Os museus-casas são espaços que resumidamente se estruturam num tripé conceitual: personagem--edifício-coleção. Estas três categorias servem de viés para as narrativas construídas ao longo do circuito, e ainda para os projetos desenvolvidos. O circuito, por sua vez, apresenta, por meio dos cômodos-objetos expostos, as formas de viver de um período e as questões a ele associadas, tais como a intimidade, o gosto, as relações, os valores e as transformações ocorridas em sociedade.
Os ambientes se configuram como espaço de exposição de longa duração, na medida em que eles também são entendidos como objetos cujas trajetórias são discutidas com os visitantes em nossas media-ções. Por outro lado, o projeto museográfico é pouco alterado ao longo do tempo em função da natureza deste modelo conceitual. E este fato pode ser a resposta para um dado que constatamos em todas as pes-quisas de público que realizamos; dado esse também corroborado nas estatísticas resultantes das duas edi-ções do Observatório de Museus e Centros Culturais259 que participamos em 2005 e 2009: o Museu Casa de Rui Barbosa possui um altíssimo índice de visitantes de primeira vez, nos levando ao desafio da fidelização do público visitante.260
Algumas questões vêm direcionando nossas ações com o objetivo de alterar este dado: como intro-duzir a diferença na semelhança? Quais os limites de um projeto museográfico de um museu-casa? Qual o propósito educacional de um museu-casa? Estes questionamentos serviram de fio condutor de alguns estu-dos com resultaestu-dos muito positivos, nos âmbitos da Comunicação e da Educação Museal.
258 Disponíveis em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=77. Acesso em: 22 jul. 2019.
259 Iniciado em 2003, com a participação de onze museus no Rio de Janeiro, sob a coordenação da Dra. Luciana Sepúlveda, do Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, em parceria com o DEMU/Iphan, a Ence/IBGE e o Mast.
260 Disponível em: http://www.fiocruz.br/omcc/media/3_boletim_OMCC.pdf. Acesso em: 17 jul. 2018.
A compreensão da vocação dos nossos espaços é fundamental para que tenhamos segurança na construção dos projetos que visam a introduzir mudanças que podem, até mesmo, comprometer as caracte-rísticas do modelo conceitual no qual a instituição está inserida. Nesse contexto, destaco um artigo da auto-ria de Magaly Cabral, publicado no no 17 do CECA Education,261 intitulado educação em museus casas his-tóricas que já nos sinaliza seu objetivo, ou seja, refletir sobre o processo da educação museal em um modelo conceitual específico.
Considero importante estabelecer um diálogo com este texto porque ele foi divulgado em inglês, mas pouco mostrado em nosso país. Se analisarmos que o universo de museus-casas brasileiros conta com mais de três centenas de espaços segundo levantamento coordenado por Ana Cristina Carvalho,262 o compartilha-mento dessas ideias contribui para adensar a produção do conhecicompartilha-mento sobre este campo.
Magaly afirma que em um museu-casa a noção de documento não se restringe ao objeto museoló-gico, devendo ser ampliado ao personagem e ao espaço/cenário, representado pelo edifício. Eles se tornam, segundo a autora, referenciais que devem fundamentar todas as ações de comunicação empreendidas na instituição. Ao analisar os projetos museográficos destes espaços, ela esclarece que esse modelo conceitual, em geral, não trabalha com exposições espetaculares pela dificuldade em dialogar com seus cômodos, tendo em vista que um museu-casa é organizado respeitando a configuração dos mesmos, a partir de um recorte histórico. Alguns espaços, ressalta a autora, distinguem- se desta análise pela sua origem, como o Palácio de Versalhes que lida com números e dimensões que não correspondem à maioria dos museus-casas. Há nesse modelo conceitual uma significativa quantidade de residências de músicos, escritores, poetas, entre outras categorias que retratam casas mais modestas, entretanto o mesmo modelo comporta, também, moradias de políticos e astros do rock. A produção de sentido e reverberação junto à sociedade se configura em um grande desafio, pois alguns destes personagens atuaram em segmentos com pouca visibilidade, ou ainda, com visibilidade questionável, cabendo nestes casos uma análise sobre os critérios que definem a museali-zação de determinados espaços.
Por outro lado, a partir do momento que esses locais têm sua personalidade jurídica alterada e são investidos do “poder museal” todas as ações relacionadas à preservação, em seu sentido mais amplo, devem ser iniciadas. Essa premissa, entretanto, deve ser compreendida numa perspectiva crítica por meio da qual as narrativas reflitam as contradições e os conflitos presentes nos processos permeados por interesses polí-tico-sociais como ocorre em situações nas quais a construção de memórias e das identidades estão em jogo.
