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ARTIGO
ORIGINAL
Magnetic
resonance
enterography
in
pediatric
celiac
disease
夽
Gonca
Koc
a,∗,
Selim
Doganay
a,
Eylem
Sevinc
b,
Kemal
Deniz
c,
Govind
Chavhan
d,
Sureyya
B.
Gorkem
a,
Neslihan
Karacabey
e,
Mehmet
S.
Dogan
a,
Abdulhakim
Coskun
ae
Duran
Aslan
eaErciyesUniversityFacultyofMedicine,DepartmentofPediatricRadiology,Kayseri,Turquia
bKayseriResearchandTrainingHospital,Emel-MehmetTarmanChildren’sHospital,DepartmentofPediatricGastroenterology,
Kayseri,Turquia
cErciyesUniversityFacultyofMedicine,DepartmentofPathology,Kayseri,Turquia
dUniversityofToronto,TheHospitalforSickChildrenandMedicalImaging,DepartmentofDiagnosticImaging,Toronto,Canadá eErciyesUniversityFacultyofMedicine,DepartmentofPediatricGastroenterology,Kayseri,Turquia
Recebidoem15dejunhode2016;aceitoem3denovembrode2016
KEYWORDS
Celiacdisease; Magneticresonance enterography; Pediatrics
Abstract
Objective: To assess if magnetic resonance enterography (MRE)is capable of showing evi-dence/extent of disease in pediatric patients with biopsy-proven celiac disease (CD) by comparingwithacontrolgroup,andtocorrelatetheMREfindingswithanti-endomysialantibody (EMA)level,whichisanindicatorofgluten-freedietarycompliance.
Methods: Thirty-onepediatricpatients(meanage11.7±3.1years)withbiopsy-provenCDand 40pediatricpatientsasacontrolgroupwererecruitedinthestudy.TheMREimagesofboth patientswithCDandthoseofthecontrolgroupwereevaluatedbytwopediatricradiologistsina blindedmannerforthemucosalpattern,presenceofwallthickening,luminaldistentionofthe smallbowel,andextra-intestinalfindings.Patientchartswerereviewedtonoteclinicalfeatures andlaboratoryfindings.Thehistopathologicreviewoftheduodenalbiopsieswasre-conducted.
Results: Themeandurationofthediseasewas5.6±1.8years(range:3-7.2years).In24(77%) ofthepatients,EMAlevelswereelevated(mean119.2±66.6RU/mL).MRErevealednormal foldpatterninallthepatients.Ten(32%)patientshadenlargedmesentericlymphnodes.
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.11.003
夽 Comocitaresteartigo:KocG,DoganayS,SevincE,DenizK,ChavhanG,GorkemSB,etal.Magneticresonanceenterographyinpediatric celiacdisease.JPediatr(RioJ).2017;93:413---9.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](G.Koc).
414 KocGetal.
Conclusion: AlthoughamajorityofthepatientshadelevatedEMAlevelsindicatingpoordietary compliance,MREdidnotshowanymucosalabnormalityassociatedwiththeinabilityofMREto detectmild/earlychangesofCDinchildren.Therefore,itmaynotbeusefulforthefollow-up ofpediatricCD.
©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradePediatria.Thisis anopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Doenc¸acelíaca; Enterografia porressonância magnética; Pediatria
Aenterografiaporressonânciamagnéticanadoenc¸acelíacapediátrica
Resumo
Objetivo: Avaliar se a enterografia por ressonância magnética (ERM) consegue compro-var/mostrar a extensão da doenc¸a em pacientes pediátricos com doenc¸a celíaca (DC) comprovadaporbiópsia,compararcomum grupodecontroleecorrelacionarosachadosda ERMcomoníveldeanticorpoantiendomísio(EMA)indicadordedietasemglúten.
