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Histopatologia da hepatite de Lábrea.

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Revist a da Socie dade Brasileira de M edicina Tropical.

16:31-40, Jan-Mar, 1983

H ISTO PATO LO GIA DA H EPA TITE DE LA BREA

Zilton A Andrade* João Barberino Sant os* * Aluizio Prat a* * Heitor Dourado* * *

Se t e c a so s f a t a i s d e h e p a t i t e d e Lá b r e a , c o m d i f e r e n t e s p e r ío d o s d e so b r e v i d a , p o ssi ­

b i l i t a r a m u m e st u d o se q ü e n c i a d o d a s a lt e r a ç õ e s h i st o p a t o l ó g i c a s n o f íg a d o . A s l e sõ e s f u n ­ d a m e n t a i s e m a i s p r e c o c e s f o r a m a d e g e n e r a çã o g o r d u r o sa a g u d a e a n e c r o se l ít i c a o u d e co a g u l a ç ã o , a t i n g i n d o h e p a t ó c i t o s e m t o d o s o s l ó b u l o s, se m d i st r i b u i ç ã o m a c i ç a o u zo n a l . ■As a lt e r a ç õ e s i n f l a m a t ó r i a s, c o l e st á t i c á s, d e p r o l i f e r a ç ã o d u c t u l a r b i l i a r e d e r e g en e r a çã o h é p a t o - c e l u / a r a p a r e ce m c o m o c o n se q ü ê n c i a s m a i s t a r d ia s. O q u a d r o n ã o p a r e c e se r p a t o g - n o m ô n i c o e n ã o p e r m i t e r e c o n h e c i m e n t o e t i o p a t o g ê n i c o . A d o e n ç a é u m a a f e c çã o p r i m á ­

r i a d o f íg a d o , a s a lt e r a ç õ e s n o s o u t r o s ó r g ã o s se n d o l e v e s e se cu n d á r ia s.

( Pa l a v r a s c h a v e s: H e p a t i t e d e Lá b r e a . H e p a t i t e . H i st o p a t o l o g i a . N e c r o se h e p á t i c a ) .

Vários autores t êm cham ado a at enção para uma doença aguda, freqüentem ent e fat al, carac­ t erizada pelo aparecim ent o de um t ip o peculiar de hepatite degenerat ivo-necrot izant e. A doen­ ça afeta principalm ent e crianças e adult os jo ­ vens, e é designada por febre de Lábrea ou he­ pat it e de Lábrea, em vista de m uit os casos t e­ rem ocorrido na localidade de Lábrea, no Am a­ zonas 14. Apesar disso, casos têm sido co nst a­ t ados em out ras áreas da Região Am azônica 3 4 s e mesmo em out ros países 7 10. A doença é t ambém conhecida com o " febre negra" , de­ vido ao vôm it o sanguinolent o-enegrecido que os pacientes cost um am apresent ar. A et iologia per­ manece int eriam ente desconhecida. A m aioria dos t rabalhos publicados se baseia no estudo hist o pat ológico de fragm ent os de fígado e, por vezes, de out ros órgãos, obt idos através de viscerot om ia ou necrópsia. Est e m aterial tem perm it ido a caract erização de um t ipo peculiar de hepatit e, com aspectos que a aproxim a das hepatites virais, mas t am bém com cert as carac­ t eríst icas das hepatites t ó xicas. At é o m om ent o, t odavia, não foi possível isolar-se um det erm i­ nado vír us ou caract erizar-se uma subst ância

t ó xica que pudesse ser considerado com o a et iologia da hepatite de Lábrea. Em bora o nome da doença seja inadequado, a ent idade clínico -pat ológica está bem definida s 6 14. Co m o a doença cost um a ocorrer em lugares remot os, não tem sido possível a ut ilização de t écnicas mais adequadas de invest igação, visan­ do o esclarecim ent o da etiologia. Por outro lado, a doença geralm ente exibe um curso c l í­ nico ext rem am ent e rápido e grave, uma d if i­ culdade a mais para a invest igação clínica. Na realidade, a hist opat ologia é a área m elhor in­ vestigada da hepatite de Lábrea. Os autores têm unanim em ente descrit o um quadro peculiar, caract erizado por m anifest ações de degeneração gordurosa aguda dos hepat ócit os, ext ensa ne­ crose hepat ocelular e reação inflam at ória mono-

nuclear. Est e quadro t em , port ant o caract erís­ t icas' de agressão t ó xica e infecciosa ao fígado, e ju st ifica as m anifestações clín icas de pré-coma, com a e mort e. Não t em havido maiores discor- dâncias nos est udos sobre a hist opat ologia he­ pát ica na hepat it e de Lábrea e as descrições que exist em sáo m inuciosas e precisas 4 5 7 9 , so­ bret udo aquelas apresent adas por Dias e

