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3 METODOLOGIA

3.5 Chaves interpretativas utilizadas nas análises

Na pesquisa, metodologia e elementos interpretativos e de análise fundamentam-se na ADC. Nessa dinâmica, tangenciam-se ideologias e interesses em

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As convenções de transcrição dos áudios das entrevistas estão devidamente identificadas e integralmente disponibilizadas nos anexos. Ressalta-se que a disponibilidade das entrevistas se dá pela própria indicação teórico-metodológica utilizada na pesquisa com base na ADC, para que o leitor possa consultar os textos integrais dos entrevistados e tenha parâmetros ampliados de avaliação.

torno do turismo, analisados via práticas discursivas, etapa na qual as dimensões epistemológicas e praxiológicas se entrelaçam. É uma forma de abranger prática e teoria, investigar as práticas sociais e tornar prática as teorizações aqui debatidas.

Desse modo, ressalta-se o desafio enfrentado pelo autor em sistematizar a pesquisa em uma área que exige conhecimentos específicos, como a linguística, disciplina importante nas análises e diretamente relacionada com as categorias analíticas empregadas na ADC, contudo interdisciplinar, em termos de abordagem, o que facilita o diálogo com outras disciplinas. De acordo com Fairclough (2001, p. 102): Embora uma experiência prévia em linguística [sic], em princípio, possa ser pré-requisito para fazer análise de discurso, na verdade a análise de discurso é uma atividade interdisciplinar e não se pode exigir uma grande experiência linguística [sic] prévia dos seus praticantes, do mesmo modo que não se pode exigir experiência prévia em sociologia, psicologia ou política.

Numa perspectiva teórico-metodológica, o emprego da ADC destaca-se por articular a análise dos discursos do turismo e a relação com a prática social, da mesma forma que se revela área de pesquisa adequada de investigação dos aspectos semióticos que estruturam a atividade (COSTA, 2014). Assim, a referida disciplina e, associada a isso, a perspectiva epistemológica dos estudos críticos do turismo delineiam as chaves interpretativas e analíticas do corpus da pesquisa.

A ADC tem sido amplamente empregada como disciplina transdisciplinar de pesquisa nas áreas das ciências sociais e humanas (CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999). Um dos destaques da disciplina está em sistematizar leituras complexas, multidisciplinares e multimetodológicas do fenômeno social, especialmente no que tange à (des)mistificação de ideologias e poder, seja na escrita, fala ou campo visual (WODAK; MEYER, 2009).

O estudo alinha-se a essa perspectiva, a de analisar criticamente o turismo em função da funcionalidade, ideologia e poder estabelecidos no desenvolvimento da atividade a partir das práticas discursivas. Nessa direção, à análise do corpus integram-se leituras críticas da relação e influência de campos como a política e a economia, os quais decididamente exercem forte influência na “ordem do discurso” (FOUCAULT, 2001) na área do turismo.

Com esse perfil de análise, buscou-se evidenciar as subjetividades ideológicas e “codificadas” que atuam na construção das práticas sociais do turismo. Assim, através da análise dos dados, na análise da conjuntura/contexto e, principalmente, na confrontação dos textos produzidos, buscou-se subsidiar uma

reflexão crítica sobre a administração e prática social da atividade do turismo, a fim de revelar as contradições, poderes e status quo que se estabelecem no turismo. Defende-se que o conhecimento e a lucidez da forma como as coisas acontecem é um passo importante na proposição de mudanças.

Dessa forma, nas análises e etapas do estudo buscou-se captar a materialidade ideológica e de poder nos textos analisados. Entendendo o turismo como um sistema produtivo que combina discurso, materialidade e prática (FRANKLIN; CRANG, 2001). Assim, ele não pode ser isolado do contexto que o integra, sendo, portanto, importante à reflexão quanto ao estado atual das coisas e ao debate atinente a cenários futuros.

Construiu-se o estudo apoiado nesta lógica: de propiciar reflexões críticas sobre a prática social do turismo, como forma de instrumentalizar leituras concernentes à realidade atual e a como se constitui a sua estrutura. Dessa forma, fica clara a relevância da investigação empírica no estudo, cujas opiniões são relevantes quando se intenciona criar movimentos sociais emancipatórios, como algo que pode ser realizado no futuro (TRIBE, 2007).

