Saúde e Democracia: A Luta do CEBES zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
O rg aniz ad o p o r Sô nia Fleury
São Paulo : Lemo s Ed ito rial, 1997
324 p áginas
Paulo Marchio ri Buss
Esco la N acio nal d e Saúd e Pública, Fund ação O sw ald o Cruz
O livro Saúde e Democra-cia: A Luta do CEBES, o rgani-zad o p o r Sô nia Fleury, é um
destes d o cumento s raros que
d evemo s ler e reler, e
preser-var na estante para que as
futuras g eraçõ es d e pro fissio
-nais, estud io so s e o utro s
lei-tores co nheçam o que fo ram
o s so nho s e as realizaçõ es em
saúd e nas d écad as d e 70, 80 e
bo a parte da d écad a d e 90.
Reúne quinze texto s d e
vinte e dois auto res, o riund o s
das mais diferentes instituições
que estiv eram e co ntinuam
envolvidas co m a co nstrução
da saúd e pública e da d emo
-cracia em no sso país nas
últi-mas d écad as. Eles mesmo s,
co mo pesquisad o res e
ativis-tas, estiveram na linha de
fren-te da análise e das
proposi-ções relacionadas ao sistema
de saúde, suas vicissitudes,
virtudes e desafios. Como um
mergulho e um
quebra-cabe-ças, ao terminarmos a leitura
dos ensaios vemos
delinear-se, de diferentes pontos de
vista, os últimos 20 a 30 anos
na área da saúde no Brasil.
Como afirma a
organiza-dora na Intro d ução , " este não é um livro de memórias e nem sequer a história oficial do CEBES (...) e, sim, a reafirma-ção, na conjuntura atual de revitalização das ideologias e políticas conservadoras, não
apenas das bandeiras que fo-ram empunhadas durante
es-tes anos, mas também das con-quistas" .
O livro divide-se em
qua-tro seçõ es: saúd e co mo
para-digma; co nd içõ es de vida;
re-forma d o Estado e desafio s.
Na primeira, Sô nia Fleury e
Jairnilso n Paim analisam
res-p ectiv amente o res-paradigma
sa-nitário e o paradigma po lítico
da refo rma sanitária,
reafir-mand o linhas ensaísticas que
v êm praticand o ao lo ngo de
suas vidas acad êmicas. O
tex-to d e Maurício Barretex-to e co ls.
- co ntribuição isolada na
se-g und a seç ão - trabalha as
transfo rmaçõ es d o perfil epidemiológico d o s último s 20
ano s no Brasil, d estacand o as
existentes e indagando sobre
os principais determinantes
daquelas condições.
A terceira seção, sobre
reforma d o Estado , é a mais
p o v o ad a d e artig o s, talv ez
pela própria natureza
exube-rante da atuação política d o
CEBES, que centro u-se na
crí-tica a um Estado exclud ente e
elitizado, que marco u, em
úl-tima instância, a história
recente d o país. Eleutério Ro
-d rigues Neto relata to -d o o
lo ngo p ro cesso co nstituinte,
no qual foi um d o s ato res
mais ativos, mas também p ro
-p õ e uma agend a -para o s
tem-po s vindo uro s no que se
refe-re à luta política em termo s
de Co ngresso Nacio nal. Po r
sua vez, A ntô nio Ivo d e
Car-valho privilegia a análise d o s
C o nselho s d e Saúd e, p o is
co nsidera quezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA " um dos feitos mais notáveis da reforma
sa-nitária no Brasil foi a institu-cionalização, no interior do aparelho estatal, de um formi-dável sistema nacional de ór-gãos colegiados, dotados de
um conjunto razoável de poderes legais" .
A co ntribuição da saúd e
co letiv a à o rg aniz ação d as
práticas d e saúd e no SUS,
so bretud o ao nível d o s
muni-cípio s, é o texto d e Gastão
Campo s, que reflete d o s
luga-res de pesquisad o r e gesto r
que intercalou ao lo ngo d e sua
vida até aqui. Co m quatro
"ev id ências", d iscute ele a
po breza das práticas vis-à-vis
ao que o auto r d eno mina d e
o nipo tência discursiva da
saú-de coletiva, embora também
critique a simplificação do
processo
saúde-enfermidade-atenção no próprio discurso
da saúde coletiva. Emerson
Merhy discute no seu artigo a
gestão e as lógicas do
proces-so de trabalho em saúde,
en-quanto Pedro Barbosa
debru-ça-se sobre a gestão dos
hos-pitais, indicando-os como
re-ferência para inovações em
todo o sistema de saúde.
A refo rm a p siq uiátrica
brasileira, seus c o nc eito s e
estratégias, p ercurso s e ato
-res é o tema d o artigo d e
Paulo A marante, q ue p erco
rre o s último s 20 ano s d o m o
-v imento da refo rma p
siquiá-trica brasileira, c o tejand o - o
co m o p ro cesso italiano, o nd e
aquela tev e insp iração id eo
-ló g ic a e b ase s téc nic as e
co nceituais. Sueli Dallari e
Paulo A nto nio Fo rtes d
iscu-tem o direito sanitário c o m o
i n o v aç ão te ó ri c a e n o v o
cam p o d e trabalho na área
d a saú d e , d isc u tind o sua
co nstrução , co nceito s e ev o
-lução , bem co m o o ensino , a
pesquisa e a prática vigentes.
A seç ão intitulada
"Desa-fio s" abre co m um balanço
d a relaç ão b io ló g ic o - so c ial
na p ro d ução teó rica e na
prá-tica po líprá-tica, q ue é o o bjeto
d o curto e instigante artigo
d e Ricard o Lafetá, cujo s
en-saio s neste cam p o , aliás, têm
trazid o , ao lo ng o d o s último s
ano s, uma co ntribuição co
n-sistente ao d ebate da saúd e
co letiv a. Já Ro land Schramm
analisa a trajetória da bio ética
no último quarto de século,
apontando para a passagem
de uma fase pioneira
priva-da para uma fase pública,
que corresponderia " ao mo-mento de aceitação da perti-nência teórica para a abor-dagem de conflitos morais e à sua consolidação discipli-nar" .
Lenir Santo s d ebate as
questõ es relacio nad as co m o
p o d er reg ulad o r d o Estad o
so bre as açõ es e o s serviço s
d e saúd e, p ro d uz ind o uma
análise m inud ente so bre a
ampla legislação so bre saúd e
d ispo nível em diversos texto s
d e diferentes auto res. Os dois
últimos artigos referem-se,
res-p ectiv amente, a uma análise
d o s estud o s mais rec entes
so bre recurso s humano s em
saúd e no Brasil e a
necessi-d anecessi-d e necessi-de uma no va agennecessi-d a necessi-d e
estud o s so bre o tema (Lilia
Schraiber e Maria Helena
Ma-chad o ); e à necessid ad e de um
no v o pad rão d e intervenção
estatal na p ro d ução
farmacêu-tica e d e imuno bio ló gico s no
Brasil (Carlos Gad elha e Jo sé
G. Tem p o rão ).
Co mo se v ê, além de uma
revisão so bre as políticas de
saúd e nas últimas d écad as e,
d entro d elas, a atuação da
entidade, o livro Saúde e De-mocracia quer e co nseg ue, mais uma v ez, pela qualidade
d o s seus artigo s, co lo car o
CEBES e o s seus auto res na
vanguarda d o s d ebates que se
fazem necessário s nesta co
n-fusa co njuntura d e final de