DIREITO FISCAL DIREITO FISCAL/TRIBUTÁRIO:
É um ramo de direito autónomo, é um subsector do Dt° Tributário que trata das receitas coactivas unilaterais. Integra o dtº das obrigações, dtº administrativo e dtº processual.
Conjunto de normas que regulam, o nascimento, o desenvolvimento, a extinção da obrigação tributária que resulta da verificação dos pressupostos legais e da aplicação das normas tributárias.
O direito fiscal é um ramo do direito público, os fins prosseguidos por este são fins públicos e interesses colectivos, e quanto à posição dos sujeitos são sempre entes públicos.
O sujeito activo do ente fiscal não é sempre o Estado, mas podem ser outras entidades, normalmente entidades infra estaduais, ou seja, uma pessoa colectiva de âmbito inferior à pessoa colectiva Estado, como por exemplo as autarquias locais e regiões autónomas, pois estas são detentores de personalidade tributária activa, ainda dentro do município poderá ainda haver algumas prestações a favor das juntas de freguesia.
IMPOSTO:
Não há uma definição de imposto, a noção de imposto é uma noção muito ampla e não se reconduz a uma definição simples mas há unanimidade da doutrina quanto ao que deve constituir o imposto.
O imposto é o objecto, a prestação patrimonial devida, de natureza definitiva, com carácter obrigacional, estabelecido por lei
(formal), exigível a quem tem capacidade contributiva, a favor de entidades que exercem funções públicas, com carácter de unilateralidade e sem carácter de sanção.
O carácter obrigacional do imposto significa, portanto, que ele é o objecto de uma obrigação, a obrigação fiscal.
O imposto é uma prestação, isto é, a prestação é a conduta exigida ao devedor, aqui a prestação é pecuniária, isto porque ela é avaliável em dinheiro, por isso há quem lhe chame de prestação pecuniária patrimonial.
A prestação é também definitiva pois não confere ao devedor a sua devolução e unilateral, isto é, o imposto é uma prestação que não pressupõem uma contrapartida directa e individualizada ao contrário das taxas.
Outra característica dos impostos é que estes são estabelecidos por lei, isto é, a prestação do imposto é feita independentemente da vontade do prestador.
A prestação é estabelecida a favor de entidades públicas, ou entidades que exerçam funções públicas, em regra pessoas colectivas de direito público, a expressão a favor do Estado não é rigorosa, por isso não deve ser aplicada.
Também não é rigoroso dizer que os impostos servem para obter receitas, pois apesar de ser uma característica não é a única, estes têm outra finalidade, como a da diminuição das dificuldades, ou seja, para satisfazer necessidades públicas.
Por último temos que o imposto não constitui sanções de actos ilícitos, o imposto
é uma prestação que é devida.
Os pressupostos dos tributos estão definidos no artº 4º LGT, os fins da tributação no artº 5º LGT e 104º da CRP e os objectivos e limites da tributação no artº 7º LGT.
O Imposto define-se com base em 3 elementos:
Elemento objectivo - Prestação;
- Carácter pecuniário;
- Unilateralidade (quando se paga um imposto nada nos é dado em troca);
- Carácter definitivo;
- Natureza coactiva;
Elemento subjectivo
- Dirigido a detentores de capacidade contributiva (pessoas singulares e colectivas)
;- A favor de entidades que exerçam funções públicas.
Elemento teleológico
- Exigido com vista à satisfação de necessidades públicas;
- Enquanto não tenham o carácter de sanção.
TAXA (artº 4º nº 2 LGT)
A taxa é uma prestação pecuniária imposta por lei
(material), como contraprestação de um serviço público ou como remoção de um limite jurídico, com carácter sinalagmático
(quando à vinculação para ambas as partes)a favor de um ente público ou entidade concessionária, não representando uma auto-tributação.
Nas taxas as pessoas pagam em função do benefício extraído. Ex: taxa de parqueamento, taxa de emolumentos, …)
TIPOS DE IMPOSTOS:
Impostos sobre o rendimento
São os que tributam o rendimento, geralmente numa perspectiva, rendimento acréscimo, incluindo as mais valias.
IRS / IRC
Impostos sobre o património
Quando incidem sobre o património imobiliário IMI / IMT / I. Selo
Impostos sobre a despesa
Quando se tributa o consumo ou a despesa IVA / IEC / IA / I. Selo
Impostos fiscais
Os que integram o Direito fiscal
IRS / IRC / IMI / I. Selo / I. s. Veículos/ IVA / IEC's
Impostos extra fiscais
São os que prosseguem objectivos de natureza económica e social, não se lhe
aplicando integralmente os Princípios da Constituição Fiscal.
Contribuições para a Segurança Social
CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS (artº 6º LGT):
Perspectiva económica e financeira
(Quanto ao objecto): Impostos directos (rendimento, capital ou património)
Incidem sobre a matéria colectável, sobre manifestações directas ou imediatas da capacidade contributiva, não constituindo custo de produção das empresas (geralmente são periódicos).
Trata-se de impostos directos quando a norma jurídica tributária estabelece a obrigação a cargo de determinada pessoa, sem conceder a esta a faculdade ou o direito de se indemnizar a cargo de outra pessoa que não seja sujeito passivo.
