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A PARTIR DA DÉCADA DE 1990

No documento de museus no Brasil (páginas 163-167)

A partir da década de 1990, as ações desenvolvidas no Museu de Astronomia e Ciências Afins estão referendadas pelas Diretrizes da PNEM, notadamente no Eixo II – Profissionais, Formação e Pesquisa. O Item 1 deste Eixo destaca um aspecto muito importante relacionado à instituição museológica: “promover o pro-fissional de educação museal, incentivando o investimento na formação específica e continuada de profis-sionais que atuam no campo”.222

O MAST, tanto como unidade de pesquisa do CNPq quanto do MCTI, incentivou seus profissionais, principalmente os das suas áreas finalísticas a participarem do Programa de Treinamento e Capacitação. Ele tem por objetivo promover ações de capacitação para os servidores, visando o desenvolvimento de compe-tências, produção e disseminação dos conhecimentos necessários ao cumprimento da missão institucional, mediante a implementação de programas e projetos, que atendam efetivamente as necessidades constata-das de formação, aperfeiçoamento, pós-graduação lato e stricto sensu e pós-doutorado.

220 MORO, Fernanda C. A. Museu de Astronomia e Ciências Afins: plano diretor. Rio de Janeiro: Arquivo MAST, 1985.

221 INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS. Documento Preliminar da PNEM. Brasília: Ibram, 2017, p. 4. Disponível em: http://pnem.museus.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/

DOCUMENTO-PRELIMINAR1.pdf. Acesso em: ago. 2018.

222 Idem (p. 6).

Para consolidar a pesquisa na Coedu, já em 1991, sua equipe multidisciplinar cadastrou no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil/CNPq, o “Grupo de Pesquisa em Educação Não Formal em Ciências”, em total alinhamento com as observações dos Itens 7 e 8 do Eixo II: “fortalecer a pesquisa em educação em museus e em contextos nos quais ocorrem processos museais, reconhecendo esses espaços como produtores de conhecimento em educação” e “promover o desenvolvimento e a difusão de pesquisas específicas por meio de agências de fomento científico, universidades e demais instituições da área”, respectivamente.223

Esse Grupo de Pesquisa224 foi um dos primeiros a desenvolver estudos em educação museal, no Brasil.

Contribuíram também de forma constante e significativa na organização de eventos na área de populariza-ção da ciência, educapopulariza-ção em ciências, museus, bem como na publicapopulariza-ção de artigos, livros e textos completos em anais de eventos científicos etc.

Seus pesquisadores participaram ativamente na criação da Rede de Popularização da Ciência e da Tec-nologia da América Latina e do Caribe, RedPOP (1992), na fundação da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, ABRAPEC (1997), na organização de conferências internacionais225 e nos Encontros Nacionais de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) e de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC).

Com o Grupo de Pesquisa estruturado, a Coedu começou a participar dos editais das instituições de fomento para o desenvolvimento de projetos de pesquisa. Cabe destacar, no período de 1993 a 1995, o estudo “Educação para a ciência: papel de um museu interativo”, financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico/Subprograma de Educação para a Ciência (PADCT/SPEC).226 Com este projeto deu-se início à pesquisa na Coordenação e com ele vieram os primeiros bolsistas de iniciação científica.227

Outra vertente de pesquisa diz respeito aos estudos voltados para a educação formal, com o objetivo de compreender o sistema educacional brasileiro e com isso propor projetos em educação museal que con-siderem a realidade deste sistema. Os estudos desenvolvidos deram continuidade às investigações anterio-res e abriram possibilidades para o aprofundamento do conhecimento da instituição museu e sua interface com a instituição escola.

223 Idem.

224 Atualmente, seus pesquisadores atuam em duas linhas: (i) Divulgação da ciência, educação e avaliação – formada por três projetos – “Museu e público”, “Estratégias de divul-gação científica em museus de ciência” e “Um olhar para o ensino de astronomia no Brasil” e (ii) Cultura científica, comunicação e cognição – formada por dois projetos – “Cultura científica e linguagem” e “Educação não formal e formação de professores”.

225 A 34a Conferência do Comitê Internacional de Museus de Ciência e Tecnologia, CIMUSET/ICOM (apoio CNPq, Faperj, Finep, Unesco, Consulado da França) e a 43a Conferência (apoio CNPq, Faperj, Secretaria de Cultura do Município de Vassouras).