261 CECA – Museum Education and New Museology. CECA Education, n. 17. Paris: Conselho Internacional de Museus (ICOM); Bélgica: C.G.R.I. – Communauté Française de Bélgique, 2003, pp. 42-4.
262 CARVALHO, Ana Cristina (org.). Museus-casas históricas no Brasil. São Paulo: Curadoria do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, 2013.
Esses espaços, portanto, não podem ser percebidos, pelo público ou pelos profissionais que neles atuam, como meros cenários suspensos no tempo, desconectados dos contextos que o produziram e sem vínculos com a contemporaneidade. Neste sentido, Magaly Cabral considera que essas residências histó-ricas devem ser mantidas com
dignidade e a serviço das comunidades em que estão inseridas, provocando questões e a reflexão sobre fatos históricos ou sobre a vida de seus personagens. É fundamental e é tarefa dos dirigentes dos “pequenos” museus-casas históricas. Assim como é tarefa dos governantes uma política para esses museus, reconhecendo-os como espaços culturais que necessitam de recursos específicos, pois dificilmente atraem o interesse de grandes investidores, mas que podem ser vistos como investimento numa política governamental voltada à preservação de valores culturais e de identidade própria, num mundo globalizado.263
Embora ela conclua, fundamentada em Huyssen, que esses espaços não estão ameaçados, na medida em que atendem à necessidade de memória e permanência – que nos trazem conforto emocio-nal em um mundo cada vez mais acelerado cujo ritmo nos empurra a um futuro que não nos inspira con-fiança – sua ressonância junto à sociedade (e, portanto, sua “existência real”) também não está garantida.
Os elementos que singularizam os museus-casas são grandes trunfos para um trabalho diferenciado, mas também, são desafios a serem enfrentados.
Conforme sinalizado inicialmente, aponto neste contexto a dificuldade da revisita, em tornar o visi-tante um usuário. Neste sentido as pesquisas de público são fundamentais, sobretudo as que identificam o perfil dos visitantes e suas demandas. As diferentes metodologias que utilizamos com esta finalidade, indo da aplicação de questionários à observação participante, apontam para um visitante que: majoritaria-mente está acompanhado; com interesse em história de vida; que permanece no espaço por cerca de uma hora, completando sua passagem pelo museu com momentos de contemplação no jardim; que tem pre-ferência por visita mediada; que verbaliza satisfação com a experiência, encantamento com a residência e saudade de uma cidade que não conheceu, mas acredita ter sido melhor do que a atual. Este é um dado interessante, pois embora as desigualdades sociais sejam sempre abordadas, a suntuosidade do espaço parece desmentir as palavras. Ao seu redor estão indícios de riqueza, de erudição representada pela biblio-teca com seu vasto acervo, e do hic et nunc mencionado por Walter Benjamin em seu ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, posto que os museus-casas retratam para o visitante o espaço da autenticidade; estar no mesmo local em que o personagem passou parte da sua vida, em contato com
263 CECA – Museum Education and New Museology. CECA Education, n. 17. Paris: Conselho Internacional de Museus (ICOM); Bélgica: C.G.R.I. – Communauté Française de Bélgique, 2003, pp. 42-4.
os mesmo objetos que ele utilizava em seu cotidiano transforma o museu-casa numa heterotopia como define Foucault,264 e também numa zona de contato, expressão analisada por James Clifford,265 a partir do uso feito por Mary Louise Pratt.266 E nesta perspectiva ele é envolvido pela aura do lugar, sentindo-se pró-ximo ao personagem e seu contexto. Ainda assim, a experiência da revisita não ocorre, embora a maioria sinalize que tem a intenção de retornar ao espaço, mas por outro lado, a indicação de amigos, aparece como uma opção bastante apontada no item sobre a forma de conhecimento do espaço.
Como consta em nosso Plano Museológico, o Programa Educativo-Museal do Museu Casa de Rui Barbosa, coordenado pela área de educação e comunicação, foi elaborado com o objetivo de
contribuir para o enriquecimento da experiência cultural e garantir um estreito canal de comunicação com os vários segmentos de público que nos visitam, propiciando o acesso qualificado aos bens culturais da instituição formado por todo o seu conjunto arquitetônico, museológico, paisagístico e biográfico.267
Esta premissa nos leva a transformar nossos desafios em possibilidades de apropriação do espaço de forma plena e muitas vezes inusitadas, como foi feito em duas ocasiões que relato a seguir.