Métodos: Foramrecrutados31pacientespediátricos(idademédiaentre11,7±3,1anos)com DCcomprovadaporbiópsiae40pacientespediátricosemumgrupodecontrole.Asimagensda ERMdospacientescomDCenogrupodecontroleforamavaliadaspordoisradiologistas pediátri-cosàscegasparaopadrãodamucosa,presenc¸adeespessamentodaparede,dilatac¸ãoluminal dointestinodelgadoeachadosextraintestinais.Osprontuáriosdospacientesforamrevisados paraanotac¸ãodecaracterísticasclínicaseachadoslaboratoriais.Aavaliac¸ãohistopatológica dasbiópsiasduodenaisfoifeitanovamente.
Resultados: Adurac¸ãomédiadadoenc¸afoi5,6±1,8anos(faixade3-7,2anos).Em24(77%) dospacientes,osníveisEMAestavamelevados(média119,2±66,6RU/mL).AERMrevelouum padrãodepregasnormalemtodosospacientes;10(32%)dospacientesapresentaramgânglios linfáticosmesentéricosaumentados.
Conclusão: ApesardeamaioriadospacientesterníveiselevadosdeEMA,oqueindicauma dieta pobre, a ERM não mostrou anomalia na mucosa associada àincapacidade de a ERM detectar alterac¸ões leves/precocesde DC nas crianc¸as. Portanto, ela pode não ser útil no acompanhamentodaDCpediátrica.
©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradePediatria.Este ´
eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
A doenc¸a celíaca (DC), uma síndrome de má absorc¸ão com origem autoimune, afeta aproximadamente 1% da populac¸ão.1,2 A incidência da DC aumentou ao longo das décadas, possivelmente devido ao aumento da exposic¸ão ao glúten, à conscientizac¸ão do amplo espectro do qua-droclínicoeàdisponibilidadedeferramentasdiagnósticas sensíveiseespecíficas.3---6Contudo,o‘modeloem iceberg’ indicaaextensãodapopulac¸ãocomDCnãodiagnosticada.7 Assim,aDCconstituiumproblemadesaúdesubstancialem todoomundoeafetandoapopulac¸ãoadultaepediátrica.8 Em crianc¸as geneticamente suscetíveis, a doenc¸a é desencadeadapelaexposic¸ãoaalimentosquecontêm glú-ten.Oglútenafetapredominantementeoduodenoejejuno; contudo,todo o intestino delgado pode serenvolvido. As alterac¸õesnamucosasãocaracterizadasporatrofiadas vilo-sidades,hiperplasiadacripta,espessamentodamembrana basalsoboepitélio desuperfície,menornúmerode célu-lascaliciformes esinaisdeinflamac¸ão.9 Ascaracterísticas clínicassãoamplasenãoespecíficas.Oespectrodoquadro clíniconaDCpodeserclassificadocomo:a)formaclássica, relacionada a sintomas intestinais e diagnosticada predo-minantementeempacientespediátricos;b)formaatípica,
em casos de doenc¸a inflamatória intestinal.11,12 Como a ERM possibilita visualizar todo o intestino delgado, ela se mostrou benéfica na determinac¸ão daextensão da doenc¸a, das complicac¸ões relacionadas à DC, inclusive jejunoileite ulcerativa e neoplasias malignas, e da DC refratária em pacientescom sintomas persistentesapesar dadietasemglúten.13---16 Contudo,osestudosquefocaram na DC com a ERM foram conduzidos especialmente em grupos deestudocom adultose hápoucos desses estudos na literatura que avaliam os achados da DC na ERM em crianc¸as.17
OexamehistopatológicodospacientescomDCnão for-neceinformac¸ões suficientessobreaextensãodadoenc¸a, poiseleélimitadoaoduodenoejejunoproximal.Assim,a finalidadedesteestudodeumúnicocentroprospectivofoi verificarseaERMconseguemostraraextensãodadoenc¸a empacientespediátricoscomDC comprovadaporbiópsia, compará-los comumgrupodecontrole e correlacionaros achadosdaERMcomoníveldeanti-EMAindicadordedieta semglúten.18
