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Ciênc. saúde coletiva vol.3 número1

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Academic year: 2018

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Eqüidade e Saúde. Contribuições da Epidemiologia

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Organizado por Rita Barradas Barata, Maurício Lima Barreto,

Naomar de Almeida Filho e Renato Peixoto Veras. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ/ ABRASCO, 1997. 260 páginas (Série EpidemioLógica, 1)

Chester Luiz Galvão Cesar Departamento de Epidemiologia Faculdade de Saúde Pública - USP

A A sso ciação Brasileira d e Saú d e C o le tiv a -ABRASCO - lanço u o primei-ro númeprimei-ro de uma Série inti-tulada EpidemioLógica. É o primeiro de quatro vo lumes destinados a divulgar as co n-ferências e palestras d o III Co ngresso Brasileiro de Epi-d e m io lo g ia* realiz aEpi-d o em abril de 1995 em Salvador, Bahia, que teve co mo tema "A Epidemio lo gia na Busca da Eqüidade em Saúd e". Este primeiro v o lume, intitulado

Eqüidade e Saúde - Contri-buições da Epidemiologia, reúne artigos que discutem so b d iferentes enfo q ues o tema da eqüidade/ iniqüida-de em saúiniqüida-de, e foi organiza-do po r Rita Barradas Barata, M au ríc io Lima Barre to , Naomar de A lmeida Filho e Renato Peixo to Veras. O s d iv erso s tem as ab o rd ad o s foram agrupad o s em cinco conjuntos de artigos, de aco r-do, segund o o s editores, co m as suas afinidades temáticas:

* III C o n g r e s s o Brasi l e i ro , II Ib e r o A m e r i c a n o e I Lati n o A m e ri -c a n o d e Ep i d e m i o l o g i a.

- o primeiro reúne

tex-tos de Jaime Breilh, Saúl Franco Agudelo e Moisés

Goldbaum, que tratam da questão da eqüidade

e de sua abordagem pela Epidemiologia. A

ques-tão é enfocada tanto do ponto de vista do

desen-volvimento científico quanto em seus

aspec-tos políticos;

- o segundo - com tra-balho s d e Asa Cristina Lau rell, Ric hard

Wilkinso n e Neil Pearce - abo rda aspecto s pred o minantemente eco nô

-mico s das desigualdades em saúd e, situand o o mo mento atual de glo ba-lização e seus impacto s para a saúde, inclusive para a própria p ro d ução de co nhecimento s;

- o terceiro - fo rmad o por artigos de Pedro Luis C aste l l an o s, M arilisa Berti de A zeved o Barro s e Marco A kerman - dis-cute o s diferenciais d e mortalidade na p ersp

ec-tiva da iniqüidade social. Ou seja, traz

contribui-ções e reflexões que

to-mam por base estudos empíricos no âmbito de cidades ou países do continente americano.

- o quarto co njunto de artigo s ap resenta d o is texto s relativos à

transi-ção d emo g ráfica e epidemiológica, um d eles d e auto ria d e Mário F.

Giani Mo nteiro , e o o u-tro , d e A lberto To rres, Jo aq u im Pereira e Juan

Fernand ez ;

- e, finalmente, o quinto co njunto de artigos dis-cute as hetero geneidades de raça e gênero e suas implicaçõ es para a saú-d e, através saú-das análises d e Esteia M.G. de Pinho da Cunha, Elza Berquó e A nto nio A lberto Lo pes.

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Con-gresso de Epidemiologia de

1995, e o faz de uma forma

muito adequada, organizando

os diferentes artigos

relacio-nados à temática da

eqüidade/ iniqüidade em Saúde

-tema central do Congresso. A

própria forma da publicação

- livro, ao invés dos

tradicionais "Atradicionais de Congresso"

-torna a leitura mais atraente e

possibilita uma maior

divulga-ção do material elaborado. Em

segundo lugar, pela

atualida-de da discussão sobre atualida-

desi-gualdade em saúde que,

em-bora tenha sido objeto da

Epi-demiologia desde suas

ori-gens, tem sido retomada de

forma mais sistematizada nas

duas últimas décadas,

princi-palmente após a publicação do

documento "Inequalities in

Health", pelo governo

britâni-co, em 1980. A grande

produ-ção de literatura específica,

após a publicação do

docu-mento britânico, vem,

inclusi-ve, suscitando discussões

so-bre importantes questões

me-todológicas, algumas das

quais estão contidas nos

arti-gos publicados nesta

coletâ-nea. Os próprios

organizado-res da publicação alertam, na

Introdução, para algumas

des-sas questões, sobretudo as

re-lacionadas ao tratamento

teó-rico da desigualdade:

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Podemos identificar duas correntes de pensamento majoritárias no que se refere ao tratamento teóri-co da desigualdade no âmbito das investigações

epidemiológicas. Há uma parcela importante dessa produção na qual a desi-gualdade é enfocada atra-vés da teoria da estratifi-cação social, enquanto outra parcela adota a pers-pectiva da estrutura de

classes.

e, mais adiante:

Portanto, a adoção de modelo fundado na estra-tificação social ou de ou-tro baseado na estrutura de classes sociais não é in-diferente para mensura-ção e compreensão da desigualdade social em pesquisas epidemiológicas,

visto que ambas apresen-tam diferentes potenciali-dades de explicação da produção do processo

saú-de-doença no âmbito co-letivo.

Além das questões teóri-co-metodológicas observa-se, também, em alguns dos arti-gos que compõem a coletânea, a preocupação co m as propos-tas de "Busca da Eqüidade" e co m as possíveis "Contribui-çõ es da Epidemiologia". Nes-te sentido, a Prof.a Marilisa

Barros explicita em seu texto:

Quero defender, com es-tas considerações, a tese de que a Epidemiologia, ao identificar diferenças e " causas" das diferenças por ser inerente ao seu

campo de saber, de um

lado, carrega um poten-cial de contribuição para

a superação de desigual-dades e iniqüidesigual-dades em saúde - isto por

adotar-mos como pressuposto que o saber, o reconhecer ci-entífico, representa um

ele-mento na dinâmica de superação de circunstân-cias socialmente

indesejá-veis. E, por outro lado, em uma sociedade de iniqüi-dades sociais extremas

como a nossa, o campo

de investigação epidemiológico não consegue ficar alheio à força do social

que se manifesta no seu objeto de conhecimento ainda que pudesse

preten-dê-lo. As diferenças em ex-posições biológicas, quími-cas ou físiquími-cas estão, em

geral, relacionadas às di-ferenças sociais.

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gru-pos étnicos. No Brasil, a dis-ponibilidade de informa-ções sobre desigualdade em saúde é muito restrita. Não há uma tradição de coleta e divulgação de dados que permita a elaboração de análises consistentes. Esta ausência de informações ofi-ciais faz com que ganhem maior importância os estudos

que permitam avaliar, em nosso meio, os grandes dife-renciais de saúde existentes. Esta é outra contribuição do

livro

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Eqüidade e Saúde, pois traz alguns trabalhos que

ana-lisam a situação brasileira, no que diz respeito aos diferen-ciais de saúde, quer através da distribuição intra-urbana da mortalidade ou, ainda,

analisando saúde e raça.

Pela relevância do tema e pela qualidade dos textos, esta co letânea, editada pela A BRA SCO, é sem dúvida uma impo rtante fo nte de informa-ção e de reflexão para todos o s q u e se interessam p o r q u estõ es lig ad as à saúd e coletiva e/ ou àquelas referen-tes as desigualdades so ciais.

Referências

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