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Vince

Eu não esperava o olhar em seu rosto.

Talvez ela estivesse tentando esconder isso, mas ela fez um bom trabalho. Eu vi a angústia e a dor evidente no seu rosto assim que comecei a falar.

Eu não esperava isso. Ela sabia o que eu era e o que fazia, e eu já estava arriscando muito para mantê-la segura. Ela não podia esperar aparecer na minha porta com um maldito bebê e esperar que eu larguasse tudo para me tornar pai.

Acima de tudo, eu não esperava como reagiria quando a visse com dor. Achei que seria desconfortável, talvez um pouco estranho.

Eu nunca disse a uma garota que não queria ser o pai, patético, trocando fraldas o dia inteiro. Mas eu realmente não esperava me sentir tão mal com a coisa toda, e me arrependi instantaneamente do que disse.

Mas ela foi embora antes que eu tivesse a chance de me desculpar. Essa merda já estava lá fora de qualquer maneira. Estava pairando no ar, e não havia como voltar atrás.

Maldito inferno. Eu estava tentando comandar uma guerra enquanto tentava descobrir se eu queria ser pai ou não. Todo o tempo, a mãe do meu filho era tão deliciosa que eu sentia vontade

deita-la no chão e tirar suas roupas toda vez que eu estava em qualquer lugar perto dela. Ficou bastante difícil ficar distante.

Eu dei a ela um minuto antes de sair da sala das estufas. No corredor, meu telefone começou a tocar. Era uma mensagem de Lucas me dizendo para encontrá-lo no escritório de Arturo em dez minutos.

Suspirei , balançando a cabeça. Que porra Arturo queria agora? Ele provavelmente me daria uma merda por matar aqueles russos, embora eu não me sentisse mal com isso nem um pouco.

Foi legítima defesa e, além disso, estávamos em uma guerra de merda. Eu mataria muito mais russos antes que isso acabasse.

Passei pelos corredores para descansar alguns minutos antes de finalmente terminar do lado de fora da porta de Arturo. Eu bati uma vez.

— Entre — ele disse.

Eu empurrei a porta aberta. Lucas estava sentado em uma das cadeiras em frente à mesa, e Arturo fez um gesto para eu me sentar.

— É bom ver você, Vincent — disse Arturo. — Fico feliz que essas tretas russas não chegaram até você.

— Não sou fácil de matar, senhor — falei.

— Muito bom. — Ele olhou para Lucas. — Conte a ele as boas novas.

— Temos o seu dinheiro — ele disse.

— Bom. Bao ficará satisfeito.

— Por mais que nos preocupemos com a opinião dele — disse Arturo, — verifique se as armas valem a pena. Há muito dinheiro nisso.

Eu assenti. — Vai correr tudo bem e seguiremos com o plano.

Lucas levantou-se. — Nós cuidaremos disso.

Eu fiquei de pé. — Obrigado, senhor.

— Apenas continua com o bom trabalho. Mate mais alguns dessas merdas.

Eu sorri — Eu vou.

Nos viramos e saímos rapidamente. Lucas balançou a cabeça, rindo. — Eu não vejo o velho trabalhando assim há muito tempo.

— Eu pensei que ele ficaria chateado com os cadáveres.

— Chateado? — Lucas riu novamente, balançando a cabeça.

— Ele está animado.

— Acho que ele não chegou aonde está por ter medo da violência.

— Acho que não. — Voltamos pelo corredor, em direção ao meu escritório. — O dinheiro deve estar com Rafa agora. Arturo quer as armas aqui o mais rápido possível.

— Entendi. Amanhã faremos a entrega.

— Bom. E ei, pare de ir ao maldito jardim da minha mãe.

Eu ri. — Como você sabe?

— O segurança me disse. Eu não sei o que você está fazendo lá, mas pare com isso. Tenho certeza de que não é algo que honra a memória de minha mãe.

— Vamos, Lucas — eu disse, sorrindo, — Só estou deixando flores aos pés dela.

— Certo. Provavelmente lá dentro, fodendo sua garota russa.

Eu sorri. — Eu gostaria. Ela ultimamente está muito resistente.

— Por quê? Irritada por você não querer brincar de papai?

— Sim, na verdade — eu disse.

Lucas riu de mim. — Merda. Você está brincando. Você realmente disse isso a ela?

— O que? Eu estava tentando ser honesto.

Paramos do lado de fora da porta do meu escritório e Lucas parecia totalmente confuso. — Seu idiota — ele disse. — Há quanto tempo você sabe? Um dia ou dois?

— Sim — eu resmunguei.

— Então você não sabe o que quer agora. Dê um tempo antes de irritar a garota.

— Acho que sim.

— Ser pai não é tão difícil. Apenas seja melhor que seu pai.

— Nunca tive um.

— Então você não sabe o que quer. — Lucas assentiu e depois se virou e se afastou.

Aquele bastardo. Tão presunçoso. Mas ele tinha razão. Eu tinha acabado de descobrir sobre o garoto. Talvez eu mude de ideia. E eu definitivamente não queria que Kaley ficasse chateada o tempo todo.

