• Nenhum resultado encontrado

CASO 1: EMPRESA DE REFERÊNCIA: EMPRE-

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.2.5 Contexto de Parques Tecnológicos no Brasil

As ações de inserção dos Parques Tecnológicos no cenário atual de desenvolvimento do País alimentam o objeto de serem sistêmicas, in- clusivas e orgânicas. Visam, sobretudo, agregar estas iniciativas a outros mecanismos que têm como missão o desenvolvimento de políticas e es- tratégias de CT&I de forma integrada.

É datada dos anos 70, aproximadamente, a inserção do tema C&T na agenda do governo brasileiro, a partir do primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento e do primeiro Plano Básico de Desenvolvimento Cien- tífico e Tecnológico (VEDOVELO, MACULAN e JUDICE, 2006, p. 25; VEDOVELLO, 2008, p. 9), induzindo a implantação de vários organis- mos e fomentando sua sinergia.

Apesar de ações de formação e qualificação de recursos humanos em nível de pesquisa e titulação antecederem este período, através de re- conhecidas iniciativas da CAPES e do CNPq, é a partir dos nos 90 que o debate e as ações se qualificam, introduzindo ao tema o quesito inovação e a indispensável necessidade de participação do elemento empresarial no processo. Ações que agregam estes elementos passam a obter relevância e importância. A Hélice Tríplice (ETZKOWITZ, 2009) – governo-universi- dade-indústria ganha seu próprio contorno e todas as ações que as agrega, no conjunto ou mesmo em parte, passam a obter destacado reconheci- mento quando o foco é a articulação, coordenação, financiamento e a exe- cução de políticas científicas, tecnológicas e inovadoras. Iniciativas como Distritos Industriais, APLIs, Clusters, SPLIs, SNI e, mais recentemente, Parques Tecnológicos, passam a representar mecanismos e vetores para o ‘novo’ caminho do desenvolvimento baseado no conhecimento e na inovação, próprios da contemporaneidade da economia do conhecimento. Onde estas ações têm emergido, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento (ABDI, 2007b; ANTONOPOULOS, 2009, p.518), de acordo com Vedovello (2008, p. 9), algumas dificuldades têm sido identificadas no sentido de constatar ausência de:

• maior entendimento, no âmbito da Base Empresarial, dos aspectos que influenciam a criação, a difusão e a utilização do conhecimen- to;

• capacidade para identificar os obstáculos que influenciam o fluxo de dados, as informações, os conhecimentos e as competências, ou o ciclo do conhecimento nas organizações (NONAKA e TAKEU- CHI, 1997, p. 63, 79; CHOO, 2003, p. 222, 377; DALKIR, 2005, p. 25) entre os atores envolvidos;

• capacidade de superar os obstáculos identificados, com vistas a tornar viável o alcance dos objetivos do processo;

• políticas amplas e sistêmicas voltadas para a indução e o estímulo do desenvolvimento baseado no conhecimento e na inovação; • recursos financeiros com visão de largo prazo, público ou privado,

para o apoio às atividades dos atores envolvidos.

No Brasil, a década de 90 do século passado já registra algumas iniciativas, ainda que isoladas, voltadas à configuração de Parques Tecno- lógicos, dentro dos conceitos que atualmente são propostos. Mas é a partir deste século que estas ações se tornam mais efetivas, com a promulgação da Lei no 10.973, de 02 de dezembro de 2004 (Lei de Inovação, LI, 2004), regulamentada pelo Decreto no 5.563 em 11 de outubro de 2005, dispondo sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no âmbi- to do setor empresarial e produtivo brasileiro.

A ANPROTEC, apoiada em estudos e levantamentos nos segmen- tos de Parques Tecnológicos e Incubadoras (ANPROTEC, 2011) registra um total de 74 iniciativas de Parques Tecnológicos (classificados em fase de projeto, implantação e operação) e 377 Incubadoras de diversas moda- lidades. Relativamente aos Parques Tecnológicos, 43% encontram-se em projeto, ~23% em implantação, e ~34% em operação, apresentando forte

vocação vinculada à área de TIC (~78%). As Incubadoras de Empresas, muitas com iniciativas independentes de PTs, atestam um pioneirismo no contexto da visão de uma cultura empreendedora, principalmente visua- lizando-se que, ao final dos anos 80, não passavam de dez iniciativas. De acordo com a mesma fonte, as Incubadoras estão distribuídas nas áreas de base tecnológica (40%), seguimentos tradicionais (17%), cultura, so- ciais e serviços (20%) e o restante associadas a áreas tradicionais (23%). Ambas as iniciativas, parques e incubadoras, estão preferencialmente concentradas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, representam um con- junto de oportunidades equivalente a mais de 30 mil postos de trabalho, aproximadamente.

A FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos, tem se postado como a principal agência de fomento a iniciativas vinculadas à PTs, particular- mente a partir da utilização de recursos dos Fundos Setoriais. A partir de mecanismos baseados em Editais Públicos, contemplou vinte e seis pro- jetos, com investimentos da ordem de R$ 16 milhões. Trabalhos consecu- tivos de avaliação e desempenho destes projetos já apontam tendências, sucessos e deficiências (VEDOVELLO, MACULAN e JUDICE, 2006, p. 35-110; FIGLIOLI, 2007, p. 92-188), oferecendo abordagens referentes ao modelo de gestão e governança destas iniciativas. Das experiências implantadas e avaliadas, emergem modelos de gestão diversificados: a) gestão única e centralizada; b) baseados em conselhos; c) baseados em executivos do mercado; d) baseados em experiências internacionais, a partir de uma sociedade anônima sem fins lucrativos; d) modelos mistos, e outros com efetivas e constatadas deficiências de gestão. Em relação a modelos de governança propriamente ditos, poucas são as referências dentro do que compõem os princípios da Governança Corporativa (ver Item 2.3).

Iniciativas recentes de vários agentes indutores como MCT, FI- NEP, ADBI, ANPROTEC, CGEE, entre outros, têm fortalecido o debate estratégico sobre desenvolvimento econômico e social a partir do conhe- cimento e da inovação, sugerindo o aporte de um modelo mais amplo, sistêmico e integrado para a adoção de uma Política Pública para PTs articulada com outras ações, planos e programas estratégicos tanto do Governo – Público/Base de CT&I – como da Sociedade Civil – Privado/ Base Empresarial. As atuais proposições em curso no âmbito destas ins- tituições dão conta de três alicerces básicos, sintetizados no Quadro 14, que encerra em seu bojo o trabalho conduzido pela ABDI e ANPROTEC no período de 2007/2008 (ADBI, 2008).

Quadro 14 - Proposições para uma Política Pública de Parques Tecnológicos.

Bases de uma Política Pública para Parques Tecnológicos no Brasil 10. Princípios, Declarações e Diretrizes

Objetivos Suporte e Requisitos

Oferecer um conjunto de instrumen- tos regulatórios

Existência de Base de CT&I, Base Empresarial e Sis- tema de CT&I.

Experiência no seguimento de Incubadoras de Empresas e fomento à atração e criação de Ambientes Inovadores. Adoção de Política Pública em sinergia com outros pro- gramas em nível nacional, regional e local.

Garantias de recursos para investimentos de longa dura- ção com definição de prioridades estratégicas. Adoção de uma Taxonomia adequada ao setor de PTs.