Relatório Final
ESTÁGIO
PROFISSIONALIZANTE
Dora Isabel Fonseca de Sousa
2013429
Mestrado Integrado em Medicina
NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
Universidade NOVA de Lisboa
Ano Lectivo 2018/2019
Dora Isabel Fonseca de Sousa
ÍNDICE
1. Introdução……….4
2. Objectivos………..4
3. Actividades Desenvolvidas……….5
Estágio Parcelar de Saúde Mental………..5
Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar………6
Estágio Parcelar de Pediatria………..6
Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia……….7
Estágio Parcelar de Cirurgia……….7
Estágio Parcelar de Medicina……….8
Estágio Opcional de Pediatria……….8
Formação Extra-Curricular………..9
4. Reflexão Crítica………..9
5. Anexos………..12
Anexo I – Certificado do Curso TEAM……….12
Anexo II – Certificado XIV Hospital da Bonecada………13
Anexo III – Certificado Saúde Porta a Porta………13
Anexo IV – Certificado Missão País………..14
Anexo V – Certificado CEMEF Neurologia………15
Anexo VI – Certificado CEMEF Oftalmologia……….16
Anexo VII – Certificado iMed Conference 8.0 Crew………17
Anexo VIII – Certificado iMed Conference 9.0 Crew……….18
Anexo IX – Certificado iMed Conference 10.0 workshop Cardiothoracic Surgery………19
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GLOSSÁRIO
AEFCM – Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas AVC – Acidente Vascular Cerebral
CE – Consulta Externa
CEMEF – Curto Estágio Médico em Férias
CHULC – Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central EO – Exame Objectivo
GO – Ginecologia e Obstetrícia HDE – Hospital Dona Estefânia
HSAC – Hospital de Santo António dos Capuchos MGF – Medicina Geral e Familiar
MIM – Mestrado Integrado em Medicina
NMS | FCM – NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas PNA – Prova Nacional de Acesso
SU – Serviço de Urgência UC – Unidade Curricular
UCIP – Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos UNL – Universidade NOVA de Lisboa
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1. INTRODUÇÃO
O Estágio Profissionalizante é parte do plano curricular do sexto e último ano do MIM da NMS | FCM da UNL. Trata-se de uma UC constituída por seis Estágios Parcelares – quatro com a duração de quatro semanas (Saúde Mental, MGF, Pediatria e GO) e dois com a duração de oito semanas (Cirurgia e Medicina) que decorreram no período compreendido entre 10 de Setembro de 2018 e 17 de Maio de 2019. Para além desta, o sexto ano compreende ainda a UC de Preparação para a Prática Clínica, bem como a UC Opcional na qual optei pela realização de um Estágio Opcional em Pediatria com duração de duas semanas (de 20 a 31 de Maio de 2019).
O presente relatório encontra-se estruturado de forma a salientar os Objectivos que propus para o meu sexto ano e descrever as Actividades Desenvolvidas ao longo do mesmo ou que tenham sido realizadas durante o MIM mas que considero com impacto a nível global, seguindo-se uma Reflexão Crítica que visa explicitar a avaliação do cumprimento dos objectivos propostos inicialmente. No fim, encontram-se os
Anexos.
2. OBJECTIVOS
Sendo o sexto ano do MIM de carácter profissionalizante, o objectivo principal é tornar o jovem médico recém-formado apto para acompanhar cada doente em toda a marcha diagnóstica e terapêutica. Para definir as metas para este ano consultei as UC correspondentes a cada Estágio Parcelar bem como me inspirei em alguns pontos do documento “O Licenciado Médico em Portugal”1.
Assim, no âmbito de competências clínicas, pretendi adquirir confiança para, através do domínio completo da colheita de anamnese e realização do EO ser, em primeiro lugar, capaz de distinguir o que é ou não patológico, e estabelecer gravidade; Depois, ser capaz de requisitar e dar uso aos meios complementares para o diagnóstico definitivo de forma racional e ponderada, evitando gastos desnecessários e ganhando tempo na marcha diagnóstica; Por último, adquirir mais conhecimentos sobre prescrição ou ajuste terapêutico, especialmente das patologias mais prevalentes e classes farmacológicas mais prescritas.
