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J. Pediatr. (Rio J.) vol.92 número6

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Academic year: 2018

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JPediatr(RioJ).2016;92(6):546---548

www.jped.com.br

EDITORIAL

Maternal

food

intake

and

socioeconomic

status

to

tackle

childhood

malnutrition

,

夽夽

Alimentac

¸ão

maternal

e

status

socioeconômico

na

luta

contra

a

má-nutric

¸ão

infantil

Vitor

Hugo

Teixeira

a,b,∗

e

Pedro

Moreira

a,b,c

aUniversidadedoPorto,FaculdadedeCiênciasdaNutric¸ãoeAlimentac¸ão,Porto,Portugal

bUniversidadedoPorto,CentrodeInvestigac¸ãoemAtividadeFísica,SaúdeeLazer,Porto,Portugal

cUniversidadedoPorto,InstitutodeSaúdePública,Porto,Portugal

Estaedic¸ãoapresentaumtrabalhodeGéa-Hortaetal.1que

narraaassociac¸ãoentrefatoressocioeconômicosmaternos

(empregoeníveldeescolaridade)eaocorrênciadealguns

indicadoresnutricionais(baixaestaturaeexcessodepeso)

dos filhos com menos de 5 anos numa amostra

represen-tativa da populac¸ão brasileira. A amostra final englobou

4.356mulheres,commédiade27anos,erespectivosfilhos,

commédiade2anos,52% dosquaisdosexomasculino.A

taxade empregodasmães foide 40%e elas quetinham,

em média, 8 anos de escolaridade. As crianc¸as

apresen-taram uma média de altura/idade inferior aos padrões

internacionais,enquantoarelac¸ãoIMC/idadeerasuperior.2

Umdos principais resultadosdeste estudo foia

proba-bilidade4 vezessuperiordemãescom baixaescolaridade

maternateremcrianc¸as debaixaestatura(estatura/idade

menordoque-2desvio-padrão). Essaassociac¸ão podeser

explicada por um status socioeconômico mais

desfavore-cido,com reflexo na menor possibilidadede aquisic¸ãode

alimentossaudáveis, oupela menor consciência do papel

daalimentac¸ãonodesenvolvimentofuturododescendente.

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.08.002

Comocitaresteartigo:Teixeira VH,MoreiraP.Maternalfood

intakeandsocioeconomicstatustotacklechildhoodmalnutrition. JPediatr(RioJ).2016;92:546---8.

夽夽VerartigodeGéa-Hortaetal.naspáginas574---80.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](V.H.Teixeira).

Provavelmente, a primeira razão poderá prevalecer, uma

vezquenãoseverificouumaassociac¸ãoentreescolaridade

maternaeexcessodepeso,aexemplodeoutrostrabalhos.

Esteestudo indicouqueascrianc¸as cujasmães tinham

emprego tinham 57% mais probabilidade de terem

sobre-peso (IMC/idade > 2 desvio-padrão) em comparac¸ão com

aquelascommãesdesempregadasouquetrabalhavamem

casa.Todavia,aempregabilidadenãoteveimpactona

esta-turadascrianc¸as,comooutrostrabalhosindicavam.Assim,

por umlado, oempregomaternobeneficia ocrescimento

da crianc¸a, pelo maior acesso a alimentos e servic¸os de

saúde que um maior rendimento possibilita. Por outro,

retira tempode dedicac¸ão ao filho, notadamente para a

preparac¸ãoderefeic¸õessaudáveiseafeituradeatividades

delazer,epodeserumabarreiraàamamentac¸ão.

Aorigemdosdadosemanálise---aPesquisaNacionalde

Demografia e Saúde da Crianc¸a e daMulher de 2006-7

---fortaleceasuavalidadeexternadosresultados,porse

tra-tardeumaamostrarepresentativadaquelapopulac¸ão,mas

limitaasuaqualidade,poisnãoforamcontroladasalgumas

variáveisconfundidoras,comooníveldeatividadee

seden-tarismo das crianc¸as, o tempode amamentac¸ão, o ganho

maternodepesoeopesoaonascimento,entreoutras.