Ex:
IRS / IRC / CA
Impostos indirectos (sobre o consumo ou despesa)
Incidem sobre manifestações indirectas ou mediatas da capacidade contributiva, constituindo custo de produção das empresas (geralmente de obrigação única).
São impostos indirectos aqueles em que a norma tributária concede a faculdade ou o direito ao sujeito passivo do imposto de obter de outra pessoa o reembolso do imposto pago ao sujeito activo.
IVA / I. de Selo
Perspectiva política e financeira:
Impostos estaduais
Quando o Estado é o titular activo dos impostos.
Impostos regionais
A titularidade activa pertence às regiões autónomas. (IRS/IRC/IVA dos sujeitos passivos das regiões autónomas)
Impostos locais
A titularidade activa pertence às autarquias locais (IMI / IMT / ISV)
Impostos gerais e impostos especiais:
Impostos gerais:
Quando a previsão normativa abrange todas as situações que lhe são subsumíveis.
IRS / IRC - imposto geral sobre o rendimento IVA - imposto geral sobre a despesa
Impostos especiais
Aqueles que embora digam respeito a situações genericamente homogéneas, são objecto de uma disciplina especial. Ex: IEC's / IA
Impostos principais e impostos acessórios:
Impostos principais
Quando existem por si sem dependência de outros.
IRS / IRC / IVA / IMT
Impostos acessórios
Quando dependem da existência de outros impostos.
Derramas municipais - adicionais sobre a colecta do IRC
Ex: a empresa x paga 30% de IRC vai pagar 30% + 3% (derrama).
Impostos reais e impostos pessoais:
Impostos reais
Quando incidem objectivamente sobre uma parte do rendimento do capital ou do património do contribuinte.
IRS / IRC / IMI/IMT/ IVA
Impostos pessoais
Quando embora incidindo sobre bens ou rendimentos, atendem à situação pessoal do contribuinte
(estado civil, agregado familiar),à sua situação económica.
IRS
Impostos periódicos e impostos instantâneos ou de obrigação única:
Impostos periódicos
Quando a situação tributária se produz no tempo ou se renova sucessivamente.
São aqueles impostos cujo facto tributário é duradouro e fraccionado pela lei.
IRS / IRC / IMI
Impostos instantâneos ou de obrigação única
Situação tributária que se esgota num só momento, por se tratar de actos ou factos isolados. Esgotam-se por sua própria natureza num certo período de tempo.
IVA / IMT
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO FISCAL
(repartição dos impostos): O Princípio da Legalidade
Este princípio no direito fiscal está dirigido em torno da ideia do auto tributação.
A auto tributação pretende dar-nos a ideia de que os impostos devem ser aprovados pelas pessoas que os têm de pagar, é como se as pessoas se auto tributassem.
Nos dias que correm os impostos são aprovados pela A.R. e são aprovados pelos deputados eleitos pelo povo, pois é o povo que elege os seus representantes, daí é o povo que aprova os impostos.
Os impostos são aprovados anualmente com o Orçamento do Estado, isto porque anualmente a A.R. tem competência exclusiva para legislar sobre impostos (Artº 165º nº 1 alínea i) CRP), mas esta é uma competência relativa, pois a A.R. pode autorizar o governo a legislar, mas com os termos definidos pela A.R., assim a A.R. nunca perde o controlo das grandes linhas do acto normativo que vier a ser produzido pelo governo (art. 198º nº.1 alínea b).
Outra coisa é a capacidade de iniciativa legislativa, esta não é exclusiva da A.R., pois tanto pode ser dos deputados como do governo e das A.L.R.
Artigo 103º nº.2 da CRP
“Os impostos são criados por lei
1que determina a incidência
2, a taxa
3, os
benefícios fiscais
4e as garantias dos contribuintes
5”.
Este artigo significa que:
1. Os impostos são criados por Lei
Esta Lei da criação dos impostos é uma lei formal da A.R., ou um D.L., autorizado ao governo. A esmagadora maioria dos actos legislativos em matéria fiscal é elaborada pelo governo sob D.L. autorizado. Esta é uma reserva absoluta de lei formal, ou seja, só a lei formal pode determinar estas matérias.
O art. 165º diz-nos que é a A.R. que cria impostos, mas é o art. 103º nº.2 que nos diz qual o âmbito da competência.
2. Incidência
Uma norma de incidência é uma norma que define os pressupostos de facto do nascimento de obrigação de imposto.
A incidência divide-se em Incidência Real ou Objectiva e em Incidência Pessoal ou Subjectiva. A primeira define o que está sujeito a imposto, isto é, define quais os factos e os pressupostos da definição de imposto (ex: os rendimentos de trabalho estão sujeitos a IRS). A segunda incidência, são as normas que definem a quem, ou seja, quem é que está sujeito a imposto (ex: quem adquirir um prédio a titulo oneroso está sujeito a imposto de SISA).
Outra coisa diferente é aquilo a que se chama de isenção fiscal. A isenção é uma excepção à regra da incidência, ou seja, é algo que está dentro do campo da incidência, mas só não é tributado porque um facto impede a aplicação da norma fiscal.
Ex: Quem comprar uma casa para habitação, até certo montante, beneficia de isenção.
Excepcionalmente este facto está inserido dentro do âmbito da incidência, mas está excepcionalmente de fora da tributação.
