Vince
A guerra precisava de dinheiro.
Isso era apenas um fato.
Se você queria conduzir uma guerra bem-sucedida, precisava de dinheiro. Você precisava de armas, lealdade, capacidade de pagar a polícia, o prefeito e muito, muito mais.
Mas você não poderia fazer nada sem dinheiro. Foi isso que manteve as tropas leais, o sangue fluindo, as balas voando.
Dirigimos em um comboio de três grandes SUVs pretos. Rafa estava dirigindo nosso carro, comigo na frente e dois bandidos atrás.
Paramos no local da entrega. Já era tarde, por volta de uma da manhã, e a garagem estava completamente vazia. Paramos nossos carros e saímos em força, armados até os dentes e prontos para qualquer merda.
A gangue latina, eles se chamavam Rollers, e estavam atrasados. Em circunstâncias normais, isso não seria grande coisa, mas estávamos em uma guerra e quem sabia o que os russos iriam fazer.
Então meus homens estavam nervosos quando os Rollers finalmente apareceram.
Eles vieram em dois carros surrados. Eles estacionaram lentamente e depois desceram. Eu reconheci o líder deles, Carlos, mas não os outros dois homens.
Eu dei um passo à frente. — Carlos, você está atrasado.
— Tanto faz, cara. Tivemos problemas com o carro.
Eu ri. — A sério?
— Sim, cara, sério. — Ele deu uma olhada para um de seus rapazes. — O babaca esqueceu de inspecionar.
Eu ri, balançando a cabeça. — Que bom que você conseguiu pelo menos.
— Você conseguiu o que viemos buscar?
— Nós temos. Você tem o dinheiro?
Carlos gesticulou para o rapaz ao lado dele, que estava carregando uma maleta. Ele abriu.
Estava cheia de dinheiro.
— Bom — eu disse. Fiz um gesto para Rafa. Ele avançou com uma mochila e a jogou para Carlos.
Carlos pegou e abriu. Ele pegou um quilograma de pó e sorriu.
— É por isso que eu gosto de vocês, garotos brancos — ele disse.
— Sem brincadeiras, apenas a merda em uma bolsa.
— Dinheiro — eu disse.
Carlos acenou com a cabeça para o garoto, e o rapaz deslizou a maleta para nós.
Parei com o pé e depois peguei. Eu verifiquei rapidamente, e parecia estar tudo lá.
— Se não estiver tudo aqui, sabemos onde encontrá-lo — eu disse.
— O mesmo para você, cara.
Eu sorri para ele. — É bom fazer negócios com você.
Carlos assentiu, virou-se e todo o grupo voltou para os carros de merda deles. Eles saíram e foram embora.
— Fácil — disse Rafa.
— Sim, foi.
Eu tive uma sensação estranha no meu estômago, mas acabou.
Tínhamos o dinheiro e os russos não fizeram nada. Fiz um gesto para os homens e eles voltaram para os carros.
Nós saímos, descendo a garagem. Nosso carro estava atrás, seguindo os outros dois.
Esse sentimento continuou me incomodando. Por que isso tinha sido tão fácil? Mesmo quando não estávamos em guerra, Carlos sempre tornava as coisas difíceis. Mas desta vez ele estava se acomodando como o inferno.
Eu balancei minha cabeça. Isso não importava. Nós terminamos e tínhamos o dinheiro. Olhei para a maleta aos meus pés.
Chegamos a saida da garagem e começou a voltar para a rua.
Os dois primeiros carros saíram para a rua e estávamos logo atrás.
Então eu ouvi o barulho dos pneus. Só tive tempo suficiente para olhar para cima antes que um caminhão colidisse com a gente.
Fui disparado para a frente, mas fui salvo pelo cinto de segurança. Um dos idiotas no banco de trás não teve tanta sorte, foi voando para a frente, esmagando o rosto no painel.
Meus ouvidos estavam zumbindo, me senti completamente atordoado.
— Chefe. — Rafa gritou.
Houve o som de tiros. Eu vi quando Rafa sacou sua arma e começar a atirar. Eu estava atordoado, minha cabeça girando. O outro bandido no banco de trás puxou sua arma e começou a atirar também.
— Vince! — Rafa gritou, saindo do carro.
Voltei para mim naquele momento.
O caminhão que nos bateu estava a alguns metros de distância e quatro homens estavam disparando contra o carro. Subi no corpo do bandido inconsciente e abri a porta de Rafa, colocando nosso carro entre mim e os caras que vinham até nós.