Material
e
métodos
Pacientes
Este estudofoiaprovado peloconselhoderevisão institu-cional e é compatível com a Declarac¸ão de Helsinque. O consentimentoinformadoporescritofoiobtidosdospaisde todosospacientes.Oestudofoifeitoentrejaneirode2014e janeirode2015.Ospacientesacompanhadoscomo diagnós-ticodeDCpelasclínicasdegastrenterologia pediátricade nossainstituic¸ãoforamrecrutadosparaoestudo.Os crité-riosdeinclusãoincluíramcrianc¸asacimadecincoanoscom capacidadedeseguirasinstruc¸õesdeprenderarespirac¸ãoe nãosemexerdurantetodooprocedimentosemnecessidade desedac¸ão.OdiagnósticodeDCtevecomobase os crité-riosdescritospelaSociedadeEuropeiadeGastroenterologia, HepatologiaeNutric¸ãoPediátrica.8
Revisãodosprontuáriosdospacientes
Os prontuários dos pacientes foram revisados antes dos exames de ERM para obter as características clínicas, os achados laboratoriais e os registros posteriores por um gastroenterologista pediátrico (ES). Os exames histopato-lógicos das biópsias duodenais obtidas anteriormente (no momentodo diagnóstico)dos pacientes foramnovamente analisadosporumpatologista(KD)sem conhecimentodas características clínicas. Os pacientes foram classificados e agrupados deacordo coma classificac¸ão deMarsh,que é obtida do exame histopatológico e reflete a gravidade dadoenc¸a(tabela1).Aclassificac¸ãodeMarshconsisteem 4estágios(0-3)interpretadoscombaseemvárias caracte-rísticasdoespécimedebiópsia:oestágio0refletebiópsia normal,aopassoqueosestágios1,2e3são predominante-menteassociadosaoaumentonoslinfócitosintraepiteliais, na hiperplasia da cripta e na atrofia das vilosidades, respectivamente.19,9
Tabela 1 Grupos de pacientes de acordo com a classificac¸ãodeMarsh
TipoclínicodeDC Classificac¸ão deMarsh
Númerode pacientes
Latente 1 2(100%)
Silenciosa 2 3(100%)
Atípica 2 2(40%)
3 3(60%)
Clássica 2 2(10%)
3 19(90%)
DC,doenc¸acelíaca.
TécnicadeenterografiaporRM
Ospacientesforamsubmetidosaoexameemumaparelho clínico Tesla 1.5 (Magnetom, Aera, Siemens Healthcare, Erlangen, Alemanha) com uma bobina de corpo de 18 canais.AntesdoexamedeERM,24pacientescomDC não estavamem dieta semglúten, ao passoque oitoseguiam adietasemglúten.Apreparac¸ãoparaaERMconsistiu em jejumpor4-6horaseadministrac¸ãodesoluc¸ãodemanitol (3%) como meio de contraste oral. A ERM foi feita em posic¸ão supina com as seguintes sequências: half-Fourier acquisition single-shot turbo spin-echo (Haste) coronal ponderada em T2, para avaliar a distensão do intestino delgado, imagem Cine com imagem coronal balanceada em precessão livre no estado estacionário (True-Fisp), axial (com saturac¸ão de gordura) e coronal True-Fisp, HastecoronalponderadaemT2comsaturac¸ãodegordura, imagem ponderada por difusão planar axial single-shot fast spin-echo echo (b=50, 400, 800 s/mm2) e gadolínio intravenosoprévioesubsequente combase na injec¸ãode meio de contraste (0,1 mmol/kg) por exame interpolado derespirac¸ãovolumétricaponderadoemT1axialecoronal comsaturac¸ãodegordura(VIBE).Foiadministradobrometo deN-butilescopolamina (Buscopan, Boehringer,Ingelheim, Alemanha)intravenosoduasvezesmaislentamentepordois minutos a uma dose de 0,3mg/kg, com dose máxima de 20mgparaeliminaramovimentac¸ãoecontrac¸ãointestinal; seguiu-seaobtenc¸ãodeimagensdinâmicas(Cine)e antes da administrac¸ão do agente contrastante. Os parâmetros desequênciasãoapresentadosnatabela2.
