PARTE III – A ARBITRAGEM NO CONTEXTO DAS RELAÇÕES DE
11. ARBITRAGEM NO CONFLITO COLETIVO DE TRABALHO DE
Pelo explanado acima, percebe-se a tendência da doutrina e legislações internacionais em se permitir o uso da arbitragem para a solução de conflitos coletivos do trabalho. Quando estes conflitos assumem postura transnacional, também a arbitragem pode despontar como forma de solução dos litígios.
Em termos de amostragem comparativa da arbitragem no plano internacional (em acréscimo ao que foi apontada no primeiro ponto da Parte III do presente estudo), é imperiosa a referência à Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional, celebrada em 30.01.75, na cidade do Panamá e ratificada pelo Brasil através do Decreto de promulgação n. 1.902/96. No campo específico das relações coletivas de trabalho, prima a Convenção n. 154 da OIT, também ratificada pelo Brasil. Constam desse diploma estruturante de fomento à negociação coletiva guidelines de estímulo ao diálogo social e, com esse objetivo, que órgãos e procedimentos de resolução de conflitos trabalhistas sejam concebidos. Explicita, referida Convenção, que as disposições presentes no documento não obstruirão o funcionamento de sistemas de relações de trabalho, nos quais a negociação coletiva ocorra num quadro de mecanismos de instituições de conciliação e arbitragem, ou de ambos, nos quais tomem parte voluntariamente as partes na negociação coletiva (art. 6o).
No âmbito do Mercosul, a Constituição argentina dispõe, em seu artigo 14, que é assegurado aos sindicatos recorrer à conciliação e à arbitragem.
No Paraguai, os conflitos coletivos econômicos são resolvidos administrativamente, na Junta Permanente de Conciliação e Arbitragem. Ademais, atores sociais e Governo celebraram a Declaração de São Bernardino na qual propõem a criação de uma instancia tripartida de conciliação, mediação e arbitragem voluntária, que poderá adotar a forma e denominação de
Comissão Tripartida de Solução de Conflitos Trabalhistas, competência para atuar na prevenção e solução de conflitos econômicos.
O Uruguai, por sua vez, é o país da América do Sul de menor intervencionismo estatal nas relações coletivas do trabalho, sendo, portanto, franqueado o uso da arbitragem pelos atores sociais.
Nos EUA, conforme aponta Georgenor de Sousa Franco Filho205, 90% das questões trabalhistas são resolvidas por arbitragem privada, através da American Arbitration Association (AAA), que possui minucioso regulamento destinado a esse aspecto, mantendo, inclusive, uma Junta de Arbitragem Laboral Voluntária, contemplando todo o procedimento arbitral.
Conforme apontado no item acerca da negociação coletiva, é, a mesma, sem sombra de dúvidas, a melhor maneira de solução de conflitos coletivos de trabalho, inclusive os transnacionais, dando cada vez mais importância aos atores do diálogo social. Todavia, a própria força dos atores em diálogo simétrico e a possibilidade de inexistência acordo entre ambos, faz com que desponte a arbitragem como mecanismo viável de solução de controvérsias, a fim de se evitarem as vias de ação direta sindical (a greve e o lockout). Tais instrumentos de pressão têm, sem sombra de dúvida, a sua importância da melhoria social; todavia, é justamente para evitar atitudes extremas que existem os mecanismos de solução de controvérsias, dentre eles a arbitragem. Negar a possibilidade do uso da arbitragem seria negar a própria possibilidade de se resolver um conflito.
Quando restarem frustrados os mecanismos autocompositivos de solução de controvérsias, dentre eles a negociação, a arbitragem despontaria como uma nova via de acesso à solução do conflito.
Ademais, nos conflitos transnacionais, a inexistência, na maior parte das vezes, de órgãos supranacionais para julgamento de conflitos destaca o uso da arbitragem, justamente por ser mecanismo mais flexível, que permite o diálogo entre os atores, que, vendo o entrave, mas dispostos a resolver o litígio através de terceiro (que pode ser uma instituição de credibilidade), promovem um acordo de vontades para a solução pelo referido terceiro com poder decisório. Se se permite às partes do diálogo transnacional negociar, decorrência lógica é a possibilidade das
205
Em duas monografias pioneiras sobre a utilização da arbitragem em conflitos coletivos: FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. A arbitragem e os conflitos coletivos de trabalho no Brasil. São Paulo: LTr, 1990 e FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. A nova lei de arbitragem e as relações de trabalho. São Paulo: LTr, 1997.
partes, em observando entrave na solução, ou mesmo em parte dela, acordarem o uso da arbitragem.