Puxei minha arma. O outro bandido se agachou na extremidade do carro e começou a atirar nos homens. Eu percebi que eles estavam gritando em russo, e rapidamente ficou óbvio o que estava acontecendo.
Eles nos emboscaram. Eles atacaram nosso carro porque sabiam em qual carro ir. O maldito Carlos nos vendeu para os russos.
Olhei para o bandido que estava disparando com sua arma foi atingido na cabeça, vi quando ela explodiu. Ele caiu no chão, sem se mexer, seu crânio uma poça de sangue.
— Porra — Rafa gritou. Nossos dois soldados caíram. Eu rapidamente dei alguns tiros, acertando a perna de um dos russos.
Ele caiu no chão, mas não havia terminado.
— Precisamos do dinheiro — falei para Rafa. — Me proteja.
— Você está louco?
— Precisamos disso, Rafa. — Voltei para o carro e comecei a estender a mão sobre o corpo do bandido.
Os russos abriram fogo como loucos. Balas bateram ao meu redor, enchendo o carro com destroços e explosões. Estendi a mão sobre o corpo e agarrei a alça da maleta, mal colocando meus dedos nela.
Rafa devolveu o fogo e conseguiu acertar um dos russos no estômago. Ele caiu no chão, sangrando e gritando maldições. Os outros dois se separaram, um indo para a frente do carro e o outra atrás.
Eu tive que recuar quando o homem na frente atirou em mim através do pára-brisa.
Caí e rolei em direção à parte de trás, levantando minha arma.
Nesse momento, ouvi o rugido de outro SUV. Era o nosso pessoal, devem ter percebido que não seguimos e voltaram para nos checar. Eles pararam, não muito longe, e o russo que estava na frente começou a atirar neles.
Mas muito devagar. Logo ele estava coberto de balas pelos nossos homens. Eles se espalharam, correndo em nossa direção, atirando no russo que faltava.
Mas ele foi embora. Ele não se deu ao trabalho de tentar uma batalha perdida. Simplesmente se virou e correu.
Alguns de nossos homens foram atrás dele.
Eu me inclinei contra o carro.
— Você está bem, chefe? — Rafa perguntou.
— Eu estou bem. Vocês?
— Bem.
Olhei em volta para o metal retorcido dos dois carros quebrados e os corpos de nossos dois homens. Os dois russos ainda estavam vivos. Eu andei em direção a eles.
Coloquei minha bota na ferida do estômago de um homem.
Ele gritou de dor. Coloquei uma bala na cabeça dele.
Fui até o outro.
— Acha que seu homem pode fugir? — Eu perguntei a ele.
— Foda-se — ele disse.
— Resposta errada. — Eu atirei na cabeça dele.
— Nós poderíamos usá-los vivos, chefe — disse Rafa.
— Vamos pegar o homem a pé. — Fui até o SUV, abri a porta e peguei a maleta do chão. Estava amassada e coberta de sangue do homem que não havia se incomodado com o cinto de segurança, caso do contrário, estaria bem.
— Que porra foi essa? — Rafa perguntou. — Por que apenas um carro?
— Eu não sei — eu disse. — Talvez eles estivessem atrás do dinheiro. Ou talvez eles não soubessem que estaríamos com essa energia.
— Merda — disse Rafa. — Bastardos.
— Eles apenas tornaram essa guerra real — eu disse. — Vamos.
Eu andei em direção ao outro SUV. Apontei para dois dos meus soldados. — Vocês dois, certifique-se de que o russo seja caçado. — Eles assentiram e correram para se juntar à perseguição.
Rafa subiu no banco do motorista do SUV agora vazio e eu entrei no lado do passageiro. Tínhamos quatro homens treinados caçando aquele russo, não duraria muito.
Rafa parou, e o último SUV se encontrou conosco no semáforo.
Voltamos juntos ao complexo.
Meu coração estava batendo. Essa foi por pouco. Tivemos sorte que o último SUV voltou para nos verificar, caso contrário, poderíamos estar mortos na rua.
Mas nós conseguimos, e com o dinheiro, metade do que precisamos para compensar Bao e seu pessoal. Espero que Arturo esteja na frente da outra metade, mas com aquele bastardo nunca se sabe. Eu me senti excitado com toda essa adrenalina que fluía
pelo meu corpo. Foi quase tão bom quanto me senti depois de foder Kaley naquele dia.
Mas eu não poderia pensar nela. Ela era apenas uma distração. Essa guerra era real e cada vez mais perigosa. Logo descobriria o que eu queria com a Kaley.
Mas primeiro eu tive que conseguir dinheiro e financiar essa maldita guerra.