Análisedasimagens
Osexamesde ERMdepacientes pediátricos (idademédia 8,0±1,2anos,faixaetária5-8,4anos),comoumgrupode controle,queforamsubmetidosaexame,comsuspeitade doenc¸a inflamatória intestinal, porém que apresentaram achados radiológicos normais, e o grupo de pacientes comdiagnósticode DCforamanonimizados e enviadosde voltaparaumsistemadearquivamentoecomunicac¸ãode quadrosclínicosporumradiologista pediátrico(MSD),que nãoseposicionousobreaavaliac¸ãodasimagens.
416 KocGetal.
Tabela2 ParâmetrosdassequênciasdaRM
Sequências Parâmetros
TR(msec) TE(msec) Espessurado corte(mm)
Lacuna(mm) AF Matriz
HasteemT2 2.000 91 5 1 - 320x320
True-Fisp 3,21 1,04 4 1 50 256x256
VibeemT1 4,36 1,91 3 0 10 256x180
CineTrue-Fisp 3,21 1,04 4 1 50 256x180
Difusão 6.810 62 5 5 - 256x256
AF:ângulodeflip;Haste:Half-Fourieracquisitionsingle-shotturbospin-echo;TE:tempodeeco;TR:tempoderepetic¸ão;True-Fisp:
imagembalanceadaemprecessãolivrenoestadoestacionário;VIBE:exameinterpoladoderespirac¸ãovolumétrica.
1 --- anomalias nos padrões das pregas das alc¸as duode-nais,jejunais e ileais; 2 --- melhoria, restric¸ão de difusão e aumento na espessura da parede do intestino del-gado; 3 --- aumento do diâmetro das alc¸as intestinais; 4 --- intussuscepc¸ão; 5 --- gânglios linfáticos mesentéricos, infiltrac¸ãogordurosaeingurgitamentovascular.Eles busca-ramespecificamenteperdanapregaduodenal,ilealizac¸ão dojejuno(<3pregasporpolegada),jejunizac¸ãodoíleo(>5 pregasporpolegada)eperdaglobaldeválvulas.Aespessura da parede do jejuno e o íleo foram medidos em mm na sequência Haste ponderada em T2, evitaram-se as inter-faces das pregas intestinais e pregas mucosas para evitar superestimac¸ãodaespessura.AssequênciasTrue-FispeVibe nãoforampreferenciaisdevidoàvulnerabilidadeaoartefato delimitac¸ãopretoqueresultariaemmedic¸õesincorretas. Osgânglioslinfáticosmesentéricosmaioresdoque1cmde diâmetrodoeixocurtoforamconsideradospatológicos.
Adicionalmente, os radiologistas tiveram de classificar asimagensdecada pacientecomumaescalaincremental de 3 pontos (0=inadequada, 1=moderada, 2=adequada) paradistensãodointestinodelgado.
Resultados
Foram inicialmente recrutados para o estudo 45 pacien-tespediátricoscomdiagnósticodeDC.Novedospacientes cujabiópsia duodenal e examehistopatológico foram fei-tosemoutrocentroecincopacientesquenãotolerarama ERM(devidoadoenc¸ascrônicasrelacionadas,como defici-ênciadeIgA,síndromedeTurner,diabetesmellitustipo1 esíndromedeDown,quepodemtertornadoospacientes incompatíveis)foramexcluídos.