Mo-* Ce n t ro de Pe squisas G o n ça lo M o n iz ( F I O C R U Z / U F B A ) ; Sa lva d o r, Bahia. * * N ú cle o de M e dicina Tr o p ica l, U n ive rsid a d e de Bra sília , Bra sília , D F

• * * In st it u t o de M e dicina Tr o p ica l, U n ive rsid a d e Fe d e ral d o A m a zo n a s, M anaus, Am azo n a s.

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Andrade ZA, Santos JB, Prata A, Dourado H. Histopatologia da hepatite de Lábrea. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 16:31-40, 1983

raes 6 . 0 presente t rabalho se ju st if ica com o uma cont ribuição a m ais para a hist opat ologia desta ent idade obscura e curiosa, pelo fat o do material represent ar necrópsias feit as na área de Lábrea por um de nós (J. B. S.), o que perm it iu razoável co ndição de preservação dos t ecidos. Por out ro lado, os pacientes vieram a falecer, respectivament e, no 19 , 3? , 49 (dois casos), 59, 6? e 79 dias após o aparecim ent o dos sin­ t omas e sinais m ais salientes (agitação psico- m ot ora), o que possibilit ou cert a avaliação seqüenciada das lesões.

A PRESEN TA ÇÃ O DOS CA SO S E M ÉTO DOS

Sete indivíd uos que faleceram após apresen­ tar quadro clín ico sugest ivo de hepatite de Lá­ brea foram necropsiados no mesmo dia da morte. Os det alhes clín ico s aparecem no t raba­ lho de Barberino Sant os 14 e estão resum idos na Tabela 1. De um m odo geral, em t odos os casos há indicação de que a doença se iniciou com um período prodrôm ico de poucos dias de duração, com m anifestações de adinam ia, anorexia, dores abdom inais e dos m úsculos da pant urrilha, náuseas, vôm it os e febre. Quando t razidos para a Unidade de Saúde de Lábrea os pacient es já exibiam agit ação psico-m ot ora ou estavam em coma profundo, vindo a falecer pouco depois da admissão. Alguns exibiam , ent ão, discret a ou franca ict erícia das esclerót icas. Taquicardia de 112, 120 ou até mesmo de 180 bat im ent os foi registrada na m aioria. A t em perat ura variou de 3 7 ,5 ° a 4 2 °C, as m aiores elevações sendo not a­ das pouco antes da m ort e. Há registro que três pacient es haviam sido vacinados cont ra a febre amarela há um ou dois anos. Em um único caso, em que foi possível fazer exam es laborat oriais (caso 3), const at ou-se leucopenia (3.800 leucó- cit os) e uma uréia sangüínea de 15 mg%. A pes­ quisa de hem at ozoários feit a em vários pacien­ tes foi sempre negativa. Três deles t inham pas­ sado conhecido de malária.

Fragm ent os de fígado, rim , coração, baço, estômago, pulm ão e encéfalo t iveram f ixação em form ol a 10% antes de serem t razidos para o laborat ório. Finos blocos desses órgãos foram colocados em form ol a 10% t am ponado com fosfat o, pH 7.2, e alguns dias depois subm et idos aos seguintes m ét odos: a) Sudan lll.Su d a n Black e " Calco oil red" em cort es por congelação do fígado, rim e encéfalo, para evidenciação de gordura; b) hem at oxilina-eosina, t ricrôm ico de Masson, pent acrôm ico de M ovat, W eigert -Van Gieson para fibras elásticas e colágenas, orceína

de Shikat a para o ant ígeno de su perfície do vír u s B, Gom ori para ret iculina, Perls para ferro e P.A.S. (com e sem digest ão prévia pela diás- t ase), em secções, de cinco m icra, de fragm en­ t os dos órgãos selecionados, inclu íd o s em para­ fina.