No âmbito de competências interpessoais, não descurar a componente da relação médico-doente sendo capaz de interpretar queixas e sintomas no contexto em que cada um está envolvido e, desse modo, adquirir competências de comunicação eficaz tanto com o doente como com os familiares, na transmissão de boas ou más notícias. Para além disso, aperfeiçoar técnicas de comunicação entre profissionais, da mesma ou de outra área.
1. Victorino RM et al.; O Licenciado Médico em Portugal – Core Graduates Learning Outcomes Project; Coord. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2005
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No âmbito do desenvolvimento pessoal, agir de forma a incutir em mim responsabilidade e ser proactiva, adquirindo competências básicas do funcionamento de certas técnicas que qualquer médico deve ser capaz de fazer. Desenvolver e investir no meu interesse pelas áreas que mais aprecio de modo a orientar o meu futuro para a escolha da especialidade, tal como fiz ao longo do curso. Do mesmo modo, ser capaz de reconhecer as minhas dificuldades e colocar dúvidas de forma oportuna que possam também ser úteis para o presente e futuro. Um dos meus objectivos foi o de privilegiar o tempo passado no hospital transformando-o em temptransformando-o útil de aprendizagem, tanttransformando-o através da ctransformando-omptransformando-onente prática ctransformando-omtransformando-o da ctransformando-omptransformando-onente transformando-observacitransformando-onal e, deste modo, extrair o máximo de contacto com a prática clínica, não só a partir da tarefa médica de raciocínio individual, mas também através do trabalho de equipa intra e inter-hospitalar. Comprometi-me, desde o início do ano, a organizar e gerir o meu tempo dentro e fora do hospital e, neste último, a saber distribuí-lo de forma estruturada ao estudo para a PNA, não descurando o lazer.
Escolhi criteriosamente a ordem pela qual realizei cada estágio parcelar de forma a que o meu percurso fosse um acrescento sucessivo de competências. Relativamente à Saúde Mental, coloquei como objectivo principal contactar com a Pedopsiquiatria, ser capaz de reconhecer e saber abordar e referenciar patologia psiquiátrica em idade pediátrica, especialmente a de maior prevalência. Em MGF, procurei adquirir autonomia tutelada na observação completa do doente e estratificar gravidade, sendo capaz de reconhecer ausência de patologia, tendo sempre em consideração a abordagem do doente como um todo. Na Pediatria, o principal objectivo foi o de contactar e aperfeiçoar a abordagem à criança e adolescente, identificando principais patologias consoante a faixa etária, principalmente em contexto do SU, bem como fomentar a comunicação com os pais ou cuidadores. Em relação à GO procurei dominar o exame ginecológico e identificar situações urgentes com necessidade de referenciação. No estágio de Cirurgia ser capaz de realizar procedimentos da Pequena Cirurgia e reconhecer quadros com necessidade de intervenção cirúrgica urgente. De forma a culminar no estágio de Medicina, os objectivos que tracei foram de frequentar o SU direccionando o EO, e ter autonomia parcial em contexto de internamento, tanto na observação dos doentes como na participação nas visitas médicas.
3. ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL
(Regente: Prof. Doutor Miguel Talina)O estágio de Saúde Mental teve lugar na Clínica da Encarnação do HDE – CHULC no período de 10 de Setembro a 04 de Outubro de 2018, tutorado pelo Dr. Juan Sanchez. Partiu de mim a escolha desta área uma vez que realizei o estágio do quinto ano do MIM na Psiquiatria de Adultos em contexto de SU, tendo tido nesta fase muito contacto com descompensações agudas. Na maioria do tempo, participei apenas como observadora no âmbito da CE de Pedopsiquiatria, na qual contactei com crianças e adolescentes com idades
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compreendidas entre os 7 e 18 anos e cuja Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção foi o principal diagnóstico observado. No fim de cada consulta, participei sempre na discussão e interpretação dos desenhos das crianças, contextualizados em cada caso, com o Dr. Juan. É ainda de salientar a componente teórica constituída por duas manhãs de aulas no início do estágio com enfoque na temática “Estigma da Doença Mental” e discussão de “Casos Clínicos em Psiquiatria”, bem como aulas e sessões clínicas a que pude assistir no HDE.