Pode estar isento, uma coisa, uma pessoa, ou ambas, mas qualquer norma que determine a incidência, a isenção ou não incidência só pode ser determinada por lei formal (Lei da A.R. ou D.L.A.).
3. Taxas
Estas taxas são os factores de quantificação de imposto que podem ser um valor percentual. O imposto não é obrigatoriamente quantificado percentualmente, o imposto pode ser uma quantia fixa (ex. imposto de selo). Há taxas específicas, como as taxas sobre as cervejas, mas as mais usuais são as taxas percentuais, estas normalmente são taxas de dois tipos:
Taxas proporcionais, são taxas que aumentam à medida que aumenta a proporção
Exemplo: 100 10
1000 100
Taxas progressivas, são taxas que aumentam mais do que a proporção, ou seja o imposto aumenta em progressão.
Exemplo: 100 10
1000 200
2000 600
A razão disto vem consagrado na CRP art. 104º nº.1, ou seja, na diminuição da desigualdade, é o exemplo do IRS.
4. Benefícios Fiscais
Consideram-se benefícios fiscais as medidas instituídas para tutela de interesses públicos extra fiscais relevantes, superiores ao da própria tributação que impedem.
Os benefícios fiscais correspondem à diminuição da tributação, ou seja, do interesse público, pois se a tributação existe em benefício do interesse público a sua redução e eliminação só pode existir com base no interesse público, e este tem se ser relevante e superior ao da própria tributação, se não fosse assim a existência do benefício fiscal corresponderia a uma violação do princípio da igualdade tributária e para evitar isto a lei exige na atribuição do benefício certos requisitos:
1. Excepcionalidade
2. Há-de ter uma razão de ser que consiste na persecução do interesse público.
3. O interesse público tem de ser relevante.
4. O interesse público tem de ser superior ao da própria tributação.
5. Garantias dos Contribuintes
Estas podem ser classificadas em garantias processuais e garantias gerais dos contribuintes.
Garantias Gerais:
Correspondem a determinados direitos que são legalmente reforçados e que permitem aos contribuintes uma tutela dos seus interesses legítimos e o acesso à informação das leis fiscais sem terem necessidade de consultar um advogado.
Outra das garantias é o direito de fundamentação do acto tributário.
Garantias Processuais:
São os meios de defesa que a lei atribui aos sujeitos passivos em reacção a determinado acto praticado pela administração fiscal. As garantias processuais dividem-se em:
- Garantias Graciosas: Quando a lei permite ao contribuinte recorrer para a administração fiscal directamente.
- Garantias Contenciosas: Quando a lei prevê que os contribuintes possam recorrer aos Tribunais Tributários pedindo a anulação de um acto praticado pela administração fiscal.
Princípio da igualdade:
Integra 2 sub princípios:
Princípio da generalidade:
Todos estão à partida sujeitos a impostos, não pode haver discriminações.
Igualdade horizontal
Princípio da uniformidade:
Igualdade vertical
Todos estão sujeitos ao mesmo critério, critério uniforme. Este sub princípio
integra ainda 2 vertentes:
A igualdade horizontal que integra o princípio do benefício (estariam na mesma situação aqueles que tiverem os mesmos benefícios), princípio da capacidade contributiva (estariam na mesma situação aqueles que tivessem a mesma capacidade contributiva avaliada através do rendimento obtido, acumulado ou gasto)
A igualdade vertical integra o sistema proporcional (a mesma taxa é aplicada independentemente do rendimento, tanto a 100 como a 1 000), progressivo (a taxa vai subindo à medida que o rendimento sobe) ou regressivo.
Princípio da reserva de lei formal:
Os impostos são por lei da AR (artº 165º nº 1 alínea i) CRP), das Assembleias legislativas regionais (artº 227º nº 1 alínea i) CRP) ou pelas Assembleias Municipais (artº 238º nº 3 CRP).
Princípio da reserva de lei material (conteúdo) Conteúdo (artº 103º nº2 CRP)
O que se tributa: tem de estar tipificado categoria por categoria, como se tributa:
com base na lei regularmente criada, quando se tributa: dentro dos prazos de caducidade.
Princípio da capacidade contributiva:
Ninguém pode ser tributado se não tiver capacidade contributiva. O imposto deve estar distribuído de acordo com a capacidade.
O artº 103º nº 1 CRP consagra a justa repartição do rendimento e da riqueza.
Quem tem mais paga mais (justiça social).
O artº 104º nº 1 CRP consagra que o IRS visa diminuir as desigualdades tendo em conta as necessidades e os rendimentos.
Outros princípios:
-
Princípio da liberdade;
- Princípio da certeza;
- Princípio da não retroactividade dos impostos;
- Princípio da segurança;
- Princípio da imparcialidade;
- Princípio da proporcionalidade;
- Princípio da participação;
- Princípio da boa-fé;
- Princípio da protecção da confiança;
- Direito à informação
CARACTERÍSTICAS DO IRS:
- É um imposto geral pois abrange a generalidade;
- É estadual/regional;
- É directo pois incide directamente sobre o rendimento;
- É pessoal pois atende à situação pessoal e familiar do titular;
- É periódico na perspectiva anual dos rendimentos;
- É de prestação variável pois varia de pessoa para pessoa;
- É de taxa progressiva como regra;
- É de natureza fiscal.
