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Ciênc. saúde coletiva vol.3 número1

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Academic year: 2018

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Coment ári os a " Consel hos Muni ci pai s de Saúde:

A Possi bi l i dade dos Usuári os Part i ci parem e

os Det ermi nant es da Participação"

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V i c to r V i n c e n t V a l l a1

Inicialmente eu go staria d e cump

rimen-tar a auto ra so bre seu artigo acad em icam ente

d enso e p o liticamente realista. Dessa fo rma

fo g e d e uma d iscussão d e c o m o se go staria

que o s Co nselho s Municipais d e Saúd e (CMS)

fo ssem, e ap resenta um estud o d e c o m o são

d e fato . Go stei im ensam ente d o termo

utili-zad o para caracterizar

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

" a consolidação de

Canais Participatórios no Brasil, na área de

Saúde" : "Imp ro v áv el, mas p o ssív el".

Se, d e um lad o , tend o a co nco rd ar c o m

So raya q uand o ela co nsid era c o m o inco

m-pletas as avaliaçõ es da literatura internacio nal

so bre a viabilidade d o s CMS, d e o utro , p enso

que, mesmo assim, há mais a dizer so bre as

dificuldades enfrentad as p elo s Co nselho s.

Mi-nha relação co m o s CMS passa pela atividade

acad êmica d e p ensar a questão d e

participa-ção po pular e saúd e, co m o também d e o

rien-tar d issertaçõ es so bre exp eriências d e Co

nse-lho s; e, ao mesmo temp o , pela participação e

o bserv ação sistemática num grand e Co nselho

Distrital d e Saúd e da região metro po litana d o

Rio d e Janeiro (Co nselho Distrital d o IV

Distri-to Sanitário, 800 mil mo rad o res).

Embo ra o s Co nselho s rep resentem um

anseio d e uma p arte da so cied ad e civil, co

n-sid ero im p o rtante re c o nhe c e r q u e muito s

d eles fo ram criad o s a partir da iniciativa d as

pró prias Câmaras d e Veread o res a fim d e

garantir o rep asse d as v erbas q ue v êm d o

Governo Federal. Nessa perspectiva, a

inicia-tiva partiu dos governos e não dos setores

organizados da sociedade civil.

A partir do argumento da autora de que

a p o sição d as auto rid ad es municip ais p o ssa

ser co nsid erad a c o m o d ecisiv a para a

parti-cip ação d o s usuário s no s CMS, lev anta-se a

questão se a p articip ação p o p ular não surge

justamente para se co ntrap o r àquelas auto

ri-d ari-d es q ue não se interessam pela participação

das classes po pulares no co ntro le público d o s

serviço s básico s. Se em d eterminad o s

municí-pio s tal incentivo p o d e ser visto co m o

vanta-g em para o s usuário s, a história das relaçõ es

d as classes p o p ulares c o m as auto rid ad es

municipais é em grand e parte justamente o

co ntrário ; isto é, em o p o sição ao autoritarismo

e arro gância d o s go v ernantes impo sitivo s.

Imp ressio na o fato d e q ue o Co nselho

Distrital acima citad o reúne quase 50 co

nse-lheiro s m ensalm ente, m as o nd e 9 0 % são

usuário s, e ap enas 8% são funcio nário s e 2%

são g esto res d e unid ad es. D ep end end o da

p o lítica da Secretaria Municipal d e Saúd e, a

falta d e quó rum na p arte d e qualquer um

d o s c o m p o nentes d o Co nselho p o d e

inviabi-lizar o caráter legítimo e legal d as d

elibera-ç õ es to mad as. Q u em mais tem a p erd er co m

esta ausência são o s usuário s, cuja

participa-ç ão no s CMS não p ressup õ e uma inserparticipa-ção

emp regatícia no Sistema Municipal d e Saúd e.