ESTU D O H ISTO PA TO LÓ G ICO

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m acrófagos exib iam , no seu am plo cit oplasm a, det rit os celulares, rest os nucleares, hemácias e material am orfo ou granular, que as vezes se corava pelo PA S ou dava reação posit iva para ferro. At é o 39 dia não foram observados sinais de colest ase. Nos casos em que os pacient es fa­

leceram após seis a sete dias de m anifest ações graves da doença freqüent es t rom bos biliares puderam ser det ect ados ent re os hepat ócit os, nó cent ro de form ações pseudo-acinares, bem com o evident e im pregnação b iliar de vários he­ pat ócit os. Um a m anifest ação relativam ent e t ar­ dia estava represent ada pela proliferação dos duet os biliares e, principalm ent e, dos duct ulos ou colangíolos. Em um caso, a prolif eração duc- t ular assumia um aspect o proem inent e, por ve­ zes conect ando espaços port a vizinhos. Com a proliferação duct ular apareciam os leucócit os polim orfonucleares neu t ró filo s e a form ação de algumas f ibrilas colágenas. Por vezes, alguns duet os at íp icos, com núcleos am ont oados no revest iment o epit elial, apareciam ent re os duet os proliferados. O infilt rado inflam at ó rio port al t am bém se adensava consideravelm ent e em algum as áreas (Fig. 6). Os aspect os rege­ nerat ivos estiveram presentes nos casos com seis e sete dias de evolução. Ent re os restos de células necrót icas e " células m oru liform es" podiam ser not ados grupos de hepat ócit os basó- filo s (Fig. 7). Por vezes, hepat ócit os, com am ­ plo cit oplasm a, apresent avam uma zona basófila em t orno do núcleo enquant o a periferia exibia uma m icrovacuolização. Tam bém podia-se no­ tar a presença de hepat ócit os polinucleados, de polip loid ia nuclear e, raramente, o esboço de re­ generação nodular.

As colorações pelo m ét odo de Shikat a, t odas acom panhadas de cont roles posit ivos, deram sempre resultados negativos nos casos aqui est u­ dados. Tam bém não foram observados corpús­ culos de Councilm an. Os hepat ócit os com ne­ crose de coagulação aparent ement e sofriam d i­ gestão lít ica antes de assum ir uma condensação para sim ular o corpúsculo eo sino fílico . Tam ­ bém não foram observados t rom bos fibrinosos nos sinusóides, nem áreas de hem orragia envol­ vendo o parênquim a hepát ico.

R i m — To d o s os casos m ost raram vacuoliza- ção dos t ubos renais na zona co rt ical e, por ve­ zes, na m edular. As t écnicas para evidenciar gor­ dura m ost raram que a vacuolização depende do acúm ulo cit oplasm át ico de lipidôos (Fig. 8). No mais, os rins não apresent avam alt erações evi­ dent es, a não ser discret o edema int erst ical e a

presença de raros cilin dros hialinos em t ubos coletores.

En c é f a l o — Não foram encontradas altera­ ções, excet o pela presença de discret o a mode­ rado grau de congestão e edema. As colorações para evidenciar a presença de gordura deram sempre resultados negativos.

B a ç o — Est e órgão sempre se apresentou m uit o congest o e, nos casos de evolução menos rápida, chegava a exib ir uma hiperplasiai dos cent ros germ inat ivos nos foi ículos linfóides. Sec- ções de alguns out ros órgãos com o o estômago, coração e pulm ão est iveram dent ro dos limites da norm alidade.

D ISCU SSÃ O

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f P d.rade ^-A' ?3n,t?i Í B' Prata A- Dourado H. Histopatologia da hepatite de Lábrea. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 16:31-40, 1983

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Fig. 1 _ A sp e ct o das " cé lu la s m o ru lif o r m e s" , vendo-se a m icro va cu o liza çã o do cit o p la sm a dos h e p a t ó cit o s, sem de slo­ ca m e n t o do n ú cle o p a r a a p e rife ria da célu la . Em 1 e 2 vêm -se a u m e n t o s de 1 2 0 X e 2 0 0 X e co lo ra çã o Pela

h e m a t o xilin a -e o sin a . Em 3 um cort e de co n ge la ção co ra d o pe lo Su d a n Bla ck ( 2 0 0 X ) .

