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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.51 número4

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2005; 51(4): 181-94

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Vo cê atende no am bulató rio um ho m e m de 61 ano s, o

qual re fe re que há ce rca de o ito m e se s ve m apre se ntando cansaço fre qüe nte , dificuldade e de sânim o para re alizar suas atividade s físicas habituais e m e no r capacidade de co nce ntração no trabalho . N e ste pe río do , no to u ganho de pe so (ce rca de 4 kg) e aum e nto da circunfe rê ncia abdo m inal. Q ue ixa-se tam bé m de dim inuição da libido , dificuldade de m ante r e re ção e que da de pe lo s do tó rax. C o m o te m um irm ão co m hipo tire o idism o , go staria de sabe r se e sse quadro po de de co rre r de algum pro ble m a na tire ó ide . N e ga uso

1 - A avaliação laboratorial inicial mostra TSH: 1,8 mIU/L (ref 0,25-4,5), T4 livre: 1,4 ng/dl (ref 0,8-1,8), anti-corpos anti-tireoperoxidase: 14,4 UI/ml (ref < 30), hemograma – H b: 12,7g/dl, H t: 39% , leucócitos: 8.760/mm3 (bast0-seg50-linf34-eos7-bas0-mon9), uri-nálise sem alterações. Seu próximo passo seria:

( ) a - Re pe tir a função tire o ide ana, po is o quadro clínico e a histó ria fam iliar são indício s bastante fo rte s de hipo tire o idism o .

( ) b - Mo strar ao pacie nte que o s e xam e s e stão no rm ais, e orientá-lo que a sintomatologia que apresenta faz parte do pro ce sso fisio ló gico de e nve lhe cime nto .

( ) c - Continuar a investigação de outros eixos hormonais que possam estar associados a esse quadro clínico.

( ) d - So licitar avaliação da psiquiatria, po is e stando a função tire o ide ana no rm al, o quadro o rgânico po de se r somatização de distúrbio do humor (depressão).

2 - Avaliação laboratorial subseqüente mostra os seguin-tes resultados: LH: 23,2 mIU/mL (ref 1,3-13), FSH: 18,3 mIU/mL (ref 0,9-12), testosterona: 160ng/dl (ref 300-1000), testosterona livre: 5,6 pg/ml

de m e dicam e nto s crô nico s, se m que ixas e m re lação ao s de m ais apare lho s e siste m as. Em se u e xam e físico , o pacie nte apre se nta 1,76 m , 79 kg, IMC 25,5 kg/m2,

PA 135 x 85 m m H g, FC 84 bpm , tire ó ide palpáve l, de tam anho e aspe cto no rm ais para a faixa e tária, pe le de te xtura m ais fina, um po uco re sse cada, circunfe rê ncia abdo minal de 101 cm , se m alte raçõ e s no re stante do e xam e se gm e ntar. Ele tro uxe alguns e xam e s, re alizado s há um a se m ana e m labo rató rio de re fe rê ncia e so licitado s pe lo m é dico que o atendeu no pro nto -ate ndim e nto .

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UESTÕES CLÍN ICAS

(ref 8,7-54), globulina ligadora de hormônios sexuais – SHBG: 73,5 nmol/L (ref 10-50nmol/L). A partir destes dados, pode-se dizer:

( ) a - Esse perfil hormonal não explica a fisiopatologia do quadro clínico apresentado pelo paciente.

( ) b - É mais característico encontrar-se níveis normais de LH nos casos de hipogonadismo masculino tardio, não se podendo atribuir o diagnóstico ao paciente.

( ) c - O s níveis baixos de testosterona biodisponível encontrados não se co rre lacio nam à sinto m ato lo gia re fe rida pe lo pacie nte .

( ) d - A constatação de nível sérico basal matinal de testosterona inferior aos valores de referência de homens adultos jovens é necessária para o diagnóstico de hipogonadismo masculino tardio, o qual pode ser atribuído ao paciente em questão.

3 - Com a definição deste quadro clínico-laboratorial, outros eixos metabólicos merecem ser investigados. São corretas as assertivas abaixo em relação à investigação do paciente, exceto:

( ) a - Avaliação do s pe rfis glicê mico e lipídico de ve se r fe ita ne ste pacie nte , po is o hipo andro ge nismo po de e star asso ciado a

R

EV

ALIDAÇÃO

BASEADA

EM

EVIDÊNCIAS

E

CENTRADA

NO

P

ACIENTE

WAN DERLEY MARQ UES BERN ARDO, LUI Z CLÁUDI ODE CASTRO

Esta nova seção da RAMB tem como objetivo principal trazer ao leitor, especialista ou generalista, casos clínicos da prática diária, para que sejam discutidos à luz das recomendações do Projeto Diretrizes da AMB e CFM.