Entre dezembro de 2015 e novembro de 2016 passamos por duas grandes obras, referentes à pri-meira etapa da restauração das superfícies arquitetônicas da residência onde o Museu está instalado, e a execução do projeto de restauração e revitalização do jardim histórico, sendo necessário o fechamento total da instituição ao público por um longo período.
Tendo em vista que a primeira intervenção produziria muita poeira e possíveis danos ao acervo, foi necessária a vedação das janelas com a colocação de folhas de compensado, impedindo a passagem de luz natural aos ambientes. Com o objetivo de mantermos a instituição em funcionamento, ainda que de forma restrita, desenvolvemos, juntamente com os bolsistas de um projeto268 que estava em curso, o museu às escuras: iluminando os detalhes.
Durante esta atividade os visitantes eram convidados a conhecerem o espaço em outra perspectiva, pois estando o mesmo totalmente escuro, sendo iluminado apenas pelo foco de uma pequena lanterna que ele recebia na recepção, a interação se tornou mais sensorial, pois os cômodos-objetos não estavam visíveis, nem mesmo os outros elementos que atuam como dispositivos de memória. Para esta atividade
264 FOUCAULT, Michel. De espaços outros. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000300008. Acesso em: 30 jun. 2018.
265 CLIFFORD, James. Museus como zonas de contato. Disponível em: http://www.forumpermanente.org/revista/numero-6-1/conteudo/museus-como-zonas-de-contato-j-clif-ford. Acesso em: 2 jul. 2018.
266 PRATT, Mary Louise. Imperial eyes. Travel writing and trans-culturation. Londres/Nova York, Routledge, 1992.
267 RANGEL, Aparecida et al. (org.). Plano museológico Museu Casa de Rui Barbosa [recurso eletrônico]: 2018-2021. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2018, p. 88.
Disponível em: http://rubi.casaruibarbosa.gov.br/bitstream/20.500.11997/7274/3/Plano%20museol%C3%B3gico%20-%202018-2021.pdf. Acesso em: 2 jul. 2018.
268 O projeto mencionado – Museu Casa de Rui Barbosa: estabelecendo relações com os turistas nacionais e internacionais – foi realizado entre 2014 e 2016, no âmbito do Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na área da Cultura, da Fundação Casa de Rui Barbosa.
era importante a concentração no caminhar e os detalhes dos ambientes iam surgindo aos poucos a partir da movimentação do feixe de luz, controlado pelo visitante, permitindo assim que a exploração ao espaço se estabelecesse em outra dimensão.
Esta experiência foi interessante também para os funcionários que todos os dias estão na institui-ção, e acabam mimetizando os elementos na paisagem, perdendo a capacidade de perceber os detalhes dos objetos, dos variados elementos que compõem cada imagem.
Ainda neste contexto e, tendo como objetivo prestar contas ao público a respeito do fechamento do jardim, espaço que atrai diariamente um grande número de usuários, desenvolvemos a ação denomi-nada aberto para obras. Com uma edição a cada mês, entre fevereiro e outubro de 2016, esta ação era formada por duas atividades: uma palestra com um especialista em uma das disciplinas existentes na obra, tais como paisagismo, restauração dos elementos integrados, iluminotécnica, arqueologia, irrigação entre outras; e uma visita mediada aos canteiros da obra, possibilitando que o público acompanhasse a evolu-ção do trabalho até a data da reabertura.
Esta ação foi muito importante, pois uma série de questionamentos, e mesmo mal-entendidos foram resolvidos antes que estas informações incorretas caíssem numa rede de comentários que contesta-vam a seriedade do trabalho. Dúvidas sobre a retirada de elementos arbóreos, a colocação de novos ban-cos, a pavimentação, a iluminação noturna entre outros temas que acabaram gerando comentários em redes sociais e E-mails foram discutidos e esclarecidos durante as edições do aberto para obras.
Seguindo a linha das ações construídas com o objetivo de fidelizar o público visitante destaco os roteiros temáticos que têm como proposta discutir assuntos específicos que muitas vezes são tratados de forma panorâmica no discurso museográfico, bem como dar visibilidade às pesquisas empreendidas na instituição por meio de transposições didáticas. Os primeiros temas selecionados foram pesquisados pela museóloga Claudia Reis, no âmbito do programa denominado Estudo do acervo do Museu Casa de Rui Barbosa, desenvolvido entre os anos de 1997 e 2011 que compõem uma série de seis publicações.