Porfim,foramincluídas31crianc¸ascomDC(10meninos e 21 meninas; idade média 11,7±3,1 anos e faixaetária 6-16anos);21(68%)pacientesdos31foramcategorizados comoDCclássica,aopassoquecinco(16%)comoDCatípica, dois(6%)comolatenteetrês(10%)comosilenciosa.Os sin-tomasdetodosospacientescomDCclássicaforamdiarreia crônica,distensão abdominale dor. Ospacientes com DC atípicaapresentaramconstipac¸ãoeanemiaferropriva resis-tenteàFe oral.Ospacientescom DClatentee silenciosa nãoapresentaramsinais/sintomas.Elesforam diagnostica-dospormeiodeexamefeitodevidoaoaumentonoriscode DC,considerandoohistóricofamiliar.
Adurac¸ãomédiadadoenc¸afoide5,6±1,8anos(faixa de3-7,2anos). Em 24pacientes quenãoseguiam adieta
sem glúten, os níveis de EMA estavam elevados (média 119,2±66,6 RU/mL e faixa de 0-200 RU/mL). Em nossa instituic¸ão, os níveis de anti-EMA de 0-20 RU/mL são considerados dentro dos limites normais, ao passo que os níveis de 21-200 RU/mL são considerados elevados. O tempomédioentreonívelséricodeEMAobtidoeoexame deERMfoide12±3,0dias(intervalode8-16dias).Antes do exame de ERM, os pacientes com EMA não elevado e 10 dos 24 pacientes com EMA elevado não apresentaram sintomas;14pacientescomEMAelevadoapresentaramdor abdominal ou diarreia. Os dados demográficos e achados laboratoriaisdospacientesestãolistadosnatabela3.
Osdois radiologistasclassificaram todososexames dos pacientescomDCedogrupodecontrolecomo0:opadrão depregasfoiinterpretadocomonormalem todosos paci-entes.Nãohouveperdana pregaduodenal,ilealizac¸ãodo jejuno, jejunizac¸ão do íleo ou perda global de válvulas. A espessura da parede estava dentro dos limites normais (média 1,5±0,26 e 1,58±0,28mm para jejuno e íleo, respectivamente). Não encontramos melhoria anormal ou restric¸ãodedifusãodaparedeintestinal(fig.1).
Dezpacientesdos31(32%)apresentaramgânglios linfáti-cosmesentéricoscom>1cmdediâmetrodoeixocurto.Não foidetectadaoutraanomaliaextraintestinal.
Osradiologistasclassificaram asimagensdos pacientes comDCcomoadequadasem25(81%)e27(87%)dosexames dos31(concordânciasubstancialentreavaliadores, =0,73) easimagensdospacientesdogrupodecontrolecomo ade-quadasem34(85%)e32(80%)dos40(concordânciaquase perfeita entreavaliadores, =0,82), respectivamente, ao passoqueasrestantesforamclassificadascomomoderadas paradistensãodointestinodelgado.
Os exames foram bem tolerados e não houve efeito adversosignificativo.