A geração de dados mediante as entrevistas proporcionou uma amostra qualitativa indispensável na busca da interpretação da realidade social, cuja síntese das opiniões, sob o viés de análise da tese, forma um corpo importante de contestação, concordância e novas formas de pensar e agir em relação ao objeto analisado.

Assim, de acordo com as hipóteses da tese, a análise buscou evidenciar as relações sociais e discursivas que formam o contexto social, as ações, os atores, e a estrutura de poder em torno do desenvolvimento do turismo regional (WODAK; MEYER, 2009). Nessa direção, durante todo o trabalho houve um esforço interpretativo32 e investigativo do autor em evidenciar as defasagens administrativas pertinentes aos aspectos socioambientais no turismo, considerando a importância desses elementos para o desenvolvimento sustentável nessa seara.

Buscou-se, assim, na subjetividade de cada texto, concordâncias, oposições, silêncios e contradições obtidas através das entrevistas e análise documental, subsidiar reflexões acerca da prática social do turismo. Evidenciar um

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As análises, além do inerente esforço interpretativo exigido nas pesquisas qualitativas, teve como filtro a reflexão crítica e integrativa exigida na análise do turismo, o qual funciona em cadeias de sistemas. Panosso Neto, Noguero e Jäger (2011) lembram que os parâmetros críticos fornecidos pela Teoria Crítica nos estudos do turismo auxiliam a construção do conhecimento e a forma de avaliar o objeto pesquisado. Para os autores, a referida teoria, ademais de investigar as relações de poder, admite a influência (interpretação) do pesquisador na coisa pesquisada.

padrão, discordância ou contradição nas opiniões dos entrevistados; por exemplo, considera-se como uma forma de sofisticação das análises. Esse mecanismo interpretativo é importante no segmento turístico, posto que, nos eventos e práticas discursivas, os enunciados e textos são geralmente posicionados como “inquestionáveis”, “adequados”, “coerentes”, “sistêmicos” e “sustentáveis”.

Gaskell (2002, p. 85) explica que o que é falado numa entrevista, por exemplo, constitui os dados, “[...] mas a análise deve ir além da aceitação deste valor aparente”. Nesse sentido, os textos analisados sempre tiveram seus conteúdos relacionados com os contextos social, político e econômico nos quais foram produzidos, considerando essa leitura contextual uma forma de perceber disparidades entre os enunciados e a realidade, uma forma de codificar as análises. Esse posicionamento investigativo difere-se do de outro trabalho que utilizou a ADC como método de pesquisa, em que Resende (2008) sugeriu uma abordagem “flexível de leitura”, cujos dados são inicialmente analisados e só depois definidas as codificações que constituiriam a análise. Contudo, concorda a autora:

Evidentemente, essa abertura na codificação é algo relativa: quando procedemos à primeira leitura dos documentos não estamos livres de pressuposições a seu respeito, temos já construídas algumas perspectivas a respeito do que vamos buscar, não só porque conhecemos as interações de que são resultado, mas também por toda a experiência etnográfica com a observação. (RESENDE, 2008, p. 139).

Esta parte do trabalho delineou as ferramentas e formas de análise dos dados na pesquisa. Justificou-se o perfil qualitativo e sua adequação às propostas do objeto pesquisado, assim como a orientação metodológica de Análise do Discurso Textualmente Orientada (ADTO) como ferramenta de análise textual adequada para a investigação de aspectos ideológicos e de poder na área social. Registraram-se ainda os aspectos analíticos e as chaves interpretativas que embasaram as análises, as quais serão apresentadas adiante. Acredita-se que o delineamento da pesquisa e o cruzamento dos dados obtidos das análises, apresentados ao final de cada seção da sexta e sétima parte do trabalho e sinteticamente comentados nas considerações finais, são epistemologicamente consistentes ao debate que se propõe na tese.

4 TURISMO E PLANEJAMENTO: POLÍTICAS, PARADIGMAS E SUSTENTABI-