- Há 4 tipos de taxas de IRS: as progressivas (artº 68º), liberatórias (juros de depósitos bancários – artº 71º), especiais (ex: mais valias – artº 72º), autónomas (tributa-se na empresa, que é o acontece na distribuição de lucros – artº 73º).
Incidência do IRS
Incidência positiva
- Categoria A – trabalho dependente (rendimentos do trabalho);
- Categoria B – empresários e profissionais (rendimentos do trabalho);
NOTA: com a reforma de 2000 a cat. B, C (rend. de empresários) e D (rend.
agrícolas) fundiram-se
- Categoria E – rendimentos de capitais (juros);
- Categoria F – rendimentos prediais (rendas);
- Categoria G – Incrementos patrimoniais (mais valias, jogo, sinais exteriores de riqueza);
- Categoria H – rendimentos de pensões (pensões de alimentos).
Incidência negativa
Não constitui matéria de rendimento. Os valores não têm de ser declarados. A Administração não os quer conhecer.
Ex: Subsídio de refeição até determinado montante, as indemnizações por danos comprovados…
A incidência negativa não corresponde a uma isenção.
A isenção é uma excepção à incidência positiva.
Ex: Não se tributam 50% dos rendimentos de pessoas com um grau de deficiência superior a 65%.
As isenções têm de ser declaradas, entram para o cálculo do imposto.
FONTES DO DIREITO FISCAL:
CRP
A CRP é a fonte de Direito Fiscal de mais elevada hierarquia, contendo normas e princípios que determinam os interesses e a estrutura do direito Fiscal.
A Constituição determina os princípios que disciplinam quem tributa (administração tributária), como se tributa (através do processo de declaração líquida), quando se tributa (por ocorrência de factos geradores), o que se tributa (rendimento/património) e quanto se tributa (na medida da capacidade tributária).
De entre os princípios consagrados destaca-se o princº da legalidade (artº 103º nº2), princº financeiro e da justiça (artº 103º nº 1), princº da não retroactividade (arº 103, nº 3), etc…
Direito Comunitário e Convenções internacionais
As convenções são uma importante fonte de direito fiscal na medida em que diversas convenções têm vindo a fixar os elementos de conexão relevantes com vista a evitar a dupla tributação.
Os Tratados, Acordos ou convenções internacionais têm supremacia em relação ao direito interno (artº 81, nº 2 CIRS.
Leis
O princípio da legalidade tributária (artº 8º LGT) leva que as leis idóneas para criar e regular os impostos sejam só as Leis da AR, Decretos-lei do Governo autorizado pela AR, Decretos legislativos regionais.
A Lei Geral Tributária contém normas estruturantes do Direito Fiscal susceptíveis de aplicação imediata e esgotando a relevância jurídica das situações que prevê.
Regulamentos
Desenvolvimento de leis de bases.
Ex: Decretos regulamentares do Governo, Decretos regulamentares regionais, Regulamentos das autarquias, Resolução do Conselho de Ministros, Portarias.
Contratos
Previstos no artº 37º da LGT.
Jurisprudência e doutrina
Regra geral, cada caso é um caso e não existem paralelos entre casos. Exceptua- se as decisões do Tribunal Constitucional com força obrigatória geral.
LEI GERAL TRIBUTÁRIA (LGT):
- Enquadramento de todos os princípios fundamentais da ordem tributária;
- Regula a relação jurídica tributária (relação entre a Administração tributária e os contribuintes) do nascimento à extinção do imposto;
- Regula o procedimento e o processo tributário, competência, legitimidade, avaliação directa, reclamações, impugnações.
-
Transpõe da Constituição os princípios enformadores e define as regras da relação jurídica, do procedimento e do processo tributário dos pontos de vista mais relevantes.
CÓDIGO PROCEDIMENTO E DE PROCESSO TRIBUTÁRIO (CPPT):
- Normas do procedimento administrativo que se aplicavam ao direito fiscal usando maior simplicidade e eficácia;
- Asseguram maior certeza e celeridade na declaração e realização dos direitos tributários como condição de uma melhor justiça social.
REGIME GERAL DAS INFRACÇÕES TRIBUTÁRIAS - Define o regime geral de infracções;
- Define os meros ilícitos de contra-ordenação tributária
- Define os crimes fiscais (burla tributária, frustração de créditos, associação criminosa, desobediência qualificada, violação de segredo, contrabando…) RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA:
É uma relação complexa que se estabelece entre o sujeito credor e os vários sujeitos da relação em virtude dos diversos direitos, obrigações e responsabilidades que dela advêm e susceptível de ser imposta coactivamente, por força da lei.
A relação jurídica tributária constitui-se pela verificação dos pressupostos
previstos na lei, ou seja, pela prática de determinados factos previstos nas leis
tributárias (artº 36º LGT).
O chamado pressuposto de facto desencadeia o nascimento da relação jurídica tributária.
A relação jurídica extingue-se pelo pagamento da prestação tributária (artº 40º a 44º LGT), pela caducidade do direito de liquidação (artº 45º a 47º LGT) ou pela prescrição da prestação tributária (artº 48º e 49º LGT).
ELEMENTOS DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA:
Sujeitos (artº 18º LGT):
- Sujeito activo (O Estado ou outro ente público, ou uma entidade que exerça funções públicas, é o credor).