Em cada edição da Revista, um especialista convidado, participante na elaboração de diretrizes baseadas em evidências, apre se ntará um caso clínico , asso ciado a uma sé rie de pe rguntas, cujas re spo stas po de m se r o btidas na D ire triz AMB-C FM co rre spo nde nte ao te ma abo rdado . As dire trize s po de m se r co nsultadas no s e nde re ço s e le trô nico s: www.projetodiretrizes.org.br ou www.amb.org.br, e as respostas às questões clínicas serão disponibilizadas nesta seção, na edição subseqüente.

Faz parte do projeto da RAMB, disponibilizar esta seção on-line, em planilha apropriada, para que o leitor possa participar, por meio de suas respostas, de processo educativo continuado, que poderá valer créditos no processo de revalidação.

Esperamos que cenários clínicos abordando dúvidas em diagnóstico, terapêutica, prognóstico, etiologia ou ética, discutidos frente às recomendações do Projeto Diretrizes, possam contribuir para a disseminação do conhecimento baseado em evidências e centrado no paciente, como também para a atualização e auto-avaliação médica.

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um risco m aio r de de se nvo lve r re sistê ncia insulínica e alterações lipídicas que favoreçam a aterogênese.

( ) b - O s níve is de e vidê ncia cie ntífica não pe rmite m e stabe le ce r um a bo a co rre lação e ntre o s níve is de te sto ste ro na e distribuição de massa adipo sa, massa magra e fo rça muscular, devendo-se investigar outras causas para esses sinais e sinto mas no pacie nte .

( ) c - Trabalhos com bom grau de recomendação e de força de evidência mostram significativa correlação entre o hipogona-dismo masculino tardio e diminuição da densidade mineral óssea, o que embasa a solicitação de densitometria óssea para esse paciente.

( ) d - Estudos com fortes evidências científicas mostram haver uma relação inversa entre níveis de testosterona livre em homens ido so s e sinto mas de pre ssivo s.

4 - O paciente realizou densitometria óssea, cujo T-score para fêmur proximal e coluna lombar foram -2,9dp e 3,2dp, respectivamente. Em relação à tomada de decisão quant o ao t rat ament o de reposição hormonal no hipogonadismo masculino tardio do caso em questão, não é correto:

( ) a - As evidências científicas atuais são co nsistentes em mostrar aumento significativo da densidade óssea com a terapia de reposição androgênica, diminuindo-se o risco de fraturas. ( ) b - N e ste caso , a participação do pacie nte na to m ada de

decisão de tratar não tem muita relevância, pois o risco de mo rbidade é muito grande .

( ) c - A avaliação prostática faz parte da avaliação pré-decisão do tratamento de reposição hormonal.

( ) d - H á bo as e vidê ncias cie ntíficas de que a re po sição de te sto ste ro na re staura o s distúrbio s psico -e m o cio nais (depressão), a libido e atua positivamente na qualidade de vida dos pacientes hipogonádicos.

5 - O paciente em questão entendeu seu quadro e concordou com a reposição hormonal. Entretanto, tem receio de desenvolver alguma alteração prostática. Realizou dosa-gem de PSA (1,3 ng/ml – ref < 4,0ng/ml) e ao toque retal, próstata com características normais para a idade. Em relação à condução do caso, não estaria correto dizer:

( ) a - A admistração transdérmica com gel de diidrotestosterona não tem efeito estrogênico, não predispondo à hiperplasia de próstata, sendo uma opção bastante adequada. ( ) b - O s ésteres de testosterona de administração intra-muscular

também são eficazes e seguros, apesar de poderem estar associados a uma maior freqüência de efeitos colaterais, devido às flutuações nos níveis de testosterona que causam. ( ) c - Após seis meses de tratamento, os níveis de testosterona ficaram pró ximo s ao limite infe rio r fisio ló gico , mas ho uve m e lho ra im po rtante da sinto m ato lo gia; m e sm o assim , deve-se aumentar a dose para atingir níveis superiores da faixa de normalidade.

( ) d - Avaliação laboratorial com hemograma e PSA e questionar sintomas urinários e apnéia do sono devem fazer parte do aco m panham e nto .

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EMAABORDADO

Especialidades de abrangência:

Endocrinologia, Clínica Médica, Geriatria e Urologia.

Diretrizes a serem consultadas:

Hipogonadismo masculino tardio (andropausa) – diagnóstico

Referências

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