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Fig. 3 — A sp e ct o t Cpico das alt e raçõe s da t ram a re t icu lar do ffga d o na hepat it e de Láb re a. Vê-se um a área de apro­ xim a çã o fo ca l da t ram a p r ó xim o a um a veia ce n t ra l, re velando um local de in t e n sifica çã o do processo de ne­ cro se de he p a t ó cit o s. M é t odo de G o m o ri para re t icu lin a . 1 5 0 X .

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Fig. 5 — N um e ro sas " cé lu la s m o ru lif o r m e s" co ra d a s para go rd u ra neut ra. A s zo n a s m ais cla ras re prese nt am ne crose Ift ica m ais int ensa em zo n a s p e rip o rt a l e ce n t ro lo b u la r. Co rt e de co n ge la çã o co ra d o pe lo Su d a n Bla ck . 1 2 0 X .

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Fig. 7 — A sp e ct o s re ge n e ra t ivo s em h e p a t ó cit o s m u lt i-va cu o liza d o s (setas). Vê-se o a p a re cim e n t o de cit op lasm a ba-só f ilo e p o lip lo id ia nu cle a r em algu ns h e p a t ó cit o s. H e m a t o xilin a -e o sin a . 1 5 0 X .

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a ajuda do Dr. Jean Alexis Grim aud, do Inst it u­ t o Pasteur de Lyo n , Fr ança, mas com resultados int eirament e negativos.

0 aparecim ent o da degeneração gordurosa aguda, com as caract eríst icas " células m oruli- form es" , tem sido explicada com o result ado da inibição da form ação da apolip rot eín a ou da sua com binação com t riglicerides, reduzindo a secreção das lipoprot eínas de m enor densida­ de 9 . O aparecim ent o proem inent e da degenera­ ção gordurosa aguda em casos de envenenamen­ t o pela t et raciclina 13 ou pelo hycant hone 1 e no cham ado " f ígad o gordo agudo da gr avidez2 t em sido t om ado com o indicador de uma pato- genia t óxica. Por out ro lado, nas várias form as de hepat it e viral, as " células m orulif orm es" es­ t ão caract erist icam ent e ausentes. Mas, hoje sa­ bemos que drogas e vír u s podem causar lesões idênticas no f ígado, haja vist o a possibilidade do aparecim ent o de t odos os quadros da hepa­ t it e viral, agudo ou crônicos, serem repro duzi­ dos em casos ae agressao por m eaicam em os ou drogas11. Desta m aneira, a hist opat ologia não é o meio adequado para decid ir se a hepat i­ te de Lábrea depende de uma agressão viral ou t óxica, para cit ar apenas as duas possibilidades patogênicas mais gerais que t êm sido sugeridas.

O quadro clín ico que m uit o se aproxim am da hepat it e da Lábre é o das síndrom e de Reye12, mas o quadro hist o pat ólogico é bast ante d ist in ­ t o. As células hepáticas m ult ivacuoladas e que cont ém gordura na síndrom e de Reye não f i ­ cam t ão t um efeit as com o na hepat it e de Lá­ brea. Nesta últ im a a necrose lít ica e de