226 O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico foi lançado em 1985 como um instrumento da Política Nacional de C&T brasileira. Complementou as que já estavam sendo desenvolvidas por agências de fomento preexistentes: CNPq, Capes e Finep. O Subprograma de Educação para a Ciência teve início em 1983 e foi encerrado em 1997.

227 CAZELLI, Sibele. et al. Padrões de interação e aprendizagem compartilhada na exposição laboratório de astronomia. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 78, n. 188/189/190,1997, pp. 413-471.

O primeiro, foi o projeto “Formação Continuada de Professores: estratégias inovadoras em espa-ços formais e não formais de educação”, parceria do MAST com a Faculdade de Educação e o Instituto de Física, ambos da Universidade Federal Fluminense, e teve apoio da Financiadora Nacional de Estudos e Pesquisa (Finep) (1996 a 1998). As pesquisas foram realizadas junto às escolas da rede municipal do Rio de Janeiro.228

O segundo, foi o Acordo Internacional, viabilizado por uma cooperação financeira entre a Capes/

Brasil e o Conselho Britânico/Grã-Bretanha (1997 a 2000, envolvendo uma universidade britânica e qua-tro instituições brasileiras: UFF, PUC-Rio, UFSC e MAST). No âmbito deste Acordo, o projeto de pesquisa

“Modelos e Aprendizagem em Museus”, desenvolvido pelos pesquisadores da Coedu e seus parceiros, tinha como ponto de partida o entendimento de que os museus e centros de ciência incluem modelos consensuais e pedagógicos (com amplo espectro de interação), objetos (originais e réplicas) e textos. O estudo realizado abordou a questão da aprendizagem na exposição “Estações do Ano: a Terra em movi-mento”,229 organizada a partir de princípios construtivistas.230

Em 2003, fruto de um trabalho coletivo de experiências cotidianas e reflexões realizadas pelo grupo de pesquisadores da Coedu e seus parceiros do Brasil e do exterior, foi publicado, com apoio da Faperj, o livro “Educação e Museu: a construção social do caráter educativo dos museus de ciência”. Foi revelado o esforço de colocar em mãos de diferente profissionais – cientistas, educadores, curadores, museólogos, divulgadores, comunicadores, professores e formadores de professores de ensino fundamental e médio, entre outros – o resultado de uma produção acumulada na área da educação em museus de ciência.231

Na segunda metade da década de 2000, a avaliação das atividades educacionais fora do contexto escolar ganhou importância, uma vez que passou a receber um volume maior de verbas do estado e se tornou objeto de política pública.

No período de 2005 a 2008, com a pesquisa “Proposta para a avaliação da prática pedagógica de professores”, a Coedu deu início aos estudos sobre o conceito de motivação.232 Por conta deste estudo,

228 CAZELLI, Sibele. et al (orgs.). A relação museu-escola: avanços e desafios na (re)construção do conceito de museu. In: Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, 21., 1998. Caxambu - MG. Anais... Rio de Janeiro: ANPED, 1998.; VALENTE, Maria Esther. et al. The audience of a science museum and the concept of time.

In: DUFRESNE-TASSÉ, C.; WINTZERITH, S. (org.). In: Special issue of ICOM-CECA: devoted to research. Montréal - CA: Université de Montréal, 2015. pp. 135-154. Disponível em:

https://drive.google.com/file/d/0B8yHu7SudP4kNHVQR0JzeWc5ZVE/view. Acesso em: ago. 2018.

229 A exposição As estações do ano: a Terra em movimento foi concebida pela Coedu e inaugurada em 1997. As pesquisas realizadas contribuíram para o seu aprimoramento e orientaram uma robusta modernização, realizada em 2007-2008, com apoio financeiro do Edital 12/2006/MCTI/CNPq/Secretaria de Popularização de Ciência e Tecnologia. Foi reaberta em junho de 2009 e pode ser tomada como um bom exemplo da relação entre pesquisa educacional em museus e a produção de recursos voltados para exposições.

230 FALCÃO, Douglas. et al (orgs.). Aprendizagem em museus de ciência e tecnologia sob o enfoque dos modelos mentais. In: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 6., 1998, out. 26-30: Florianópolis, SC. Anais... São Paulo: SBF, 1998. 1 CD-ROM; ___. et al (orgs.). A model-based approach to science exhibition evaluation: a case study in a Brazilian astronomy museum. International Journal of Science Education, v. 26, pp. 951-978, 2004; ___; GILBERT, John. Método da lembrança estimulada: uma ferramenta de investigação sobre aprendizagem em museus de ciências. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 12 (Supl.), 2005, pp. 93-115. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v12s0/05.pdf.

