Kaley
Vince voltou ao escritório pouco tempo depois, com o rosto assombrado por alguma coisa. Ele mal olhou para mim quando voltou para sua mesa e, alguns minutos depois, outro homem apareceu na nossa porta.
— Kaley? — ele perguntou.
Eu levantei-me. — O que está acontecendo?
Vince olhou para mim. — Relaxe — ele disse. — Ele está lhe mostrando seu quarto.
— Meu quarto?
— Sim. — disse Vince. — Você vai ficar aqui por um tempo.
Dei um passo em direção a ele, minha boca aberta. — Você está me aceitando?
— Até sair o teste de paternidade.
— Você é o pai. — eu disse. — Você vai ver.
Ele apenas assentiu, seus olhos duros me encarando. Eu queria beijar seus belos lábios, mas me contive.
— Obrigada. — eu disse.
Ele assentiu novamente. Eu me virei e o homem sorriu para mim. — Por aqui.
Ele estava vestido de terno e usava um fone de ouvido, como um agente do serviço secreto. Talvez tenha mais de quarenta anos
e estava começando a ficar calvo. Peguei minha bolsa e me apressei em seguí-lo.
Me levou por alguns corredores, fiquei perdida assim que começamos a andar. Poucos minutos depois, ele parou na frente de uma porta, passou um cartão e abriu.
Entrei e respirei fundo.
O quarto era incrível. Era uma suíte, com uma sala de estar separada, o quarto ficava na parte de trás. Era de longe o quarto mais bonito em que já havia ficado, pelo menos se comparar com de um hotel cinco estrelas, mas provavelmente era melhor.
— O quarto é do seu agrado? — o homem perguntou.
— Sim. — eu disse. — É fantástico.
— Bom. — Ele olhou o relógio. — Alguém estará aqui em breve para que você se estabeleça. — Ele se virou e desapareceu.
Eu fiquei boquiaberta olhando ao redor da sala, deixei minha bolsa cair no sofá. — Estamos seguros, garotinho. — sussurrei para Alex. — Veja, nós temos nosso próprio quarto agora. Papai vai cuidar de nós.
Eu me senti estranha chamando Vince assim. Ele era o pai de Alexei, mas ainda era estranho estar sob sua proteção. Na verdade, ainda pensava nele o tempo todo e não sabia como me sentia sobre o homem. Tudo estava tão confuso na minha mente.
Alex e eu exploramos o lugar e conversamos o tempo todo. Ele parecia tão calmo, surpreendentemente calmo, especialmente
considerando que era um bebê em um lugar novo. Mas provavelmente nem percebeu a diferença.
Eu notei, no entanto. O quarto era enorme e o banheiro anexo era maravilhoso. Tinha uma banheira cheia e um chuveiro, além de todas as superfícies de granito e mármore. Era de longe o lugar mais bonito que eu já havia pisado.
Eu ouvi a porta abrir no outro quarto. — Olá? — a voz de uma mulher chamou.
Fui em direção da sala e vi uma mulher mais velha parada ali, sorrindo para mim. Ela provavelmente estava na casa dos quarenta, com os cabelos escuros em um coque apertado. Usava uma calça social modesta e camisa de botão que parecia pertencer a um catálogo da JCrew ou algo assim.
— Oi — eu disse. — Eu sou Kaley.
— Olá Kaley. Meu nome é Sonya. Fui enviada aqui para ajudar você. — Ela deu um passo em minha direção. — Este pequeno é Alexei?
Eu assenti, sorrindo. — Ele está um pouco cansado agora.
— Tenho certeza. Foi um grande dia para ele. — Ela chegou um pouco mais perto. — Posso?
— Claro. — Entreguei Alexei a ela, e o levou como uma profissional. Por qualquer motivo, confiei nela imediatamente.
Talvez fosse por causa do nome russo, mas era mais provável que fosse pelo modo que se comportava. Parecia muito gentil e prestativa, parecia ser muito boa com Alex.
— Olá, garotinho. — ela disse sorrindo. — Ele é muito fofo.
— Obrigada. — eu disse.
— Então, Kaley, estou aqui para ajudá-la a se instalar, mas também vou ajudá-la a cuidar do pequeno Alex aqui.
Eu parei no meu caminho. — O que?
— Não se preocupe. — ela disse, sorrindo. — Sou uma babá profissional. Normalmente ajudo na creche, mas eles me designaram para você por enquanto.
— Não preciso de ajuda. — disse.
— Tenho certeza de que não, querida, mas este é um lugar incrível e você estará ocupada.
— Eu estou bem. — eu disse novamente. — Eu posso cuidar aqui do Alexei.
— Bem. — Ela sorriu e me entregou Alex, sentindo claramente meu desconforto. — Deixe-me mostrar algumas coisas.
