• Nenhum resultado encontrado

Vince

Eu olhei para o bebê se contorcendo e fiz uma careta.

— Você parece um alienígena. — eu disse.

Ele piscou de volta para mim. Tinha impressionantes olhos azuis, assim como sua mãe.

Suspirei. O bebê era um menino, e seu nome era Alexei. E aparentemente era meu filho.

Talvez ele parecesse um pouco comigo. Nós tínhamos alguns traços, mas era difícil dizer. Ele era tão pequeno e jovem.

Enquanto eu estava esperando Kaley terminar no banheiro, olhei para Alex. Eu senti algo naquele momento. Eu nunca tive com um bebê antes na minha vida, e nunca quis.

Os bebês eram uma distração. Eles sugavam todo o seu tempo, seu dinheiro e sua liberdade. Eles eram uma bola em uma corrente, uma âncora mantendo você no lugar. Eu não queria ser pressionado. Queria sair furiosamente pela cidade, pegar o que quisesse. Em vez disso, estava em um corredor segurando um bebê estranho, me perguntando se era realmente meu filho.

— Você é realmente um pouco fofo. — eu disse suavemente, esperando que ninguém me ouvisse.

Ele olhou de volta para mim.

E então ele começou a gritar.

— Merda. — eu disse. — Kaley. — gritei alto.

Ela abriu a porta. — Está tudo bem — ela disse. — Ele chora às vezes.

Ela o tirou de mim e eu fiz uma careta. Era um barulho horrível que estava fazendo, absolutamente arrepiante.

— Está tudo bem. — ela disse, balançando Alex. — Mamãe pegou você. Está bem.

Lentamente, o bebê se acalmou.

— Vamos. — eu resmunguei para ela.

Ela me seguiu silenciosamente de volta ao escritório.

Bebês chorando. Eu nunca pensei em toda a minha vida que estaria segurando um pirralho chorão. Por um segundo ate que foi bom, apenas um pacotinho quente de bebê se contorcendo, e no outro uivou como um demônio.

Maldita coisa com certeza poderia gritar.

Kaley sentou-se novamente à mesa e Rafa olhou para nós.

— Isso foi rápido — ele disse.

— Eles usaram apenas o cotonete bucal. — respondi. — Simples assim.

— E agora? — Kaley perguntou. — Eles disseram ques teremos os resultados daqui a três dias.

— Merda — disse Rafa. — Três dias?

— Está tudo bem. — eu disse. — Nós vamos arranjar uma solução.

Quando me sentei na minha mesa, houve uma batida na porta.

Suspirei e voltei, caminhando até a porta. Abri e Lucas sorriu para mim.

— Tudo bem, papai? — ele disse.

— Porra.

Ele riu. — Deixe-me vê-la.

Afastei-me e Lucas entrou na sala. Ele sorriu para Kaley.

— Então, você é o problema. — ele disse.

— Eu sou Kaley Kozlov.

— Lucas Barone.

Ela piscou. — O Lucas Barone?

Ele sorriu e eu suspirei. Lucas era famoso na cidade por ser o filho de Arturo. Às vezes pode ser desagradável.

— O primeiro e único. — ele disse. — E este é o filho de Vince? — Ele se aproximou e olhou para o bebê. — Ele é realmente fofo.

— Obrigada. — disse Kaley.

— Eu posso?

Kaley pareceu surpresa. — Claro.

Ela entregou Alex a Lucas, e ele segurou o garoto como se não fosse nada.

— Olá, rapazinho. — ele disse. — Qual o nome dele? — ele perguntou-me.

— Alexei. — eu disse.

— Russo. — Lucas franziu o cenho.

— Sim, russo. — disse Kaley. — Lembrem-se de onde ele vem.

Eu olhei para ela. — Nós não vamos esquecer.

Ela olhou para mim, desafiadora linda. Sem a criança nos braços, me lembrei exatamente por que a levei para casa naquela noite.

— Eu também tenho filhos, você sabia. — disse Lucas.

— Realmente? — Kaley perguntou.

— Sim. Dois rapazes.

— Quais são os nomes deles?

— Stokes e Cooper.

— Uau. Nomes legais.

Ele riu. — Minha esposa os escolheu. Eu teria escolhido algo mais simples.

Ele entregou o garoto de volta a Kaley e olhou para mim. — Vamos. O chefe quer falar com você.

— É sobre mim? — Kaley perguntou.

— Sim — disse Lucas.

— Deixe-me encontrar com ele.

— Não. — eu disse rapidamente. — Fique aqui. Eu voltarei.

Ela franziu a testa, mas não disse nada. Lucas olhou para ela por um segundo e depois saímos da sala juntos, indo em direção ao escritório de Arturo.