Esteestudoreforc¸aoconceitodequeaindacoexistem,

emdiversas zonasgeográficas,comooBrasil,prevalências

de obesidade e desnutric¸ão inquietantes. Sugere,

tam-bém, que a definic¸ão e a implantac¸ão de políticas de

saúde pública que objetivem diminuí-las devem

conside-rar os fatores socioeconômicos. É notória a melhoria em

algunsparâmetros,como ascondic¸õessanitárias,oacesso

(2)

Maternalfoodintakeandsocioeconomicstatus 547

acuidadosmédicos, orendimentoper capita,que

permi-tirammelhoraralgunsindicadoresnutricionais.Masanova

dinâmicadassociedadesdotrabalho,comoincrementodo

emprego materno em países com menor protec¸ão social,

levantadesafiosconsideráveis,notadamenteparaassegurar

àsfamíliascuidadosdesaúdeantesedepoisdonascimento

da crianc¸a, que se possam traduzir no melhor ambiente

materno-fetal,desde logocomreflexos nopeso ao nascer

enocortejodefatoresqueaeleseassociam,comoo

capi-talhumanoadquirido,osfatoresderiscodedoenc¸aseaté

oscomportamentosalimentaresproblemáticos.

Num estudo de Oliveira et al.3 em 3 coortes

euro-peiasdenascimentos(Gerac¸ãoXXIdePortugal,ALSPACdo

Reino Unido e EDEN de Franc¸a), os relatos de

dificulda-des na alimentac¸ão das crianc¸as, como comer pequenas

quantidadesouprecisardeestimulac¸ãoparacomer,foram

significativamentemaisfrequentesnasquetinhamnascido

pequenasparaaidadegestacional.

Em Portugal, os trabalhos na coorte de nascimentos

Gerac¸ão XXItornam evidentes outrosníveis deinfluência,

nosquaisé urgenteintervirparabonsresultados

relativa-mente ao estado nutricional e ao consumo alimentar até

aos4anos. NoestudodeDurão etal.,4 numasubamostra

de3.422mãeserespetivosfilhos,foianalisadaainfluência

das características familiares, incluindo comportamentos

e estilo de vida (atividade física, hábitos tabagísticos e

práticas alimentares dasmães e crianc¸as), no padrão

ali-mentar das crianc¸as aos 4 anos,o que conceitualiza essa

ac¸ãosegundoummodelosociodemográficodequatroníveis

(statussocioeconômicodamãeaos12anos,estágio

socio-econômicomaternoecaracterísticassociodemográficasao

nascimentodacrianc¸a,característicasfamiliaresaos4anos

da crianc¸a e características maternas e comportamentos

aos4anosdacrianc¸a).Verificou-sequeopiorstatus

soci-oeconômico maternoaos 12 anose amenor escolaridade

maternaseassociaramaumapioralimentac¸ão,traduzida

pelo consumo de alimentos pobres em micronutrimentos

edeelevadadensidadeenergética(statussocioeconômico

aos12anosbaixoversusalto,OR=1,76,IC95%,1,42-2,18;