— Ela pegou um pequeno pacote, assim como quando você chega num hotel.
— Este é o seu cartão-chave. Não perca. Se a chave abrir uma porta, você poderá entrar. Se não, você não pode. Simples, certo? — Eu assenti, franzindo a testa. Eles realmente me deixariam passear pelo prédio?
— Em seguida o menu de comida. Você liga para o serviço de quarto, pede o que quiser e a equipe o informará. Assim como em um hotel, exceto que você não precisa pagar nada.
— Isso é serio? — Eu perguntei. — Você não está brincando?
— De modo nenhum. Traremos um berço para Alex, algumas fraldas, realmente o que você precisar.
— Isso seria incrível — eu disse.
— Você está amamentando?
Eu assenti.
— Bom — ela disse. — Então você não precisa de fórmula.
Aqui está um mapa. Praticamente nada está fora dos limites. Há muito o que fazer, então fique à vontade para explorar.
— Sonya — eu disse, — O que diabos é esse lugar?
Ela riu sorrindo. — Eu sei, é estranho né?
— É mais parecido como um resort, do que como um complexo da máfia.
Ela riu, balançando a cabeça. — Eu sei, eu sei. Eu gosto de como você é direta.
Eu Corei. — Desculpa. Todo mundo sabe disso, certo?
— Claro. — Ela deu de ombros, olhando através dos papéis.
— Não sei por que esse lugar se tornou desse jeito. Acho que, como os homens têm trabalhos tão difíceis, a família queria um lugar para todos se sentirem seguros e relaxados.
— Eu acho que isso faz sentido.
— Além disso, os Barones gostam de mostrar sua riqueza.
Que maneira melhor do que mimar cada hóspede que entra pela porta?
Eu assenti novamente. Fazia sentido, mas ainda era demais.
Apenas algumas horas atrás eu estava preocupada com a
possibilidade de meu filho ser levado para longe de mim, e agora, de repente, eu estava hospedada neste resort mafioso de cinco estrelas, completamente protegida e cuidada.
A máfia russa não tinha nada disso. Eles estavam mais espalhados, menos centralizados. Eu sabia que o povo de meu pai tinha quase a mesma riqueza que os italianos, mas nosso povo enviou muito de volta à Rússia, onde mantivemos muitos terrenos e edifícios.
Aparentemente, pelo menos. Eu nunca vi nada disso nem estive na Rússia. Inferno, eu mal falava russo, o que irritava meu pai o tempo todo.
Mas esqueça-o e esqueça os russos. Para mim, desde momento em que eles planejaram levar meu filho eu deixei de fazer parte da família deles.
— Alguma pergunta? — Sonya me perguntou.
— Acho que não — eu disse.
— Tudo bem — ela disse. — Eu vou deixá-la sozinha. O berço estará pronto em breve, junto com outros suprimentos. Falo com você mais tarde.
— Você não precisa fazer isso — eu disse. — De verdade eu estou bem.
Sonya suspirou. — Escute, Kaley. Não sei por que você está aqui ou do que está fugindo. Tudo o que sei é que fui designada para ajudar a cuidar do seu filho. Se você não quer que faça nada,
não vou. Mas ajudo mães solteiras como você há muito tempo, confie em mim, sei o quão difícil pode ser nesses primeiros meses.
Eu balancei a cabeça para ela, franzindo a testa. Ela realmente não parecia fazer parte da organização italiana. Talvez ela realmente fosse apenas um membro da equipe enviado para ajudar a cuidar de Alexei. Talvez as pessoas nem sempre tenham sido péssimas e, às vezes, cuidam dos filhos em vez de tentar mandá-los embora.
— Obrigada, — eu disse.
— Sem problemas. — Ela se virou e caminhou em direção à porta. — Mais uma coisa. Se você precisar de mim, pegue o telefone e solicite. Eles sabem quem eu sou. Virei correndo.
— Obrigada, — eu disse novamente.
Ela assentiu. — Por favor, peça ajuda. E boa sorte se você decidir que não quer.
Eu sorri. Ela se virou e desapareceu pela porta.
— Que lugar estranho — eu disse suavemente. — Certo, garotinho?
Ele sorriu para mim.
Olhei para o pacote que Sonya havia trazido e senti algo profundo no meu peito.
Foi um alívio.
Pela primeira vez desde que Alex nasceu, eu senti que ele estava seguro. Não estávamos em perigo imediato. Vince iria me
proteger pelos próximos três dias, pelo menos, e então descobriria que ele era definitivamente o pai.
Então, quem sabia o que iria acontecer? Mas pelo menos fiquei em segurança por um tempo e finalmente consegui recuperar o fôlego.
Quase como se fosse uma sugestão, Alex começou a chorar.
O trabalho de uma mãe nunca acaba, pensei comigo mesma.