- Sujeito passivo (é aquele que é obrigado pela lei a prestar o imposto, é o titular da capacidade contributiva, o devedor);
- Os substitutos;
- Outras pessoas designadas por lei como responsáveis (responsabilidade solidária - artº 24º LGT).
- Outros sujeitos (liquidários judiciais)
Direitos e deveres do sujeito activo:
- Direito e dever de exigir o cumprimento estrito da lei;
- Dever de fundamentação dos actos tributários que afectem legítimos interesses e expectativas dos sujeitos passivos (artº 77º LGT);
- Dever de informar (artº 67º LGT);
- Dever de praticar o direito de participação (artº 60º LGT);
- Dever de reembolsar as importâncias pagas indevidas ou em excesso;
- Dever de exigir juros compensatórios e de mora;
- Dever de pagar juros indemnizatórios.
Nota: Juros compensatórios (atraso na apresentação do IRS), juros indemnizatórios (pagos pelo Estado quando cobra indevidamente mas não restituído a tempo), juros de mora (prazo de pagamento).
Em suma os direitos e deveres dos sujeitos passivos dividem-se em deveres principais e deveres acessórios.
Dever principal de pagamento dos tributos quando determinados nos termos legais, em especial com observância do princípio da legalidade tributária e retenção e entrega das respectivas importâncias.
Dever acessório de cooperação, apresentando as declarações exigidas por lei, com verdade e dentro dos prazos estabelecidos.
Objecto (artº 30º LGT):
Pagamento do imposto, juros e prestações acessórias.
Facto tributário:
É todo o facto da vida real, material, susceptível de ter relevância jurídico -tributária. Essa relevância advém-lhe da circunstância de se mostrarem previstos, tipificados nas normas de incidência.
O facto tributário também tem elementos:
Elementos objectivos:
Qualitativo ou material:
Tem a ver com a qualidade do facto (ex: ordenado auferido, imóvel alienado, mais valia realizada…).
Temporal:
Tem a ver com o momento da realização do facto, com a constituição da relação jurídica, sendo relevante para a caducidade e prescrição e para a aplicação da lei no tempo (ex: factos praticados em 2001)
Espacial:
Tem a ver com o local onde o facto foi praticado (princípio territorial) – ex:
Funchal.
Quantitativo:
Ex: ordenados mensais de 1000 €.
Elementos subjectivos:
Pessoa singular ou pessoa colectiva.
Garantias do credor (artº 50º e seg. da LGT)
A Administração Fiscal goza do privilégio de execução prévia, goza de determinadas garantias gerais e especiais.
Nas garantias gerais o património do devedor é que constitui as garantias. As garantias especiais ou privilégios creditórios integram o mobiliário geral, mobiliário especial, imobiliário geral, imobiliário especial (Ex: artº 111º CIRS, artº 122º CIMI…)
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA:
O nascimento da obrigação resulta da aplicação da lei aos factos tributários.
A obrigação de pagamento constitui o núcleo central da obrigação tributária, mas pode não chegar a acontecer.
A obrigação tributária é o vínculo jurídico pelo qual, uma pessoa denominada de devedor ou sujeito passivo, deve levar a cabo um certo comportamento a favor de outra pessoa, denominada credor ou sujeito activo, que o pode exigir em seu benefício.
Obrigação de imposto significa que o imposto tem de ser legal, ter carácter patrimonial, que o sujeito passivo tem de ter capacidade contributiva, etc.
A obrigação de pagamento nasce da existência de um acto tributário, da fundamentação efectuada pela Administração tributária e da notificação perfeita e atempada pela Administração aos sujeitos passivos (artº 31º nº 1 LGT).
Obrigação fiscal absoluta:
Assenta na tributação com base no domicílio, sede, etc. É atribuído ao sujeito passivo titular daquela sede ou domicilio toda a matéria colectável seja qual for a situação ou a sua origem. Assim os rendimentos tributáveis em IRS de que seja titular um residente em Portugal serão tributados em Portugal independentemente do Estado onde tenham a sua fonte.
Obrigação fiscal limitada:
Reduz-se à matéria colectável situada dentro das fronteiras portuguesas.
A extinção da obrigação é feita através do cumprimento, o devedor leva a cabo o
cumprimento devido.
Mas as obrigações também se podem extinguir sem haver um cumprimento, através da caducidade e da prescrição (art. 45º e 48º da LGT).
Caducidade : Verifica-se um facto tributário, e este facto vai normalmente criar ao contribuinte um dever declarativo, caso o sujeito passivo não declare devendo declarar. A Administração fiscal dispõe de um período de 4 anos para rectificar esta situação, ultrapassado este período verifica-se a caducidade do poder de liquidar por parte da Administração fiscal.
Ex: IRS de 2000. O contribuinte só está obrigado a pagar se for notificado até 31/12/2004
Prescrição: A formação de uma dívida fiscal cria um dever de cumprimento ao sujeito passivo, mas um dever de pagamento que não se pode manter por tempo indefinido, por isso, o n.º 1 do art. 48º cria um prazo de prescrição de 8 anos para as dívidas fiscais.
A obrigação é uma relação jurídica obrigacional de imposto, pelo qual alguém tem de levar a cabo um certo comportamento. Esta relação jurídica tem como traça fundamental, o comportamento devido.
