t er ial sist ólica ( PAS) e diast ólica ( PAD) ,
p o r m ei o d e u m est et o scó p i o d a m ar ca D i asi st e
e s f i g m o m a n ô m e t r o d a m a r c a B D , p e l o m é t o d o
au scu lt at ór io in dir et o;
ox igênio ( SpO2) , por m eio de um ox ím et r o de pulso
por t át il da m ar ca Nonin 8500A;
- sensação subj et iva de dispnéia, por m eio da escala
de percepção de esforço de Borg, a qual com eça com
“ zer o” – qu e con sist e em n en h u m a f alt a de ar – e
t er m in a com “ d ez” – com o a m áx im a sen sação d e
falt a de ar.
O TC6 consist iu de um a cam inhada na qual o
pacient e foi or ient ado a per cor r er a m aior dist ância
p o ssív e l , p o r u m p e r ío d o d e se i s m i n u t o s, co m
incent iv o padr onizado a cada m inut o( 10).
Os p a c i e n t e s f o r a m a c o m p a n h a d o s p e l o
avaliador durant e os seis m inut os, com m onit orização
cont ínua por m eio do ox ím et r o de pulso, sendo que
o s v a l o r e s d e FC, Sp O2 e se n sa çã o su b j e t i v a d e
d isp n éia f or am r eg ist r ad os, p ar a ef eit o d e an álise,
ant es e após o t ér m ino do t est e. Visando m inim izar
os ef eit os da apr en dizagem , cada pacien t e r ealizou
dois t est es ant es do t r at am ent o, sendo que a m aior
dist ância foi com put ada.
Vent ilação não invasiva ( VNI )
Os pacien t es f or am su bm et idos à aplicação
da VNI por m eio do BiPAPâ por m áscara nasal, durant e
t r i n t a m i n u t o s, t r ê s v e ze s p o r se m a n a , e m d i a s
alt ernados, durant e seis sem anas. Os níveis de BiPAPâ
for am aj ust ados de acor do com a t oler ância de cada
p a c i e n t e . o s p a c i e n t e s p e r m a n e c e r a m s e n t a d o s
confor t av elm ent e dur ant e t odo o t em po de aplicação
da VNI ( com I PAP fixado ent re 10 e 15 cm H2O e EPAP
em 4 cm H2O) , e foram orient ados a realizar o padrão
r espir at ór io diafr agm át ico( 11) dur ant e sua aplicação.
ANÁLI SE ESTATÍ STI CA
Pa r a a n á l i s e e s t a t ís t i c a d a s v a r i á v e i s
f isiológ icas e d a d ist ân cia p er cor r id a n o p r é- e n o
p ós- t r at am en t o com VNI f oi u t ilizad o o t est e n
ão-p ar am ét r ico d e Wilcox on , v ist o q u e os d ad os n ão
a p r e s e n t a r a m d i s t r i b u i ç ã o n o r m a l . O n ív e l d e
significância adot ado foi de p< 0,05.
RESULTADOS
A Ta b e l a 1 a p r e s e n t a a s c a r a c t e r ís t i c a s
a n t r o p o m é t r i ca s e d e m o g r á f i ca s i n d i v i d u a i s d o s
pacient es est udados, com relação à idade, sexo, peso,
alt ur a, índice de m assa cor pór ea ( I MC) , em m édia e
d esv io p ad r ão.
Ta b e l a 1 - Ca r a c t e r ís t i c a s a n t r o p o m é t r i c a s e
dem ográficas individuais e em m édia e desvio padrão.
s o t i e j u
S Idade(anos) Sexo Peso(kg) Altura(m) IMC(kg/m2)
1 72 M 78,5 1,63 29,5 2 68 M 68,5 1,66 24,9 3 66 M 89 1,76 28,7 4 78 M 66,5 1,68 23,6 5 64 M 72 1,61 27,8 6 64 F 70 1,65 25,7 7 70 F 51 1,5 22,7 8 43 F 109 1,53 46,6 9 63 F 72 1,52 31,2
0
1 43 F 63 1,55 26,2 P
D / a i d é
M 65,3±9,6 74±15,7 1,61±0,1 28,7±6,8
A Ta b e l a 2 m o s t r a o s r e s u l t a d o s
espir om ét r icos obt idos na av aliação e na r eav aliação
dos pacient es que r eceber am a aplicação do BiPAP®.
Não for am const at adas alt er ações significat ivas ent r e
os v alor es espir om ét r icos obt idos após o t r at am ent o
com VNI .