Aliás, cabe registro de José Francisco Siqueira Neto206, para quem a arbitragem e a negociação coletiva guardam similitude por serem meios diretos de solução dos conflitos, buscando resolver a lide antes da utilização de outros meios, como a greve; são meios de solução que oferecem maior flexibilidade, menor solenidade e maior amplitude, pois guardam correlação com o grau de autonomia dos sindicatos.
É na atividade dos sindicatos e no novo modelo de sindicalismo contemporâneo (interligando diversas categorias, ampliando sua comunicação) que a negociação coletiva e a arbitragem, ambas com dimensão contratual-legal (natureza mista), vão buscar a legitimidade da escolha do conteúdo aplicável (adotando-se a mesma postura observada para a negociação coletiva em termos de ampliação da liberdade dos conteúdos em virtude do fortalecimento do papel dos sujeitos coletivos no processo de criação de normas trabalhistas) e do procedimento adotado, e, no casa da arbitragem, da escolha do árbitro.
A internacionalização operária é um fato. Também no Mercosul ela é patente. Os meios de solução de controvérsias trabalhistas transnacionais, de interesses coletivos, dentre eles a arbitragem, despontam não só como elementos de pacificação social e estabilização dos interesses das classes trabalhadora/empregadora, mas também como instrumentos necessários ao desenvolvimento dos blocos econômicos, já que o crescimento destes depende, diretamente, da produção de riquezas e da circulação de pessoas, elementos intimamente ligados às relações de trabalho. Daí a necessidade da busca contínua e legitimação de quaisquer formas de solução dos conflitos trabalhistas (individuais ou coletivos transnacionais); daí a inegável importância, sem desmerecer os demais mecanismos de solução de controvérsias, da arbitragem internacional.
206
SIQUEIRA NETO, José Francisco. Direito do Trabalho e negociação coletiva. São Paulo: Associação Brasileira de Estudos do Trabalho – ABET, 1998. p. 55.
CONCLUSÕES
1. A arbitragem apresenta-se como forma de composição dos conflitos, onde um terceiro, ente não estatal, com poder decisório, resolve o litígio.
2. Prefere-se, no presente estudo, o entendimento que caracteriza da arbitragem como um procedimento de natureza híbrida: não há como negar sua natureza contratual, já que é mecanismo que somente se origina através de consenso entre as partes (inclusive quanto às regras a serem aplicadas para a solução da lide); todavia, não se pode deixar de lado seu aspecto legal-jurisdicional, já que, somente em virtude da autorização legislativa (ou mesmo da inexistência de proibição) é que se torna possível a utilização da arbitragem (respeitando determinados limites de ordem pública).
3. A arbitragem pauta-se pelos princípios da autonomia da vontade (com limites decorrentes da ordem pública); da menor interferência de expedientes estatais; e da flexibilidade, trazendo, com principais vantagens, a celeridade no procedimento, a minimização dos processos no Poder Judiciário; permite que as decisões sejam operadas por especialistas escolhidos pelas partes; permite liberdade de escolha das regras aplicadas, o que, representa, desde já, um avanço de acordo entre as partes.