A obrigação tributária não é uma obrigação simples, isto porque não há só um caminho que o devedor tem de fazer até chegar ao credor, mas há sim outros deveres como:
- O dever do contribuinte fazer uma declaração
- O dever do contribuinte de manter a contabilidade organizada - O dever da administração liquidar um imposto, etc...
Todos estes auxiliam o dever fundamental que é o de entregar uma quantia em dinheiro
.A obrigação tributária é irrenunciável e indisponível, é uma obrigação legal, é uma obrigação que tem natureza pública, é executível, ou seja, a Administração pode accionar os mecanismos para executar o direito de crédito, o ser carácter executório está limitado.
O sujeito passivo está também sujeito a obrigações acessórias no que respeita à obrigação de escrita, de facturação/recibo, declarativas, obrigação de exibição de documentos fiscalmente relevantes.
A notificação perfeita em termos de conteúdo e de forma é uma condição de eficácia externa dos actos.
PERSONALIDADE JURÍDICA TRIBUTÁRIA (Artº 15º LGT):
A personalidade tributária consiste na susceptibilidade de ser sujeito de relações jurídicas tributárias.
À personalidade tributária aplica-se, em princípio, a teoria geral da personalidade jurídica, com excepção do que não for contrariado pela lei fiscal.
O princípio é que, quem tem personalidade jurídica tem personalidade jurídica tributária.
O IRC manda tributar mesmo a pessoas desprovidas de personalidade jurídica (artº 2º CIRC).
A personalidade jurídica tributária das pessoas singulares adquire-se no momento do nascimento completo e com vida (artº 66º CC).
A personalidade jurídica tributária das pessoas colectivas depende da natureza
jurídica das diversas pessoas colectivas.
Assim se se tratar de sociedades comerciais e civis sob a forma comercial (Ex:
soc. por quotas, nome individual, comandita…) a personalidade jurídica tributária adquire-se com o registo dos respectivos estatutos na conservatória do registo comercial (artº 1º nº 4 e 5º C.S.C.).
Se se tratar de associações em geral (ex: associação de bombeiros…) a personalidade tributária adquire-se com a sua constituição nos termos legais (escritura pública e posterior publicação) – artº 158º e 167º CC.
Se se tratar de fundações (massa patrimonial de bens) a personalidade tributária adquire-se com a aprovação e reconhecimento dos estatutos e posterior publicação (artº 158º e 167º do CC).
CAPACIDADE JURÍDICA TRIBUTÁRIA (artº 16º LGT):
Consiste na capacidade de praticar actos que produzam consequências jurídicas substanciais ou formais na relação jurídica tributária.
Salvo disposição legal em contrário, tem capacidade tributária quem tiver personalidade tributária. Exceptua-se desse disposto a incapacidade dos menores, interditos e inabilitados (artº 16º nº 3 LGT) e das entidades sem personalidade jurídica (exercidas pelos seus representantes nos termos legais).
A REPRESENTAÇÃO:
Sempre que um sujeito passivo não pode agir como tal, há lugar à sua representação. A representação pode ser:
Legal:
Quando é feita nos termos previstos na lei e em regra por decisão judicial (artº 16º nº1 LGT e artº 14º CPPT).
Pode ser representação do menor, do incapaz ou do interior, representado por quem exerça o poder paternal, a tutória ou curadoria (artº 16º GLT) ou representação das entidades desprovidas de personalidade jurídica, mas com personalidade tributária, representadas pelas pessoas que, legalmente ou de facto, efectivamente as administrem (artº 8º CPPT).
Voluntária:
Quando é feita por escolha do representado, no pleno uso da sua capacidade jurídica tributária (artº 16º nº 1 LGT e artºs 5º e 6º CPPT).
NOTA: ver também artº 17º LGT (gestão de negócios) SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (artº 20º LGT):
A substituição tributária verifica-se quando, por imposição da lei, a prestação tributária for exigida a pessoa diferente do contribuinte, por exemplo a entidade patronal ou uma instituição de crédito.
A substituição tributária efectiva-se através do mecanismo da retenção na fonte do imposto devido. Ver artºs 71º, 98º, 99º, 100º e 101º CIRS e artºs 88º e 89º CIRC.
A substituição tributária difere de repercussão tributária pois enquanto que na substituição a entidade patronal retém o imposto ao sujeito passivo que é titular do rendimento na repercussão o sujeito económico suporta o imposto.
Por conta do imposto devido a final ou com a natureza definitiva, por meio de
taxas liberatórias.
Natureza das retenções:
Por conta do imposto devido a final (substituição parcial):
Com carácter de adiantamento. Retenções sobre rendimentos pagos a residentes das categorias A, B, E, F e H
Com a natureza definitiva, por meio de taxas liberatórias (substituição total):
Retenções sobre rendimentos pagos a não residentes, juros, rendimentos de residentes provenientes de jogo, etc…
Intervenientes da substituição tributária:
Estado
Substituídos:
É o sujeito passivo. É o verdadeiro contribuinte.
Substituto:
É aquele a quem a lei obriga a fazer o pagamento do imposto em nome do trabalhador, substitui os sujeitos passivos por imposição da lei.
É obrigado a efectuar as retenções, proceder à sua entrega e prestar contas através da declaração.
Ninguém é nomeado substituto por arbítrio, está algo por trás, por exemplo um contrato de arrendamento, contrato de trabalho, um contrato de depósito, etc…
A substituição tributária aplica-se, sobretudo, aos casos de retenção na fonte (artº 28º LGT).