— Garota interessante. — comentou Lucas.

— Sim. — eu disse. — Desafiadora.

— Essa é uma maneira de colocar as coisas.

Andamos em silêncio até chegarmos ao escritório de Arturo.

Lucas bateu e depois abriu a porta.

O escritório estava tão bem mobiliado como em qualquer outro lugar da casa. O próprio Arturo estava sentado atrás de sua grande mesa de madeira e gesticulou para as cadeiras para nos sentarmos. Entramos, mas Lucas ficou de pé enquanto eu me sentava.

— Vincent. — disse Arturo. — Ouvi dizer que algo aconteceu hoje.

Arturo foi o chefe da família criminosa de Barone a maior parte de sua vida. Ele era uma lenda na cidade desde que ele levou a família de um grupo criminoso menor para uma das maiores máfias de todo o país. Arturo era bem respeitado e poderoso, apesar disso ter acontecido há muito tempo.

— Sim. — eu disse. — O nome dela é Kaley Kozlov, filha de Anatoli Kozlov, o chefe russo.

— E ela diz que seu filho é seu.

Eu assenti. — Essa é a história dela.

— Ele é?

— Eu não sei. — eu disse honestamente. — Ele pode ser.

Arturo suspirou. — Você enfiou o pau em uma prostituta russa e agora você tem um filho.

Eu me encolhi com a maneira como ele disse isso. Kaley não era uma prostituta, até onde eu sabia. Mas você não corrigia Arturo Barone, não se você fosse esperto.

— Sim senhor.

— Porque ela está aqui?

— Ela acredita que sua família vai tirar seu filho dela porque ele é uma vergonha para eles. Ela está aqui procurando minha proteção.

Arturo assentiu. — Entendo. E você vai oferecer essa proteção?

Eu pisquei, surpreso. — Supus que você estivesse tomando essa decisão, senhor. — eu disse.

— Lucas aqui acredita que seria errado afastar uma mãe necessitada. — disse Arturo. — E eu acredito que ela poderia ser útil. Estamos sempre procurando uma vantagem contra os russos.

Eu assenti. — Prático. Concordo.

— Mas, finalmente, essa é sua decisão. Se você a acolher, pode haver sérias consequências por parte dos russos.

Consequências que você pode ser forçado a pagar.

Eu fiz uma careta, olhando para minhas mãos.

Alex era meu filho?

Era possível. Era muito possível. Quando o segurei, sabia que havia sentido algo dentro de mim. Eu não sabia o que aquilo significava, se é que havia alguma coisa, mas tinha acontecido.

Então havia a garota.

Kaley era todo fogo e beleza. Ela era forte, mas era uma princesa russa, tudo que me ensinaram a não gostar. Eu queria transar com ela, mas não queria criar um filho com ela.

Mas ela poderia ser útil, muito útil. Eu não sabia o que isso significava para mim e para ela, mas poderia ser uma coisa boa para a máfia

Eu não queria o moleque, mas não podia dar as costas a ela, não até ter certeza.

— Eu assumo essa responsabilidade. — eu disse.

Arturo assentiu. — Bom.

— Pelo menos até que tenhamos certeza se é meu filho.

— Claro. — disse Arturo. — Se não for seu filho, nós a enviaremos de volta à família o mais rápido possível com todas as nossas desculpas.

— E se for meu filho?

— Bem. — disse Arturo, sorrindo. — Decidiremos isso quando acontecer. Por enquanto, vamos mantê-la aqui.

Eu levantei-me. — Obrigado, senhor.

— Não estrague tudo, Vince. Mantenha a garota feliz até sabermos mais.

Eu assenti. — Sim senhor.

Lucas virou e saiu, e eu o segui. Ele fechou a porta atrás de nós.

Voltamos para o corredor onde ele parou e me encarou. Ele estava com um olhar sério e eu parei, olhando para ele.

— O que? — Eu perguntei.

Seu rosto se abriu em um grande sorriso. — Parabéns, papai.

— ele disse. — Você tem um filho, porra.

Eu gemi. — Porra.

Ele riu e voltamos para o escritório.

Mas ele estava certo.

Aceitá-la assim era basicamente admitir para mim mesmo que o garoto poderia realmente ser meu. Eu não o queria, nunca me inscrevi para ser pai, mas o fato é que poderia ser meu filho.

E então eu tinha uma responsabilidade com sua mãe linda.

Porra. Essa coisa toda estava uma bagunça.

E Lucas ser um idiota sobre isso não estava ajudando.

Voltamos para o meu escritório, onde estava a Kaley, tinha um nó no meu estômago.