Tab ela 2 – Valor es esp ir om ét r icos, em lit r os e em
p er cen t u al d o p r ev ist o p r é- e p ós- t r at am en t o com
Bi PAP®
I MC: índice de m assa corpórea; DP: desvio padrão
P A P i B -É R
P ® PÓS-BiPAP®
) % ( F V
C 60,98±11,98 57,35±11,76(NS)
) l ( F V
C 1,78±0,56 1,65±0,55(NS)
F E
V 1(%) 43,25±8,92 45,09±8,18(NS)
F E
V 1(l) 1,06±0,21 1,05±0,28(NS)
F E
V 1/CVF(%) 58,4±17 61,8±11(NS)
) % ( M V
V 42,80±8,91 44,02±6,71(NS)
) l ( M V
V 37,83±8,51 39,62±10,63(NS)
F E
F 25-75%(%) 17,52±10,03 19,82±9,64( ) S N (
F E
F 25-75%(l) 0,51±0,28 0,58±0,29 ) S N (
Na Tabela 3 est ão apr esen t adas as m édias
d a s s e g u i n t e s r e s p o s t a s f i s i o l ó g i c a s : FC, Sp O2,
sensação subj et iva de dispnéia, PI m ax, PEm ax, assim
co m o d a d i st â n ci a p er co r r i d a n o TC6 . Nã o f o r a m
const at adas difer enças est at ist icam ent e significat iv as
ent re as sit uações pré- com o pós- t rat am ent o para a
FC, SpO2 e sensação subj et iva de dispnéia. Ent ret ant o,
f o r am o b ser v ad as d i f er en ças si g n i f i cat i v as p ar a a
dist ân cia per cor r ida, PI m ax e PEm ax .
CVF: capacidade v it al for çada; VEF1: v olum e ex pir at ór io for çado no 1 o
segundo; VVM: vent ilação volunt ária m áxim a; FEF25- 75%: fluxo expirat ório
Tabela 3 – Com paração ent r e as m édias dos valor es
obt idos na escala de dispnéia no TC6, PI m ax, PEm ax e dist ância percorrida, nas fases pré- e pós- t rat am ent o
com BiPAP®
P A P i B -É R
P ® PÓS-BiPAP® Valordep
O p
S 2(%) 85,4±3,7 92,8±1,6 0,10
) 0 1 -0 ( a i é n p s i
D 2,9±1,5 0,7±0,8 0,10 ) m p b ( C
F 115,8±10,1 117,7±11,1 0,10 H m c ( x a m I
P 2O) -54,50±17,07 -76,66±18,87 0,007*
H m c ( x a m E
P 2O) 74,70±70 109,44±35,74 0,007* ) m ( a d i r r o c r e p a i c n â t s i
D 349,1±67,4 447,6±75,29 0,005
A Figu r a 1 ilu st r a os v alor es in div idu ais da dist ância percorrida, em m et ros, obt idos ant es e após
o t r at am ent o com a VNI .
SpO2: sat uração periférica de oxigênio; FC: freqüência cardíaca; PI m ax:
pressão inspirat ória m áxim a; PEm ax: pressão expirat ória m áxim a
RTG RÎU & KU V¸ P E KC R G TE Q TT KF C O 66m 74m 55m 70m 60m 166m 242m 106m 60m 87m
Figura 1 - Valor es indiv iduais de dist ância per cor r ida
no TC6, obt idos na av aliação e na r eav aliação
DI SCUSSÃO
A VNI t em sido ut ilizada em v ár ios est udos
c o m o o b j e t i v o d e p r o p o r c i o n a r m a i o r r e p o u s o m u scu lar r esp ir at ór io( 4 ), sen d o p ossív el q u e a VNI
“ alivie” a carga de t rabalho dos m úsculos inspirat órios,
p r o m o v e n d o r e p o u so t e m p o r á r i o , p o ssi b i l i t a n d o , assim , m elh or es con d ições n o d esen v olv im en t o d a
f or ça m u scu lar r espir at ór ia.
Os r esult ados dest a pesquisa dem onst r ar am
qu e a aplicação da VNI por m áscar a n asal, at r av és d o B i PA P®, d u r a n t e s e i s s e m a n a s , a u m e n t o u
sign if icat iv am en t e a f or ça m u scu lar r espir at ór ia em pacien t es com DPOC, o qu e est á de acor do com a
l i t er at u r a( 1 2 ), q u e t em d em o n st r a d o a u m en t o s d a PI m ax e PEm ax após a aplicação cr ônica do BiPAP®
e m p a c i e n t e s c o m D POC. A u m e n t o s d a f o r ç a
m u s c u l a r r e s p i r a t ó r i a , c o m o u s o d o s u p o r t e pr essór ico, t am bém for am const at ados( 13) ao aplicar
-se a VNI no período not urno, em pacient es com DPOC.
Os r esu lt ad os in d icam t am b ém q u e h ou v e
provável m elhora na t olerância ao exercício físico após o t r at am ent o com a VNI , pois const at ou- se aum ent o
si g n i f i ca t i v o d a d i st â n ci a p e r co r r i d a n o TC6 q u e , a p e sa r d e se r u m t e st e m u i t o si m p l e s, t e m si d o
bast ant e ut ilizado nos est udos de cam po( 14). Apesar d as lim it ações f ísicas q u e os p acien t es com DPOC
n o r m a l m e n t e a p r e s e n t a m , p ô d e - s e n o t a r q u e o a u m e n t o n a d i s t â n c i a p e r c o r r i d a p o r t o d o s o s
p acien t es f oi su p er ior a 5 4 m et r os com o ilu st r a a Fi g u r a 1 , o q u e t e m si d o r e f e r i d o( 1 5 ) co m o b o m
indicador de m elhor a clínica desses pacient es.