Responsabilidade Tributária:
Originária ou de 1º grau:
Responsabilidade directa pelo imposto, que só termina com a inexistência de bens ou não localização do paradeiro (artº 22º nº 1 e 2 LGT)
Subsidiária ou de 2º grau:
Só se efectiva por reversão do processo em execução fiscal (artº 23º nº 1 LGT);
Solidária:
Responsabilidade conjunta, quer no âmbito da responsabilidade originária (responsabilidade pelo IRS dos membros do agregado), quer subsidiária (membros dos corpos sociais das pessoas colectivas).
Responsabilidade do substituto:
Tendo sido efectuadas retenções por conta:
É obrigado a entregar se não entregar está a violar uma obrigação, logo é responsável:
-
Responsabilidade originária ou de 1º grau do substituto pelas importâncias retidas e não entregues.
O substituído não tem qualquer responsabilidade (artº 28º LGT).
- O substituto é ainda responsável pelo pagamento de juros compensatórios
pela não entrega das retenções, ou pela entrega tardia.
- Incorre na prática de um crime fiscal de abuso de confiança fiscal pela não entrega punível com pena de prisão (artº 105º RGIT).
Não tendo sido efectuadas retenções por conta:
Responsabilidade subsidiária ou de 2º grau pelas importâncias não retidas.
Só pode ser accionada depois de accionados os mecanismos de responsabilidade originária, ou seja, após esgotados todos os meios para obter o imposto do devedor originário (ex: o substituto não ter dinheiro, nem bens…).
É ainda responsável pelo pagamento de juros compensatórios pela não entrega das retenções;
Incorre na prática de infracção contra-ordenacional punível com coima (já não é crime pois ele não fica com o dinheiro.
Responsabilidade do substituído:
Tendo sido efectuadas retenções por conta:
O substituído não tem qualquer responsabilidade, fica desonerado (artº 28º LGT).
Não tendo sido efectuadas retenções por conta:
Responsabilidade originária ou de 1º grau do substituído pelo imposto não entregue.
Tendo sido efectuadas retenções a título definitivo:
As retenções a título definitivo referem-se aos não residentes ou no caso de residentes a rendimentos obtidos do jogo, etc…
O substituído não tem qualquer responsabilidade.
Não tendo sido efectuadas retenções a título definitivo:
O substituído é subsidiariamente responsável pelo imposto não retido (artº 23º, 24º e 25º LGT).
O 1º responsável é o substituto.
ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA:
Têm competência para administrar os impostos nos termos do nº e do artº 1 da LGT:
- Direcção- Geral dos Impostos;
É dirigida por um Director-geral (órgão máximo), coadjuvado directamente por subdirectores-gerais que formam o Conselho de Administração Fiscal que aconselham o Director-Geral.
Compreende os Serviços Centrais de gestão e de apoio (IR, IVA…), Serviços Regionais a nível dos distritos e serviços locais a nível dos municípios.
- Direcção- Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo;
- Direcção-Geral de Informática Tributária;
- Demais entidades públicas legalmente incumbidas da liquidação e cobrança dos tributos;
-
O Ministro das Finanças ou outro membro do Governo competente (quem tiver poderes delegados integram também a Administração tributárias) quando exerçam competências administrativas no domínio tributário;
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Os órgãos competentes dos Governos Regionais e autarquias locais.
PROCEDIMENTO TRIBUTÁRIO:
É toda a sucessão de actos dirigida à declaração de direitos tributários (artº 54º LGT).
O procedimento tributário aplica-se à auto-liquidação, à retenção na fonte ou repercussão legal a terceiros.
O procedimento tributário segue a forma escrita (artº 54º nº 3 LGT).
A Administração tributária exerce as suas atribuições na prossecução do interesse público, de acordo com os princípios da legalidade, igualdade, proporcionalidade, justiça, imparcialidade, celeridade e no respeito pelas garantias dos contribuintes e demais obrigados tributários (artº 55º LGT).
O procedimento tributário compreende um conjunto de procedimentos típicos em matéria tributária, entre esses estão os previstos nas alíneas de a) a h) do nº1 artº 54º LGT.
A legitimidade para intervir no procedimento e no processo tributário está prevista no artº 9º do CPPT.
Princípios gerais do procedimento tributário:
Princípio do contraditório e da proporcionalidade (artº 58 LGT):
Os actos a adoptar devem estar de acordo com os princípios da proporcionalidade, eficiência, praticabilidade e simplicidade.
Apurar a verdade material.
Princípio do duplo grau de decisão (artº 56º LGT):
A mesma pretensão do contribuinte só pode ser apreciada sucessivamente por 2 órgãos que integram a Administração Tributária.
A Administração é sempre obrigada a decidir excepto se a mesma situação lhe for posta no prazo de 2 anos (nº 2 artº 56º LGT).
Princípio da cooperação entre a Administração e os contribuintes:
A Administração deve esclarecer os contribuintes das suas obrigações tributárias e estes devem cooperar com a Administração tributária (artº 59º e 60º LGT).
Princípio da cooperação de entidades públicas:
Há um dever geral de cooperação de todas as entidades públicas como a Administração tributária.
