RBEn, 32 : 20-24, 1979
PROBLEMATICA DA UTILIZA�AO DE RECURSOS
HUMANOS NAO QUALIFICADOS NOS SERVI�OS
DE ENFERMAGEM
'" Isabel
Amelia CostaMendes
* Maria AuJiadora Trevizan * Maura Santesso TakakuraRBEnj03
EDS, I.A.C. e Colaboradoras - Problematica da utiliza;ao de recursos humanos nao qualificados nos servi;os de enfermagem. ev. Bs. Ef.; DF, 32 : 20-24, 1979.
A utiliza;ao de recursos hunanos nao qualificados constitui un dos problemas com que se defronta a enfermagem brasileira; problema este que perdurara por muitos anos devido a escassez de profissionais de enfermagem, principal mente nas regioes interioranas. 0 aten dente e, ainda, em nosso pais, um ele mento indispensavel na equlpe de en fermagem, apesar de sua atu�ao nao estar relacionada a uma assistencia de
boa qualidade. Segundo CRVLHO 3.
a Associa;ao Brasileira de Enfermagem
admie que 0 atendente vem prestando valiosa contribui;ao a assistencia hos pitalar e considerando que continuar,i a constituir 0 grupo mais numeroso d. equipe de enfermagem, a enfermeira de yea assumir total responsabilidade pe-10 seu desenvolvimento.
o obj etivo primordial da Enfernagen e a assistencia integral ao paciente, procurando atender as suas necesslda des psico-bioI6gicas, psico-sociais e psi co-espirituais. Para 0 atendimento des tas necessidades torna-se . necessario que a equipe de enfermagem seja organi zada e que cada elemento desempenhe atribui;oes para as' quais foi preparado. Sabemos que as fungoes de enfermagem sao bastante diversificadas e compreen dem atividades tanto de natureza sim ples, para a execu�ao das quais pode se con tar com pessoal que recebeu ape 'las treinamento em servi;o, quanto de natureza complexa, cujo desempenho requer a utilizagao de pessoal profis sional com conhecimento cientiflco, ca pacidade de analise, j ulgamento e de cisao. Nao obstante, veriflcamos
e
yeS da llterabra que os atendentes de enfermagem, ainda hoje, em muitos hospitais, estao assumindo tambem as atividades de natureza complexa.
ALVIM & Col. 1, em seus estudos so
bre atividades de enfermagem, relatam que das categorias observadas, e 0 aten dente que utiliza praticamente todo 0
seu tempo disponivel com atividades diretamente relacionadas ao paciente SOUZA & Col. 8 acrescentam que gran
de numero de cuidados de enfermagem, que exigem alto grau de responsabili dade, esta sendo executado por aten dentes. FERREIRA SANTOS & MINZO NI 4 concluiram que os atendentes tra
balham grande parte de seu tempo j unto ao paciente e em atividades q! deveriam estar sendo executadas por auxiliares e enfermeiras. 0 estudo de MENDES & Col. 6 sobre processo deci
sorio em Enfermagem mostrou que 0
utendente realiza uma quantidade apre chive I de identifica;ao de problemas e conseqlientemente toma as decis6es que j ulga adequadas para a resolu;ao dos mesmos. Muitos dos problemas identi ficados e das decis6es tomadas pelo atendente sao incompativeis com 0 seu prepar�, sendo efetuadas empiricamente com base em experiencias anteriores.
Considerando que a participa�ao do atendente nos servi;os de enfermagem e necessaria e imprescindivel, e 6bvio que este elemento deva receber U11 treinamento em servl;o para que POSSl adquirir conhecimentos dos principios basicos de enfermagem e desenvolver atitudes adequadas ao desempenho de suas atribui;6es - e que estas se 11-mitem as atividades de natureza sim ples e rotineira. Nao cabe a esta cate goria 0 planej amento e a execu;ao de atividades complexas. Entretanto, atra yeS das blbliografias c!tadas, verifica mos que 0 atendente tem desempenha do atribui;6es que competem ao en
fer-• D&dos coletados em 1975.
meiro. Se esta situa;ao ocorre em hos pitals considerados modelos e com um numero satisfarorio de recursos huma nos qualificados, provavelmente estara agravada em hospitais distantes dos gran des centr�s e com um minimo de recurs os humanos qualificados.
A titulo de exemplifica;ao apresen taremos a situa;ao de cinco hospitais de uma capital de estado brasileiro, no que concerne a distribulao dos aten dentes de enfermagem segundo tempo de servi;o e treinamento recebldo.
o estado em questao conta com uma popula;ao aproximada de 270.000 habi tantes e disp6e de 818 leitos dlstribui dos em 15 institul;6es hospltalares, das quais sete (5 governamentais e 2 pai culares) estao localizadas na capital, perfazendo um total de 510 leitos.