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR
(Regente: Prof. Doutora Isabel dos Santos)O estágio de MGF teve lugar na USF São João Evangelista dos Lóios no período de 08 de Outubro a 02 de Novembro de 2018, tutorado pela Drª. Ana Maria Cavaleiro. Inicialmente, através da observação de consulta e, posteriormente, através da realização de EO dirigido às principais queixas dos doentes, relembrei e consolidei alguns conhecimentos teóricos. Contactei com doentes de praticamente todas as idades incluindo os extremos da faixa etária, de ambos os géneros, nas consultas de Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar, Saúde de Adultos e Consulta Aberta. Na Saúde de Adultos realço uma maior prevalência de patologias como hipertensão, diabetes mellitus tipo 2, dislipidémia, patologia osteoarticular e patologia infecciosa viral aguda. Assisti também à emissão de Certificado de Incapacidade Temporária para o Trabalho relacionada, na maior parte das vezes, com patologia psiquiátrica ou situações de pós-operatório. Através de autonomia crescente, atingi o patamar de, a par com uma Interna de Formação Geral, dar algumas consultas no gabinete contíguo ao da minha tutora. Realizei uma visita domiciliária médica e domicílios de enfermagem para realização de pensos e admnistração da vacina da gripe.
ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA
(Regente: Prof. Doutor Luís Varandas)O estágio de Pediatria teve lugar no HDE – CHULC no período de 05 a 30 de Novembro de 2018, tutorado pela Drª. Raquel Ferreira. Decorreu na UCIP na qual todas as manhãs presenciei a visita médica com passagem dos doentes entrados e intercorrências dos doentes internados, e distribuição dos mesmos. Acompanhei diariamente a minha tutora ou outro médico disponível na observação das crianças com idades entre os 4 e os 17 anos, tratando-se de situações de gravidade e instabilidade clínicas em contexto de disfunção orgânica, choque séptico, patologia rara ou pós-operatório por neoplasia ou malformação congénita. Observei a realização de exame neurológico completo pela Neurologia Pediátrica. Realizei diários clínicos e presenciei a realização de técnicas como entubação orotraqueal, hemodiafiltração, remoção de drenos, colocação de pensos e manobras de reanimação cardio-pulmonar, uma delas culminando na morte de uma criança de 8 anos. Participei ainda no workshop de Urgências Pediátricas. Na vertente da Imunoalergologia, assisti a uma aula sobre “Anafilaxia” e à realização de testes cutâneos por picada. Realizei
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uma história clínica sobre meningite e participei na apresentação dos seminários com um trabalho de grupo sobre “Miopatias Inflamatórias Idiopáticas Juvenis”.
ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
(Regente: Prof. Doutora Teresinha Simões)O estágio de GO teve lugar no Hospital de Vila Franca de Xira no período de 03 de Dezembro de 2018 a 11 de Janeiro de 2019. Na área da Ginecologia, sob tutela da Drª. Lucinda Mata, presenciei a consulta de patologia do colo na qual observei as consultas de seguimento de mulheres dos 23 aos 75 anos de idade com alterações na citologia cervical, tendo sido possível a revisão do tema cancro do colo do útero bem como a realização de citologias e colposcopias sob supervisão. Observei a realização de uma histerossalpingografia e no, bloco operatório, assisti a uma histerectomia por via vaginal com correção de cistocelo e pude ainda participar como 2ª ajudante numa laqueação tubária bilateral por via laparoscópica. Na área da Obstetrícia, sob tutela da Drª. Mariana Panaro, assisti a inúmeras consultas de vigilância de grávidas com idade gestacional avançada, com o objectivo de programação do parto, e consultas de Alto Risco de seguimento de grávidas com patologia concomitante. Assisti à realização de ecografias obstétricas do 2º e 3º trimestres. Em contexto de internamento pude participar de forma ligeiramente mais autónoma na vigilância das puérparas no dia após o parto. Semanalmente, pude estar presente no SU no qual pude realizar história clínica dirigida e interpretação de registos de cardiotocografia, ecografias ou outros meios complementares de diagnóstico. No bloco de partos, assisti a cinco partos de termo eutócicos realizados pelas enfermeiras parteiras e três partos de termos distócicos, dois deles via cesariana e um por ventosa. No final do estágio apresentei um trabalho de grupo sobre o tema “ERAS – Enhanced Recovery After Surgery”.
ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA
(Regente: Prof. Doutor Rui Maio)O estágio de Cirurgia teve lugar no Hospital Beatriz Ângelo no período de 21 de Janeiro a 15 de Março de 2019, tutorado pelo Dr. Francesco Della Nave. Deste estágio fez parte uma semana inicial de aulas teóricas na qual se engloba o curso TEAM (“Trauma Evaluation And Manegement”) (Anexo I), quatro de Cirurgia Geral, duas de rotação opcional e uma de SU, perfazendo as oito semanas. No bloco operatório observei métodos de desinfecção e assepsia e comportamentos a adotar no mesmo, observei várias técnicas cirúrgicas compreendendo um total de onze cirurgias. Acompanhei o trabalho realizado no internamento no qual contactei com diversos doentes em regime de pós-operatório onde se prima a vigilância de infeção localizada da ferida cirúrgica ou generalizada, a progressão do doente na dieta e o retomar da motilidade intestinal. Na vertente da CE observei situações de pós-operatório ou referenciações de outras especialidades, na maior parte das vezes hérnias inguinais. Aqui realizei EO abdominal de forma autónoma, tendo-me sido permitido aperfeiçoar a minha técnica, e frequentei a sala de tratamento de enfermagem, tendo a possibilidade de observar a realização de pensos. A rotação opcional foi realizada no serviço de Gastrenterologia, alternando
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entre a CE e o Hospital de Dia no qual me foi permitida a observação de diversas endoscopias digestivas altas, colonoscopias, ecoendoscopias, uma colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e uma dilatação esofágica por balão. Na permanência no SU contactei principalmente com patologia médica. Destaco o Mini – Congresso, no qual cada grupo de alunos apresentou um caso clínico observado durante o estágio acompanhado de revisão bibliográfica do mesmo. No meu caso, expus com o meu grupo um quadro de oclusão intestinal intitulado “Two is Company, Three is a Crowd”.
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA
(Regente: Prof. Doutor Fernando Nolasco)O estágio de Medicina teve lugar no HSAC – CHULC na enfermaria das mulheres do Serviço de Medicina 2.3. no período de 18 de Março a 17 de Maio de 2019, tutorado pela Drª. Cristina Poole da Costa. A distribuição das doentes pelos médicos da equipa e pelos alunos do sexto ano permitiu-me ter diariamente pelo menos uma doente a cargo à qual realizei o EO, redação do diário clínico, verificação da necessidade de meios complementares de diagnóstico e ajuste terapêutico, sempre discutido com a assistente ou outro médico da equipa. Saliento a constante necessidade de comunicação com a equipa de enfermagem, Medicina Física e Reabilitação e ainda com o secretariado do serviço. Foi-me permitido executar vários procedimentos médicos, como gasimetrias arteriais e punções venosas, encaminhando as amostras para o laboratório, e posterior análise e discussão dos resultados. Tive ainda oportunidade de assistir à realização de colocação ecoguiada de um cateter venoso central jugular e de um subclávio bem como a realização de uma punção lombar e de uma toracocentese. Acompanhei ainda doentes à Radiologia por diversas vezes para realização de exames de imagem. Em contexto de SU no Hospital de São José, contactei com patologia aguda ou agudização de doença crónica subjacente. Assisti a duas Vias Verdes de AVC, sendo que numa delas presenciei a correção de disseção da artéria carótida interna com colocação de stent, na sala de Neurorradiologia. Pude ainda acompanhar o transporte de um doente à Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Curry Cabral por se encontrar em choque séptico no contexto de Síndrome de Choque Tóxico. Apresentei ainda um trabalho sobre “Distúrbios do Equilíbrio Hidro-Eletrolítico”.
