Coment ári os a " Consel hos Muni ci pai s de Saúde:
A Possi bi l i dade dos Usuári os Part i ci parem e
os Det ermi nant es da Participação"
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V i c to r V i n c e n t V a l l a1
Inicialmente eu go staria d e cump
rimen-tar a auto ra so bre seu artigo acad em icam ente
d enso e p o liticamente realista. Dessa fo rma
fo g e d e uma d iscussão d e c o m o se go staria
que o s Co nselho s Municipais d e Saúd e (CMS)
fo ssem, e ap resenta um estud o d e c o m o são
d e fato . Go stei im ensam ente d o termo
utili-zad o para caracterizar
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" a consolidação deCanais Participatórios no Brasil, na área de
Saúde" : "Imp ro v áv el, mas p o ssív el".
Se, d e um lad o , tend o a co nco rd ar c o m
So raya q uand o ela co nsid era c o m o inco
m-pletas as avaliaçõ es da literatura internacio nal
so bre a viabilidade d o s CMS, d e o utro , p enso
que, mesmo assim, há mais a dizer so bre as
dificuldades enfrentad as p elo s Co nselho s.
Mi-nha relação co m o s CMS passa pela atividade
acad êmica d e p ensar a questão d e
participa-ção po pular e saúd e, co m o também d e o
rien-tar d issertaçõ es so bre exp eriências d e Co
nse-lho s; e, ao mesmo temp o , pela participação e
o bserv ação sistemática num grand e Co nselho
Distrital d e Saúd e da região metro po litana d o
Rio d e Janeiro (Co nselho Distrital d o IV
Distri-to Sanitário, 800 mil mo rad o res).
Embo ra o s Co nselho s rep resentem um
anseio d e uma p arte da so cied ad e civil, co
n-sid ero im p o rtante re c o nhe c e r q u e muito s
d eles fo ram criad o s a partir da iniciativa d as
pró prias Câmaras d e Veread o res a fim d e
garantir o rep asse d as v erbas q ue v êm d o
Governo Federal. Nessa perspectiva, a
inicia-tiva partiu dos governos e não dos setores
organizados da sociedade civil.
A partir do argumento da autora de que
a p o sição d as auto rid ad es municip ais p o ssa
ser co nsid erad a c o m o d ecisiv a para a
parti-cip ação d o s usuário s no s CMS, lev anta-se a
questão se a p articip ação p o p ular não surge
justamente para se co ntrap o r àquelas auto
ri-d ari-d es q ue não se interessam pela participação
das classes po pulares no co ntro le público d o s
serviço s básico s. Se em d eterminad o s
municí-pio s tal incentivo p o d e ser visto co m o
vanta-g em para o s usuário s, a história das relaçõ es
d as classes p o p ulares c o m as auto rid ad es
municipais é em grand e parte justamente o
co ntrário ; isto é, em o p o sição ao autoritarismo
e arro gância d o s go v ernantes impo sitivo s.
Imp ressio na o fato d e q ue o Co nselho
Distrital acima citad o reúne quase 50 co
nse-lheiro s m ensalm ente, m as o nd e 9 0 % são
usuário s, e ap enas 8% são funcio nário s e 2%
são g esto res d e unid ad es. D ep end end o da
p o lítica da Secretaria Municipal d e Saúd e, a
falta d e quó rum na p arte d e qualquer um
d o s c o m p o nentes d o Co nselho p o d e
inviabi-lizar o caráter legítimo e legal d as d
elibera-ç õ es to mad as. Q u em mais tem a p erd er co m
esta ausência são o s usuário s, cuja
participa-ç ão no s CMS não p ressup õ e uma inserparticipa-ção
emp regatícia no Sistema Municipal d e Saúd e.
M esmo q uand o há quó rum, é
freqüen-te q ue as d eliberaçõ es to mad as não sejam
executad as p o r "falta d e v erba". Um impasse
que indica dois problemas: uma relação
viana das autoridades municipais com o que
foi deliberado, como também uma
indisposi-ção do Secretário de Saúde de abrir a
dis-cussão com o CMS sobre o orçamento de
saúde. (Aqui, não está se referindo ao
orça-mento participativo). Como observa Werner
(1994), o que deveria ser
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deliberativo,tor-nou-se reivindicativo.