coagula-ção dos hepat ócit os é um aspect o proem inent e, mas a mesma não está present e na síndrom e de Reye. Neste part icular o quadro hist o pat ológico da hepatite de Lábrea rarece ser bast ante carac­ t eríst ico e se vem im pondo com o uma maneira de se estabelecer um diagnóst ico inequívoco desta co ndição. Todavia, a Dra. Jane Kasem ,d a Universidade Federal Flum inense, apresentou a um de nós (Z.A .A ) o m at erial de um caso obser­ vado em um m enino de cin co anos de idade, provenient e de Casim iro de Abreu, Est ado do Rio , com dados clín ico s e hist o pat ológicos in- dist ingüíveis daquele da hepat it e de Lábrea. Re­ centem ent e, foi t am bém observado em Salvador (Andrade, ZA & Barbosa, A , a ser publicado) um caso numa criança com quat ro anos de ida­ de, com quadro clín ico algo diferent e daquele da hepat it e de Lábrea clássica, mas com o as­ pecto hist o pat ológico hepát ico idênt ico aos dos casos agora aqui estudados. Est es aspect os am ­ pliam o interesse do est udo hist o pat ológico da hepatite de Lábrea e podem vir a f acilit ar o es­ clarecim ent o da sua et iopat ogenia. O quadro hist o pat ológico da hepatite de Lábrea não pode ser considerado com o pat o gnom ônico e, pelo menos, aquele causado pela in t oxicação com o hycant one1 lhe é sim ilar. Finalm ent e, ao co n ­ t rário do que já foi sugerido4 , a hepat it e de Lá­ brea não parece t er im port ância com o fat or cir- rogênico, pelo fat o de produzir necrose de célu­ las isoladas ao invés de necrose m aciça ou sub- m aciça, port ant o sem causar áreas extensas de colapso, e por aparent ement e não possuir uma form a crônica, progressiva.

S U M M A R Y

A h i st o p a t h o l o g i c a l s t u d y o f t h e l i v e r i n se v e n f a t a l ca ses o f La b r e a h e p a t i t i s w i t h d i f f e r e n t su r v i v a l t i m e s p e r m i t t e d a se q u e n t i a l a sse ssm e n t o f t h e ch a n g e s. T h e f u n d a m e n t a l e a r l i e r l e si o n s w e r e a c u t e f a t t y c h a n g e , l y t i c a n d c o a g u l a t i v e n e c r o si s o f i so l a t e d c e l l s i n a l i t h e l o b u l e s, w i t h o u t m a ssiv e o r zo n a ! n e cr o si s. M o n o n u c l e a r l e u c o c y t i c i n f i l t r a t i o n

i n p o r t a l sp a c e s, f e a t u r e s o f c h o l e st a si s, p r o l i f e r a t i o n o f sm a l l b i l i a r y d u c t s a n d l i v e r - c e l l r e g e n e r a t i o n a p p e a r e d a s l a t e r c o n se q u e n c e s f r o m t h e su d d e n a c u t e p a r e n c h y m a l i n j u r y . Th e h i s t o l o g i c p i c t u r e i s c h a r a c t e r i st i c b u t n o t p a t h o g n o m o n i c a n d g i v e s n o c / u e sa s t o t h e p a t h o g e n e si s o f t h e d i se a se, w h i f c h r e m a i n s i d t t i o p a t h i c . Th e t i v e r i s t h e m a i n a n d p r i

-m a r y o r g a n a f f e c t e d i n t h i s d ise a se , c h a n g e s i n o t h e r o r g a n s b e i n g -m i l d a n d se c o n d a r y .

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Andrade ZA, Santos JB, Prata A, Dourado H. Histopatologia da hepatite de Lábrea. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 16:31-40, 1983

Tabela 1 — D a d o s c l ín i c o s g e r a i s so b r e se t e c a so s f a t a i s d e h e p a t i t e d e , Lá b r e a .

N ° Iniciais Sexo Idade

(anos)

Tem po de Evolu ção (dias)

Achados clín ico s principais

1 M NA F 11 1 Fígad o e baço im palpáveis, vô­

m it o negro, frequência cardíaca de 100 b.m . Int ernada em coma.

2 A PL M 11 5 Fígad o e baço im palpáveis. Fe­

bre e sufusões hemorrágicas na pele. Discret a ict erícia.

T:37, 5 9 C. Pulso: 120 bm.

3 PRS M 4 6 Febre, vôm it os, dores abdom i­

nais. Fígad o palpável. Ict erícia, vôm it os negros.

4 BIP M 16 7 Fígad o e baço impalpáveis. Fe­

bre. Vôm it os. Com a. Ict erícia.

5 IQ F F 9 4 Ict erícia. Cont rações espásticas.

Febre. Com a. Dores abdom inais.

6 M SS M 2 3 Fígad p palpável. Dores abdom i­

nais. Vô m it o negro.

7 l f n M 9 4 Fígad o palpável. Febre. Vô m i­

tos. Ict erícia. Fr equência car­ díaca: 180.

REFERÊN CIA S B IB LIO G RÁ FICA S

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