Rev Assoc Med Bras 2005; 51(4): 181-94
185
P
anorama I nternacional
S aúde P ública S aúde P ública
N
ÍVEL
SÉRICO
DE
HOMOCISTEÍNA
:
HIPERHOMOCISTEINEMIA
COMO
FATOR
DE
RISCO
P
ARA
DOENÇAS
CARDIOVASCULARES
Em trabalho publicado na revista “Pan Americana Journal of Public Health”, de abril de 2005, os autores descrevem alguns determinantes respo nsáveis pela elevação do nível sérico da homocisteína enfatizando aqueles genéticos, os ligados à dieta e outros estilos de vida.
Segundo os autores, desde 1970, existem estudos mostran-do uma relação da hiperhomocisteinemia com mostran-doenças cardio-vasculares (D CV) sendo que, atualmente, ela é considerada um fato r de risco para e ssas do e nças. Uma co nce ntração sé rica baixa de fo lato s, vitaminas B2, B6 e B12 é apo ntada co mo fato r de pre disposição à hiperhomocisteinemia, se ndo que o fo lato é co nside rado o micro nutrie nte co m maio r impacto no me tabo lismo da ho mo ciste ína. Fato re s ge né tico s e stão também associados à hiperhomocisteinemia.
O s auto re s do trabalho co m e ntam o fato de que há num e ro so s e studo s que analisam o s tradicio nais fato re s de risco para D C V e não e xiste m dado s para avaliar a pre valê ncia da hipe rho m o ciste ine m ia no país de le s (C o sta Rica). O traba-lho publicado e aqui co m e ntado é , ne sse se ntido , pio ne iro ao avaliar um a am o stra de 399 vo luntário s, de 20 a 40 ano s (adulto s jo ve ns), de am bo s o s se xo s. É de scrita po rm e no riza-dam e nte a se le ção da am o stra, que incluiu indivíduo s de áre as urbanas e rurais. As variáve is e studadas fo ram : se xo , idade , hábito de fum ar, co nsum o de café , be bidas alco ó licas e a alim e ntação . Fo ram re alizado s vário s e xam e s labo rato riais,
e ntre o s quais, o s níve is sé rico s de ho m o ciste ína, de fo lato , vitam ina B12, cre atinina, be m co m o um a avaliação ge né tica. A prevalência encontrada de hiperhomocisteinemia foi de 6% , se ndo que 31% do s caso s apre se ntavam valo re s po uco abaixo do limiar a partir do qual co nside ra-se hipe rho mo-cisteinemia; 29% apresentavam o genótipo TT para enzima MTHFR (metilene tetrahidro folato reductase); 18% apresenta-vam de ficiê ncia de vitamina B12 e não foram o bse rvados caso s de baixo nível de folato sérico. N ão se encontraram associações significante s do s níve is de ho mo cisteína e a idade, hábito de fumar, consumo de álcool ou ingestão de vitaminas na dieta.
Comentário
A hiperhom ocisteinem ia é considerada um fator de risco independente para as DCV e os autores chamam a atenção para o pequeno núm ero de trabalhos que têm sido realizados em populações, particularm ente com adultos jovens, sendo que esse fato dificulta análises com parativas.
N o trabalho, os autores não encontraram relação com a idade, o que seria devido ao fato da amostra estudada ser bem jovem ; há estudos m ostrando aum ento do nível sérico de hom ociste ína para cada década de idade entre 40 e 70 anos. Os e studos m ostram níveis m ais elevados nos hom ens em relação às m ulheres, o que foi tam bém observado pelos autores. Há com entários bastante interessantes sobre a ingestão de folatos e vitam inas B6 e B12 e o nível sérico de hom ociste ína.
Vários estudos epidem iológicos, inclusive este d a Costa Rica, verificaram um a correlação inversa entre a concentração sérica de vitaminas, particularmente folato e B1 2 , e os níveis de hom ocisteína. Este fato, com o com entado pelos autores, tem servido de base para program as de intervenção com enri-quecim ento dessas vitaminas na dieta. Q uanto aos fatore s genéticos, ainda que a mutação do genót ipo TT seja considerada um fator não m odificável, é im portante o diagnóstico de casos com ge nót ipo TT na população visando identificá-lo s, pois poderiam ser beneficiados pela intervenção nutricional.
O trabalho foi m uito bem planejado e executado e , para aqueles não familiarizados com o assunto, oferece inform açõe s úteis com com entários pertinentes.
Alguns especialistas, particularm ente os cardiolo gistas, já estão bastante familiarizados com esse “novo” fator de risco para DCV, o que não ocorre para grande núm ero de m édicos clínicos ou generalistas, que pelo conhecim ento adquirido estão aptos a orientar seus clientes quanto aos cham ados “clássicos” fatores de risco, com o o fum o, obesidade, sedentarismo, hipertensão e outros. A orientação para atuar nos níveis séricos de hom ocisteína deve passar a ser de conhecim ento de todos os profissionais, m édicos e, da mesma maneira, dos pacientes.
RU Y LAUREN TI
Re fe rê ncia
H o st-Schum ache r I; Mo nge -Ro jas R, G utie rre z PC Bre ne s G . G e ne tic, die tary and o the r life style de te rm inants o f se rum ho m o cyste ine le ve ls in yo ung adults in C o sta Rica. Pan Am J Public H e alth 2005; 17(4): 263-70.
cre scim e nto durante o tratam e nto co m o aGnRH . O s auto re s co nclue m que , pe lo me no s e m parte , a diminuição da ve lo cida-de cida-de cre scim e nto durante o tratam e nto co m o análo go é de vida ao pre m aturo e nve lhe cim e nto da placa de cre scim e nto .
Coment ár io
A aceleração do crescim ento e o avanço da IO se dá pelo aum ento da produção de estrógenos na puberdade. O t rata-m ento da PP, corata-m o aGnRH , visa dirata-m inuir esta produção horm onal e conseqüentem ente tentar norm aliz ar a velocidade de crescim ento, ao m esm o tem po que im pediria o avanço exagerado da IO, o que dim inuiria a perda de sua altura final. A dim inuição da altura final parece ser um a situação pré-determ ina-da, um a vez que o envelhecim ento da placa de crescim ento já aconteceu em virtude da exposição exagerada aos estrógenos.
NU VARTE SETI AN
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