Empurrei a porta e vi Rafa sentado à mesa, uma bolsa aberta na frente dele.

— Rafa? — Eu perguntei.

— Chefe — ele disse, — Olha. — Ele segurou a bolsa e me mostrou o dinheiro dentro dela.

Eu ri. — Sim. A máfia volta a aparecer.

— Devemos visitar nosso amigo chinês?

— Eu acho que devemos.

Peguei meu telefone e fiz algumas ligações.

****

Uma hora depois, estávamos de volta a Chinatown.

Normalmente, eu me encontrava com Bao com apenas alguns caras, talvez apenas Rafa, mas depois da noite passada, eu não estava me arriscando. Estávamos com três carros novamente, cada carro cheio de homens armados até os dentes.

Paramos em frente ao local de lavagem a seco de Bao, embora desta vez ele me esperasse. Saí com o Rafa atrás de mim, os outros caras se espalhando em frente ao prédio.

Entramos e a mesma mulher olhou para nós, quase entediada.

— Ele está esperando você — ela disse. — Lá atrás.

Eu assenti e passamos por ela. As prateleiras de roupas se estendiam para trás e o lugar cheirava a um armário cheio de produtos químicos. Rafa estava perto de mim, carregando duas malas cheias de dinheiro.

Na parte de trás havia uma porta aberta e algumas escadas.

Olhei para Rafa e tive um mal pressentimento sobre isso. Se estivéssemos entrando em uma emboscada, este era o lugar perfeito para atacar.

— Bao? — Eu chamei.

— Aqui em cima — ele disse. — Venha.

— Chefe — Rafa alertou, — Eu não gosto disso. Por que não nos encontrou na frente?

— Merda — eu disse. — Vamos. Vamos lá.

Dei um passo e comecei a subir as escadas.

Parte de mim tinha certeza de que estávamos entrando em uma armadilha. Eu não sabia por que os chineses queriam trabalhar com os russos, especialmente quando já tínhamos tanto dinheiro envolvido em nosso acordo, mas coisas mais loucas haviam acontecido.

Finalmente, chegamos ao topo da escada. Fiz uma pausa e quase ri do que vi.

Bao estava sentado no meio da sala segurando um bebê. Ele sorriu quando Rafa e eu entramos na pequena sala.

— Desculpe por isso — ele disse. — Estou de babá.

— Você está brincando? — Eu perguntei a ele.

— Não brinco — ele disse. — É filha do meu filho, Jane. Ele deu a ela um nome americano, é claro, apenas para me irritar sem fim.

Eu ri. — Ela é adorável.

— Bem, sim, claro. Ela é minha carne. — Ele a balançou um pouco no joelho e fez alguns barulhos.

— Temos o seu dinheiro — eu disse.

— Bom. Então você pode ter suas armas.

— Quando?

— Amanhã. Vamos deixá-los direto no seu complexo.

Eu fiz uma careta para isso. — Não tenho certeza de que seja uma boa ideia.

Ele me dispensou. — Está bem. Esse dinheiro não garante problemas. E você pode verificar o caminhão antes que ele entre na propriedade. Inferno, vamos deixá-lo no portão e sair.

— Tudo bem — eu disse.

— Coloque lá — ele disse, apontando para uma cadeira. Eu balancei a cabeça para Rafa e ele colocou as malas no chão.

— Como você faz isso? — Eu perguntei a Bao.

— Fazer o que?

— Cuidar dela, fazendo o que você faz.

Ele inclinou a cabeça para mim. — Você quer dizer, como eu cuido de uma criança enquanto estou na máfia chinesa?

— Sim — eu resmunguei.

— É fácil — ele disse. — Só porque meu trabalho é cheio de violência e dor não significa que toda a minha vida deva ser.

Eu fiz uma careta para ele e queria perguntar mais, mas eu estava intensamente consciente de Rafa esperando perto da

escada. Fiz uma pausa por mais um segundo e depois me virei para sair.

— Vincent — disse Bao, — Mais uma coisa.

— Sim?

— Essa guerra com os russos. Fui instruído a lhe dizer que não tomaremos partido.

Eu assenti. — Tudo Bem.

— Mas cá entre nós? Faça esta guerra rápida. Minha organização não está interessada em derramamento de sangue desnecessário.

— Eu não poderia concordar mais, Bao.

Eu me virei e saí, Rafa descendo as escadas à minha frente.

Assim que descemos e voltamos à loja, Rafa olhou para mim.

— O que foi aquilo lá em cima? — ele perguntou.

— O que?

— As coisas de criança.

Eu balancei minha cabeça. — Não é da sua conta.

— É sobre o seu novo filho — ele disse. — Você está tendo alguns problemas?

— Rafa, você continua pressionando e eu vou quebrar seus dentes.

Ele sorriu. — Ok, chefe.

Voltamos pra aos carros e a equipe saiu, indo em direção ao complexo.