As entre vistas realizadas com 141 atendentes de enfermagem de cinco hospitais (4 governamentais e 1 parti
cular, perfazendo um total de 330 lei tos ) da referida capital, permitiram nos a obten;ao dos dados apresentados na Tabela 1. •
Podemos observar que dos 147 aten dentes, 50, ou sej a, 34% nao receberam treinamento em servi;o, sendo que a situa;ao se agrava no Hospital E onde a popula;ao total nao fol treinada. A porcentagem mais alta de aendent sem este preparo esta localizada na faixa de 0 a 3 anos de tempo de ser vi;o. Verificamos alnda que dos 61 atendentes que trabalham em hospltal ha mais de 9 anos, 18, ou sej a, 9,5 % nao receberam nenhum treinamento.
Alem dos 147 atendentes entrevista dos, estes hospitals contavam com mals 43, dos quais, 8 freqiientavam 0 Curso de Auxiliar de Enfermagem ; os demais, por ocaslao da entrevista, se encontra lam em ferias ou em licen;a para tra tamen.o de saude.
DES, I.A.C. e Colaboradoras - Problematica da utila;o recursos hns MO
I I DES, I.A.C. e Colaboradoras -Problematica da utila;o de recursos hns qualificados nos servi;os de enferm agem. Rev. Bs. Ef.; DF, 32 : 20-24, 1979.
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EDES, I.A.C. e Colaboradoras - Problematica da utiliaao de recursos humnos nao qualificados nos serv;os de enfermagem. v. Bs. Ef.; DF, 32 : 20-24, 1979.
Quanto ao pessoal profissional de en fermagem, em 1975, apenas 0 Hospital D possuia 1 enfermeira. 0 numero de au xiliares de enfermagem, nos 5 hospitais, perfaziam un total de 12.
Diante desta situa�ao que consider a mos precaria, tendo em vista 0 numero de pessoal qualificado para os 330 lei tos e a porcentagem de atendentes que nunc a receberam treinamento, algumas medidas foram tomadas pelos orgaos governamentais que atuam na regiao e assim em 1977 a referida capital j a con tava com 16 enfermeiros. Atraves de un trabalho arduo e constante estes pro fissionais ten conseguido modificar este quadro e com a colabora�ao do pessoal auxiliar mais preparado j a se encon tram em condi�6es de proporcionar a comunidade uma assistencia de melhor qualidade.
KRON 5 afirma que a enfermagem
ten progredido na defini�ao de seu pa pel pro fissional, das atribui�6es e das responsabilidades no sistema de saude. Relata ainda que as enfermeiras estao com preen den do que devem tomar-se lideres na condugao do atendimento ao paciente. Realmente, a crescente com plexidade nao so mente dos processos de tratamento e diagnostico medicos, mas tambem dos diversos servigos do hos pital; 0 crescimento da populagao e a melhor compreensao do povo para com os problemas da area da saude sao fa
tores que ten impulsionado a enfer magem e dela ten exigido maiores res ponsabilidades. Entretanto, no que tan ge a distribuigao e a utilizagao de re cursos humanos, verificamos que a or ganizagao funcional de muitos de nos sos servigos e, de modo geral, inade quada e deficiente.
De acordo com RENDANO 7, "nao ha
unidades responsaveis pelo planejamen to, coordenagao e avaliagao dos progra · mas educativos, originando desequilibrio entre os fatores de necessidades, deman da, produGao, absorgao e utilizagao do
pessoal preparado". Assim, se por un lado, nos gran des centros, a enferma gem desenvolve a contento suas ativi dades, atraves de recursos humanos qualificados e preparados; por outro lado, em regi6es interioranas, distantes dos grandes centros, esta profissao en contra-se bloqueada no sentido de uma assistencia de boa qualidade, uma vez que conta, na sua grande maioria, com recursos human os nao qualificados e despreparados para as suas atribuig6es nos servigos de enfermagem.
Con ven salientarmos com RENDANO 7 quando cita, atraves do diagnostico da situagao de Enfermagem nos paises da America Latina e do Caribe, apresen tado na III Reuniao Especial de i
nistros da Saude das Americas, que no Brasil uma das grandes areas de neces sidades identificadas e, dentre outras, o "desequilibrio dos recursos humanos de Enfermagem em quantidade, quaU dade, distribuigao e utilizagao". A au tora comenta ainda que esta deficiencia nao se comporta uniformemente em todas as regi6es, havendo variag6es re lacionadas com 0 estagio de des envol vimento de cada area.
MENDES, I.A.C. e Colaboradoras - Problematiea da utilia.o de reeursos hum110s nao qualifieados nos servitoS de enfermagem. v. Bs. EDt.; DF, 32 : 20-24, 1 979.
Cabe ressaltar aqui que 0 X Con gresso Brasileiro de Enfermagem con siderando "que a execu;ao de a;oes de saude por pessoal auxUiar deve estar isenta de riscos para a opulagao" re
comenda aos Servi;os de Saude "que
desenvolvam programas continuos de atualiza;ao para 0 pessoal de enferma gem, de modo a dispor de enfermeiros devidamente qualificados para 0 trei namento e supervisao do pessoal auxi liar".
RR:NCIAS BIBLIGRICAS
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