Discussão
in
pediatric
celiac
disease
417
Tabela3 Característicasclínicaselaboratoriaisdogrupodeestudo
Pacientes Sexo Idade(anos) Estatura(cm) Peso(kg) IMC EMA(RU/mL) Classificac¸ãode Marsha
Tipoclínico Durac¸ãodo
acompanhamento(ano)
1 F 16 170(25p) 43(25p) 14,9 0 1 Latente 7
2 M 7 105(<3p) 15(<3p) 13,6 100 3 Clássica 3
3 F 13 160(50-75p) 43(10-25p) 16,2 10 2 Atípica 5
4 F 9 128(25p) 25(25p) 15,3 120 2 Silenciosa 3
5 F 9 131(50p) 27(10-25p) 15,7 140 2 Atípica 6
6 F 16 163(3-10p) 70(50p) 26,3 0 3 Clássica 7
7 M 9 156(90p) 32(75p) 13,1 150 1 Latente 5
8 F 14 134(<3p) 37(3-10p) 20,6 10 3 Clássica 7
9 F 11 129(3-10p) 26(<3p) 15,6 200 2 Clássica 5
10 F 13 160(75p) 46(75p) 18 200 3 Clássica 7
11 F 13 150(10-25p) 38(3-10p) 17 200 3 Clássica 7
12 M 13 178(90p) 45(50p) 14,2 150 3 Atípica 7
13 F 16 168(25-50p) 46(10-25p) 16,3 10 2 Silenciosa 7
14 M 14 168(50p) 27(3p) 9,6 130 3 Clássica 7
15 M 6 105(<3p) 18(10-25p) 16,3 120 3 Clássica 3
16 F 9 130(75p) 43(90-97p) 25,4 10 2 Silenciosa 4
17 F 15 169(25-50p) 44(<3p) 15,4 150 3 Clássica 7
18 F 10 155(97p) 33(50-75p) 14 160 3 Clássica 3
19 M 16 169(25-50p) 54(3-10p) 18,9 170 3 Clássica 7
20 M 11 136(10-25p) 43(10-25p) 23,2 10 3 Atípica 7
21 F 12 168(97p) 33(10-25p) 11,7 167 3 Clássica 5
22 M 17 176(50-75p) 54(10p) 17,4 145 3 Clássica 7
23 F 8 118(3-10p) 29(50-75p) 20,8 140 3 Clássica 3
24 F 7 97,5(<3p) 17(<3p) 18,7 200 3 Atípica 3
25 M 11 170(>97p) 35(25-50p) 12,1 133 3 Clássica 3
26 M 12 157(50p) 23,8(<3p) 9,7 122 3 Clássica 7
27 F 16 170(25-50p) 50(<3p) 17,3 166 3 Clássica 3
28 F 9 156(>97p) 45(>97p) 18,5 150 3 Clássica 7,2
29 F 12 158(50-75p) 40(25-50p) 16 110 3 Clássica 7
30 F 11 165(>97p) 33(25-50p) 12,1 145 3 Clássica 7
31 F 9 135(50-75p) 23(3-10p) 12,6 177 2 Clássica 4
IMC,índicedemassacorporal;<15,abaixodopeso,15-24:normal;>24,acimadopeso;EMA,anti-endomysialantibody;0-20RU/ml:normal;20-200RU/ml:elevado;p:percentil.
418 KocGetal.
Figura1 Pacientedosexofemininocom16anoscomdiagnósticodedoenc¸acelíaca;HasteponderadaemT2(A)eVibeponderada emT1comsaturac¸ãodegordura(B)imagensadquiridasapósadministrac¸ãodecontrasteintravenoso,nãoapresentouanormalidades nopadrãodepregasdosintestinos.
espessura da parede do intestino delgado, que afetaram principalmente o jejuno. Contudo, Laghi etal.17 e Tomei etal.13relataramausênciadeachadosnaERMem29%e42% dospacientes,inclusiveadultosecrianc¸ascomDC compro-vadapor biópsia,respectivamente.Ospacientes nonosso grupo deestudo, exclusivamente com pacientes pediátri-cos,podemnãoterdesenvolvidoodanoàmucosaintestinal vistoem pacientesadultos.Issoé justificadopelo fatode que29%(9/31)denossascrianc¸asapresentaramalterac¸ões levesnamucosarefletidaspelosestágios1e2deMarsh,que nãopodemserdetectadospelaERM.