231 GOUVÊA, Guaracira. et al (orgs.).Educação e museu: a construção social do caráter educativo dos museus de ciência. Rio de Janeiro: Access, 2003.

232 CAZELLI, Sibele; COIMBRA, Carlos Alberto Quadros. Proposta para a avaliação da prática pedagógica de professores. Ensino Em Re-Vista, Uberlândia, v. 20, n. 1, 2013 (jan./

jun.), pp. 133-148,. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/view/23218/12758. Acesso em: ago. 2018.

em 2008, aconteceu a consolidação de uma parceria entre Coedu e Departamento de Educação da PUC-Rio.

Da cooperação, nasceu o projeto “Juventude e mídia: contextos escolares e sociais” (apoio Faperj), que tinha como objetivo, por um lado, identificar e analisar possíveis correlações entre fatores escolares e sociais e modos de uso de mídias digitais por jovens estudantes da cidade do Rio de Janeiro e, por outro, conhecer como a motivação para o aprendizado se relaciona com o contexto social e escolar, proporcio-nando um entendimento mais amplo da composição do perfil motivacional de estudantes.233

Considerando a temática que trata da relação entre educação museal e formação de professores, sem deixar de reconhecer as especificidades de cada instituição, vale destacar o projeto “A educação não formal e a formação de professores: estruturando relações”,234 que teve como foco a possibilidade de professores responsáveis por disciplinas dos cursos de pedagogia e licenciaturas incorporarem os museus de ciência, em particular, como elemento constitutivo da formação pedagógica de futuros professores.235

Os resultados desse projeto orientaram os profissionais da Coedu a organizarem o evento, “Encon-tro Internacional de Educação Não Formal e Formação de Professores”, em 2012 (apoio CNPq e Faperj).

Na discussão da apresentação da síntese final do Encontro foram identificados cinco desafios e quais são as possibilidades, dificuldades e propostas de ação para enfrentá-los. Cabe sublinhar um deles: dificuldade da universidade utilizar as instituições de educação museal como espaços de formação inicial de profes-sores. Apesar disso, existem universidades que reconhecem a importância das instituições de educação museal e que oferecem disciplinas relacionadas e/ou outras estratégias.236

Todos os projetos de pesquisa realizados no âmbito dos editais acima destacados resultaram em artigos publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais e em anais de eventos científicos.

Um exemplo é a participação marcante com apresentação e publicação de trabalhos no Encontro Nacio-nal de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC/ABRAPEC). José Renato de Oliveira Pin (et al.) realiza-ram um levantamento de trabalhos publicados nas dez edições do ENPEC (1997-2017),237 que tratam de museus localizados na cidade do Rio de Janeiro a partir da perspectiva da divulgação da ciência. Dos vinte e sete trabalhos identificados e posteriormente analisados, quinze são da Coedu/MAST.

233 DUARTE, Rosalia. et al. Computer. Skills and Digital Media Uses among Young Students in Rio de Janeiro. Education Policy Analysis Archives. Arizona State University, v. 21, n.

53, 2013, pp. 1-33. Disponível em: http://epaa.asu.edu/ojs/article/view/1241. Acesso em: ago. 2018.

234 Projeto desenvolvido no âmbito do Programa de Capacitação Institucional/PCI/CNPq/MCTI (bolsas de pesquisa para graduados, mestres e doutores) no período de 2006-2008.

235 CAZELLI, Sibele. et al. O que precisa ter um futuro professor em seu curso de formação para vir a ser um profissional de educação em museus? Ensino Em Re-Vista. Uberlândia, v. 17, n. 2, 2010, pp. 579-595. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/view/11360/6597. Acesso em: ago. 2018.

236 Projetos de extensão, bolsas de apoio, Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – Pibid/Capes etc.

237 PIN, José Renato de Oliveira. et al. Divulgação da ciência em espaços não formais: levantamento de trabalhos publicados nas edições do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 11., 2017, jul. 3-6: Florianópolis, SC. Anais... Florianópolis: ABRAPEC, 2017, pp. 1-13. Dispo-nível em: http://www.abrapecnet.org.br/enpec/xi-enpec/anais/resumos/R0604-1.pdf. Acesso em: ago. 2018.

No documento de museus no Brasil (páginas 163-167)