ESTÁGIO OPCIONAL DE PEDIATRIA
O estágio opcional de Pediatria teve lugar no Hospital de Pedro Hispano, pertencente à Unidade Local de Saúde de Matosinhos, no período de 20 a 31 de Maio de 2019, tutorado pelo Dr. Marco Pereira. Optei por este estágio porque, para além de ser uma área de interesse, realizei o estágio parcelar de Pediatria na UCIP que não me permitiu contactar com a realidade mais comum desta especialidade. Durante a primeira semana estive sobretudo no internamento e na CE de Gastrenterologia, nomeadamente em consultas de encoprese. Na segunda semana estagiei no internamento e CE de Neonatologia e, no berçário, pude realizar EO e redação de diários de recém-nascidos.
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FORMAÇÃO EXTRA-CURRICULAR
Considero que existiram actividades que marcaram o meu trajecto ao longo do curso, nomeadamente a participação no projecto XIV Hospital da Bonecada (Anexo II) em 2015 e no projecto Saúde Porta a Porta (Anexo III) durante o ano lectivo 2015/2016, ambos organizados pela AEFCM. Participei no projecto Missão País (Anexo IV) em 2016. Durante três anos consecutivos realizei estágios durante as férias de Verão – PECLICUF na especialidade de GO em 2016, CEMEF em Neurologia (Anexo V) em 2017 e, na área de Oftalmologia (Anexo VI) em 2018. Pude trabalhar ainda como membro da Crew das edições 8.0 e 9.0 do
iMed Conference (Anexos VII e VIII), em 2016 e 2017, respectivamente.
Para além dos estágios hospitalares, pude participar no presente ano lectivo no iMed Conference 10.0, nomeadamente nos workshops Cardiothoracic Surgery (Anexo IX), uma área que sempre me fascinou, e Digital Auscultation (Anexo X), que escolhi por considerar uma possível ferramente útil na abordagem do doente.
4. REFLEXÃO CRÍTICA
Concluido o Estágio Profissionalizante, é tempo de reflectir acerca dos objectivos que para mim propus e que, de uma forma global e bastante satisfatória, considero terem sido cumpridos.
No que diz respeito às competências clínicas, considero os estágios de Saúde Mental e MGF à altura das minhas expectativas e daquilo que me propus a realizar nos mesmos. Saliento, logo no início do ano, a participação no workshop Digital Auscultation no iMed Conference 10.0, que me permitiu rever conceitos relativamente à componente auscultatória cardíaca e pulmonar, na qual sentia dificuldade. Em relação à Pediatria, devido à instabilidade clínica dos doentes da UCIP, não foi possível participar e crescer da forma que gostaria através do contacto directo e observação das principais patologias, especialmente em contexto de SU. No entanto, tive a oportunidade de assistir a diversas técnicas invasivas, patologia rara e grave que de outra forma não teria oportunidade de contactar. Pude, contudo, com a realização do Estágio Opcional em Pediatria, contactar com algumas das patologias mais frequentes nesta especialidade, tendo como complemento a actividade na Neonatologia. Na GO, saliento como pontos positivos a visualização de partos, a passagem pelo puerpério e o elevado tempo de permanência no SU, embora considere que não tive a oportunidade de desenvolver a técnica do exame ginecológico como inicialmente planeei. Em relação à Cirurgia, saliento o facto de que, no SU, os casos a que pude assistir não se tratarem de patologia verdadeiramente cirúrgica, especialmente na Pequena Cirurgia. Pude aperfeiçoar a realização do EO abdominal, contactar com patologias mais frequentes, sendo também de salientar a relevância do curso
TEAM, que considerei muito útil e interactivo, estimulando o raciocínio clínico. Destaco o benefício da
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O estágio de Medicina superou as minhas expectativas no que concerne especialmente a competências clínicas, as quais desenvolvi diariamente na enfermaria e praticamente semanalmente no SU. De forma transversal a todos os estágios considero que possuo ainda algumas lacunas no que diz respeito à prescrição terapêutica, algo que considero que com mais prática no futuro poderei colmatar.