Princípio da verdade material:
Devem utilizar-se todos os meios de prova indispensáveis ao correcto apuramento dos factos (artº 72º LGT)
Legitimidade contributiva no procedimento:
Têm legitimidade no procedimento os sujeitos passivos, os substitutos, os responsáveis, outros obrigados tributários e outras pessoas que provem interesse (artº 65º e 66º LGT).
Procedimento prévio de informação:
A Administração Tributária deve emitir orientações genéricas através de circulares, embora só vinculem os funcionários e a Administração Tributária.
Informações vinculativas (artº 68º LGT):
As informações vinculativas aos contribuintes, sobre a sua concreta situação tributária, vinculam a Administração Tributária (informações escritas).
Avaliação prévia dos bens:
Mediante pagamento de uma taxa, podem os interessados solicitar a avaliação dos bens.
Princípio da verdade declarativa:
O procedimento da liquidação pela Administração Tributária instaura-se, em regra, com base nas declarações dos contribuintes ou, na sua falta ou vício, com base nos elementos disponíveis.
Aplicação das normas anti-abuso:
Depende da abertura de procedimento próprio, sendo obrigatória a audição do contribuinte, o contribuinte tem de ser previamente ouvido.
Presunções:
Todas as presunções em matéria fiscal são “tantum júris”, ou seja, são ilidíveis (destrutíveis) em procedimento administrativo próprio, nunca são verdades absolutas (artº 73º LGT).
Juros indemnizatórios a favor do contribuinte:
São pagos sempre que for proferida decisão que os reconheça ou o reembolso do excesso de imposto retido não seja atempadamente.
Os juros indemnizatórios a favor do contribuinte só são pagos pela Administração Tributária se forem pedidos.
Ex: Se o contribuinte pagou mais 50€ e pedir o dinheiro que pagou a mais a Administração tem que pedir que lhe sejam pagos os juros. Os juros podem pedir autonomamente.
Reconhecimento de benefícios fiscais:
Salvo tratar-se de benefícios fiscais automáticos, que operam “ope lege” o reconhecimento dos benefícios depende da iniciativa dos interessados.
Reclamação graciosa:
Visa a anulação total ou parcial do acto tributário.
Os prazos para reclamar são diversos, regra geral, são de 90 dias a contar da data limite de pagamento. Mas há casos especiais para efectuar uma reclamação graciosa sendo de 1 ano no caso de preterição de formalidades essenciais ou de inexistência total ou parcial do facto tributário ou de 2 anos no caso de autoliquidação de IRC e no caso das retenções.
O prazo para decidir uma reclamação graciosa é de 180 dias sob pena de incorrer o acto tácito de indeferimento.
A reclamação graciosa pode ser apresentada em coligação, se não houver prejuízo parta a celeridade da decisão.
A entidade competente para a decisão é o órgão periférico regional, podendo ser
o órgão periférico local em causa de valor não superior ao quíntuplo da alçada
dos TAF (4 686, 25 €) ou em casos de simplicidade.
Os agravamentos à colecta ocorrem nos casos em que a reclamação não seja condição de impugnação e nos casos em que seja destituída de fundamento razoável. O agravamento é variável, com o máximo de 5% da colecta.
Recurso hierárquico:
Sem prejuízo do duplo grau de decisão, todas as decisões dos órgãos da Administração Tributária são susceptíveis de recurso hierárquico.
O recurso hierárquico tem natureza meramente facultativa e efeitos devolutivos, excepto se a lei os considerar de efeito suspensivo.
O prazo para a sua apresentação é de 30 dias a contar da notificação da decisão do acto de que se recorre.
Devem ser decididos no prazo máximo de 60 dias.
Competência para a instauração da reclamação:
A petição deve ser dirigida ao órgão periférico regional (Director de Finanças do distrito do domicilio ou sede do contribuinte.
Se for feita verbalmente deve ser feita no órgão periférico local (Serviço local de finanças do domicilio ou sede).
GARANTIAS DO CONTRIBUINTE:
Garantias não impugnatórias:
- As que exigem o respeito pelos princípios constitucionais do sistema fiscal da legalidade, igualdade, justiça, participação, proporcionalidade, de certeza e segurança e da celeridade.
- As que conferem direitos subjectivos, nomeadamente o direito à informação, direito à fundamentação dos actos, direito à notificação, direito ao pagamento de prestações, direito ao pagamento de juros indemnizatórios.
Garantias no procedimento tributário:
- Reclamação graciosa;
- Recurso hierárquico;
- Revisão da matéria tributável;
- Revisão dos actos tributários.
Garantias processo tributário:
- Impugnação judicial;
- Oposição à execução fiscal;
- Acção para reconhecimento de um direito ou interesse legítimo em matéria tributária;
- Intimação para consulta de documentos ou passagem de certidões;
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Recurso da decisão administrativa tributária relativa à derrogação do sigilo bancário;
- Recurso da decisão da Administração Tributária de avaliação indirecta;
- Intimação para um comportamento em caso de omissão lesiva de direito ou interesse legítimo;
- Recurso contencioso dos actos relativos a questões tributárias, que não envolva a apreciação do acto tributário de liquidação;
- Recurso de actos de aplicação de coimas;
- Recurso de actos praticados em processo de execução fiscal.
NOTA: Regra geral o prazo para reclamar ou impugnar é de 90 dias.
CARACTERÍSTICAS DO IRC:
- Imposto sobre o rendimento, porque incide sobre o rendimento;
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