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Da curva de Phillips para a curva de oferta agregada

Parte 5 ▪ Grandes eventos, ajustes internacionais e tópicos avançados

6.5 Da curva de Phillips para a curva de oferta agregada

da. A derivação terá quatro etapas. Em primeiro lugar, relacionamos o produto ao em- prego. Em segundo, relacionamos os preços cobrados pelas empresas aos seus custos. Em terceiro, utilizamos a relação da curva de Phillips entre salários e emprego. Em quarto, juntamos os três componentes para derivar uma curva de oferta agregada po- sitivamente inclinada.

L E I D E O K U N

No curto prazo, o desemprego e o produto estão fortemente relacionados. De acor- do com a Lei de Okun, um ponto adicional de desemprego custa 2% do PIB. (Voltaremos a esta relação no próximo capítulo.) A Eq. (6) apresenta a Lei de Okun formalmente:

Y – Y* = – ω (u – u*)

Y* Em que ω ≈ 2.

C U S T O S E P R E Ç O S

A segunda etapa para desenvolver a teoria da oferta é relacionar os preços das empre- sas a seus custos. Os custos de mão de obra são o principal componente dos custos totais23. O princípio norteador aqui é que uma empresa ofertará produto a um preço que pelo menos cubra o que foi gasto. É claro que as empresas gostariam de cobrar

22 Guillermo A. Calvo, “Staggered Contracts in a Utility -Maximizing Framework”, Journal of Monetary Econo‑

mics, 1983. Trata -se de uma referência importante, embora altamente técnica. Para um novo enfoque, ver N.

Gregory Mankiw e Ricardo Reis, “Sticky Information versus Sticky Prices: A Proposal to Replace the New Keynesian Phillips Curve”. Quarterly Journal of Economics, November, 2002.

23 Supomos que a produtividade da mão de obra seja constante para simplificar a análise, mesmo que na

prática ela se altere ao longo do ciclo econômico e ao longo do tempo. A produtividade tende a crescer duran- te períodos longos, à medida que os trabalhadores ficam mais bem treinados e educados e são munidos de mais capital. Ela também se altera sistematicamente durante o ciclo econômico. A produtividade tende a cair antes do início de uma recessão e a crescer durante a recessão e no início da recuperação.

mais do que o custo, mas a concorrência das empresas existentes e daquelas que po- deriam entrar no setor para capturar parte dos lucros impede que os preços fiquem muito longe dos custos.

Supomos que as empresas baseiem seus preços no custo da mão de obra na pro- dução. Se cada unidade de trabalho produz a unidades de produto, o custo da mão de obra na produção por unidade é W/a. Por exemplo, se o salário é de $ 15 por hora e a é igual a 3, então o custo da mão de obra é de $ 5 por unidade. A razão W/a é chamada

custo unitário da mão de obra. As empresas fixam o preço como uma margem, z, sobre esses custos:

P = (1 + z) W a

A margem sobre os custos da mão de obra cobre o custo de outros fatores de produção que as empresas utilizam, como capital e matérias -primas, e inclui uma verba para os lucros normais da empresa. Se a concorrência no setor for menos que perfeita, a margem também incluirá um termo de lucro de monopólio24.

E M P R E G O E S A L Á R I O S E A C U R V A D E O F E R T A A G R E G A D A

A curva de Phillips da Eq. (2b) mostra os aumentos dos salários como função da infla- ção dos preços esperada e do hiato entre desemprego e a taxa natural. A Lei de Okun, Eq. (6), relaciona o hiato do desemprego e o hiato do produto (PIB efetivo menos PIB potencial), que é o que desejamos para a curva de oferta agregada. A relação preço- -custo na Eq. (7) nos diz que a taxa de inflação dos salários é igual à taxa de inflação dos preços25. Juntando essas três equações obtemos:

Pt + 1 = Pe

t + 1 + Pt ∊ Y – Y*

    ω

Frequentemente substituímos a Eq. (8) por uma versão aproximada, como pode- -se ver na Eq. (9). Ela é mais simples, mas ainda enfatiza que a curva de oferta agrega- da mostra o nível de preços do período seguinte aumentando com as expectativas de preços e o hiato do PIB.

Pt + 1 = Pe

t + 1 [1 + λ (Y – Y*)]

A Fig. 6.8 mostra a curva de oferta agregada obtida na Eq. (9). A curva de oferta é positivamente inclinada. Assim como a curva WN em que se baseia, a curva OA se desloca ao longo do tempo. Se o produto deste período está acima do nível de pleno emprego, Y*, então, no próximo período, a curva OA se deslocará para cima até OA'. Se o produto desse período estiver abaixo do nível de pleno emprego, a curva OA do pe- ríodo seguinte se deslocará para baixo até OA''. Assim, as propriedades da curva OA

24 Em um setor competitivo, o preço é determinado pelo mercado, em vez de fixado pelas empresas. Isso é

totalmente consistente com a Eq. (7), pois se o setor fosse competitivo, z cobriria somente os custos de outros fatores de produção e os lucros normais, e o preço seria dessa forma igual ao preço competitivo. A Eq. (7) é um pouco mais geral, pois permite também a fixação de preços pelas empresas em setores que são menos que perfeitamente competitivos.

25 Na prática, a inflação dos salários e a inflação dos preços não são sempre iguais — a e z mudam com a tec-

nologia e as condições de mercado. Mas essas mudanças não são uma parte importante da história da curva de oferta agregada. (7) (8) Y*

( )

(9)

Nível de pr

os

Produto

são as mesmas da curva WN. Isso acontece por duas hipóteses: que a margem é fixa em z e que o produto é proporcional ao emprego.

A curva OA é a curva de oferta agregada sob as condições de os salários serem menos que perfeitamente flexíveis. Os preços aumentam com o nível de produto por- que um produto maior implica um emprego maior, um desemprego menor e, portan- to, um aumento dos custos de mão de obra. O fato de que os preços nesse modelo aumentam com o produto é inteiramente um reflexo dos ajustes no mercado de tra- balho, em que o emprego maior aumenta os salários.