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Braz. j. . vol.81 número1

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Academic year: 2018

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Braz J Otorhinolaryngol. 2015;81(1):115-116

© 2015 Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. www.bjorl.org.br

OTORHINOLARYNGOLOGY

Brazilian Journal of

RELATO DE CASO

Lemierre’s syndrome: a pharyngotonsillitis complication

,☆☆

Síndrome de Lemierre: uma complicação de faringotonsilite

Pedro Ernesto Barbosa Pinheiro*, Priscilla Durante Miotto,

Natalia Quinhone Shigematsu, Edwin Tamashiro,

Fabiana Cardoso Pereira Valera, Wilma Teresinha Anselmo-Lima

Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil

Recebido em 21 de setembro de 2014; aceito em 17 de outubro de 2014

lite e fez uso de Benzilpenicilina Benzatina intramuscular, evoluindo com melhora da dor; contudo constatou-se tem-peratura alta persistente e abaulamento em região cervical anterior direita há três dias. Observou-se hiperemia de oro-faringe e abaulamento cervical em topograia de músculo esternocleidomastóideo à direita, doloroso à palpação. To-mograia contrastada e angiorressonância evidenciaram pro-cesso inlamatório periamigdaliano à direita, trombose de Veia Jugular Interna (VJI) direita e nódulos pulmonares com-patíveis com microabscessos (ig. 1). Inicialmente não se fez a hipótese diagnóstica de SL e foi iniciada antibioticoterapia endovenosa com amoxicilina e clavulanato, na dose 90 mg/ kg/dia, e anticoagulação com enoxaparina e warfarina, com melhora clínica gradual. Após 3 dias, com a definição do diagnóstico e em conjunto com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, optou-se por manter o esquema tera-pêutico, vista a melhora de parâmetros clínicos e laborato-riais. Mesmo sendo admitida em uso de antibióticos, foram colhidas amostras de culturas gerais e para bactérias anaeróbicas, sem crescimento. Recebeu alta após 14 dias de internação, assintomática, com antibioticoterapia oral, que usaria até completar 21 dias de tratamento e em anticoagu-lação oral. Realizada angioressonância de controle, após quatro meses de anticoagulação para acompanhamento da doença, que evidenciou persistência da trombose de VJI.

Introdução

A Síndrome de Lemierre (SL) é uma complicação grave e rara de faringotonsilites que geralmente ocorre em adoles-centes e adultos jovens, causada por bactérias anaeróbicas, mais especiicamente atribuída a Fusobacterium necropho-rum. Inicialmente descrita no começo do século XX, foi em 1936 que o microbiologista francês Dr. André Lemierre deli-neou as características da doença.1

Apresentação do caso

K.C.O., paciente do sexo feminino, 12 anos, previamente hígida. Apresentava quadro de odinofagia e febre há sete dias. Foi diagnosticada, em outro serviço, com

faringotonsi-DOI se refere ao artigo: http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.10.004

Como citar este artigo: Pinheiro PE, Miotto PD, Shigematsu NQ, Tamas-hiro E, Valera FC, Anselmo-Lima WT. Lemierre’s syndrome: a pharyngotonsilli-tis complication. Braz J Otorhinolaryngol. 2015;81:115-6.

☆☆Instituição: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade

de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil. * Autor para correspondência.

(2)

116 Pinheiro PE et al.

Comentários inais

Após o advento da antibioticoterapia, os casos de SL prati-camente desapareceram, mas há evidências de aumento na incidência da SL nos últimos anos, possivelmente associada à redução do uso de antibióticos para odinofagia. Descrita por André Lemierre com “um quadro clínico tão caracterís-tico que um engano é quase impossível”,1 essa afecção é tão

potencialmente grave quanto potencialmente tratável3;

basta haver um alto grau de suspeição para evitar um diag-nóstico tardio com consequências potencialmente fatais.

Conlitos de interesse

Os autores declaram não haver conlitos de interesse.

Referências

1. Lemierre A. On certain septicaemias due to anaerobic organ-isms. Lancet. 1936;1:701-3.

2. Baig M, Rasheed J, Subkowitz D, Vieira J. A review of lemierre syndrome. Internet J Infect Dis [serial online]. 2005;5. Disponí-vel em: http://ispub.com/IJID

3. Riordan T, Wilson M. Lemierre’s syndrome: more than a histori-cal curiosa. Postgrad Med J. 2004;80:328-34.

4. Asnani J, Jones S. Case review. J Fam Pract. 2014;63:193-6. 5. Karkos PD, Asrani S, Karkos CD, Leong SC, Theochari EG,

Alexo-poulou TD, et al. Lemierre syndrome: a systematic review. La-ryngoscope. 2009;119:1552-9.

6. Phan T, So TY. Use of anticoagulation therapy for jugular vein thrombus in pediatric patients with Lemierre’s syndrome. Int J Clin Pharm. 2012;34:818-21.

A paciente mantém anticoagulação e seguimento ambulato-rial com as equipes de ororrinolaringologia, hematologia pediátrica e cirurgia vascular.

Discussão

F. necrophorum é uma bactéria anaeróbica Gram-negativa da lora da orofaringe, com capacidade de provocar infec-ção primária em indivíduos saudáveis com barreiras anatô-micas intactas. A afecção se inicia com uma faringotonsilite e evolui para acometimento progressivo de tecido peritonsi-lar, espaço parafaríngeo, trombolebite de VJI e, por im, formação de êmbolos sépticos.2 O início da septicemia

ocor-re com febocor-re acentuada (39 °-41 °C), tipicamente 4 a 5 dias após o início da odinofagia, e, por vezes, após melhora des-se sintoma.2 O aparecimento de abaulamento no ângulo da

mandíbula ou paralelamente ao músculo esternocleidomas-tóideo relete clinicamente a trombolebite. Os pulmões são o principal sítio de formação de abscessos secundários aos êmbolos sépticos; contudo pode-se encontrar acometimen-to de múltiplos órgãos.2,3 O diagnóstico da SL envolve:

1 — infecção recente em orofaringe; 2 — evidência clínica ou radiológica de trombose de VJI; 3 — isolamento de pató-geno anaeróbico; 4 — pelo menos um foco séptico.4

con-trovérsia na literatura quanto à classiicação dos casos em que não se consegue isolamento do patógeno2,3; contudo,

considerando que se encontra cultura negativa em 12% dos casos,3 diante do quadro clínico característico e da

diicul-dade de crescimento bacteriano nos pacientes em vigência de antibioticoterapia, mantivemos nosso diagnóstico e con-duta perante este caso. O tratamento inclui antibioticotera-pia por 3 a 6 semanas, com cobertura para anaeróbicos.5

A anticoagulação é controversa, porém é amplamente utili-zada. Na ausência de qualquer contraindicação, a terapia deve ser considerada, especialmente em pacientes com res-posta clínica insatisfatória apesar do antibiótico.6

Figura 1 À esquerda, cortes transversais de tomograia computadorizada de tórax evidenciando microabscessos pulmonares. À di

-reita, corte sagital de angiorressonância magnética com contraste, ponderada em T1, mostrando falha de enchimento de veia jugu

Imagem

Figura 1  À esquerda, cortes transversais de tomograia computadorizada de tórax evidenciando microabscessos pulmonares

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