4. Em termos gerais, considerar-se-ia internacional a arbitragem quando existirem elementos de ligação com o estrangeiro. Isto baseado no objeto da lide entre as partes, na pessoa dos árbitros ou das próprias partes, na sede do tribunal arbitral ou no procedimento arbitral. 5. No âmbito da arbitragem, tanto interna quanto internacional (apesar do tema ser de maior
discussão nas arbitragens internacionais) percebe-se a nítida aplicação da autonomia da vontade quanto à lei aplicável (que escolherão as regras procedimentais e materiais na convenção de arbitragem). Por mais que se proclame o princípio da autonomia da vontade para a arbitragem, restarão presentes as restrições impostas pelos ordenamentos nacionais e pela ordem pública internacional. Apesar de difícil definição, ordem pública pode ser entendida como um conceito dinâmico, correspondente os impedimentos impostos pelo Estado, com base em vários elementos componentes dos Direitos Fundamentais de cada país. Assim, estabelece-se que, entre os elementos limitadores da vontade, colocam-se as leis imperativas internas do território no qual o contrato deve ser executado, e as regras de ordem pública. A noção de ordem pública, pois, seria o conjunto de normas e princípios
que, em um momento histórico determinado, refletem o esquema de valores essenciais, cuja tutela atende de maneira especial cada ordenamento jurídico concreto.
6. No que pertine à arbitragem internacional, cabe o registro de que a doutrina aponta que a ordem pública nacional pode ser mais liberal, tratando-se de contratos internacionais, do que o é em relação aos contratos internos, visto que os standards nacionais de arbitrabilidade de caráter restritivo devidos a expressas referências legais ou interpretações judiciais, não têm sido aplicados nos contratos internacionais; ademais, existe o progressivo reconhecimento de verdadeira ordem pública internacional, devendo ser notado que, ainda em relação à arbitrabilidade, essa noção é relevante e de fato reduz os limites da ordem pública nos acordos de arbitragem.
7. Acerca do Mercosul e de sua arbitragem internacional pública, percebe-se que referido bloco é marcado pela intergovernabilidade e pela preservação das soberanias dos Estados- membros. Isso refletiu de forma direta nos mecanismos de solução de controvérsia do bloco de integração, que aderiu à idéia das negociações diretas, da conciliação e da formação eventual de Tribunal arbitral ad hoc para a solução das controvérsias, mostrando a tônica da flexibilidade da arbitragem como atrativo funcional para a solução dos conflitos. A criação do Tribunal Permanente de Recursos deu nova feição à estrutura de resolução de controvérsias do Mercosul, realçando a tônica de que a fidúcia entre os Estados-partes é um processo, e que este processo está em franco e positivo andamento. 8. No que pertine a arbitragem internacional privada, mais relacionada ao presente estudo,
conclui-se que os países membros do Mercosul prevêem expressamente a possibilidade da submissão de determinadas controvérsias à arbitragem. Os países membros do Mercosul regulamentam o procedimento arbitral, no âmbito interno, nos códigos processuais ou leis específicas, e, em relação às arbitragens internacionais, têm ratificado várias das convenções internacionais sobre essa matéria (como o exemplo das CIDIPs).
9. Adentrando no novo panorama do Direito do Trabalho, o contexto atual aponta para uma profunda reestruturação do Direito do Trabalho. Uma nova principiologia do Direito do Trabalho, abarcando, em seu objeto, novas formas de “emprego” e renda, compensando suas deficiências de restrição, mostrou-se necessária. Seriam esses novos princípios do Direito do Trabalho: o Princípio da Prevalência das Relações Sindicais sobre as Relações Individuais; o Princípio da Democratização da Economia e do Trabalho Humano; o
Princípio da Proteção Social; o Princípio da Prevalência do Processo Negocial de Formação da Norma sobre o Processo Estatal dentro de uma Comunidade Real de Comunicação.
10. Com o desenvolvimento da atividade internacional por parte das empresas, um dos principais efeitos é o surgimento de Blocos de Integração Econômica entre os diversos países (sejam com fins estritamente comerciais, seja com pretensões comunitárias), e, com eles, a circulação de trabalhadores para além das fronteiras nacionais, dando nova dimensão à problemática trabalhista.
11. Os padrões sindicalistas ligados a antiga dicotomia trabalho x capital, com objetivos exclusivos de reivindicação econômica no interior da empresa, com vias a se melhor as condições de vida dos trabalhadores pontualmente considerados, já não mais se adequada à nova realidade dos movimentos sociais e à necessidade de participação de forças sociais ativas em debates de grande porte (em panoramas de discussão de pactos sociais e os problemas do dumping social).