escolaridadematerna≤9anosversus>12anos,OR=2,19,

IC 95%, 1,70-2,81); as crianc¸as cujas mães apresentavam

uma pior qualidade dos alimentos ingeridos tinham uma

probabilidade significativamente maior de apresentar um

padrãoalimentarnãosaudável, especialmentede

alimen-tos pobres em micronutrimentos e de elevada densidade

energética(1◦quartildequalidadealimentarmaternamais

baixaversus4◦ quartildereferênciadequalidade

alimen-tar materna maiselevada, OR=9,94, IC 95%, 7,35-13,44,

p-trend < 0,001, após ajuste para confundidores). Nessa

mesmacoorte,aanálisedaspráticasdealimentac¸ão

infan-tilpor meiodeumquestionáriovalidadoparaPortugal5e

quecombinaasescalasdoChildFeedingQuestionnairede

Birchetal.6 edeovert ecovert controldeOgdenetal.7

mostram que maiores níveis maternos de monitorac¸ão e

restric¸ãodaingestãoseassociaminversamenteà

ocorrên-ciadepadrõesalimentaresinadequadosnacrianc¸a,comoo

deingestãodealimentosdeelevadadensidadeenergética

(respetivamente,OR=0,84,IC95%, 0,77-0,91e OR=0,85,

IC95%,0,78-0,93).Ouseja,naconstelac¸ãodefatores

estu-dados,aalimentac¸ãomaternaaparececomoofator-chave

associadoàalimentac¸ãodacrianc¸aaos4anos,muitoacima

dosfatoressocioeconômicos,demográficos,deescolaridade

ecomportamentoalimentar,oquecontribuindocomcerca

de1⁄3docoeficientededeterminac¸ão(R2deNagelkerke)no

modeloajustado.

Conhecidootrackingdehábitosalimentares,doperíodo

decrescimentopara a idadeadulta, e a importância que

podem ter os comportamentos alimentares das crianc¸as

durante os primeiros anos de vida para a sua ingestão

alimentar futura, é fundamental produzir ferramentas e

estudoscom abordagens capazes de definir os

comporta-mentos nas suas diferentes dimensões e o seu impacto

no estado nutricional.8 Num estudo de comportamentos

alimentaresemtrêscoorteseuropeias(Gerac¸ãoXXIde

Por-tugal,ALSPACdoReinoUnidoeEDENdeFranc¸a),ascrianc¸as

que exibiam maiores dificuldades deingestão, recusa

ali-mentar/neofobia e dificuldades de conseguir estabelecer

umarotinadiáriadeingestãoaos12-15meses,24e48-54

meses apresentavam menor ingestão de fruta e produtos

hortícolas.9Aimportânciadocomportamentoalimentarna

inadequac¸ãoalimentaremcrianc¸asde4anoséevidenciada

nacoorte Gerac¸ão XXI,verifica-se que práticasmaternas,

comoapressão(emdosecerta)eocontrolequeseexerce

sobreoquesecome,deformamaisvisível(overtcontrol),

podemser associadosaconsumo maisadequadodefruta,

produtoshortícolaselaticínios.10Deve-seconsiderara

pos-sibilidadedequeentreaspráticasdealimentac¸ãoinfantile

oíndicedemassacorporal(IMC)dascrianc¸aspossam

exis-tirefeitosbidirecionaise oconhecimentodessefenômeno

poderá melhorar o conhecimento sobre o papel parental

noestado nutricional dacrianc¸a e na obesidade infantil.

Osresultadossãoaindadifíceisdeinterpretar.Verifica-se,

porexemplo,emambienteexperimental,quearestric¸ãoé

apontadacomoumfatorquepodecausaraingestão

exces-sivadealimentos,11 aindaque em estudoslongitudinaisa

restric¸ãopossaapresentar,12 ounão,efeitosno

comporta-mento alimentar13 ou IMC dacrianc¸a.14 Por outro lado,a

massacorporalpodetambéminfluenciarocomportamento

alimentar,descrevem-seempaisdecrianc¸ascommaiorIMC

aos 2 anos uma tendência para maior restric¸ão e

meno-resníveisdepressãoparacomeraos4anos.14 Notrabalho

deAfonsoetal.,15 na coorteGerac¸ão XXI,o estudo

longi-tudinal das associac¸ões bidirecionais entre aspráticas de

alimentac¸ão infantile o IMC aos 4 e 7 anos mostrou que

aspráticas dospaisrespondemao pesodacrianc¸a,maso

peso das crianc¸as tambémas influenciam. Assim, a

pres-sãoparacomereocontrolemaisabertooumaisevidente

(overt)daalimentac¸ãoaos4anosassociaram-se

significati-vamenteamenorIMCaos7anos,enquanto umIMC maior

aos4 anosse associou a maiores níveis derestric¸ão e de

controleencoberto(covert)daalimentac¸ão.

Parece,assim,evidenteprivilegiaremidadepré-escolar,

aintervenc¸ãonosgrupos quecombinamascaracterísticas

demá-alimentac¸ãomaternaebaixostatussocioeconômico.

Abatalha contraa má-nutric¸ãoinfantilserá longa, masé

improrrogável.

Conflitos

de

interesse

(3)

548 TeixeiraVH,MoreiraP

Referências

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