M esmo q uand o há quó rum, é

freqüen-te q ue as d eliberaçõ es to mad as não sejam

executad as p o r "falta d e v erba". Um impasse

que indica dois problemas: uma relação

(2)

viana das autoridades municipais com o que

foi deliberado, como também uma

indisposi-ção do Secretário de Saúde de abrir a

dis-cussão com o CMS sobre o orçamento de

saúde. (Aqui, não está se referindo ao

orça-mento participativo). Como observa Werner

(1994), o que deveria ser

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deliberativo,

tor-nou-se reivindicativo.

A precariedade dos serviços de saúde

nas grand es metró p o les faz c o m q ue

freqüen-temente as d iscussõ es so bre o p ro blema d o

acesso m o no p o liz em quase to d o o tem p o d as

reuniõ es d o s CMS. Ded icar excessiv o temp o

à questão d e acesso faz c o m q ue o o lhar d o s

CMS esteja sistematicamente v o ltad o para a

catego ria demanda, co m referência ao s

usuá-rios q ue se ap resentam às unid ad es d e

saú-d e. A ssim, c o m o o bserv a V asco ncelo s ( 1997) ,

uma crescente p o p ulação , vítima d o d

esem-p reg o estrutural, e co nseq üentem ente d e

fa-mílias d esestruturad as, em não co nseg uind o

cheg ar às unid ad es d e saúd e, não se enq

ua-dra d entro da p ersp ectiv a d e d emand a.

A pesar d e to d as essas p o nd eraçõ es, q ue,

na realid ad e, v ão ap ro fund and o as d ificuld

a-d es já ap o ntaa-d as p o r So raya, é necessário

p erceber q ue o s grand es mo v imento s p o p

u-lares da d écad a d o s ano s 80 são uma

lem-brança d e q ue a p articip ação p o p ular em

saúd e já fo i e aind a p o d e ser viável.

O q ue talvez tenha q ue ser questio nad o ,

sem abrir m ão d o esp aç o d o s CMS, é a co

n-c ep ç ão d e democracia representativa.

Implan-tad o s a partir da Co nstituição d e 1988, o s

CMS são esp aço s d eliberativ o s legais e

legí-timo s q ue d ev em ser ap o iad o s p ela so cied

a-d e civil. Mas, ao m esm o tem p o , é p o ssív el

que as p ro p o stas d o s Co nselho s Municipais,

ao co ntrário d o q ue p retend iam o s auto res

da p ro p o sta na Co nstituinte d e 1988, têm

serv id o p ara "enc u rralar" o s m o v im ento s

p o p ulares num esp aç o único . A lentid ão em

agir d o s CMS e a sua g rand e d ep end ência

d o s Secretário s Municipais d e Saúd e e d o s

c o m p o n e n te s d o s p ro f issio nais d e saúd e

(g esto res e funcio nário s), juntamente co m o s

grav es p ro blemas d e saúd e q ue afligem a

p o p ulação brasileira, d ev em servir c o m o um

alerta para uma reto mad a d as exp eriências

da democracia direta.

A imp o rtância, mas tam bém a v

ulnerabi-lid ad e d o s CMS no Brasil, to rnam necessário s

o ap o io da so cied ad e civil d e caráter p o p

u-lar. Mas q uand o fo r necessário , o s p ro blemas

no c am p o d a saúd e d ev em ser enfrentad o s

também p ela p o p ulação o rganizad a nas ruas,

se manifestand o nas p o rtas d o s g abinetes das

auto rid ad es municip ais, c o m o também nas

po rtas d o s Centro s Municipais d e Saúd e e

d o s ho sp itais.

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R e f e rê n ci as b i b l i o g ráf i cas

VASCONCELOS, E.M. (1997) - Ed ucação Po pular

co mo Instrumento de Reo rientação das

Estraté-gias de Co ntro le das Do enças Infeccio sas e

Parasitárias. Tese de Do uto rad o , Faculdade de

Med icina - Univ ersid ad e Fed eral d e Minas

Gerais, Belo Ho rizo nte, mimeo .

WERNER, S.A. (1994) - Participação So cial em

Saú-d e: A Experiência Saú-d o Co nselho Municipal Saú-de

Saúd e em Niteró i. Dissertação de Mestrado ,

Esco la Nacional de Saúde Pública, FIOCRUZ ,

Referências

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