Em relação ao desenvolvimento de competências interpessoais, saliento o estágio de Saúde Mental um excelente exemplo de como o contexto de determinado doente influencia o seu quadro clínico, tendo-me sido permitido constatar que, a maior parte das crianças tinham sido vítimas de bullying, história familiar de patologia psiquiátrica, pais divorciados, más condições sócio-económicas, pais com dependências, residência com poucas condições ou em bairros problemáticos ou até mesmo exposição a situações traumáticas nos primeiros 2 anos de vida. Também em MGF, ao acompanhar visitas domiciliárias, pude constatar as condições precárias em que alguns doentes habitam. Fiquei, deste modo, alerta para o facto de que, por trás de cada doença, não se encontra apenas a base orgânica da mesma, mas sim uma pessoa envolta no seu contexto pessoal, familiar e socioeconómico, tendo o médico que procurar ajustar-se a esse mesmo contexto. Acrescento ainda que, embora numa fase precoce do meu percurso académico, a participação no projecto Saúde Porta a Porta me fez crescer na forma de lidar com doentes mais idosos que são, afinal, os que representam a população com a qual os jovens médicos maioritariamente irão lidar. Em relação à comunicação saliento mais uma vez o estágio de Medicina no qual, ao ter doentes a meu cargo, ainda que tutelado, tive necessidade de fornecer informações clínicas às próprias doentes e aos seus familiares e assistir às suas reações, tentando sempre dar o devido valor às suas preocupações e expectativas. Para além disso, pude desenvolver capacidade de comunicação dentro e fora da minha equipa. Sem prever, no estágio de Pediatria pude assistir à transmissão de más notícias aos pais das crianças para além de presenciar a morte de uma criança, algo para o qual não estava preparada.
Considero que foi ao nível do desenvolvimento pessoal que mais cresci no sexto ano, abarcando também trabalho de anos anteriores, dos quais posso salientar desde cedo o contacto com crianças ainda fora do ambiente hospitalar, nomeadamente no XIV Hospital da Bonecada. Para além disso, nos anos clínicos, a realização do estágio PECLICUF em GO permitiu-me perceber que não era a área que mais me atrai, contrastando com o CEMEF de Oftalmologia que expandiu o meu gosto pela especialidade. De igual modo, no CEMEF de Neurologia, pude reforçar o fascínio que desde cedo mantenho pela área. Saliento ainda, como exemplo de trabalho de equipa, a minha participação como membro da Crew do iMed Conference durante dois anos consecutivos. A forma proactiva de lidar com cada estágio que assumi este ano permitiu-me, sempre que me foi autorizado, praticar mais técnicas, realizar EO e contactar com diversas patologias sendo capaz, acima de tudo, de perceber as minhas dificuldades, aperfeiçoá-las e colmatá-las. Considero que a prática e tentativa-erro permitem que o ser humano cresça e aprenda com esse mesmo erro para que não o
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volte a cometer. E ao adaptar para a minha realidade médica falo de coisas que apesar de não serem propriamente novas, são simples. Falo de tarefas como auscultar um doente, realizar uma gasimetria, o simples facto de saber como baixar a grade de uma cama articulada ou até saber administrar oxigénio suplementar por óculos nasais. São tarefas básicas com as quais um médico deve saber lidar diariamente e que partem muitas vezes da simples observação atenta de outros colegas durante o exercício da sua profissão, sejam eles médicos, enfermeiros, fisioterapeutas ou até mesmo dos serviços administrativos. Saliento, mais uma vez, o estágio de Medicina, no qual vivenciei a harmonia do funcionamento do serviço 2.3. do HSAC, serviço este no qual orgulhosamente terminei o meu percurso e que, por tudo o que já referi, me deu a certeza final de que esta é a profissão que quero abraçar para o resto da vida.
Finalmente, considero ter conseguido gerir o meu tempo no que diz respeito à aprendizagem dentro do hospital, no qual tive a sorte de ter tutores, outros médicos e profissionais, enfermeiros e doentes que me ensinaram muito mais do que lhes solicitei. Organizei o tempo destinado ao estudo para a PNA, conciliando o estudo com a patologia com a qual contactei no hospital. E, por último, aproveitei o tempo de qualidade além das responsabilidades académicas. Qualidade que ganhei ao voltar a praticar Natação, o meu desporto desde a infância, que interrompi desde que entrei na faculdade, e ao estar com os meus amigos e família. Família essa que me permitiu estar seis anos fora de casa, longe dela, para ser, aquilo que nem sempre soube que queria ser, mas que agora sei e serei: Médica.
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5. ANEXOS
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