12. Tomando por premissa os elementos acima expostos, pode-se concluir que o novo modelo de internacionalismo operário (novo modelo de força sindical) assenta em seis teses, a saber: 1 – A afirmação de que o novo internacionalismo operário comunga com a idéia de cidadania: trata-se, pois, de afirmar que o trabalhador é antes de tudo um cidadão e que os seus direitos de cidadania não podem ser afetados negativamente pela sua condição de trabalhador; 2 – O novo internacionalismo operário constitui uma forma, entre outras, de globalização contra-hegemônica, cujo sucesso parece depender cada vez mais das coligações com outros atores sociais, formando forças legítimas para o debate, principalmente na sociedade internacional: o internacionalismo sindical será tão mais eficiente quanto forem suas coligações com outros “internacionalismos” (mulheres, direitos humanos, consumidores, pacifistas, grupos ecológicos etc.); 3 – O internacionalismo operário é uma realidade plural: perpassa, pois a sua realidade organizacional para abarcar a defesa conjunta de várias causas; 4 – O novo internacionalismo operário acontece tanto regionalmente quanto globalmente; 5 – Entre o velho e o novo internacionalismo operário há rompimentos, mas também continuidades; 6 – O novo internacionalismo operário é uma realidade em construção e apresenta
manifestações embrionárias. Esse novo sindicalismo já começa a ser observado dentro do Mercosul (Coordenadoria de Centrais Sindicais do Cone Sul - CCSCS) e no mundo. 13. De uma maneira geral, a doutrina aponta, como mecanismos para a solução de conflitos
coletivos do trabalho, os meios autocompositivos (representados pela negociação coletiva e pela mediação) e os meios heterocompositivos (a jurisdição e a arbitragem). Em âmbito internacional, a arbitragem desponta como meio heterocompositivo por excelência, já que inexistem, em grande maioria, instâncias supranacionais de julgamento.
14. A negociação coletiva deve ser entendida como um processo de entendimento entre empregados e empregadores, como um processo de diálogo, na defesa de interesses coletivos. Cumpre, a mesma, funções jurídicas e não jurídicas. As primeiras seriam as funções normativa, obrigacional e compositiva, e as últimas as funções política, econômica e social, sendo que, para ele, a principal função seria a normativa. A função normativa seria a criação de normas aplicáveis às relações de emprego (poder normativo); a obrigacional a criação de normas válidas para os sujeitos da negociação; a compositiva, visando a superar o conflito existente entre as partes; a política, que resultaria do diálogo entre grupos sociais como forma de suplantar divergências; e econômica, que seria forma de distribuição de riqueza, e a social, pela participação dos trabalhadores na vida e no desenvolvimento da empresa. De todas as funções, pois, sobressai a função normativa, já que, no mais das vezes, o principal objetivo da negociação é criar normas e condições de trabalho.
15. Dentro de sua finalidade básica, coordenar e defender interesses profissionais e econômicos, as entidades sindicais apresentam-se como formuladoras das normas jurídicas que versam, principalmente, sobre condições de trabalho. Isto é feito por intermédio dos contratos coletivos de trabalho. Não se deve confundir, pois, a negociação coletiva, que é meio de solução de conflitos com os contratos coletivos (que irão, inclusive, possibilitar questionamentos que gerem conflitos coletivos do trabalho), que constituem forma de materialização do consenso ou do sucesso obtido com a primeira, mas não a única forma.
