4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.4 FONTES DE RISCOS E RESPOSTAS GERENCIAIS
4.4.2 Comportamentos gerais das cooperativas perante o risco
Para verificar como os respondentes percebem o comportamento geral da cooperativa perante situações de riscos, foram apresentadas as seguintes questões: (A minha cooperativa ....)
• Considera que uma maior exposição ao risco (como novos investimentos, lançamento de novos produtos, etc) pode ser traduzida em vantagem competitiva – esta questão se refere ao risco como fator de oportunidade e não apenas como pura ameaça.
• Tem por característica assumir mais riscos de mercado do que as outras (ex. mudanças no portfólio de produtos, conquista de novos mercados, etc.) – esta questão se refere ao grau de aversão ao risco, com ênfase nos riscos de mercado.
• Tem por característica assumir mais riscos financeiros do que as outras (ex. diversificação de investimentos, novas formas de financiamentos de atividades, etc.) – esta questão se refere ao grau de aversão ao risco, com ênfase nos riscos financeiros.
• Geralmente é muito cuidadosa em aceitar novas idéias (ex. novas práticas gerenciais, novas formas de relacionamento entre cooperados, etc.) – esta questão se refere ao grau de aceitação de inovações gerenciais e de relacionamento.
• Geralmente adota inovações (ex. novas tecnologias de produção, novas tecnologias da informação, etc.) somente depois que elas se tornam populares – esta questão se refere ao nível de pioneirismo ou conservadorismo da cooperativa no que se refere à adoção de inovações técnicas.
• Em situações em que se apresentam novas oportunidades de crescimento, prefere não correr riscos se houver alguma possibilidade de instabilidade no seu faturamento – esta questão se refere ao grau geral de aversão ao risco considerando oportunidades de crescimento versus instabilidades no faturamento, podendo servir de referência à disposição da cooperativa por investimento em novas atividades.
A Tabela 4.10 apresenta a média geral e o desvio-padrão das respostas, além da média das respostas segundo a classificação das cooperativas por porte de faturamento. As questões foram apresentadas com possibilidades de respostas
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segundo uma escala Likert, variando de discordo plenamente (1) a concordo plenamente (5).
Tabela 4.10 – Comportamento geral perante o risco
Fonte: Elaboração própria
Na questão 1 os respondentes concordam que o risco pode ser uma oportunidade ao invés de pura ameaça, podendo ser traduzido em possibilidades de vantagem competitiva. Esta percepção foi compartilhada entre os respondentes de cooperativas de portes diferenciados. Entretanto, como será visto abaixo, em entrevistas com gestores das cooperativas verifica-se que estas organizações têm por princípio não assumir riscos no mercado de futuros. Ou seja, as cooperativas não usam seu potencial de comercialização de commodities (suportado pela produção de seus membros) para “especular” com contratos de futuros ou opções. Neste caso, aproveitar as vantagens que podem ser encontradas no risco não é uma prática comum nas cooperativas. Além disso, as respostas a essa questão conflitam com as respostas dadas às demais questões. Ou seja, se os respondentes consideram que o risco pode ser uma oportunidade ao invés de pura ameaça, seria
A minha cooperativa... Média Geral Desvio- padrão
Média Grupo A Média Grupo B Média Grupo C 1. Considera que uma maior exposição ao
risco (como novos investimentos, lançamento de novos produtos, etc) pode ser traduzida em vantagem competitiva.
4,29 0,47 4,33 4,25 4,29
2. Tem por característica assumir mais riscos de mercado do que as outras
(ex. mudanças no portfólio de produtos, conquista de novos mercados, etc.).
3,14 1,03 3,33 3,50 2,86
3. Tem por característica assumir mais riscos financeiros do que as outras
(ex. diversificação de investimentos, novas formas de financiamentos de atividades, etc.).
2,50 1,09 2,00 2,50 2,71
4. Geralmente é muito cuidadosa em aceitar novas idéias
(ex. novas práticas gerenciais, novas formas de relacionamento entre cooperados, etc.).
2,93 1,07 3,33 2,00 3,29
5. Geralmente adota inovações (ex. novas tecnologias de produção, novas tecnologias da informação, etc.) somente depois que elas se tornam populares.
3,07 1,21 3,33 2,75 3,14
6. Em situações em que se apresentam novas oportunidades de crescimento, prefere não correr riscos se houver alguma possibilidade de instabilidade no seu faturamento.
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de se esperar que eles estivessem mais dispostos a assumir riscos financeiros e de mercado (respostas das questões 2 e 3).
