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Ciênc. saúde coletiva vol.3 número1

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Academic year: 2018

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Saúde e Democracia: A Luta do CEBES zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

O rg aniz ad o p o r Sô nia Fleury

São Paulo : Lemo s Ed ito rial, 1997

324 p áginas

Paulo Marchio ri Buss

Esco la N acio nal d e Saúd e Pública, Fund ação O sw ald o Cruz

O livro Saúde e Democra-cia: A Luta do CEBES, o rgani-zad o p o r Sô nia Fleury, é um

destes d o cumento s raros que

d evemo s ler e reler, e

preser-var na estante para que as

futuras g eraçõ es d e pro fissio

-nais, estud io so s e o utro s

lei-tores co nheçam o que fo ram

o s so nho s e as realizaçõ es em

saúd e nas d écad as d e 70, 80 e

bo a parte da d écad a d e 90.

Reúne quinze texto s d e

vinte e dois auto res, o riund o s

das mais diferentes instituições

que estiv eram e co ntinuam

envolvidas co m a co nstrução

da saúd e pública e da d emo

-cracia em no sso país nas

últi-mas d écad as. Eles mesmo s,

co mo pesquisad o res e

ativis-tas, estiveram na linha de

fren-te da análise e das

proposi-ções relacionadas ao sistema

de saúde, suas vicissitudes,

virtudes e desafios. Como um

mergulho e um

quebra-cabe-ças, ao terminarmos a leitura

dos ensaios vemos

delinear-se, de diferentes pontos de

vista, os últimos 20 a 30 anos

na área da saúde no Brasil.

Como afirma a

organiza-dora na Intro d ução , " este não é um livro de memórias e nem sequer a história oficial do CEBES (...) e, sim, a reafirma-ção, na conjuntura atual de revitalização das ideologias e políticas conservadoras, não

apenas das bandeiras que fo-ram empunhadas durante

es-tes anos, mas também das con-quistas" .

O livro divide-se em

qua-tro seçõ es: saúd e co mo

para-digma; co nd içõ es de vida;

re-forma d o Estado e desafio s.

Na primeira, Sô nia Fleury e

Jairnilso n Paim analisam

res-p ectiv amente o res-paradigma

sa-nitário e o paradigma po lítico

da refo rma sanitária,

reafir-mand o linhas ensaísticas que

v êm praticand o ao lo ngo de

suas vidas acad êmicas. O

tex-to d e Maurício Barretex-to e co ls.

- co ntribuição isolada na

se-g und a seç ão - trabalha as

transfo rmaçõ es d o perfil epidemiológico d o s último s 20

ano s no Brasil, d estacand o as

(2)

existentes e indagando sobre

os principais determinantes

daquelas condições.

A terceira seção, sobre

reforma d o Estado , é a mais

p o v o ad a d e artig o s, talv ez

pela própria natureza

exube-rante da atuação política d o

CEBES, que centro u-se na

crí-tica a um Estado exclud ente e

elitizado, que marco u, em

úl-tima instância, a história

recente d o país. Eleutério Ro

-d rigues Neto relata to -d o o

lo ngo p ro cesso co nstituinte,

no qual foi um d o s ato res

mais ativos, mas também p ro

-p õ e uma agend a -para o s

tem-po s vindo uro s no que se

refe-re à luta política em termo s

de Co ngresso Nacio nal. Po r

sua vez, A ntô nio Ivo d e

Car-valho privilegia a análise d o s

C o nselho s d e Saúd e, p o is

co nsidera quezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA " um dos feitos mais notáveis da reforma

sa-nitária no Brasil foi a institu-cionalização, no interior do aparelho estatal, de um formi-dável sistema nacional de ór-gãos colegiados, dotados de

um conjunto razoável de poderes legais" .

A co ntribuição da saúd e

co letiv a à o rg aniz ação d as

práticas d e saúd e no SUS,

so bretud o ao nível d o s

muni-cípio s, é o texto d e Gastão

Campo s, que reflete d o s

luga-res de pesquisad o r e gesto r

que intercalou ao lo ngo d e sua

vida até aqui. Co m quatro

"ev id ências", d iscute ele a

po breza das práticas vis-à-vis

ao que o auto r d eno mina d e

o nipo tência discursiva da

saú-de coletiva, embora também

critique a simplificação do

processo

saúde-enfermidade-atenção no próprio discurso

da saúde coletiva. Emerson

Merhy discute no seu artigo a

gestão e as lógicas do

proces-so de trabalho em saúde,

en-quanto Pedro Barbosa

debru-ça-se sobre a gestão dos

hos-pitais, indicando-os como

re-ferência para inovações em

todo o sistema de saúde.

A refo rm a p siq uiátrica

brasileira, seus c o nc eito s e

estratégias, p ercurso s e ato

-res é o tema d o artigo d e

Paulo A marante, q ue p erco

rre o s último s 20 ano s d o m o

-v imento da refo rma p

siquiá-trica brasileira, c o tejand o - o

co m o p ro cesso italiano, o nd e

aquela tev e insp iração id eo

-ló g ic a e b ase s téc nic as e

co nceituais. Sueli Dallari e

Paulo A nto nio Fo rtes d

iscu-tem o direito sanitário c o m o

i n o v aç ão te ó ri c a e n o v o

cam p o d e trabalho na área

d a saú d e , d isc u tind o sua

co nstrução , co nceito s e ev o

-lução , bem co m o o ensino , a

pesquisa e a prática vigentes.

A seç ão intitulada

"Desa-fio s" abre co m um balanço

d a relaç ão b io ló g ic o - so c ial

na p ro d ução teó rica e na

prá-tica po líprá-tica, q ue é o o bjeto

d o curto e instigante artigo

d e Ricard o Lafetá, cujo s

en-saio s neste cam p o , aliás, têm

trazid o , ao lo ng o d o s último s

ano s, uma co ntribuição co

n-sistente ao d ebate da saúd e

co letiv a. Já Ro land Schramm

analisa a trajetória da bio ética

no último quarto de século,

apontando para a passagem

de uma fase pioneira

priva-da para uma fase pública,

que corresponderia " ao mo-mento de aceitação da perti-nência teórica para a abor-dagem de conflitos morais e à sua consolidação discipli-nar" .

Lenir Santo s d ebate as

questõ es relacio nad as co m o

p o d er reg ulad o r d o Estad o

so bre as açõ es e o s serviço s

d e saúd e, p ro d uz ind o uma

análise m inud ente so bre a

ampla legislação so bre saúd e

d ispo nível em diversos texto s

d e diferentes auto res. Os dois

últimos artigos referem-se,

res-p ectiv amente, a uma análise

d o s estud o s mais rec entes

so bre recurso s humano s em

saúd e no Brasil e a

necessi-d anecessi-d e necessi-de uma no va agennecessi-d a necessi-d e

estud o s so bre o tema (Lilia

Schraiber e Maria Helena

Ma-chad o ); e à necessid ad e de um

no v o pad rão d e intervenção

estatal na p ro d ução

farmacêu-tica e d e imuno bio ló gico s no

Brasil (Carlos Gad elha e Jo sé

G. Tem p o rão ).

Co mo se v ê, além de uma

revisão so bre as políticas de

saúd e nas últimas d écad as e,

d entro d elas, a atuação da

entidade, o livro Saúde e De-mocracia quer e co nseg ue, mais uma v ez, pela qualidade

d o s seus artigo s, co lo car o

CEBES e o s seus auto res na

vanguarda d o s d ebates que se

fazem necessário s nesta co

n-fusa co njuntura d e final de

Referências

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