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Do contexto educacional

No documento Rio de Janeiro (páginas 38-41)

2. FALANDO SOBRE INSTITUIÇÃO

2.3 Do contexto educacional

Como já afirmamos anteriormente, o CPII foi criado para ser modelo de instrução públi-ca para as províncias. Com o rompimento de laços com Portugal em 1822 tornou-se necessá-rio transformar a antiga colonia num Impénecessá-rio autônomo. “Fazer daquele país um Nação era a tarefa a ser cumprida em longo prazo, cuja direção caberia inicialmente ao nosso primeiro

im-perador, o português Dom Pedro I” (CUNHA JUNIOR, 2008: 20). O autor acrescenta ainda que a educação pública, naquele momento, teria que ser mais contundente, não bastava apenas ensinar as primeiras letras e a matemática elementar. “Com vistas à construção e ao desenvol-vimento da Nação, era preciso educar, difundir princípios éticos e morais considerados como fundamentais à convivência social” (CUNHA JR., 2008: 20). E foi nesse contexto particular que o Colégio Pedro II foi criado. Cunha Junior nos diz ainda que, apesar de ter sido criado para servir de modelo para as outras escolas da província, isso de fato não aconteceu. O Colé-gio se tornou um modelo ideal, já que serviu de referência para as demais instituições de ensi-no, mas não real uma vez que era impossível para as demais escolas seguir o currículo do CPII, naquele momento.

Dando um verdadeiro salto no tempo, vamos olhar um pouco a conjuntura em que se deu a criação do primeiro segmento, em 1984. Estávamos vivendo o final do período ditatori-al, a ascensão do movimento popular e a volta de presos políticos beneficiados pela Lei da Anistia, dentre os quais importantes pensadores, artistas e políticos. No Rio de Janeiro, em particular, Leonel Brizola estava à frente do governo e foi o momento dos Centros Integrados de Educação Pública, os CIEPs, na educação fluminense. A demanda pela ampliação do ensi-no obrigatório tinha chegado à rede federal de ensiensi-no. O primeiro segmento do Colégio de Aplicação da UERJ (CAP UERJ) tinha sido criado em 1977 e no Colégio Brigadeiro Newton Braga (da Aeronáutica) uma série do primeiro segmento já havia sido implantada desde 1969, sendo outra série (a 3ª.) introduzida em 1978.

Observamos então que demandas interna e externa se congregaram no caso do Colégio Pedro II para fazer nascer o primeiro segmento de ensino. As duas implantações vieram ocu-par espaços diferenciados nos contextos em que surgiram também pelos princípios diferentes a que atendiam: o Colégio foi criado para servir de modelo, enquanto o Pedrinho foi criado, para completar o CPII, impedir sua extinção como colégio de primeiro grau, buscando inovar, o que, de certo modo, impulsionou o colégio como um todo. França aponta a criação do Pedri-nho como um momento de expansão interna que

conferiu ao CPII um perfil mais democrático, com a presença de uma clientela mais jovem e diversificada, oriunda de diferentes classes sociais, que passaram a ter acesso ao Colégio através de sorteio para a Classe de Alfabetização, em vez dos tradicionais concursos de seleção, que, no entanto, se mantiveram restritos ao ingresso de alguns alunos na 5ª série do Ensino Fundamental (atual 6º. ano) e no 1º. ano do Ensino Médio, a fim de complementação do quadro discente.

Ademais, tal expansão também concedeu ares de renovação ao CPII, com a

incorporação de novos valores e de metodologias mais atuais, a partir da contratação de novos professores de características distintas dos que integravam, até então, o corpo docente do Colégio, não apenas em virtude de sua faixa etária mais baixa, mas também por sua formação com uma visão mais generalista em Educação, visto que todos possuíam, obrigatoriamente, Ensino Médio com Habilitação Específica para lecionar nos anos iniciais do Ensino Fundamental (antigo Curso Normal) (FRANÇA, 2008: 80).

França também destaca a formação do departamento do primeiro segmento como um fa-tor que impulsionou algumas transformações dentro do CPII por congregar expressivo núme-ro de pnúme-rofessores dos Pedrinhos que, com sua formação generalista e com menos idade, con-tribuíram para que o primeiro segmento tomasse um rumo que, algumas vezes, provocou tensões dentro da instituição.

Foi então, dentro desse departamento, com a adesão de seu Colegiado, que a proposta pedagógica dos “Pedrinhos” foi cunhada, adotando concepções teórico-metodológicas baseadas na teoria psicogenética que, enfatizando o processo de construção do conhecimento pelo aprendiz, e o consequente desenvolvimento de suas funções cognitivas, a partir de sua própria atividade reflexiva e cooperativa, divergia das concepções e práticas pedagógicas tradicionais, de ênfase na transmissão e na acumulação de conteúdos, desenvolvidas, até então, no Colégio. Evidentemente, essa divergência trouxe algumas tensões entre as novas e antigas unidades, que motivaram diversas iniciativas institucionais no sentido de buscar a aproximação e o diálogo entre suas propostas pedagógicas, como reuniões entre Chefes de Departamento, Coordenadores Pedagógicos e professores dos dois segmentos do Ensino Fundamental, e o surgimento de algumas vozes apontando a necessidade de definição de uma proposta político pedagógica única para todo o Colégio (FRANÇA, 2008: 81).

Procuramos fazer um histórico da criação do CPII e do Pedrinho, demonstrando as dife-renças significativas tanto de contexto sócio histórico como das próprias condições internas dadas para o acesso dos alunos, para a formulação do currículo e para a contratação dos pro-fessores. Esses aspectos contribuem para a compreensão dos enunciados que vamos abordar mais adiante que atestam o lugar diferenciado que o Pedrinho ocupa dentro da instituição, em nossa visão.

Na próxima seção, apresentaremos os autores em que nos apoiamos para a realização desta pesquisa, destacando os conceitos que nos servirão de ferramentas para a análise. Em primeiro lugar, apresentamos o conceito de instituição com o qual estamos trabalhando e de

"forma reconhecível", apoiados em Mary Douglas (1998). E ainda os conceitos de estabeleci-dos/outsiders de Norbert Elias (2000) que procuramos trazer para a discussão de nosso campo de estudo.

No documento Rio de Janeiro (páginas 38-41)