Cincodos31(16%)pacientesemnossogrupodeestudo foramdiagnosticadoscomDClatenteousilenciosa.Oexame histopatológico das biópsias duodenais desses pacientes revelouestágios 1ou2deMarsh.Tomeietal.13 relataram que 90% de seus pacientes diagnosticados com DC silen-ciosa apresentaram padrão de pregas normal. Apesar de haverumaquantidadelimitadade estudosque focamnos achadosdeDCnaERM,agrandeexperiêncianadoenc¸ade Crohn revelou incapacidade de a ERM mostrar alterac¸ões na mucosa, mas envolvimento inflamatório da parede.22 De acordo com esse fato, em um estudo atual, todos os pacientesdiagnosticadoscomDCsilenciosaoulatentenão apresentaramanormalidadesnopadrãodepregas naERM. Defato,emnossoestudo,que consistiu,em suana maio-ria(68%),em crianc¸as comaformaclássica, nãofoivista anormalidadenaspregasemquaisquerdospacientes.
Oaumentonosníveis deEMAfoidetectadoem 77%de nossos pacientes antes da ERM. Os anticorpos, inclusive EMA e tTG, são essenciais para o acompanhamento dos pacientescomDCe parecemterumaboacorrelac¸ãocom adietasemglútenempacientesadultosepediátricos.23O aumentonosníveisdeEMAindicaumaadesãonãoestrita,
pelo paciente,à dietasemglúten.24 Van denBosch etal. relataram uma boa correlac¸ão entre a resposta à dieta sem glúten e os achados de enteróclise, em comparac¸ão comabiópsiaemadultoscomDC.23 Contudo,nãoháesses estudoscomrelac¸ãoàERM.Umaexplicac¸ãoopcional,pelo menosem parte,paraainexistênciadeachados radiológi-cosempacientescomníveisnormaisdeanti-EMApodeser aprevenc¸ãododanoàmucosacomadietasemglúten.
As manifestac¸ões radiológicas extraluminais da DC incluem gânglios linfáticos mesentéricos aumentados, ingurgitamento vascular mesentérico e intussuscepc¸ões transitórias.Osgânglioslinfáticosmesentéricosaumentados (>1cmdediâmetrodoeixocurto)éoachadoextraluminal maiscomumassociadoàDC,évistoematé42%doscasos.25 O tamanho dos linfonodos reduz com o tratamento com dietasemglútenesuapersistênciadevelevantarasuspeita de linfoma.25,26 Esses linfonodos hipertróficos podem agir comopontodepartida paraa intussuscepc¸ão apresentada inicialmentepor57%dospacientescomDC.27 O ingurgita-mento vascular mesentérico é umsinal não específicoda doenc¸a.Osgânglios linfáticosmesentéricosforamoúnico achadoextraluminalemnossospacientes,aintussuscepc¸ão eoingurgitamentovascularnãoforamdetectados.
os pacientes radiologicamente, as imagens ERM em série adquiridasnomomentododiagnósticoeapósaingestãode alimentossemglútenajudariaaavaliarasalterac¸ões radio-lógicasnocursodadoenc¸a.Porfim,oexamehistopatológico dabiópsiaduodenalfoifeitanomomentododiagnóstico.A comparac¸ão dos resultadosda biópsia recém-obtidos com osachadosradiológicospossibilitariadeduzirumahipótese maisplausívelsobrearelac¸ãodosachadosradiológicosedas alterac¸õeshistopatológicas.
Emconclusão,apesardeonívelelevadodeEMAna mai-oriadenossascrianc¸asindicarbaixaadesãoàdieta,nosso estudonãomostrouachadosignificativonaERMdeDC com-provada por biópsia, o que indica incapacidade dea ERM detectarodanolevee/ouprecoceàmucosa(sugeridopela menor classificac¸ão de Marsh) visto em crianc¸as com DC. Assim, ela podenão ser útil, como teste diagnóstico, no acompanhamentodaDC. Contudo, conformeindicado por alguns autores anteriormente,17 a ERM pode ser útil na detecc¸ãodepossíveiscomplicac¸õesdaDC, comoestenose e linfoma,na avaliac¸ão daDC nãoresponsivaàdieta sem glútenenaexclusãodeumdiagnósticoopcional.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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