A estas pesquisas agregamos o conhecimento produzido em outros estudos que potencializam os temas abordados nas mostras. Além disso, tem sido possível expor objetos que não faziam parte do cir-cuito, acondicionados em reserva técnica há muito tempo. O roteiro que se encontra em exposição neste momento, intitulado “saúde, higiene e toalete: um paralelo entre Rui, sua casa e sua época”, distribuído em seis cômodos, aborda a questão sanitária na virada do século XIX para o XX propondo, ainda, uma análise dos avanços e retrocessos desta matéria. Para estimular este debate a abertura da mostra contou também com uma palestra intitulada Saúde e doença: a higiene como prevenção.
Estes exemplos, que foram apresentados de forma bastante resumida, servem para corroborar a afir-mação pontuada inicialmente, ou seja, os desafios não neutralizam o potencial criativo das instituições. Mui-tas outras ações estão sendo desenvolvidas para que a Fundação Casa de Rui Barbosa cumpra sua missão269 prevista no artigo primeiro do seu estatuto que estabelece como finalidade o desenvolvimento da cultura, por meio da pesquisa, do ensino, da preservação de acervos e da produção e da difusão de conhecimento. Em sin-tonia com esta missão, o Museu Casa de Rui Barbosa assume dentre os seus compromissos manter o diálogo com o campo museal, sobretudo com os espaços inseridos no modelo conceitual museu-casa, e ainda,
• Conservar, documentar e comunicar os acervos museológico, paisagístico, arqueológico e biográfico, compostos por objetos materiais e imateriais (como a imagem do patrono), por meio de estudos, pes-quisas e projetos que potencializem as ações institucionais.
• Analisar e pesquisar o modelo conceitual museu casa em diferentes vieses, buscando parcerias que possibilitem o fortalecimento do campo e o trabalho em rede.
• Valorizar os profissionais que atuam na instituição promovendo um ambiente de trabalho harmonioso e digno, investindo nas relações humanas.
• Qualificar o atendimento ao público visitante acolhendo a todos com hospitalidade, garantindo aces-sibilidade, dentro das limitações existentes e o respeito às individualidades.270
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os museus-casas são lugares de possibilidades de atuação que devem estar fundamentadas em seu tripé conceitual, estruturado no edifício, na coleção e na personagem. Para que os desafios não inviabilizem sua missão é imprescindível que a vocação do Museu, bem como o perfil e demandas de seu(s) público(s) sejam conhecidos e direcionem os programas e projetos que transformam estes espaços em zonas de contatos com reverberação positiva junto à sociedade.
Dentre os muitos desafios impostos a um museu-casa, a fidelização do público pode ser identificada como a mais singular em função das características que estes espaços possuem. Por outro lado, esta singularidade é um trunfo que serve como fio condutor ao programa educativo-museal que precisa estar, como afirma Magaly Cabral, comprometido com os sujeitos contribuindo para a análise de discursos historicamente construídos e apropriados pelo senso comum sem reflexão crítica.
269 Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/arquivos/file/Relatorios/estatuto_FCRB_2017.pdf. Acesso em: 2 jul. 2018.
270 RANGEL, Aparecida et al. (org.). Plano museológico Museu Casa de Rui Barbosa [recurso eletrônico]: 2018-2021. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2018, p. 88.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Ana Cristina (org.). Museus-casas históricas no Brasil. São Paulo: Curadoria do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, 2013.
CECA – Museum Education and New Museology. CECA Education, n. 17. Paris: Conselho Internacional de Museus (ICOM); Bélgica:
C.G.R.I. – Communauté Française de Bélgique, 2003.
CLIFFORD, James. Museus como zonas de contato. Disponível em: http://www.forumpermanente.org/revista/numero-6-1/conteudo/
museus-como-zonas-de-contato-j-clifford. Acesso em: 2 jul. 2018.
FOUCAULT, Michel. De espaços outros. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-d=S0103-40142013000300008. Acesso em: 30 jun. 2018.
PRATT, Mary Louise. Imperial eyes. Travel writing and trans-culturation. Londres/Nova York, Routledge, 1992.
RANGEL, Aparecida et al. (org.). Plano museológico Museu Casa de Rui Barbosa [recurso eletrônico]: 2018-2021. Rio de Janeiro: Fun-dação Casa de Rui Barbosa, 2018, p. 88. Disponível em: http://rubi.casaruibarbosa.gov.br/bitstream/20.500.11997/7274/3/Plano%20 museol%C3%B3gico%20-%202018-2021.pdf. Acesso em: 2 jul. 2018.
SANTOS, Maria Célia T. Moura. Encontros museológicos: reflexões sobre a museologia, a educação e o museu. Rio de Janeiro: MinC/
Iphan/Demu, 2008, p. 141 apud INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS. Museus em números. Instituto Brasileiro de Museus Brasília: Ins-tituto Brasileiro de Museus, 2011, p. 119.