16. Para a negociação coletiva, a doutrina, em termos de liberdade de seu conteúdo, começa a defender a liberdade dos atores e, conseqüentemente, à flexibilização dos regramentos trabalhistas. Em primeiro lugar, defende que o conteúdo deverá ter estreita ligação com os
interesses dos acordantes e dos por eles representados, respeitando as normas legais mínimas de proteção instituídas pelo Estado, salvo nos casos aceitos pelo ordenamento jurídico (quando, então, poderia haver, mediante negociação coletiva, ajuste em prejuízo dos trabalhadores – prejuízo, diga-se, aparente, já que é o próprio ator coletivo que realiza as ponderações no caso concreto). Essas hipóteses caracterizariam o ingresso da flexibilização do Direito do Trabalho e deverão ser ampliadas, até como conseqüência natural das transformações que se vêm operando, no mundo todo, em relação à normatização das relações de trabalho, sendo tendência geral privilegiar a contratação coletiva como forma de solucionar conflitos trabalhistas. A flexibilização do Direito do Trabalho deve ser entendida como um fenômeno que importa no fortalecimento da autonomia privada coletiva, em detrimento do ordenamento jurídico estatal trabalhista. 17. Fazendo, por fim, a ligação entre a arbitragem e o novo panorama do Direito do Trabalho,
percebe-se a tendência moderna da doutrina em ver, como possível, a utilização da arbitragem para os conflitos individuais. Para superar os problemas da autonomia da vontade na escolha das regras aplicáveis e da questão da escolha do árbitro e da imparcialidade do mesmo, desponta, como determinante, a participação dos atores coletivos, ou seja, a participação dos sindicatos. Somente através dele, será possível a criação de diálogo equilibrado e legítimo para a realização do procedimento. E o novo panorama do Direito do Trabalho e do Sindicalismo atual apontam para esse fortalecimento do papel do sindicalismo, inclusive como ator participante no processo de criação das normas. Para a arbitragem em conflitos coletivos do trabalho, a doutrina já é mais tranqüila, justamente porque, neste setor, o papel dos sindicatos têm sido cada vez mais forte.
18. Por fim, acerca da arbitragem para conflitos coletivos do trabalho de âmbito transnacional, conclui-se que o processo de internacionalização operária, que também ocorreu de forma intensa no bloco de países do Cone Sul, determinou o surgimento de contratos coletivos do trabalho de âmbito transnacional, em virtude, inclusive, da existência das negociações coletivas de âmbito transnacional no bloco; a negociação coletiva é, sem sombra de dúvidas, a melhor maneira de solução de conflitos coletivos de trabalho, inclusive os transnacionais, dando cada vez mais importância aos atores do diálogo social. Todavia, a própria força dos atores em diálogo simétrico e a possibilidade
de inexistência acordo entre ambos, faz com que desponte a arbitragem como mecanismo viável de solução de controvérsias, a fim de se evitarem as vias de ação direta sindical (a greve e o lockout).
19. Ademais, nos conflitos transnacionais, a inexistência, na maior parte das vezes, de órgãos supranacionais para julgamento de conflitos destaca o uso da arbitragem, justamente por ser mecanismo mais flexível, que permite o diálogo entre os atores, que, vendo o entrave, mas dispostos a resolver o litígio através de terceiro (que pode ser uma instituição de credibilidade), promovem um acordo de vontades para a solução pelo referido terceiro com poder decisório.
20. Guardando a arbitragem e a negociação coletiva similitude (por serem meios diretos de solução dos conflitos, buscando resolver a lide antes da utilização de outros meios, como a greve; por serem meios de solução que oferecem maior flexibilidade, menor solenidade e maior amplitude, pois guardam correlação com o grau de autonomia dos sindicatos), é na atividade dos sindicatos e no novo modelo de sindicalismo contemporâneo (interligando diversas categorias, ampliando sua comunicação) que a negociação coletiva e a arbitragem, ambas com dimensão contratual-legal (natureza mista), vão buscar a legitimidade da escolha do conteúdo aplicável e do procedimento adotado, e, no casa da arbitragem, da escolha do árbitro.
21. A internacionalização operária é um fato. Também no Mercosul ela é patente. Os meios de solução de controvérsias trabalhistas transnacionais, de interesses coletivos, dentre eles a arbitragem, despontam não só como elementos de pacificação social e estabilização dos interesses das classes trabalhadora/empregadora, mas também como instrumentos necessários ao desenvolvimento dos blocos econômicos, já que o crescimento destes depende, diretamente, da produção de riquezas e da circulação de pessoas, elementos intimamente ligados às relações de trabalho. Daí a necessidade da busca contínua e legitimação de quaisquer formas de solução dos conflitos trabalhistas (individuais ou coletivos transnacionais); daí a inegável importância, sem desmerecer os demais mecanismos de solução de controvérsias, da arbitragem internacional.
REFERÊNCIAS
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Fundamentos para uma teoria geral. São Paulo: LTr, 2005.
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