A precariedade dos serviços de saúde
nas grand es metró p o les faz c o m q ue
freqüen-temente as d iscussõ es so bre o p ro blema d o
acesso m o no p o liz em quase to d o o tem p o d as
reuniõ es d o s CMS. Ded icar excessiv o temp o
à questão d e acesso faz c o m q ue o o lhar d o s
CMS esteja sistematicamente v o ltad o para a
catego ria demanda, co m referência ao s
usuá-rios q ue se ap resentam às unid ad es d e
saú-d e. A ssim, c o m o o bserv a V asco ncelo s ( 1997) ,
uma crescente p o p ulação , vítima d o d
esem-p reg o estrutural, e co nseq üentem ente d e
fa-mílias d esestruturad as, em não co nseg uind o
cheg ar às unid ad es d e saúd e, não se enq
ua-dra d entro da p ersp ectiv a d e d emand a.
A pesar d e to d as essas p o nd eraçõ es, q ue,
na realid ad e, v ão ap ro fund and o as d ificuld
a-d es já ap o ntaa-d as p o r So raya, é necessário
p erceber q ue o s grand es mo v imento s p o p
u-lares da d écad a d o s ano s 80 são uma
lem-brança d e q ue a p articip ação p o p ular em
saúd e já fo i e aind a p o d e ser viável.
O q ue talvez tenha q ue ser questio nad o ,
sem abrir m ão d o esp aç o d o s CMS, é a co
n-c ep ç ão d e democracia representativa.
Implan-tad o s a partir da Co nstituição d e 1988, o s
CMS são esp aço s d eliberativ o s legais e
legí-timo s q ue d ev em ser ap o iad o s p ela so cied
a-d e civil. Mas, ao m esm o tem p o , é p o ssív el
que as p ro p o stas d o s Co nselho s Municipais,
ao co ntrário d o q ue p retend iam o s auto res
da p ro p o sta na Co nstituinte d e 1988, têm
serv id o p ara "enc u rralar" o s m o v im ento s
p o p ulares num esp aç o único . A lentid ão em
agir d o s CMS e a sua g rand e d ep end ência
d o s Secretário s Municipais d e Saúd e e d o s
c o m p o n e n te s d o s p ro f issio nais d e saúd e
(g esto res e funcio nário s), juntamente co m o s
grav es p ro blemas d e saúd e q ue afligem a
p o p ulação brasileira, d ev em servir c o m o um
alerta para uma reto mad a d as exp eriências
da democracia direta.
A imp o rtância, mas tam bém a v
ulnerabi-lid ad e d o s CMS no Brasil, to rnam necessário s
o ap o io da so cied ad e civil d e caráter p o p
u-lar. Mas q uand o fo r necessário , o s p ro blemas
no c am p o d a saúd e d ev em ser enfrentad o s
também p ela p o p ulação o rganizad a nas ruas,
se manifestand o nas p o rtas d o s g abinetes das
auto rid ad es municip ais, c o m o também nas
po rtas d o s Centro s Municipais d e Saúd e e
d o s ho sp itais.
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R e f e rê n ci as b i b l i o g ráf i cas
VASCONCELOS, E.M. (1997) - Ed ucação Po pular
co mo Instrumento de Reo rientação das
Estraté-gias de Co ntro le das Do enças Infeccio sas e
Parasitárias. Tese de Do uto rad o , Faculdade de
Med icina - Univ ersid ad e Fed eral d e Minas
Gerais, Belo Ho rizo nte, mimeo .
WERNER, S.A. (1994) - Participação So cial em
Saú-d e: A Experiência Saú-d o Co nselho Municipal Saú-de
Saúd e em Niteró i. Dissertação de Mestrado ,
Esco la Nacional de Saúde Pública, FIOCRUZ ,