• Nenhum resultado encontrado

O design de interiores é uma atividade multidisciplinar que envolve o planejamento e a composição de ambientes segundo padrões de funcionalidade e estética, por meio da manipulação dos volumes espaciais, da colocação de elementos específicos e do tratamento das superfícies (BROOKER; STONE, 2014). Diferente das outras disciplinas de design, o DI deve considerar, também, a localização específica do interior na edificação além da função, das qualidades estéticas e estruturais (BROOKER; STONE, 2014).

A Associação Brasileira de Designers de Interiores – ABD, no ART.2°. do CÓDIGO DE ÉTICA define que:

“O Designer de Interiores participa de importante função social ao contribuir com suas habilidades técnicas e artísticas, para melhoria da qualidade de vida, criando ambientes

Família inteira Criança, com, ASD Pais Irmãos Físicos

- Ambiente sensorial controlado - Segurança (interior e exterior)

- Espaço para equipamento de coordenação motora grossa - Mais espaço para todos - Liberdade de movimento - Acessibilidade à rua - Espaço para terapia

- Bairro tranquilo - Espaço para brincadeiras - Flexibilidade para acomodar necessidades futuras - Mais atividades familiares - Promover independência

- Máxima visibilidade para facilitar a supervisão - Minimizar o impacto negativo

para os vizinhos

- Proximidade ao grupo, mas não no centro

- Espaço para a privacidade conjugal

- Possibilidade de hospedar amigos - Espaços multiusos internos - Limites claros para

atividades sociais

- Mais atenção dos pais

- Possibilidade de expansão futura

- Promover o senso familiar

- Promover identidade (personalização)

- Usar referências visuais para atividades e espaços - Espaço separado Am bie nt e ss oc ia l - Promover relaxamento e controle Am bie nt e sim bó lic o Am bie nt e fís ic o

- Usar material lavável e durável para facilitar o gerenciamento doméstico - Maximizar a visibilidade do espaço para facilitar a supervisão

- Ambiente para aliviar o estresse

- Espaço calmante para a criança se retirar, se incomodada por visitantes

funcionais, seguros e compatíveis com o usuário e seu bem-estar” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DESIGNERS DE INTERIORES, [s.d.]).

Para a Sociedade Americana de Design de Interiores (ASID) e a Federação Internacional de Designers / Arquitetos de Interiores (IFI), o designer de interiores profissional é uma pessoa qualificada por educação, experiência e exame. É ele quem identifica, pesquisa e resolve criativamente problemas relacionados à função e à qualidade do ambiente interior. Sendo, o problema de projeto por essência a própria razão da ação de projetar, uma vez que, parte-se de uma questão em busca de uma solução (OLIVEIRA; MONT’ALVÃO, 2016).

Projetar interiores requer, também, a compreensão do que acontece com as experiências espaciais das pessoas baseadas em suas experiências reais, vividas, subjetivas. Essas experiências acontecem simultaneamente com a mudança das condições físicas, o ambiente construído é um pano de fundo para a mudança de atividades, não limitado por quaisquer estados particulares de ser, ou quaisquer formas particulares de saber (POLDMA, 2011).

O desafio, do designer de interiores, está em que muitas vezes os usuários não sabem expressar suas necessidades, seus anseios, ou até mesmo, não sabem de possibilidades e vantagens que podem ser desenvolvidas no ambiente a ser trabalhado (PHILLIPS, 2008). O Designer pode começar o levantamento das necessidades dos usuários buscando compreender por que o projeto em questão se tornou necessário (PHILLIPS, 2008). Para, a partir desta compreensão, buscar a identificação das necessidades específicas e resolver as correlações entre as preferências do usuário, padrões de vida e especificações de design, determinando assim os elementos críticos no processo de design (CHEN, 2015).

Os ambientes construídos não são apenas entidades arquitetônicas baseadas em atributos físicos, estáticos. Eles são usados de maneira flexível, onde várias atividades podem ocorrer no mesmo local. Isso exige um conceito mais dinâmico de espaço (POLDMA, 2011), com os estilos e as preferências dos usuários transformados em conceitos de design e empregados no processo de design, convertendo os ambientes em interiores para refletir os valores da vida (CHEN, 2015). No entanto, os aspectos físicos do ambiente, como, aglomeração, ruído, poluição afetam o funcionamento

humano em uma base individual, como destaca a psicologia ambiental (THORNOCK et al., 2013).

A definição da forma e a escolha dos materiais, pode se dar a partir da ideia de modificação de comportamento através de reforço positivo (POLDMA, 2011). A literatura revela a importância do ambiente sensorial para a recuperação de pacientes (CONNELLAN et al., 2013). “Indiretamente, o ambiente físico pode influenciar a saúde mental” (EVANS, 2003). Muitos indivíduos com TEA não processaram informações sensoriais como os neurotípicos e lutam para acompanhar o que acontece no ambiente (LIU, 2013). Desta forma, a complexidade do perfil sensorial e psicológico dos usuários, e a importância de compreender o comportamento das pessoas, leva a reflexão sobre os métodos para definição do programa de necessidades para design de interiores (SOARES, 2017).

Um programa de necessidades ou um briefing, ponto de partida do processo de projeto, é um documento escrito que registra pensamentos, palavras, imagens e experiências para serem traduzidos em uma realidade construída (SOARES, 2017). Tem o objetivo de auxiliar o designer na tarefa de fazer a releitura do ambiente, criar e reinventar a organização espacial, com a geração de conforto e harmonização estética para influenciar o comportamento no interior das edificações. (SOARES, 2017).

Entidades de apoio ao TEA tais como ABRA - Associação Brasileira de Autismo, AMA - Associação de Amigos do Autista, Autism Speaks, Autism Awareness e leis de inclusão do indivíduo com TEA como por exemplo, no Brasil a lei 12.764, nos Estados Unidos a

lei nº 113-157, no Reino Unido o “Autism Act 2009”, entre outras estão tornando o

transtorno cada vez mais visível para a sociedade. O aumento de pesquisas nesta área, e a divulgação destas pesquisas, está auxiliando a população em geral a entender e a

conviver com autistas de forma cada vez mais harmoniosa. Estudos referentes a

influência dos aspectos físicos do ambiente no desenvolvimento das crianças com TEA, estão influenciando projetos de escolas, residenciais e centros de convivência com o TEA ao redor do planeta (DOENYAS, 2016; MOSTAFA, 2014a; REEVES, 2012). Com o crescimento da conscientização sobre o TEA, designers de interiores poderão ser solicitados a projetar ambientes residenciais para crianças com TEA. Pois de acordo com

às suas necessidades” (AYRES; ROBBINS, 2005 p. 141).Com isso uma lacuna quanto a identificação das necessidades destas crianças, se abre na área de desenvolvimento de projetos de interiores. Os profissionais que intentem trabalhar com projetos para crianças com TEA irão enfrentar um novo desafio na elaboração do briefing e na

definição dosrequisitos de projeto de interiores; saber como identificar as necessidades

delas.