Re s u l t a d o s s e m e l h a n t e s a e s t e s , o r a ap r esen t ad os, f or am ob ser v ad os em est u d o( 3 ) q u e
av aliou os efeit os do BiPAP por u m per íodo diu r n o de duas hor as, dur ant e um a sem ana, no qual for am
est udados pacient es com DPOC grave, porém est ável, sendo que oit o deles foram t rat ados com um m ét odo
p l a ce b o ( se m a VNI ) e se t e f o r a m t r a t a d o s co m B i PA P
d u a s h o r a s p o r d i a , d u r a n t e c i n c o d i a s
co n se cu t i v o s. Os a u t o r e s( 3 ) d e m o n st r a r a m q u e o BiPAPâ m elh or ou a t oler ân cia e r ed u ziu a d isp n éia
d os p acien t es, en q u an t o q u e o g r u p o p laceb o n ão
o b t e v e m e l h o r a si g n i f i ca t i v a . To d a v i a , n ã o f i co u ev idenciado que houv e m elhor a clínica nem na for ça
m uscular r espir at ór ia naqueles pacient es( 1 5 ).
Po s s i v e l m e n t e , a VN I , e m p r e g a d a c o m o
r ecu r so de m elh or a à f or ça m u scu lar r espir at ór ia e do desem penho físico, necessit e de um t em po m ais
pr olon gado de t r at am en t o, en v olv en do a or ien t ação d e p ad r ão r esp i r at ór i o d i af r ag m át i co( 1 1 ), o q u e se
car act er iza com o Reeducação Funcional Respir at ór ia.
O em prego da VNI por poucos dias se at ém ao suport e d e r ep ou so aos m ú scu los r esp ir at ór ios, p or ém n ão
o b r i g a a c a u s a r a l t e r a ç ã o n a f o r ç a m u s c u l a r r e sp i r a t ó r i a n e m n o co n d i ci o n a m e n t o f ísi co d o s
pacien t es com DPOC.
N o q u e s e r e f e r e à FC, S p O2 s e n s a ç ã o
su b j et iv a d e d isp n éia, n ão se con st at ou d if er en ças si g n i f i ca t i v a s m en su r a d a s d u r a n t e o TC6 , a p ó s o
t r at am en t o pela VNI . Esses r esu lt ados dem on st r am q u e , a p e s a r d o s p a c i e n t e s p e r c o r r e r a m m a i o r
d i st â n ci a n o p ó s- t r a t a m e n t o , h o u v e e st a b i l i d a d e
d e s s a s v a r i á v e i s , i n d i c a n d o m e l h o r a d o co n d i ci o n am en t o o u t o l er ân ci a f ísi ca, em b o r a n ão
t enha sido possív el com par ar v alor es par a a m esm a int ensidade de esfor ço, com o nor m alm ent e pode ser
cont r olado num t est e r ealizado em er gôm et r os com o a est eir a r olant e e biciclet a er gom ét r ica. Além disso,
sob o pon t o de v ist a clín ico, a SpO2 apr esen t ou - se
p e r c e p ç ã o d a d i s p n é i a , m e s m o n ã o s e n d o
significat iv a, t ev e t endência à dim inuição.
Esses r esu lt ados são an im ador es, con t u do,
cabe regist rar algum as lim it ações m et odológicas, t ais
c o m o a i n e x i s t ê n c i a d e u m g r u p o c o n t r o l e q u e
pu desse su st en t ar, com m aior segu ran ça, a eficácia
d essa t écn ica t er ap êu t ica alt er n at iv a e au x iliar n o
t reinam ent o físico do pacient e com DPOC. Além disso,
os achados r em et em par a novos est udos envolv endo
m et odologia qu e possa ex plor ar t ais aspect os sem ,
con t u d o, d eix ar d e at en t ar - se às lim it ações f ísicas
próprias de cada pacient e com DPOC, levando- se em
consideração os diferent es graus de obst rução, num a
am ost r a m aior e, u t ilizan d o- se d e av aliações m ais
co m p l ex a s co m o a er g o esp i r o m et r i a e o n ív el d e
lact at o san gü ín eo.
Finalm ent e, pode- se concluir que a VNI , em
n ív el am b u lat or ial, con sist e em t écn ica au x iliar ao
co n d i ci o n a m e n t o f ísi co d e p a ci e n t e s co m D POC,
especialm ent e com o obj et ivo de causar r epouso aos
seu s m ú scu l o s r esp i r a t ó r i o s, p o ssi b i l i t a n d o m a i o r
t o l e r â n c i a a c a r g a s n o t r e i n a m e n t o m u s c u l a r
r espir at ór io. Esse aspect o par ece r elev an t e, j á qu e
esses p acien t es ap r esen t am lim it ações ao esf or ço
f ísico, b em com o f r aq u eza e alt er ações m ecân icas
dos m ú scu los r espir at ór ios.
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