Na questão 2 a média geral demonstra uma tendência à indiferença quanto à possibilidade da cooperativa assumir mais riscos de mercado. Ou seja, os respondentes não consideram que sua cooperativa se diferencie das outras, em termos de adoção de medidas que podem acarretar mais riscos de mercado. Entretanto, devido ao alto valor do desvio-padrão, verifica-se uma alta variabilidade nas respostas. Houve 5 respostas com valor 2 (discordo) e 5 respostas com valor 4 (concordo). Também se verifica uma tendência maior a discordar dessa afirmação quando se analisa as cooperativas do grupo C (de menor porte em faturamento). Isto pode significar um maior grau de aversão ao risco de mercado por parte destas cooperativas.
Na questão 3 a média geral demonstra uma tendência a discordar da afirmação. Segundo os respondentes sua cooperativa não está disposta a assumir mais riscos financeiros que as outras, o que pode ser considerado como uma característica de aversão ao risco ou conservadorismo. Entretanto, semelhantemente a questão 2, o alto valor do desvio-padrão (comparado à média) justifica uma análise mais detalhada da freqüência das respostas. Houve um respondente que concorda plenamente com a afirmação proposta pela questão (resposta de valor 5), dois respondentes que concordam com a afirmação (resposta de valor 4) e um respondente que discorda plenamente (resposta de valor 1). Entre as respostas classificadas por grupos verifica-se uma tendência homogênea a discordar da afirmação.
Na questão 4 verifica-se uma tendência à indiferença quanto à proposição de inovações gerenciais e de relacionamento entre cooperativa e cooperados. Novamente, devido ao alto valor do desvio-padrão, se faz necessária a análise da freqüência das respostas. Houveram 6 respostas concordando com a afirmação (respostas de valor 4) e 5 respostas discordando com a afirmação (respostas de valor 2). Analisando a classificação das respostas por porte da cooperativa, verifica- se que as cooperativas de porte médio tendem a discordar da afirmação, demonstrando maior grau de pioneirismo quanto a mudanças gerenciais e novas formas de relacionamento entre cooperativa e cooperados.
Na questão 5 a média geral demonstra uma tendência à indiferença quanto à afirmação proposta, mas o desvio-padrão alto indica novamente uma alta
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variabilidade nas respostas. Isto pode ser constatado na análise das diferenças entre as médias dos grupos de cooperativas. As cooperativas de médio porte (grupo B) tendem a serem mais pioneiras quanto à adoção de inovações tecnológicas, enquanto que as cooperativas de grande porte tendem a serem mais conservadoras. Nessa questão houveram 6 respostas discordando daa afirmação (uma resposta de valor 1 e 5 de valor 2) e 7 respostas concordando com a afirmação (6 respostas de valor 4 e uma de valor 5).
Na questão 6, que objetivou medir de forma geral qual o grau de aversão ao risco, a média geral das respostas indica uma tendência à aversão ao risco, sendo que as cooperativas de médio porte tendem a apresentar menor grau de aversão. Nessa questão não houve um alto grau de variabilidade das respostas, com 4 respostas discordando da afirmação (respostas de valor 2) e 6 respostas concordando com a afirmação (respostas de valor 4).
A análise das questões 1, 2 e 3 sugere uma diferenciação quanto ao tipo de risco mais aceito pelas cooperativas. Ou seja, na questão 1 os respondentes consideram que o risco pode ser traduzido em vantagem competitiva, sugerindo que o risco pode ser considerado também como oportunidade ao invés de pura ameaça. As respostas da questão 2 corroboram essa percepção com relação aos riscos de mercado, sugerindo que as cooperativas estão mais dispostas a assumir esse tipo de risco se isso for traduzido em possibilidade de diferenciação. Entretanto, na questão 3 os respondentes de forma geral demonstram um certo grau de aversão aos riscos financeiros. Essa análise sugere que as cooperativas estão mais dispostas a assumir riscos de mercado do que riscos financeiros. Isso pode ser explicado pela dificuldade de capitalização das cooperativas. A maior aceitação pelos riscos de mercado pode ser explicada pelas características inerentes ao agronegócio, onde a variabilidade de preços e produção é parte integrante do dia-a- dia dos produtores.
Quanto ao grau de pioneirismo ou conservadorismo em relação à adoção de inovações gerenciais, tecnológicas e de relacionamento, verifica-se um alto grau de heterogeneidade, constatado na análise das respostas das questões 4 e 5. Verifica- se também que as cooperativas de médio porte tendem a ser mais pioneiras quanto à adoção destes tipos de inovação.
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4.4.3 Importância das fontes de riscos para as cooperativas e relevâncias das